Thalia abriu a porta do quarto dos três irmãos sem bater, nunca teve esse costume, nem quando namorava Luke, muito menos quando grudou em Connor e não soltou mais, entretanto daquela vez ela arregalou os olhos ao notar Thayla e o namorado(?) sentados conversando na cama do canto.

— Ah... foi mal! — soltou começando a fechar a porta se perguntando aonde diabos o Castellan tinha se metido.

— THALIA! — Thayla berrou do nada, fazendo Connor ter um sobressalto e a menina colocar a cabeça para dentro procurando o bicho que ela estava matando se fechasse a madeira novamente. — Por que não vem aqui? — pediu suave, as bochechas coradas, apontando para a cama de frente para a de Connor, a do meio do quarto, pertencente a Travis.

— Não sei, eu tenho horári... — começou, apontando para trás, era verdade ela tinha que achar Luke, convencer ele a leva-la até a pista de patinação o que seria uma tarefa difícil já que ela o tinha largado na escola sem maiores explicação mais cedo.

— É rápido! — cortou, se apressando em dizer. — Por favor! — insistiu mexendo as mãos ansiosas.

Thalia fechou os olhos, respirando fundo antes de abrir a porta por completo e andar até o local indicado para ela sentar, o fazendo.

— Diga — pediu apressada, tinha ensaio com o Nico em poucos minutos e ainda nem tinha achado seu motorista.

— Eu não vou negar que tenho ciúmes da relação sua com Connor — começou corando bruscamente, vendo Thalia endireitar a postura, nada disposta a uma briga e o Stoll se mexer desconfortável —, mas a questão é que eu não tenho esse direito, você é assim, você gruda nas pessoas e não liga se eles são homens ou mulheres, ou...

Connor pigarreou, afinal Thayla estava se embolando e do jeito que estava indo acabaria por culpar Thalia e começar a gritar com ela para tirar as mãos dele.

— Me desculpa — soltou por fim, o rosto tão vermelho que parecia que não tinha mais volta, era definitivo, ela acabara de mergulhar em um galão de tinta vermelha definitiva.

A patinadora molhou os lábios de modo devagar, avaliando o que Thayla havia dito, era estranho como sua irmã parecia em desespero, afinal ela estava errada, e esse cargo novamente era de Thalia. Piscou, ponderando, torturando a gêmea que avaliava cada pequeno movimento.

— Então não vai mais se importar de eu ser amiga do Connor? — indagou calma. — Nem de sermos próximos e coisas do tipo, de saber de tudo que sabe e que já aconteceu e ainda por cima não vai usar nenhuma dessas coisas em brigas futuras?

— Não, não me importo, eu... eu e Connor conversamos, vamos mais com calma no nosso relacionamento, vamos continuar namorando, mas levar mais com calma, foi tudo muito doido e de um jeito errado, afinal começou com uma competição boba pra quem cedia a ciúmes primeiro — ela revirou os olhos azuis suspirando — e eu entendo que coisas aconteceram entre vocês, então... tudo bem!

— Ok... eu te desculpo — deu de ombros, sorrindo quando o pontinho rosa que eventualmente ela chamava de irmã pulou em seus braços a fazendo ir para trás e cair deitada na cama em um abraço de urso digno de alguém que foi criada por Afrodite. — Tá bom, tá bom, tá tudo ótimo, mas eu realmente tenho horário, tenho que achar Luke pra ele me levar pro ensaio.

Thayla se sentou, sorrindo.

— Espero que você faça as pazes com... o resto... — ela comentou se sentando.

— Ia dizer com o Nico? — Thalia questionou levantando a sobrancelha em provocação.

A gêmea mordeu o lábio nervosa e dando de ombros confirmando o dito.

— Eu estou bem com o Nico, já fizemos as pazes, apenas não voltamos a namorar — Thalia respondeu, suspirando —, agora me vou. Tchau pra vocês!

E assim a garota saiu do quarto, descendo a escadaria em busca de alguma informação do loiro, o achando na lavanderia colocando algumas roupas na máquina.

— LUKE! — gritou correndo o fazendo pular de susto e olhar a menina parando na sua cara com um sorriso — me dá carona.

— Eu não vou sair — respondeu franzindo o cenho e colocando mais uma roupa na máquina.

— Então me leva a um local? — tentou, um sorriso travesso.

— Não.

— Poxa! — ela disse manhosa — Por favorzinho!

— Por que eu te levaria, Thalia? — ele perguntou, deixando o cesto apoiado em sua cintura, a mão na cintura, e batendo o pé em uma posição de mãe irritada.

— Você é meu melhor amigo?

— Seu melhor amigo é o Percy, todos sabem disso — retorquiu de imediato.

— Você é meu...ex! — tentou mais uma vez.

— Nico também é, e Connor — rebateu sem hesitar.

— Você está me dando um lar...? — estreitou os olhos usando sua última carta, que não era uma das melhores.

— Exato, já to fazendo isso, ainda me quer de motorista? Nananinanão! Pede pra outra pessoa, liga pro Nico, não quer voltar com ele, o treco da chance lá, aí oh! — apontou pra ela fazendo pouco caso e voltando pra maquina de lavar.

Thalia fez um bico magoado e só por tal não avisou que não era uma boa ideia ele colocar roupa vermelha com brancas. Se virando e pegando seu celular.

Nico? – Thalia.

