No qual o nosso herói e a nossa heroína pulam o jantar...

Estou profundamente grata a Jimmy por ter engolido o orgulho besta e acertado os ponteiros com Howard essa manhã. Apesar disso, meu irmão me irritou pelo resto do dia pois, quando perguntei por que veio me visitar afinal, ele desconversou, sugeriu almoçar comigo amanhã no intervalo do meu trabalho, depois sugeriu um lanche depois do expediente e por fim simplesmente sumiu do mapa sem esperar por minha resposta e sem me contar em qual hotel encontra-se hospedado.

Alguma coisa está acontecendo e o trouxe para Nova York de novo, disso eu tenho certeza. Não preciso ser muito perspicaz para supor que tem algo a ver com o infeliz do William. O que me deixa apreensiva, por mais que ele seja uma página virada na minha história.

Seja lá o que estiver acontecendo, decido que não vou ficar com caraminholas na cabeça esta noite. Não quero que nenhum problema me acompanhe feito um fantasma até a mansão Stark. Quando eu cruzar aquele portão novamente, quero esquecer de tudo e aproveitar o resto desse domingo nos braços do patife delicioso.

Patife delicioso... Seguro o riso e faço uma nota mental para nunca dizer isso em voz alta.

A necessidade por ele é tanta que chega a doer e vai muito além do anseio físico. É um sentimento tão forte e criou raízes tão profundas que é difícil acreditar que, há poucos meses, eu o julgava um completo idiota e o último homem na face da Terra com quem imaginaria ter um romance.

— Chegamos, Srta. Carbonell.

O aviso do Sr. Jarvis me arranca desses pensamentos e só então percebo que o carro com o qual ele me buscou no Griffith já está dentro da propriedade de Howard. Num instante, a porta do veículo é aberta para mim e eu aceito a mão do Sr. Jarvis como apoio para sair. Ele me acompanha até a porta da mansão, gira a maçaneta e abre a porta, dando-me passagem.

Depois que passo pelo umbral, olho para trás e questiono:

— O senhor não vai entrar?

Com uma postura rígida e muito profissional, ele responde:

— Não, fique à vontade. O jantar está pronto e o Sr. Stark dispensou os meus serviços pelo resto da noite. Com a sua licença, senhorita.

Ele fecha a porta um instante depois, sem me dar tempo de replicar e me deixando sozinha na imensa e silenciosa sala.

Acho que foi melhor ele ter desaparecido tão rápido porque se houvesse permanecido um ou dois segundos a mais na minha frente, teria visto o meu rosto corar exponencialmente e seria constrangedor.

Não estou fazendo nada de errado, eu sei; ainda assim, fico sem graça por estar aqui no meio da noite. Aposto como o Sr. Jarvis deve imaginar aonde esse jantar irá me levar e é embaraçoso sentir minha intimidade tão exposta.

Tentando desanuviar a mente, caminho devagar até a mesa, admirando um lindo arranjo de flores no centro dela. Os pratos estão cobertos por cloches de inox que devem manter a comida numa temperatura agradável. Uma garrafa de champanhe que descansa em um balde de gelo e outra de vinho esperam pelo momento de serem servidas em delicadas taças de cristal.

— Se me recordo bem, você disse sobremesa primeiro. Jantar depois.

A voz inconfundível do patife me faz olhar de imediato para a escada, de onde o som se originou. Ele está na metade dos degraus, apoiado no corrimão, vestindo o seu roupão favorito, que já considero um clássico, e exibindo um sorriso enviesado enquanto me observa. Um sorriso capaz de incendiar uma plantação facilmente.

É bom que ele esteja a certa distância, pois assim não pode notar o novo rubor que se espalha em meu rosto. Se eu ganhasse um dólar para cada vez que isso acontece comigo, Howard não seria o único milionário na sala.

— Você não vai me deixar esquecer que eu falei isso, não é?

