Fé E Pecado

4 Capítulo 3 - "Padreco Ed... Você vai ser meu!"


Notas iniciais
Gente, obrigada pelos reviews!
Está aqui mais um capítulo!
Obs: Eu escrevi mega correndo, se tiver algum erro, me desculpe!

- Quem dormia com você desde pequena? – Alice me perguntou alto e pronto! Se Edward não tinha ouvido, acabou de ouvir.

-Meu urso de pelúcia, Alice. –Menti rapidamente, porém sem modificar minha reação. Continuei mecanicamente, enquanto o encarava: – Eu durmo com ele desde pequena, não consigo dormir sem.

-Ãh... – Começou vindo até a porta, mas quando viu quem era mudou o que iria dizer: -... Tá. Como vai, padre? – E beijou sua mão.

- Estou muito bem, obrigada Alice. Deus te abençoe. – Sorriu ligeiramente em sua direção para depois me encarar. – Bella, pronta pra se confessar?

Oh Deus, eu estava?! Eu nunca havia me confessado na vida e sabia que havia certas coisas que se Padre Edward ouvisse ficaria de cabelo em pé. Mesmo sem saber o que fazer, assenti.

-Nos vemos depois, Bella. – E me deu uma piscadela pelas costas do padre. –Tchau, padre.

-Tchau, Alice! – Dissemos em uníssono.

-Vamos? – Edward me perguntou estendendo o braço para que eu segurasse, eu aceitei e o segui até o jardim. – Bella, eu acho que devemos conversar... — Eu engoli em seco. – Eu queria te entender, entender o porquê de tamanha rebeldia... Pense em mim como um amigo.

-Acho melhor não. –Eu disse desviando o olhar. – Existem muitos esqueletos no meu armário, na verdade pensando bem, no armário da minha família.

-Tudo bem... Estou aqui pra te ouvir, filha. – O tom todo patriarcal e amoroso dele me fez ficar enjoada.

-Sério?! – Perguntei incrédula. – Você quer que eu pense em você como amigo me chamando de filha? Nenhum amigo meu me chama de filha... Ou querida, ou qualquer outra coisa parecida.

Ele riu, um som rouco, porém gostoso de se ouvir... Hum, imaginei o som do seu gemido em meu ouvido... Deus, eu vou surtar!

-Tudo bem então, Bella. – Disse dando bastante ênfase no meu nome. – Que tal começarmos com a sua confissão?

Hesitei. Porém ele havia me dito que eu poderia confiar nele então perguntei:

-Como se... Confessa? – Ele abriu um sorriso tão lindinho que por um momento até perdi a linha do raciocínio.

-É simples. Apenas conte-me todos os pecados pelos quais você se arrepende.

Apenas os que me arrependo?! Beleza!

-Bom... –Limpei a garganta. – Eu já tive maus pensamentos, já desrespeitei meus pais, principalmente minha mãe e... Já tentei me matar. – Disse-lhe rapidamente e vi o choque transparecer em seu rosto.

-Como assim tentou se matar? – Seu olhar estava chocado, mas percebi que ele também estava preocupado comigo.

Respirei fundo. Eu não queria contar, aquilo era algo que eu já mais contei pra ninguém, algo que eu sempre quis esquecer, porém também era algo que eu me arrependo imensamente de ter tentado... Então, é melhor contar:

-Foi aos meus doze anos... Eu cortei meus pulsos. – Eu retirei os braceletes que eu sempre usava desde então e os mostrei as cicatrizes em cada pulso. – Foi uma estupidez, eu sei. Mas naquele momento... Era minha única saída daquele inferno. – Ops... Falei demais.

-Que inferno, Bella? – Ele me perguntou profundo, olhando em meus olhos e tocando ligeiramente minha cicatriz. Pela primeira vez eu senti que alguém me ouvia, que alguém realmente ligava em saber o meu lado da história.

-Meu pai, minha mãe, minha casa. Tudo era tão estranho, tudo era tão ruim... –Senti que minhas lagrimas queriam cair, mas eu segurei para não desmoronar na frente dele. – Tudo era uma gritaria ensurdecedora, ela me culpava pelo que acontecia... Mas eu nem sabia o que estava acontecendo! – Flashes da minha infância atravessaram a minha mente e não consegui mais conter as lágrimas de caírem. –Por favor, acredite em mim, a culpa não foi minha, eu nunca quis que ele fizesse aquilo comigo...