Nico...— Thalia.

Sumido? — Thalia.

E aí? Quanto tempo!? — Thalia

O que quer? — Nico. Respondeu as mensagens franzindo o cenho enquanto afivelava o cinto de segurança do carro.

Então... — Thalia.

O Di Ângelo revirou os olhos, é claro que ela queria algo. Tão Thalia.

Teve uns problemas aqui...— Thalia.

E eu meio que tô sem carro — Thalia.

E meu motorista tá ocupado colocando roupas vermelhas com brancas na máquina de lavar – Thalia

Tem como me buscar? — Thalia.

O italiano molhou os lábios negando em reprovação e rindo do coitado do motorista que provavelmente não tinha noção da merda que sairia daquela mistura.

Aonde eu te busco? — Nico

Na casa dos Castellan/Stoll — Thalia

Por que eles têm o sobrenome diferente? — Thalia. Ela franziu o cenho olhando por cima dos ombros vendo o ex namorado assobiar enquanto fechava a máquina.

Curioso — Thalia.

O que... deixa, estou saindo daqui logo não vou te responder enquanto dirijo — Nico.

Até! — Nico.

O transito estava lento, então o Di Ângelo demorou mais do que o planejado para chegar na casa dos Stolls, respirando fundo e apertando a mãos no volante, seus estômago reclamou, as próximas horas seriam apenas ele e a mulher que amava sozinhos, ele queria tanto reconquista-la, provar que valia a pena dar mais uma chance a aquele relacionamento, todavia isso o deixava nervoso.

Estacionou o carro buzinando duas vezes e se mexendo para uma pose confortável, uma mão no volante, outra no banco do carona. Não, muito artificial. Ele se mexeu novamente colocando as duas mãos atrás da cabeça como se tivesse relaxando. Quem faz isso? Agora colocou as duas mãos no volante, notando que Thayla e Connor observavam do segundo andar o carro de Nico parado. Muito tenso. Pegou o celular.

Cheguei — Nico. Digitou engolindo em seco.

A porta da frente da casa dos Castellan abriu e logo uma Grace saltitante saiu de lá. Sua roupa era uma calça camuflada de moletom, um coturno preto e um top de mesma tonalidade. O cabelo preso em um rabo de cavalo alto por um laço consideravelmente grande que tinha o símbolo das caveiras cruzadas da pirataria. Não usava maquiagem. Continuava linda!

— Oi! — ela respondeu entrando no carro e jogando a mochila nos seus pés, até então o objeto tinha passado despercebido pelo italiano.

— E aí? Luke já descobriu o que acontece quando se mistura roupa vermelha com branca? — Nico questionou dando a partida, agradecendo pelo barulho do carro ter omitido o de seu estômago.

Xingou mentalmente o órgão. Saindo logo dali, vendo-a ligar o rádio descontraída.

— Não, ele ainda não descobriu — riu, revirando os olhos. — Adoraria filmar a cara dele quando isso acontecer, mas estaremos treinando, temos muito trabalho para fazer.

— IUPI! — Ironizou, imaginando o quão morto ele ficaria.

— Como tá o olho? — a menina se mexeu acomodando-se no banco do carona e pegando o celular entrando no Instagram notando que ele tinha retirado o tapa-olho.

— Tá bem melhor, ainda tá estranho, mas já consigo usa-lo para o básico. Ver. — respondeu, sorrindo travesso.

— Nossa, deveria ir ao médico! — respondeu preocupada.

— Por quê? — o tom de confusão claro em sua voz.

— Ué, você tinha outra função para seu olho além de ver, é algo preocupante, deve ser estudado pela ciência — respondeu como se fosse óbvio.

Nico revirou os olhos negando em reprovação, mas logo caiu na risada junto com a ex namorada.

O resto do caminho se passou apenas com conversas curtas e descontraídas e quando caiam no silêncio a música tocada preenchia o vazio.

— Não teve aula hoje? — Nico questionou notando que normalmente naquele horário ela estava lecionando.

— Não, a minha treinadora me substituiu hoje, como o David substituiu o Jake, tivemos campeonato ontem —ela deu de ombros passando na frente de sua parede de troféus, medalhas e todos os tipos de prêmios que ela já havia ganho no mundo da dança.

— Caramba menina, tu espirra e sai troféu — o italiano negou passando os olhos para o mais novo colocado na parede.

— É, eu sou boa! — deu de ombros, voltando e parando ao lado dele.

— Você vai aceitar... não sei se seria aceitar, mas você vai fazer um espetáculo na Broadway? — questionou, a vendo colocar as mãos no bolso da calça e dar de ombros.

— É um bom dinheiro... — respondeu suspirando — mas sei lá, não sei se gostaria de ficar presa a tal... é o sonho de toda bailarina e..., mas eu queria fazer uma faculdade de dança em Oxford.

— Por que não faz? Você não sente vontade!? — ele questionou baixo a cortando em suas desculpas esfarrapadas.

— Eu teria que ir pra Oxford — comentou, o encarando nos olhos.

— E por que não vai?

— Tem algo que me prende aqui — respondeu suave sorrindo, depois desviando os olhos para o pé, corando.

Nico tinha entendido, sorrindo e também desviou o olhar.

— Deveria ir, viver seu sonho, tenho certeza que esse algo vai te esperar — ele respondeu. Se fosse realmente ele, esperaria o tempo que fosse preciso.