— Nunca. — Ele admite com ar zombeteiro, estendendo a mão na sequência. — Venha, raio de sol. Vamos para a cama.

O convite direto me atinge em cheio, causando uma espécie de cambalhota no estômago e aquecendo meu corpo do topo da cabeça até a pontinha dos pés. Cada parte de mim quer ir até Howard sem demora, correr para os seus braços, buscar prazer e refúgio junto ao seu corpo, porém, apesar do calor lascivo que sinto, minhas pernas permanecem estáticas no mesmo lugar. Mais do que isso, parecem não fazer parte do resto de mim. É como se tivessem se transformado em pedras. Ou gelo.

Uma ruga de preocupação surge na testa do gênio infame e ele abaixa a mão.

— Você mudou de ideia?

— Não!

Tão misteriosamente como congelaram, minhas pernas se movem. Rápido demais e com firmeza em dois longos passos. Até que paro de novo ao me dar conta do quanto minha voz e postura soaram desesperadas. Algo que faz o sorrisinho enviesado voltar a se desenhar nos lábios dele.

Disfarço o desejo do melhor jeito que consigo e esclareço com um tom mais controlado:

— É claro que não.

Howard espera que eu siga até ele. O problema é que, novamente, minhas pernas parecem ter desaprendido a tarefa essencial para a qual foram projetadas por Deus. Dessa vez, não é tanto a sensação paralisante que impede meu passo, e sim uma fraqueza libidinosa atrás dos joelhos. Essa não será a nossa primeira vez, mas Howard ainda me deixa com as pernas bambas como se fosse.

— Quer que eu te pegue no colo?

A sugestão faz meu coração errar uma batida.

— Quero.

E então Howard desce os degraus devagar, vem até mim, com um movimento ágil me envolve e tira os meus pés do chão, segurando-me com uma firmeza gentil em seus braços. Passo os meus ao redor do pescoço dele e sorrio de leve, mergulhando nos olhos escuros e quentes que me encaram de volta.

— Eu passei o dia inteiro com você na cabeça, raio de sol. E imaginando o que faria quando enfim ficasse sozinho com você.

O ar me falta por um momento e tudo o que consigo responder é:

— Estou aqui agora.

Algo ainda mais quente brilha nos olhos de Howard antes dele fechá-los e pressionar minha boca com um beijo vigoroso que rouba mais um pouco do meu fôlego. É bom que eu esteja em seu colo porque minhas pernas perdem mais um pouco da força.

Por falar em pernas, o gênio infame não demora em colocar as dele em movimento, seguindo rápido até a escada, subindo os degraus com urgência, no mais completo silêncio como se lutasse para manter o foco na missão de nos levar até o seu quarto. E num piscar de olhos chegarmos ao recinto.

Ainda comigo nos braços, Howard fecha a porta com um chute habilidoso, enquanto eu percorro o quarto com o olhar e perco o fôlego mais uma vez. O ambiente está iluminado por uma quantidade generosa de velas, o que me surpreende pela beleza e ar romântico, entretanto também me leva a cogitar com preocupação:

— Não é perigoso pegar fogo no quarto?

O patife ri baixinho, e fico sem entender o que foi que eu disse de engraçado. Ele me coloca sentada na cama, encaixa o meu rosto entre as mãos e me dá um beijo rápido nos lábios antes de responder:

— Vai pegar.

Não por causa das velas. É o que seus olhos astutos insinuam.

Por puro instinto, abro a boca para retrucar, mas fecho em seguida e sorrio. Contra fatos não há argumentos.

Observo-o se ajoelhar diante de mim e logo sinto as mãos tocarem meu tornozelo direito. Os dedos sobem até meu joelho, acariciando a pele com suavidade e atiçando ainda mais as chamas do desejo que ardem em mim, para então descerem pelo mesmo caminho, até alcançarem a sandália e me livrarem dela com agilidade.