Eu sequer percebi que estava abraçada a ele, apenas quando ele me apertou mais em seu corpo e acariciou minhas costas amigavelmente. Eu chorava tanto que demorei a notar que ele tentava me consolar:

-Já passou, já passou. Eu não vou te culpar por nada, aliás, eu sequer sei o que aconteceu. Eu somente quero que você se acalme e explique melhor, pois pra mim isso são frases desconexas... – Eu o olhei e vi sinceridade em seus olhos, ele queria me ajudar de verdade. – Por que não começa do inicio de tudo?

Eu me levantei abruptamente. Eu já tinha falado demais, não deveria continuar. Já era de noite e o luar iluminava o jardim, proporcionando-me uma boa visão do Padre. Ele me olhava bem nos olhos e eu me senti segura, com ele eu poderia dizer tudo.

-Tá bom... Mas você terá que me prometer que não irá contar nada pra ninguém, prometa que isso ficará somente entre nós dois! – Eu pedi altiva me sentando novamente.

-Nada que irá dizer sairá daqui, eu prometo por Deus. – Garantiu-me sério. – Agora me diga, o que aconteceu?

-Eu tinha apenas onze anos quando tudo começou, eu era apenas uma menina, ainda brincava de bonecas e tudo! – Ele assentiu e eu prossegui: — Eu não tinha maldade, eu era apenas uma criança inocente e ele tirou isso de mim.

-Quem? – Perguntou-me, se aproximando de mim tentando me transmitir confiança.

-Meu pai, o Charlie. – Falei desviando do seu olhar, olhei para o chão e continuei: — Ele bebia muito e chegava todo dia muito tarde e bêbado, minha mãe brigava horrores com ele e o mandava dormir no sofá. Um dia a gritaria foi tão grande que eu acordei assustada e fui ver o que era, porém fiquei escondida atrás da uma pilastra da sala.

Num piscar de olhos foi como se eu revivesse aquele dia fatídico.

Minha mãe berrava palavrões, dizia que iria se divorciar dele e ele rebatia todas, também a xingando. Eu me lembro de chorar e ficar sentada no chão, esperando que toda aquela gritaria acabasse, mas parecia que nunca iria acabar. Eu não sabia que meu choro era tão alto e que chamaria a atenção deles para mim.

Minha mãe logo me mandou ir dormir, que ela e o papai estavam só conversando e que já, já estaria tudo bem. Eu a obedeci dando um beijo nos dois e abracei apertado o papai, mesmo sentindo o cheiro de álcool nele. Depois, olhando para o papai e vendo ele me seguir com os olhos subi. Lembro-me de que ele parecia um bicho olhando para sua caça, dava medo.

Assim que eu entrei no quarto, ouvi a gritaria recomeçar. Mas desta vez durou apenas alguns minutos e acabou com minha mãe mandando-o dormir no sofá, novamente. Eu mantinha minha porta fechada, mas mesmo assim pude ouvir o salto da mamãe bater no piso e sua porta bater com violência.

Naquela época eu achava que Deus existia e que ele olhava por mim, por isso rezei. Rezei para que eles parassem de brigar todos os dias, que se acertassem e que papai parasse de beber. Foi nessa hora que eu ouvi minha porta ranger e eu fingi que estava dormindo.

-Bella? – Meu pai me chamou e eu abri meus olhos, ele sorriu.

-Papai, o senhor vai embora? –Perguntei triste e ele se aproximou.

-Não filhinha, papai jamais vai largar você. Papai te ama. – Falou deitando-se ao meu lado na cama.

-Mas papai... Por que você e a mamãe brigam tanto? –Perguntei deitando em seu peito e aceitando o carinho que ele me dava.

-Por que eu não a quero mais, Bells.

-Como assim? – Eu nem sabia do que ele estava falando, pra você ver quão ingênua eu era.

- Eu não a desejo mais como mulher, assim ela fica chateada comigo.

-Papai... O senhor está apaixonado por outra mulher? – O ciúme me tocou e eu não gostei de sequer cogitar essa possibilidade de vê-lo longe de mim. – O senhor não pode ir embora por causa de outra. O senhor é meu, papai.

Agora revendo minhas palavras vejo que ele pôde ver malicia, duplo sentido nelas, porém aquilo era apenas amor de filha, não desejo. Ele como adulto deveria saber distinguir! Deus, eu não sabia nem o que era ter desejo por alguém naquela época!

