Gakuen Hetalia: Uma Nova Aventura
14 O passado começa a ser revelado...
Notas iniciais
Por favor, espero que não tenham desistido dela! E desejo uma boa leitura :D
Semana que vem eu vou trazer o capítulo 15!
A busca de Inglaterra se mostrou satisfatória quando ele encontrou Estônia e Letônia estudando na biblioteca da Academia. O inglês se aproximou dos dois, que o receberam com um cumprimento, logo retribuído por ele.
- Veio estudar também, Inglaterra? – Pergunta Letônia.
- Se quiser se juntar a nós, estamos estudando Tratados Internacionais. – Comenta Estônia.
- Bom, na verdade eu quero mesmo é conversar com vocês.
- Aconteceu alguma coisa, Inglaterra? – Pergunta Estônia.
- Eu vou ser direto, rapazes. Preciso que me contem tudo que sabem da República Tcheca e das amigas dela, na época em que viviam com o Rússia.
A pergunta de Inglaterra deixou os dois bálticos surpresos. Era algo que eles nunca imaginariam acontecer. Os dois permanecem em silêncio por um tempo, se entreolhando e em seguida olhando para o inglês que demonstrava paciência em obter uma resposta.
- Puxa, Inglaterra... Você nós pegou de surpresa. – Letônia comenta.
- Sim, e para qual finalidade seria? Afinal, se trata da vida de outras pessoas... – Analisa Estônia.
- Eu estou com alguns problemas no meu relacionamento com a Tcheca, por isso pensei que poderiam me ajudar. Afinal, conviveram com ela, não é? – Inglaterra decide ir direto ao assunto.
- Sim, por exatos vinte e três anos [1]. O mesmo tempo também foi com a senhorita Eslováquia que chegou junto da irmã na casa do senhor Rússia. – Letônia responde um pouco receoso.
- É, isso me faz lembrar que cinco anos depois [2] que entramos na casa do Rússia, veio a senhorita Sérvia. – Lembra Estônia.
- Podem ir me contando mais? Sabe como era a vida delas antes de fazerem parte da casa antiga do Rússia, a União Soviética? – Inglaterra parecia satisfeito com o desenrolar da conversa e puxou uma cadeira para se sentar ao lado dos dois bálticos.
- Isso nós não sabemos, Inglaterra. – Lamenta Estônia – O senhor Rússia sempre manteve bem oculto o passado delas, o mesmo fez com os nossos.
- Foram tempos difíceis, longos cinquenta e um anos [3]... – Letônia agora tinha uma expressão triste.
- Ah... Me desculpem por isso. – Comenta Inglaterra sem graça.
- Não, tudo bem! Não podemos mais temer o senhor Rússia, Letônia, somos independentes agora! – Estônia bate com uma das mãos na mesa, convicto de suas palavras.
- Enfim, o que vocês podem me contar mais? – Pergunta Inglaterra.
- República Tcheca era a favorita do senhor Rússia, ele gostava muito do gênio forte dela. Ele comentava que ela era indomável e que isso aumentava muito mais seu interesse por ela. – Continua Letônia. – Ele quem treinou a senhorita Tcheca, nas mais variadas artes.
- Ah, mas eu me lembro que a Eslováquia também era muito querida pelo senhor Rússia. – Acrescenta Estônia. – Aliás, o senhor Rússia sempre gostou mais de garotas.
- É verdade Estônia, mas algo que nunca entendi foi o relacionamento do senhor Rússia com a Sérvia. Ela era bem apegada a ele, e continua mantendo um respeito incrível, mesmo depois de tudo que ele a fez fazer, até mesmo com as amigas dela. E ela era a única que não morava com a gente, acho que era a mais independente de todos nós.
- Como assim, Letônia? – Pergunta Inglaterra intrigado.
- Inglaterra, eu não sei bem... Era algo como o senhor Rússia tem com as senhoritas Ucrânia e Bielorrússia. – Comenta o mais baixo dos bálticos.
- Bom, na época em que vivíamos na casa do senhor Rússia, cada um de nós tinha funções específicas. Sérvia não morava com a gente, mas sempre estava lá, para receber informações de suas missões através da senhorita Ucrânia ou até mesmo diretamente do senhor Rússia.