Howard levanta um pouco o meu pé, apenas o suficiente para depositar um beijo demorado nesse tornozelo, antes de fazer o mesmo ritual com o outro.

Enfim descalça, arrasto-me para o meio da cama e apoio os cotovelos no colchão macio, fazendo um convite tácito com o olhar para que Howard venha também. No entanto, ele parece ter outro plano em mente já que, ao invés de fazer isso, beija um dos meus joelhos enquanto me encara com ar descarado. Depois, mordisca a coxa e trilha com novos beijos o interior dela. Primeiro uma, depois a outra, provocando-me sem pressa, como se sentisse prazer em me enlouquecer pouco a pouco.

Então, as mãos quentes se perdem embaixo do meu vestido, encontram a peça íntima e me desnudam ao descê-la pelas pernas com uma destreza libertina.

Meu coração bate tão forte e disparado que chega a retumbar nos ouvidos. Pergunto-me se o patife é capaz de ouvir tais batidas. E se sabe que meu coração bate assim só por ele.

Com o estômago agitado e um torpor inebriante por todo o corpo, deixo a cabeça cair para trás e fecho os olhos no mesmo instante em que ele enterra o rosto em meu sexo, dando-me o mais íntimo dos beijos.

A língua atrevida me toca, explora, circula o ponto mais sensível do meu corpo com maestria e me invade sem reservas, fazendo meus seios subirem e descerem com dificuldade a cada respiração ofegante arrancada. Uma deliciosa inquietação no baixo ventre cresce e ameaça explodir a cada artimanha da boca habilidosa e sinto os nós dos dedos ficando mais doloridos à medida em que seguro o lençol com mais e mais força.

As mãos de Howard seguram firmes em meu quadril, mantendo-me presa ao colchão e no ângulo ideal para que ele possa me enlouquecer como bem quer...

É impossível não gemer, tampouco não arfar mais alto a cada investida do seu beijo ousado. Impossível não me contrair embaixo de sua boca quando o prazer aumenta ainda mais, levando-me a estremecer com espasmos que simplesmente não consigo controlar. E impossível não me retesar inteira quando o clímax domina cada parte de mim com uma onda poderosa e eletrizante de puro prazer.

Mordo uma das mãos para conter um grito, mas, no fim, uma palavra acaba escapando como um sopro:

— Patife...

Ele vem até mim, mas não sem antes pegar alguma coisa sobre uma das mesas de cabeceira que, sob à luz bruxuleante das velas, eu não consigo identificar o que é num primeiro momento.

— Você é deliciosa feito morango, Maria. Doce na medida certa, muito suculenta e com um leve tom cítrico. Uma verdadeira perdição pra minha boca.

Howard então revela o pequeno fruto e o coloca estrategicamente no decote do meu vestido, só para saborear o morango entre meus seios, resvalando os lábios e a língua quente em minha pele de propósito. Arfo de surpresa e por um desejo renovado, inebriada pelas palavras de duplo sentido e pelo gesto cheio de malícia.

Sem desviar os olhos dos meus, o patife sorri logo depois de terminar com o morango, parecendo muito orgulhoso de tudo o que provocou em mim até agora.

Zonza de paixão e, ao mesmo tempo, desejando equilibrar um pouco as coisas por aqui, exijo:

— Quero um também.

Howard se afasta para atender o meu pedido de imediato, e eu aproveito para me sentar de joelhos na cama e esperá-lo assim. Ele fica meio surpreso quando volta para mim, porém não faz qualquer comentário sobre a mudança de posição.

Ele aproxima o morango da minha boca e, tal como eu fiz essa manhã, seguro sua mão para devorar a fruta. Devagar, de olhos fechados, gemendo baixinho ao saborear pouco a pouco. No fim, lambo os seus dedos um a um, demorando-me no polegar, sorvendo para dentro da boca e por um instante a mais de propósito.

