Fórmula da Atração
1 Reação em cadeia (Parte 1) 🔬
Notas iniciais
Senku estava sentado, olhando as estrelas durante a noite, introspectivo. Sua mente fervilhava com as possibilidades da nova missão, mas, ao mesmo tempo, ele se preocupava com as limitações atuais de sua equipe.
Chrome, sentindo calor, resolveu subir no convés. Mesmo à distância, percebeu que Senku estava completamente imerso em seus pensamentos. Em voz baixa, murmurou para si mesmo:
— Senku provavelmente está pensando no outro doutor... Como posso distraí-lo? — Ele então teve uma ideia. — Já sei! Vou chamar a Kohaku. Talvez ela pense em algo.
Ao se virar apressadamente para voltar ao interior do navio, acabou esbarrando bruscamente em Kohaku.
— Kohaku! Desculpa! Hã... eu... hum... queria falar com você. Achei o Senku muito pensativo lá fora. Tem alguma ideia para distraí-lo?
Kohaku sorriu de forma travessa, seus olhos brilhando com diversão.
— Já sei, Chrome! Vamos assustar o Senku! O que acha?
Chrome arregalou os olhos.
— Assustar? Eu nunca fiz isso antes! Tem certeza de que é uma boa ideia?
Kohaku levou a mão ao queixo, assumindo uma pose pensativa e fitando a direção onde Senku estava.
— Ele é sempre tão lógico... Aposto que isso vai ser divertido até para ele! Pensei em chamar apenas a Kirisame, mas ninguém mais pode saber. Caso contrário, perde a graça.
Chrome fez uma careta, não gostando muito da ideia, mas, no fim, assentiu com a cabeça.
— Certo... — suspirou.
Kohaku se animou e deu um pequeno salto.
— Ótimo! Chrome, você vai pegar carvão e água do rio.
— Ca-ca-carvão e água? Mas é sério isso?! — ele gaguejou.
Kohaku cruzou os braços e lançou um olhar determinado.
— Vai logo! Não pensa muito, depois eu explico!
Chrome ficou sem reação, mas, diante do olhar dela, resolveu obedecer e saiu em passo apressado.
Enquanto isso, Kohaku se dirigiu ao dormitório de Kirisame para ver se ela ainda estava acordada. Ao atravessar o corredor principal, no entanto, ouviu um barulho próximo, vindo de trás. Instintivamente, saltou para a esquerda e sacou sua espada, pronta para qualquer ameaça.
Foi então que viu... Senku.
Seu coração deu um salto, e ela relaxou, embora ainda estivesse um pouco desajeitada. Falando rápido, disse:
— Mas o que é isso?! Vo-você poderia pelo menos avisar! Me assustei! Achei que fosse um invasor...
Senku sorriu levemente e coçou a orelha, fazendo sua clássica careta de sarcasmo.
— Avisar? Haha! Só estou andando. Até parece que você está escondendo alguma coisa.
Kohaku sentiu o rosto esquentar. Começou a coçar a cabeça e, gaguejando, tentou se explicar:
— Es-escondendo algo? Co-como eu poderia estar escondendo algo? Ha-ha! Eu só estava... hum... indo dormir! Isso mesmo! Ha-ha!
Senku estreitou os olhos e se aproximou.
— Dormir? Esse lado não é o do seu dormitório. Não me diga que...
Kohaku ficou ainda mais vermelha, arregalando os olhos.
— O-o que você pensou?! Não acredito que está achando que eu estou indo... ficar com alguém?!
Senku segurou o riso, mas não conseguiu evitar uma nova careta divertida.
— Você está querendo comer mais do que os outros de novo? Sabia que isso é errado? As porções são cuidadosamente calculadas pela François!
— Senku, seu idiota! — Kohaku esbravejou, sentindo uma mistura de alívio e irritação. Por pouco não se traía.
— Não? Hmm... então isso está estranho — ele provocou. — Mas tudo bem, você sempre foi uma gorila estranha mesmo. Ha-ha!
Ele riu e começou a se afastar, voltando para o dormitório masculino. Quando estava prestes a abrir a porta, sentiu algo apertá-lo pela cintura. Seu corpo enrijeceu ao perceber que eram as mãos de Kohaku, entrelaçadas ao seu redor.
O pensamento lógico de Senku começou a trabalhar a mil por hora. Kohaku? O que ela está sentindo? Medo? Estresse pós-traumático?
Antes que pudesse formular uma resposta, Kohaku o apertou ainda mais e murmurou:
— Senku... Nunca me senti assim antes... Eu sempre me preocupo com todos, mas... isso também inclui você.
Senku sentiu um leve arrepio percorrer seu corpo. Não sabia o que dizer. Justo ele, que sempre usava a lógica para explicar tudo, sentia que, naquele momento, palavras não seriam suficientes. Antes que pudesse reagir, ouviu um barulho no fim do corredor e, instintivamente, ergueu o rosto para ver o que era.
Aproveitando o momento, tentou se soltar, desconfortável com o contato inesperado. No entanto, Kohaku apenas o apertou mais, subindo levemente as mãos. Tão próximos, Senku conseguiu sentir as batidas aceleradas do coração dela.
Enquanto isso, Chrome retornava com o carvão nas mãos e uma garrafa d’água pendurada em uma corda. Caminhava distraído pelo corredor quando esbarrou, mais uma vez, em Ginro.
Ginro, que havia saído do dormitório minutos antes, observava tudo do escuro. Seus olhos estavam arregalados em choque, a boca contorcida em um biquinho rabugento.
— Não acredito... De novo?! Por que sempre dão esse tipo de atenção pra ele?! Não é justo!!!
Chrome, sem entender, seguiu seu olhar. Quando viu a cena, sua expressão mudou completamente. Primeiro, ficou sério. Depois, cínico.
— Então era pra ganhar tempo e ficar a sós com o Senku?! Eu devia saber que carvão e água não faziam sentido! AAAAAH, eu sou um idiota, só pode!
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