- Bem lembrado, Estônia. – Interrompe Letônia – O senhor Rússia tinha um jeito diferente de lidar com a Sérvia. Enfim, a senhorita Tcheca sempre foi muito séria e bem fechada, vivia para proteger a irmã. No começo, ela e a senhorita Sérvia não se davam bem, Tcheca não gostava nada do jeito de agir de Sérvia com o senhor Rússia.
- Entendo... – Agora Inglaterra compreendeu o que havia lido no caderno de anotações de República Tcheca. – E podem me dizer com mais profundidade o relacionamento da Tcheca e do Rússia?
- Bem... – Comenta Letônia sem graça. – Aconteceram algumas coisas...
- Na verdade, o senhor Rússia abusou muito da senhorita Tcheca, a verdade é essa. Acho que foi por isso que ela e Eslováquia começaram a ficar mais amigáveis da senhorita Sérvia, ela impediu os atos contínuos do Rússia contra a República Tcheca. – Diz Estônia um pouco sem graça, afinal, estava falando com o namorado da moça.
- “Então, não foi só uma vez... República Tcheca, era isso que estava escondendo de mim?” — Inglaterra fica pensativo por um tempo e depois se levanta da cadeira.
- Obrigado, me ajudaram muito.
- Não por isso. Desejo boa sorte com a senhorita Tcheca. – Estônia sorri.
- Sim, a personalidade dela é tsundere. – Letônia ri.
- T-Tsundere? – Por algum motivo, Japão também comentava que a personalidade do inglês era tsundere. – Bom, então até mais.
O inglês sai da biblioteca e, de repente, esbarra em Alemanha. Aproveitando a oportunidade, Inglaterra conta tudo ao alemão, que fica ainda mais interessado em saber mais sobre o passado de Sérvia. Já na sala de música, Áustria passava as informações da conversa com Eslováquia ao maestro que, muito satisfeito, permitiu que Áustria fosse até a cidade e continuasse a ensaiar a peça que apresentaria com a Orquestra da Academia.
- “Por que eu não consigo me concentrar.” — Pensava o austríaco que tentava praticar um pouco ao piano. — “Eu só fico me recordando da noite que eu tive com a Eslováquia. Será que foi certo? Afinal, aquilo foi com qual sentimento?”.
Áustria desiste de ensaiar ao piano e sai da sala de música. Seria bom tomar uma xícara de chá no refeitório agora, mas ao curvar o corredor que dava acesso ao refeitório ele se encontra com Prússia.
- E aí, aristocrata. Sentindo falta da Eslováquia? A essa altura você já deve saber que ela está no meu apartamento e é bom você não comentar nada com a Hungria. – Prússia dizia com ar debochado.
- Acho estranho você ajudá-la, afinal, ela machucou a Hungria. – Retruca Áustria.
- Ela apanhou por ser intrometida, eu já tinha dito a ela para não se meter em confusão dos outros. Sempre acaba sobrando para quem é abelhudo. – Prússia responde de volta. – E ela concordou que não deveria ter se aproximado tanto, que o mais sensato era pedir ajuda para que tirassem Eslováquia de cima da Seychelles.
- A Hungria só queria ajudar da melhor maneira. – Defende o músico e Prússia dá uma gargalhada.
- Você não pode passar a mão na cabeça de alguém que errou, mesmo que ame muito essa pessoa. Espero que você, como “namorado” da Eslováquia também tenha dito a ela que ela exagerou. Se bem que aquela chata da Seychelles fez por merecer aquela surra.
- Não gostei do seu tom em se referir a mim como “namorado” da Eslováquia. Eu sou o namorado dela.
- Não seja hipócrita, Áustria. Desde o primeiro momento eu sei dessa farsa de vocês e muito me admira você se aproveitar dos sentimentos de uma garota.
- Eu não estou me aproveitando. Ela ofereceu e, bem, eu aceitei.
- Aceitou por egoísmo e não mediu as consequências disso. Cuidado, Áustria, as coisas estão muito claras e você que não quer enxergar. Enfim, não vou dizer mais nada. – Prússia parecia mais sério do que o comum em comentar aquilo com o músico, deixando-o sozinho no corredor em seguida. As palavras do prussiano fazem Áustria ficar pensativo. Agora nada era mais claro para ele. Nem Hungria, Nem Eslováquia.