Quando abro os olhos, o que encontro é um Howard Stark meio aparvalhado, que engole em seco e ao mesmo tempo exibe um brilho ainda mais quente no olhar.

— Você vai acabar com o meu juízo...

Sorrio, sentindo-me orgulhosa por tê-lo desconcertado.

— Então ficaremos quites — prometo, envolvendo seu pescoço com os braços e mergulhando em sua boca com um beijo faminto.

Howard corresponde com a mesma fome e me aperta mais junto ao seu corpo, fazendo com que eu sinta a manifestação física do seu desejo por mim.

Suas mãos estão por toda a parte, tocando, acariciando, abrindo os botões do meu vestido com rapidez. Porém, decidida que agora é a minha vez de enlouquecê-lo um pouco, seguro suas mãos e me afasto alguns centímetros.

O patife expira com ar frustrado. Até que observa com interesse minhas mãos descerem devagar até a faixa do roupão. Desfaço o nó e abro a peça começando pelos ombros. Logo descubro que Howard não está usando nada por baixo do roupão e sinto o rosto esquentar diante da sua completa nudez e... Bom, da virilidade que tal nudez revela entre as coxas dele.

Agradeço pelo quarto estar iluminado apenas pelas chamas das velas, pois acredito que assim o rubor na minhas bochechas não é tão visível.

— Você é um devasso, sabia?

— Falou a mulher que está tirando a minha roupa.

— A única roupa, você quer dizer.

Howard pensa por um segundo antes de se defender:

— Eu gosto de ficar à vontade. E de poupar o seu trabalho. De nada.

Acabo rindo e lhe dou um beijo rápido antes de retomar o pouco trabalho que tenho para despi-lo. Jogo o roupão perto da cama, enterro qualquer resquício de recato num canto remoto da minha mente e me permito olhar para o seu corpo nu mais uma vez. Demorando-me em cada parte e achando o patife descarado especialmente lindo sob a luz quente ao nosso redor.

— É tudo seu, coração.

Ergo o olhar para reencontrar o dele.

— Mesmo? Isso significa que eu posso te beijar... aonde eu quiser?

Vejo seu peito subir e descer com uma respiração um tanto profunda e difícil. E quando ele consegue dizer alguma coisa, a voz soa um tanto rouca:

— Pode.

Por favor. Seus olhos pedem, brilhando de expectativa.

Mordo o lábio, achando essa situação muito divertida. Gosto de saber que exerço esse poder de sedução sobre o patife, de incendiá-lo exatamente como ele faz comigo, mesmo não sendo tão experiente nessa arte quanto ele.

Também não sou tão habilidosa com carícias mais ousadas, porém tenho aprendido algumas quando ficamos juntos assim. Na primeira vez que Howard me ensinou uma em específico, fiquei meio escandalizada, confesso. Não o suficiente para desistir.

Não demorou para que o resquício de qualquer choque evaporasse e eu visse naturalidade no que estava fazendo com ele. Porque não pode existir nada mais natural do que a intimidade entre duas pessoas que se amam e que se entregam por completo uma a outra.

Encaixo os lábios suavemente nos do patife por um momento antes de deslizar a boca para o pescoço dele com uma trilha de beijos provocativos. Uma trilha que me leva para o seu ombro, peito, um dos mamilos. Passo a boca devagar sobre a pele sensível, provando o sabor da pele na ponta da língua.

— Sua feiticeira! — ele solta meio atordoado.

Disposta a deixá-lo atordoado por completo, provoco o outro mamilo da mesma maneira e continuo descendo pelo seu abdômen, quadril... até parar em uma parte que, claramente, arde de desejo. A essa altura, minhas mãos estão nas coxas do patife; e as mãos dele, enfiadas no meu cabelo, segurando-me de modo firme e caloroso.

— Maria, eu...

