Thalia estava terminando de tirar os patins quando a porta da sala trinta se abriu, revelando Nico o que a fez soltar um gemido de desaprovação. O olho do garoto estava fechado devido ao soco que Percy havia lhe acertado e toda a região estava roxa e inchada.

— Nossa, tá bem feio — ela comentou, rindo da careta que ele fez. — Ok, vamos lá pra cima.

O Di Ângelo assentiu sem jeito e a seguiu escadaria acima, tentando não se manter muito perto dela, mas sabia que seria impossível. Logo os dois estavam na sala que eles tinham usado na primeira vez para o treino.

Nico desviou o olhar ao notar que ela estava se despindo, trocando a roupa de patinação para uma melhor para a dança, deixou sua mochila no chão e retirou o casaco, mantendo-se de costas até ouvir a voz dela novamente.

— Eu já escolhi a música e pensei em uma coreografia, a gente tenta fazer hoje e se não der certo eu penso em outra, ok? — ela indagou o olhando vendo-o se virar e assentir.

— Qual a música? — questionou se aproximando, parando de frente para o espelho e analisando seu rosto, estava realmente horrível.

— Havana, da Camila Cabello, as batidas são sensuais e eu pensei em uma coreografia bem caliente, e querendo ou não, nós temos uma química, então acho que vai combinar com a gente — ela comentou, sorrindo com os lábios crispados.

O italiano engoliu em seco, não acreditando que ela estava falando sério.

— Eu entendo se você não quiser, mas somos amigos, né? Podemos dançar como amigos! — ela enfatizou a parte da amizade o vendo corar e assentir.

— Claro, vamos tentar — concordou a olhando assentir.

— Vamos ouvir a música uma vez para você situar ritmo, depois começamos a pegar os passos em ela e tentamos colocar na música, ok? — questionou, tentando manter o clima mais natural possível.

Como ela consegue agir como se nada tivesse acontecido?

O som começou a tocar e Nico tentou se concentrar nisso; na música. Seus olhos se fecharam e ele deixou que sua mente divagasse no ritmo que ela continua, era boa, já tinha ouvido algumas vezes em festas e coisas do tipo, mas normalmente quando ele tinha que escolher era preferível um rock, ou seja, não estava na lista de músicas mais tocadas em seu celular.

— Gostou? — Thalia indagou com a batida final o fazendo assentir e sorrir. — Ok, eu pensei de eu entrar primeiro, daquele lado — apontou para um lado da sala — então eu começo e você vai entrar do outro lado, andamos até o centro da sala — indicou que ele o fizesse — círculo, então eu viro de costas pra você, segura no meu ombro e faz como se fosse puxar, eu vou virar para você, então dançamos, eu coloco a mão em seu ombro e você coloca a sua na minha cintura, e eu puxo a sua pra ir para meu outro ombro por detrás — explicou, apontando para o local que ele deveria segurar notando que ele estava meio perdido.

— Obrigado! — sorriu sem jeito, fazendo o que ela disse.

— Então você me segura que eu vou cair para trás — ela explicou, indo para trás, mas as mãos soadas de Nico escorregaram e ele se desesperou ao ver a menina indo pro chão com tudo. — Eu disse pra me segurar.

— Desculpa — ele limpou as mãos na calça antes de ajuda-la a se levantar.

— Tudo bem — deu de ombros — mas tem muitos momentos que eu posso cair, então é para você me segurar, entendeu?

— Claro!

E alguns momentos depois Thalia já tinha perdido a conta de quantas vezes tinha ido ao chão. Ela chegou a ponderar uma vez que era vingança, tipo: aé, tu me deu um pé na bunda agora vou te deixar cair. Mas notou que aquilo era ridículo, Nico estava nervoso, as mãos soavam, o olho o impossibilitava de ver direito e seus pés se embolavam mais do que a primeira vez que eles tinham ensaiado juntos.

— Nico, vamos dar uma pausa — disse por fim, vendo-o sorrir a ajudando se levantar novamente e andando até um dos cantos, sentando em um banco.

A Grace bebeu um gole generoso d’água, colocando a música no início novamente, seus olhos foram para o espelho fitando Nico pelo reflexo, ele tinha a cabeça baixa sendo segurada pelas mãos em um modo cansado e triste. Fitou seus pés cobertos pelo tênis de dança preto com azul, suspirando.

— Que tal ensaiarmos outro dia? — sugeriu, o vendo fita-la.

— Por quê? Não estamos nem perto de estar bom...ou melhor eu não estou nem perto disso...

— Nico, é cedo demais — ela sorriu compreensiva — eu não quero esse clima entre a gente, quero que você consiga ficar no meu lado e me tratar normalmente, você parece um cachorrinho assustado, você nem consegue ver direito, outro dia, ok?

— Como você consegue estar tão de boa? — ele indagou curioso — Eu era tão ruim namorado assim que você já superou — brincou, com medo de ser verdade, mas se arriscou.

— Claro que não, Nico, mas eu já tive tempo pra pensar nisso, acho que dias a mais do que você — ela deu de ombros — eu gostava... eu gosto de estar perto de você, você me faz feliz, mas eu não consigo ter você como namorado mais, não com... com tudo que você faz.

O Di Ângelo assentiu, quanto tempo ele tinha desgastado ela? Por quanto tempo ele tinha feito ela acumular coisas em uma listinha mental que talvez não tivesse notado que fazia que um dia explodiria e ela notaria que apesar de ama-lo ela não podia suportar certas atitudes.

— Eu sei... eu percebi... — negou, respirando pesado e se levantando — Me desculpa pelo tempo que eu te desgastei, por todas as coisas que eu fiz, eu não notava o que fazia, me desculpa. Eu vou tentar seguir em frente, mas se qualquer dia tiver a possibilidade da gente voltar me dá qualquer sinal e eu juro que eu vou batalhar para merecer essa chance, concertar meus erros.

E com isso ele pegou as coisas dele e saiu, a deixando sozinha na sala de dança. A morena fechou os olhos com força puxando o ar para seus pulmões e se virando, correndo até o rádio, colocando em seu celular a música deles.

Nico abria a porta para sair da sala trinta, quando escutou a melodia, puxando o ar com força e sorrindo, olhando para a porta aberta da sala de dança. Eu prometo que vou merecer essa chance.