- Obrigada e volte sempre! – Sérvia agradecia a um cliente que saia da loja.
- Foi bom eu ter deixado você fazer os biscoitos, senhorita Sérvia. A saída deles está alta. – Comenta o pâtissier.
- Eu que agradeço a oportunidade, mestre. – Responde ela com um sorriso.
- Sobrou um saquinho de biscoitos, leve-o para você. – Oferece o mestre doceiro e Sérvia agradece.
- Já pode ir agora, eu irei fechar a loja hoje.
- Obrigada mestre, até amanhã. – Sérvia ao se despedir do mestre segue para a parte de trás da loja, destinada aos funcionários. Lá, ela troca de roupa e guarda de forma bem arrumada seu uniforme, um lindo vestido estilo boneca. Ao sair da loja, a moça é surpreendida ao ver uma pessoa esperando-a.
- Boa noite, Sérvia. – Alemanha cumprimenta um pouco envergonhado. Ele ainda estava com o uniforme da Academia.
- A-Alemanha, que surpresa... – Sérvia fica tímida, mas se aproxima do alemão. – O que faz aqui na cidade?
- Eu... Ah... – Ele parecia nervoso e ao mesmo tempo tinha as maçãs do rosto rubras. – E-eu vim levá-la para casa...
Ao ouvir aquilo a moça fica ainda mais tímida e envergonhada. Imediatamente, a cena do beijo e do banheiro voltam em sua mente, deixando-a muito sem graça.
- N-Não precisa se preocupar, daqui até o apartamento não é longe...
- Eu incomodo, Sérvia? – Agora Alemanha estava preocupado e a moça balança a cabeça negativamente.
- Não é isso, eu só não quero te dar trabalho. – Ela comenta.
- Eu que dei trabalho aquele dia, se não fosse por você... Eu sou muito grato. – Alemanha se referia ao dia em que ele ficou bêbado e Sérvia cuidou dele.
- Alemanha... – Ela sorri amavelmente e o alemão desvia o olhar dela.
- V-Vamos? – Ele oferece o braço para a moça que aceita com um bonito sorriso.
- Você irá jantar comigo e com a Eslováquia. – Diz Sérvia e Alemanha concorda, não podia perder a oportunidade de comer da comida feita pela Sérvia.
Era por volta de oito horas da noite, a maioria dos alunos já estava se arrumando nos dormitórios para descansarem, mas República Tcheca parecia não se importar em seguir as normas da Academia. Ela estava reflexiva e pensativa. A moça de óculos estava próxima ao grande jardim da Academia e, não muito longe de lá, ficava a estufa de flores.
- “Droga, desde que o Inglaterra e eu brigamos, não consigo deixar de pensar nas coisas que aconteceram naquela época...” — Pensava a moça se referindo ao tempo que viveu sob domínio da casa do Rússia, conhecida como União Soviética. Ela estava tão imersa em seus pensamentos que não nota a aproximação de alguém, até a pessoa se dirigir a ela.
- Boa noite, Tcheca. – Era a voz do Rússia, fazendo a moça acordar de seus pensamentos em um susto. Ela se vira para encará-lo e ele a recebe com um sorriso.
- O que você quer? – Rosna ela, já mudando a postura de seu corpo. Parecia que ela estava na defensiva, pronta para qualquer ação do homem.
- Que agressiva, eu só quero conversar. Faz um tempo que não temos uma conversa a sós, né? – Ele se aproxima de República Tcheca e ela dá um passo para trás, o corpo dela se encontra com a cerca que rodeava uma área do jardim da Academia.
- Não me lembre daqueles dias... – Ela tinha a voz fria e ameaçadora.
- Ora, não seja tão hipócrita, Tcheca, eu sei que tinha dias que você gostava. Não dizia, mas claramente seus olhos pediam mais, o mesmo pedia seu corpo. – Ele se aproxima mais dela, as respirações ficam próximas.
- Nem ouse... – Ela ameaça e dá uma ombrada em Rússia, afastando-o de si. – Nunca mais irá encostar um dedo em mim, Rússia!