Seja lá o que Howard ia dizer, ele não diz. O restante da frase morre em sua garganta quando ele tenta sufocar um gemido e não consegue. Sinto-me meio diabólica nesse momento e curiosamente plena. Gosto quando Howard me dá prazer como fez há pouco, gosto quando temos prazer juntos e também gosto disso. De proporcionar prazer a ele unicamente, dessa maneira escandalosa e natural. Gosto de brincar com seu juízo, com suas fantasias, de testar seus nervos e roubar sua voz.

Com os lábios e a língua, passo a estimular o membro grande e rijo de maneiras que fazem o patife estremecer, gemer, praguejar baixinho e segurar meu cabelo com mais força entre os dedos como se tentasse, desesperadamente, se agarrar a algum fio de sanidade. Ao mesmo tempo em que minha boca o envolve, lambendo, sugando, provando, uso as mãos para massageá-lo com uma carícia ritmada e constante. E tudo isso parece agravar a cada instante o fervor que domina Howard.

Em dado momento e sem explicação aparente, ele faz um movimento repentino para se desvencilhar de mim, as mãos cravadas nos meus ombros enquanto me ergue de volta.

— Maria... Espera... — ele pede, meio sem fôlego, o rosto afogueado e os olhos turvos.

Uma ponta de insegurança me atinge.

— O que foi? Estou fazendo errado?

— Não! Não... — Howard ri, como se tivesse ouvido um tremendo absurdo. — Muito certo, e esse é o problema.

Embora a insegurança se dissipe diante do que ele diz, não entendo qual é o problema então.

Como se tivesse lido meu pensamento, o patife acrescenta:

— Há um limite que eu estou muito perto de atingir.

Franzo o cenho, achando essa explicação incoerente, afinal...

— Isso é bom, não é? Digo, não é a intenção?

Howard para de respirar. É nítido que a respiração fica em suspenso por um momento. Se ele o faz sem perceber ou de forma deliberada, eu não sei, contudo isso parece ajudá-lo a reencontrar algum autocontrole.

— É a intenção, claro, mas... — Ele segura meu rosto com uma das mãos e olha bem no fundo dos meus olhos. — Eu quero estar dentro de você quando acontecer.

Mais uma vez essa noite, meu rosto fica em chamas.

Depois de um longo silêncio me recuperando, tudo o que consigo murmurar em tom de entendimento é:

— Ah.

— Ah? — Howard repete, quase rindo da minha eloquência.

E o quase riso dele me leva a rir de fato. Acho que o riso repentino deve ser um sintoma incurável de felicidade crônica.

— Sem objeções, patife, apenas um aviso... Eu vou ficar por cima.

Dessa vez, ele quase engasga com o próprio ar, e eu me sinto novamente diabólica.

Howard se recupera muito rápido, o que não me surpreende. Num piscar de olhos, estica-se um pouco só para pegar um preservativo na mesa de cabeceira enquanto rouba parte das minhas palavras:

— Sem objeções, raio de sol, apenas um lembrete... — Ele ergue os olhos para me encarar. — Eu não sou um cavalo manso.

Com a respiração entrecortada, tudo o que faço é assentir com um meneio de cabeça enquanto observo-o ficar pronto para mim. Meu coração está muito acelerado quando ele termina e o desejo... num limiar insuportável.

Então, busco apoio em seus ombros e monto em cima dele. Devagar, deixando que nossos corpos se encaixem pouco a pouco, deslizando centímetro por centímetro para baixo, até o fim.

Um gemido escapa da minha garganta e se mistura ao do patife. Agarro-me mais ao seu corpo por puro instinto enquanto suas mãos apertam meu quadril com força. Não estava esperando uma sensação tão deliciosa logo no começo e tenho que buscar meu próprio domínio para não me desfazer de prazer nos braços dele nesse exato momento.

Permaneço imóvel por alguns instantes, controlando a respiração, dando tempo para o meu corpo se acostumar ao dele. Howard também não se mexe, e eu me pergunto se é pelo mesmo motivo.