- Você realmente me ama, Bells? –Perguntou-me sério e eu assenti. – Você seria capaz de prova-lo pra mim? Você faria tudo que eu mandar?

Eu não tinha entendido o que ele queria que eu fizesse, então fiquei calada e apenas assenti. Ele se virou e pairou sobre mim, e nossa! Não me lembro de uma memória tão assustadora quanto essa. De verdade...

-Ele começou a me beijar e eu fiquei lá, parada que nem uma estátua de mármore. Eu sei que eu deveria tê-lo afastado, ter gritado por ajuda, padre. – Falei nostálgica. – Mas eu simplesmente não fiz nada e deixei que ele fizesse o que quisesse comigo. Sei que foi errado, mas eu não tive culpa! Eu não fiz para sentir prazer, eu fiz por que ele era meu pai e eu o devia obediência.

Eu voltei a olhá-lo e seu rosto estava transfigurado em pena. Ele estava sentindo pena de mim, que droga! Mas quando viu que eu o olhava, perguntou:

-E o que sua mãe fez?

Eu sorri amarelo.

-Ela não notou nos primeiros meses, principalmente por que meu pai havia mudado da agua para o vinho. – Eu disse voltando a olhar para baixo. -Ele não bebia mais, não chegava tarde e as brigas tinham cessado. – Meus olhos voltaram aos seus. – Eu estava feliz, minha casa estava em paz finalmente. Eu não gostava de dormir com ele, era sempre doloroso, mas era essa a consequência de ver harmonia lá. –Esperei o seu olhar de repreensão, mas não veio. -Porém um dia minha mãe chegou cedo em casa e nos viu... Nossa, foi tão humilhante! – Voltei a chorar. – Ela me chamou de vagabunda, de vadia, de tudo e mais alguma coisa, ela falou que eu era um desgosto pra ela e que desejava que eu estivesse morta.

-Deus! –Exclamou. – Seu pai não disse nada?

-Sim, mas foi pior! – Choraminguei. – Pois ele disse que ele ainda não tinha ido embora por minha causa e que se ela quisesse continuar casada com ele, ela teria que aceitar nosso... Caso. – Falei engasgada. – E o pior foi que ela aceitou!

-Como assim?

-É ele que paga as contas dela, padre. Todos os luxos que ela gosta de ter! Se meu pai se separasse dela, ela estaria perdida e na pobreza. – Expliquei-lhe. -Porém ela começou a nutrir uma raiva, um nojo tão grande por mim no qual eu não merecia. E foi assim que eu quis me matar, pois eu me sentia a pior das pessoas, eu queria que minha mãe parasse de me odiar tanto.

- Foi por isso que você rebelou?

Eu assenti.

-Quando eu comecei a namorar, meu pai parou de me perseguir, pois tinha medo do meu namorado. Então, enquanto eu namorar o Jake, eu estou segura. – Eu disse indiferente,

Ele assentiu vagarosamente e depois perguntou:

-Então você somente é uma garota perdida, porém boa, Bella. – Afirmou e com essa eu tive que rir sarcástica.

-Eu sei exatamente onde eu estou, padre. – Fiz gozação. – E eu fui uma garota boa, hoje não sou mais. Eu já perdi minha bondade faz tempo.

-Sua melhor defesa eu sarcasmo, hum? –Perguntou-me como se meditasse sobre o caso. –Qual será seu melhor ataque?

-É melhor não procurar algo que não quer achar, Padreco Ed. – Dei um beijo estalado em seu rosto e saí sem dizer adeus. Ainda pude o ouvir dizer:

-Que garota louca.

Eu sorri comigo mesma e algo dentro de mim fez com que eu olhasse para trás e encontrar seu olhar, esse olhar foi diferente dos outros... Foi bem mais profundo. Dei as costas novamente e saí correndo entrando no meu quarto.

Alice estava lá.

-E aí, como foi? –Perguntou curiosa.

-Padreco Ed... Você vai ser meu. – Murmurei sorrindo e ela arregalou os olhos, surpresa.

Notas finais
A bella é meio maluca, né? Também acho.
Mas a partir dos próximos é que veremos como ela consegue mexer com a cabeça do seu padre favorito!
Beijos e deixem reviews!