Fórmula da Atração

2 Reação em cadeia (Parte 2)


Notas iniciais
Fico feliz por você vir! Ah uma recomendação de música para ouvir enquanto lê >> G-DRAGON - IBELONGIIU Por favor tenha uma excelente leitura! 🔭

"Na ciência, uma reação em cadeia é um fenômeno onde um único evento desencadeia uma sucessão inevitável de consequências. No entanto, quando emoções entram na equação, os resultados podem ser ainda mais imprevisíveis.”

Kohaku havia se deixado levar pela emoção. Seus olhos estavam marejados, o coração acelerado, e Senku, por um breve instante, ficou paralisado. Mas logo recobrou a razão e, num movimento calculado, colocou as mãos sobre as dela, que ainda estavam pousadas em sua cintura. Com um leve inclinar para trás, aproximou-se um pouco mais e, com a voz baixa e um tom surpreendentemente calmo, disse:

- Kohaku, é normal se preocupar. Todos nós estamos, alguns apenas demonstram menos. Se precisar de algo, fale conosco. Conversar faz bem para a saúde, sabia? Então...

Antes que pudesse concluir, um som alto ecoou do final do corredor. Num reflexo imediato, Senku virou o rosto para a direita, onde a escuridão tornava impossível identificar a origem do barulho.

Após alguns segundos de silêncio tenso, Kohaku soltou Senku rapidamente, inclinando a cabeça em um pedido de desculpas silencioso. Suas palavras sumiram, restando apenas o calor intenso em seu rosto, agora vermelho como um tomate. Uma gota de suor desceu por sua testa.

Senku a observou de canto de olho, sua expressão impassível como sempre. Decidiu não comentar.

- Certo, vamos, Kohaku? Espero que seja apenas alguém que acordou.

Kohaku permaneceu em silêncio e seguiu logo atrás dele, tentando controlar a própria respiração.

Enquanto isso, escondidos não muito longe dali, Chrome e Ginro assistiam a tudo com olhares atentos. Chrome estava boquiaberto, enquanto Ginro exibia uma expressão de pura decepção.

— Chrome, você não é transparente, sabia?! Tá me atrapalhando! — sibilou Ginro, tentando se esgueirar para ver melhor.

— Ah, Ginro, para de ser fofoqueiro! Se o Kinro te pegar fazendo isso, vai te dar um sermão daqueles! — rebateu Chrome, cruzando os braços.

Ginro bufou, indignado, e puxou o braço de Chrome.

— Olha quem fala! Você tá tão curioso quanto eu! -Chrome não deixou barato e fincou os pés no chão.

— Dá um tempo, Ginro!

O impasse virou um pequeno empurra-empurra, cada um tentando conquistar a melhor posição para espiar. No meio da disputa, Ginro puxou o braço de Chrome com mais força do que pretendia. O resultado? Uma garrafa que Chrome segurava escorregou de sua mão e caiu ruidosamente no chão.

O barulho foi o suficiente para fazer Ginro se assustar e, num movimento desastrado, ele escorregou na poça d'água próxima, tombando direto sobre Chrome. O impacto fez com que ambos caíssem no chão, e, para piorar, o carvão que Chrome segurava voou para o alto antes de aterrissar sobre suas cabeças e espalhar-se pelo chão.

Senku e Kohaku chegaram a tempo de ver a cena: Ginro estatelado sobre Chrome, ambos sujos e com expressões de puro desastre.

Foi o suficiente para que a expressão sádica de Senku surgisse. Uma risada maléfica escapou de seus lábios.

— Hehehe... Não quero atrapalhar nada, meus amigos. Desde já, uma boa noite! — disse, cruzando os braços com um olhar presunçoso.

Kohaku ficou perplexa por um instante, mas logo começou a rir ao notar o rosto satisfeito de Senku.

— Pessoal, tá tudo bem aí? — perguntou, tentando conter o riso.

Senku nem sequer deu tempo para que os dois respondessem.

— Bem? Eles estão até bem demais! — ironizou.

Ginro e Chrome arregalaram os olhos, claramente ofendidos.

— O que você tá pensando, Senku?! — gritaram em uníssono.

Sem perder o ritmo, Senku se virou para Kohaku, ainda rindo maleficamente, e a empurrou levemente pelo ombro.

— Vamos descansar, já está tarde. Boa noite, rapazes!

Atrás deles, Ginro e Chrome começaram a gaguejar, um apontando para o outro, tentando desesperadamente se explicar ao mesmo tempo. Mas com tanta confusão, nenhuma palavra saía inteligível.

Enquanto caminhavam pelo corredor, Senku resmungou baixinho no ouvido de Kohaku:

— Certeza que estavam nos espionando. Usei o desvio cognitivo, uma técnica para mudar de assunto intencionalmente e desviar a atenção.

Ele então colocou as mãos na cintura, exibindo um sorriso convencido enquanto fazia sua clássica careta de cientista satisfeito ao acertar um cálculo. Kohaku percebeu, tardiamente, que havia sido completamente manipulada. Seu corpo ficou tenso. Ao recuperar sua consciência, o embaraço a atingiu como uma avalanche: estava sozinha com Senku.

Sem jeito e inquieta, acenou rapidamente para ele antes de correr para seu dormitório. Assim que entrou, fechou a porta com força, encostando-se nela como se precisasse de um apoio para não desmoronar.

Seu coração batia forte, sua respiração estava acelerada. Sua mente era um turbilhão de pensamentos.

- Kohaku, como pôde fazer isso?! — repreendeu-se mentalmente.

O calor subiu até seu rosto de forma quase insuportável. Incapaz de lidar com a avalanche de sentimentos, ela mergulhou sob as cobertas, rolando de um lado para o outro, emitindo pequenos grunhidos estranhos. Suika e Kirisame, que estavam no mesmo quarto, apenas olharam para ela com expressões de pura confusão.

Do lado de fora, Senku sorriu de canto ao ouvir a porta se fechar. Seus olhos se semicerraram, e ele suspirou levemente. Mas sua paz durou pouco.

Ao girar a maçaneta do dormitório compartilhado, ergueu o olhar e... deu de cara com Gen. O ilusionista estava quase sem roupa, fruto de uma aposta arriscada no poker contra Ryusui.

O semblante de Senku ficou sério instantaneamente. O nojo era evidente em sua expressão. Sem pensar duas vezes, ele deu dois passos para trás e fechou a porta com um movimento brusco.

Suspirou pesadamente.

- Tch... Isso foi pior do que eu esperava...

No instante seguinte, percebeu que Kohaku tinha feito exatamente a mesma coisa que ele: saído do quarto em sincronia perfeita para evitar lidar com seus próprios pensamentos.

Por um breve instante, seus olhos se cruzaram no corredor silencioso.

- Senku... — murmurou Kohaku.}

- Kohaku... — respondeu ele, sua voz soando mais baixa que o habitual.

Seus olhos se dilataram ligeiramente, captando cada detalhe um do outro. O silêncio entre eles era denso, carregado por algo que nem mesmo Senku poderia calcular com precisão.

E então, sem aviso, um trovão rasgou o céu. O clarão iluminou seus rostos por um breve instante, destacando a expressão de Kohaku, ainda ligeiramente ofegante, e o olhar analítico de Senku, que a observava como se estivesse tentando decifrar uma equação inesperada. O ribombar profundo ecoou pelo navio, trazendo consigo uma sensação estranha de expectativa.


O que viria a seguir?

Notas finais
A ciência nos ensina que toda ação gera uma reação. Se aplicarmos essa lógica a interações humanas, o resultado pode ser tão caótico quanto fascinante.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.