— Maria? — ele diz baixinho no pé do meu ouvido em dado momento.

— Sim?

— Eu amo você.

Meu coração dispara com tanta força que chega a doer. E de alguma forma eu sei, simplesmente sei, que era isso o que Howard tentou dizer há pouco, antes de perder a fala por minha causa.

Busco o rosto dele, encosto a testa na sua e fecho os olhos.

— Te amo também.

Beijo-o na boca. Devagar. Saboreando a língua úmida e quente com a minha ao mesmo tempo em que deslizo o quadril um pouco para cima e depois... para baixo. O movimento provoca um espasmo inebriante na minha intimidade e, não sei como é possível, deixa Howard maior e mais rígido dentro de mim.

É enlouquecedor.

Meu corpo pede por mais. Sei que o dele também implora por alívio. Então, repito o movimento. Para cima e para baixo. De novo. Para trás e para frente. De novo. A fricção vai levando nós dois ao delírio de uma onda prazerosa que cresce e nos envolve a cada instante.

Sinto as mãos do patife subirem pelo meu corpo com urgência até encontrarem as mangas do vestido. Só então percebo que ainda estou com ele e isso quase me faz rir de novo.

Howard puxa a peça para baixo, até a barriga, com um movimento rápido — desesperado? —, e abre o fecho do sutiã um segundo depois, desnudando meus seios por completo.

Com livre acesso, ele envolve um deles na mão, massageando-o no centro da palma, espalhando calor e eletricidade pelo meu corpo inteiro. Ainda está apertando um, quando se curva em direção ao outro para tomá-lo com a boca, provocando com a língua o mamilo já intumescido, até ele ficar mais sensível e inchado.

Arfo de prazer, jogando a cabeça para trás, sentindo minha intimidade se contrair ao redor dele.

Movo o quadril para cima e para baixo novamente, circulando o sexo dele com o meu ao descer, aumentando o ritmo pouco a pouco, arrancando-lhe gemidos que se misturam aos meus.

Com a mão em seu peito, faço o patife se deitar no colchão, deixando-me mais livre para cavalgar o seu corpo e cada vez mais perto do clímax absoluto. Embaixo de mim, ele não fica imóvel. Ao contrário, parece se agitar ainda mais nessa posição. Realmente, não é nada manso.

Howard se move junto comigo, acompanhando o vai e vem lascivo com muita impetuosidade, vigor e urgência, arqueando o corpo e erguendo nós dois da cama em certos momentos, incendiando-me com o olhar. As mãos agarram o meu quadril com mais e mais força, ora me empurrando para cima, ora me puxando para baixo, de encontro a ele, de novo e de novo.

Em um desses movimentos, o prazer inebriante que vinha crescendo atinge o seu ápice total, levando-me a retesar o corpo e gemer mais alto com a sensação deliciosa que explode, se espalha feito fogo e me consome por inteiro com suas chamas.

Ainda estou tomada por tal fogo quando o patife inverte nossas posições com agilidade e sai de dentro de mim só para me penetrar de novo. Com força e bem fundo.

Envolvo-o num emaranhado de braços e pernas ao mesmo tempo em que ele repete a investida. Uma, duas, três vezes até que o prazer absoluto também o domina por completo. Howard fica completamente imóvel dentro de mim, o corpo esticado sobre o meu, um grunhido escapando da garganta, a pele brilhando de suor.

No fim, ele desaba ao meu lado, um braço aberto e o outro sobre o peito ofegante. Seu olhos estão fechados, o rosto ainda contorcido de prazer e o cabelo meio desgrenhado.

Olho bem para ele, achando-o ainda mais lindo do que antes.

Então, olho para mim e quase caio na risada de novo. Ainda estou com o bendito vestido. Todo amassado em volta da cintura.

Decido me livrar dele de uma vez, passo-o devagar pelas pernas e logo jogo a peça em algum lugar do chão. Nesse momento, percebo que Howard não está mais com os olhos fechados. Estão abertos e fixos em mim. Ardendo.