- Calma, vamos apenas conversar. – Pede Rússia paciente o que deixava Tcheca ainda mais nervosa.
- Conversar? Não temos nada para tratar um com o outro, Rússia. – A moça permanecia na defensiva.
- Sabe, Tcheca, eu fiquei pensativo quanto ao que se passou com Eslováquia e Sérvia. No fundo eu acho que vocês sabem muito bem que neste mundo atual, não existe lugar para pessoas com o passado como o de vocês. – Rússia dizia tranquilo e reflexivo, enquanto caminhava de um lado para o outro do jardim, percorrendo pouca distância de Tcheca.
- Não é verdade... – Argumenta a moça.
- Ora, vejamos se não: temos uma assassina especialista em armas de fogo, uma assassina especialista em combate corpo-a-corpo e uma arma de sedução invencível... – Enumera o russo, claramente se referindo à República Tcheca, Eslováquia e Sérvia. – Em casos extremos como foi o do França com a Seychelles, duas não conseguiram conter seus verdadeiros instintos e fizeram o que fizeram. Já você, continua tentado mascarar seu verdadeiro instinto, ou não me diga que perdeu aquele desejo em atirar com uma arma, República Tcheca? De ceifar a vida de uma pessoa? Aliás, não qualquer pessoa. Meus inimigos...
- N-Não... Você está errado, Rússia. – República Tcheca sente os fantasmas de seu passado acordando para assombrá-la. Ela tinha um olhar de culpa e começavam a se formar lágrimas em seu olhos. – Fizemos tudo aquilo para sobreviver...
- Eu gosto tanto de ouvir essa sua voz embargada... – Comenta o russo com um sorriso, abraçando ternamente a moça. – Vamos voltar ao que éramos, todos nós, quando vivíamos naquela grande casa...
- ... – A moça parecia petrificada, não reagia ao abraço de Rússia e muito menos balbuciava alguma palavra.
- Você, eu, as meninas, as minhas irmãs, os bálticos... Éramos felizes, tínhamos momentos felizes! – Rússia aperta mais o corpo de República Tcheca nos braços. – Se lembra de como era bom comemorarmos o Ano Novo? A comida feita pela Ucrânia e pela Sérvia, as brigas entre Lituânia e Bielorrússia, o jeito do Letônia de ficar bajulando a Ucrânia e a Sérvia por causa do tamanho dos seios delas, o modo como Estônia analisava as coisas de forma científica...
- Esses tempos acabaram, Rússia. – A voz de República Tcheca saia bem baixa e embargada. – Nunca mais as coisas serão como antes...
Com aquela resposta, Rússia larga República Tcheca, mas não antes de fitá-la nos olhos, de forma bem profunda.
- Não adianta esconder, vocês serão minhas novamente. É só questão de tempo até perceberem que neste mundo não há lugar para vocês, a existência de vocês só pode acontecer ao meu lado... Fique ciente disto, República Tcheca.
A voz de Rússia era extremamente fria e ameaçadora. Seu olhar era tão penetrante que República Tcheca ficou com o corpo trêmulo e suas pernas não aguentavam mais suportar o peso de seu corpo, pois tremiam muito. A moça é obrigada a se sentar na grama do jardim e a fitar um Rússia com os mesmos olhos daquele tempo negro que viveu na União Soviética.
Notas finais
[1] Vinte e três anos - A República Tcheca (na época Tchecoslováquia) foi invadida por tropas soviéticas em 1968, os Bálticos já estavam sobre influência soviética desde 1940, logo todos eles conviveram por vinte e três anos, de 1968 até 1991 que foi o fim da União Soviética;
[2] Cinco anos depois - A Sérvia (antes República Socialista Federativa da Iugoslávia) se tornou socialista em 1945, tendo forte influência da União Soviética;
[3] Cinquenta e um anos - De 1940 (quando os bálticos foram invadidos pelos soviéticos) até 1991 (fim da União Soviética);
Glossário:
Tsundere - É uma expressão japonesa para uma personalidade que é inicialmente agressiva, que alterna com uma outra mais amável;
Pâtissier - É um chefe de massas que tenha completado um longo processo de treinamento, normalmente um período de aprendizagem, e passou um exame escrito
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