Ele começa a abrir a boca, e eu antecipo minha resposta:

— Sim, nós podemos repetir mais tarde.

Howard sorri satisfeito com a promessa e volta a fechar os olhos.

Deito-me ao seu lado, enroscando-me à lateral do seu corpo, sentindo que não conseguirei dormir de outra forma que não seja assim. Ele puxa uma parte da coberta para nos cobrir e fica acariciando minha têmpora suavemente com a ponta dos dedos.

Estou quase dormindo quando o ouço questionar:

— E o jantar?

Nossa! Acabamos esquecendo dessa parte. Chega a ser engraçado que a mesa tenha sido toda preparada especialmente para isso e permaneça intocada até agora. Mas estamos tão relaxados na cama que seria uma pena levantar nesse momento. Além disso, em pouco tempo ficará tarde para fazer uma refeição, por mais leve que seja.

— Por hoje, acho que podemos ficar só com a sobremesa mesmo.

Com a cabeça colada ao peito do patife, ouço o ruído abafado da sua risada. Como eu esperava, ele não discorda.

E poucos instantes depois, adormece junto a mim.

[...]

Acordo em dado momento e, pelo tamanho das velas que ainda queimam pelo quarto, deduzo que se passou pouco tempo. Mesmo tendo sido um breve cochilo, já me sinto revigorada. O bastante para checar se Howard também descansou o suficiente ou se precisa de mais alguns minutos para ficar pronto para... Bom, para repetir.

Não preciso checar. E ele não precisa de qualquer minuto a mais. Assim que percebe o meu mínimo momento, ele vem para cima de mim, com um sorriso jocoso, comemorando:

— Finalmente!

Apesar da ansiedade tangível, o patife me beija na boca de um jeito lânguido. Com intensidade sim, mas sem pressa.

É dessa mesma forma que ele me penetra de novo, entrando e saindo de dentro de mim com estocadas profundas e prolongadas, saboreando a sensação prazerosa dos nossos corpos juntos tal como se deleita com nosso beijo quente e molhado.

Fazemos amor assim dessa vez. Muito devagar. Sem preliminares, mas nos tocando o tempo inteiro por baixo do cobertor. Envolvidos pela paixão e por uma necessidade mútua que parece cada vez mais perto de ser saciada.

Acho que por estarmos mais sensíveis, chegamos ao clímax mais rápido dessa vez. Com um prazer ainda mais forte e poderoso do que antes.

E longo.

Eu teria gritado. O patife, certamente, teria gritado. Mas nossas bocas unidas abafam qualquer manifestação mais gutural.

Com as pernas em volta da sua cintura, agarro-me ainda mais a ele, com medo de... cair de algum lugar? Do paraíso, talvez? De me perder do patife e nunca mais achá-lo?

Ele me aperta com mais força em direção ao seu membro, as mãos por baixo do meu traseiro, o peso do seu corpo me esmagando ao mesmo tempo, como se também quisesse ter certeza de que eu estou aqui, de que não vou a lugar nenhum sem ele.

Ainda estamos extasiados pelos espasmos finais do prazer quando nossas bocas se separam. Precisamos retomar o fôlego. Ou tentar.

Howard me olha nos olhos. O rosto muito perto do meu. Nossos corpos ainda unidos intimamente.

— Maria...

Não tenho forças para responder, para dizer seu nome, para nada. Ainda estou redescobrindo como se respira. Acho que vai demorar um pouco para construir um pensamento coerente e formular alguma palavra. Então, apenas espero porque Howard parece prestes a conseguir dizer mais alguma coisa.

E ele diz.

— Case comigo.

Notas finais
Sobre o Howard não ser um cavalo manso, me inspirei um pouquinho no Michael Stirling de O Conde Enfeitiçado (que não é um pônei dócil ehehehe)