Fé E Pecado

5 Capítulo 4 - "Cuidado, você pode se render"


Notas iniciais
Oiii! Como estão?
Gente, obrigada pelos reviews e aqui está mais um capítulo.Bella hoje vai deixar claro que vai jogar com Ed.


–Bella, Bella, Bella. – Repetia seu nome sem parar, mas mesmo assim eu queria repetir mais quinhentas vezes.

Eu tinha gostado da sua audácia, do seu jeito louco de ser... E principalmente pelo jeito doce que ela verdadeiramente tem, mas que finge não ter por debaixo daquela armadura de ferro. Eu podia sentir que ela era uma boa menina, ela apenas não admitia isso.

–Apenas em uns meses e você se renderá. – Falei comigo mesmo lembrando-me do seu rosto delicado, do seu olhar assustado, porém sarcástico... –Deus, eu tenho que parar de pensar nessa garota! – Adverti-me levantando minha cama rapidamente antes que eu começasse a pensar demais.

Tomei um banho relaxante, gelado, para acalmar os nervos. Amanhã seria um novo dia e eu daria aula pra ela... Que Deus me ajude! Eu percebi em seu olhar que talvez ela desse muito mais trabalho do que eu pensava.

E por falar em ajuda divina, tinha o caso dos pais dela. Eu não sabia como administrar essa situação, pois tudo que Bella havia me dito havia sido em um momento de confissão, ou seja, nada que ela havia me dito eu posso passar a diante. Porém se ela quisesse, eu a ajudaria a pô-lo na prisão em dois tempos. Eu só quero que nunca mais aquele pedófilo encoste um dedo nela outra vez.

Assim que saí do banho, enrolei-me numa toalha e voltei a deitar-me na cama. Fiz minhas orações, incluindo Bella em minhas preces e fui dormir. Porém minha mente trabalhava com bastante velocidade para eu conseguir cair na inconsciência do sono.

Quanto mais eu pensava em Bella e sua família desajustada, eu pensava na minha inexistente. Na minha mãe Esme que me deixou quando tinha nove anos em um seminário, pois não tinha condições de me criar. Nunca conheci meu pai, mas me lembro de vagamente da minha mãe me dizendo quando eu era pequeno que ele era um homem bom.

Mesmo sendo criado longe de qualquer parente, eu me sentia bem lá. Padre Carlisle era um ótimo mestre, foi ele quem me criou e cuidou de mim até falecer quando eu tinha dezessete anos. Ele me ensinou tudo que eu sei de teologia e suas artes e por causa dele que eu decidi me tornar padre, para seguir seu exemplo.

Ele era um dos fundadores desta escola e quando ele morreu, ele deixou seu posto pra mim. Então, assim que me formei e me consagrei vim pra cá. No inicio era tudo tão estranho e novo pra mim, pois eu não estava acostumado com a presença de mulheres por todo o lado, apenas de algumas freiras que nos visitavam ocasionalmente.

Os professores daqui me achavam um incapaz, achavam que eu não era capaz de cuidar dessa escola inteira, sozinho. Porém aqui estou eu, seis anos depois e contente por fazer um trabalho bem feito. Pois a cada ano vejo jovens entrarem aqui cheios de problemas e saírem renovados e muitas vezes outras pessoas, mas admito, nenhum aluno foi tão intrigante quanto Bella está sendo.

Ela simplesmente me desafia o tempo todo, ela realmente será uma pessoa que me marcará pra minha vida inteira, pois sua história me comoveu profundamente. Espero que eu consiga transformá-la de verdade em uma pessoa melhor e principalmente, que eu consiga dar um final feliz a sua história triste de vida.

(...)

Fiquei admirado com a hora que eu fui dormir noite passada, já eram quase duas da manhã quando consegui pegar no sono. O pior é que hoje eu teria que acordar mais cedo do que de costume, pois hoje era o primeiro dia de aula e eu teria que celebrar a missa de boas-vindas.

Às quatro da manhã eu levantei e me arrumei para mais um dia de trabalho a serviço do Senhor. Fui para a capela e ajudei as freiras a arrumarem não só o altar, mas toda ela, para a chegada dos antigos e novos alunos.

Às sete horas, já estava tudo arrumado e o sino já estava badalando chamando os alunos pra cá. Em poucos instantes a igreja já estava lotada. Não consegui não varrer os olhos a sua procura e a encontrar bem na frente, acenei contente e ela acenou de volta exibindo um sorriso esplendoroso.

A missa começou e todos se calaram.

Assim que a missa acabou, todos saíram de imediato, menos Bella. Ela ficou ali parada, olhando para o altar, pensativa. Não havia mais ninguém além de nós dois lá e a aula já iria começar, por isso resolvi chama-la.

–Bella, vamos? – Seu olhar que estava tão distante quando pousou em mim se tornaram alegres e ela assentiu, mas parou apenas pra olhar mais uma vez pra Santa Madalena que estava pendurada no altar. – Devota dela?

Ela deu de ombros e me respondeu:

–Apenas me identifico com sua história. – E saiu com essa frase de efeito.

O resto do meu dia foi ligeiramente entediante, aquelas mesmas aulas sem interesse dos alunos, as mesmas perguntas engraçadinhas, nada de novo. Porém estava ansioso para chegar a hora de dar aula para sua classe, queria saber como Bella era como aluna.

Todos aqueles alunos entraram e logo a vi naquela multidão com a farda da escola em verde e branco, Bella sentou na frente novamente e sorriu pra mim, abrindo o caderno. Alice sentava bem ao seu lado e disse alguma coisa em seu ouvido que fez Bella rir.

–Bom-dia, classe. –Falei e todos responderam em uníssono. – Bom, hoje vamos começar com um tópico básico, a essência de Deus. – Disse escrevendo no quadro. – A famosa discussão sobre a santa trindade, eles tem a mesma essência, Deus é maior que Jesus...

Alguém levantou a mão e eu até me surpreendi por ser a Bella, porém lhe dei a palavra.

–Mas como a gente pode ter certeza que Deus realmente existe? – Seu tom de voz era desafiador, com certeza ela queria abrir um debate.

–Nada pode ser provado concretamente, porém temos os relatos de pessoas que vivenciaram todos os milagres tanto feito por Jesus quanto por seus apóstolos. – Respondi e escrevi bem grande: — a bíblia... Sim, Bella?

–As pessoas não mentem? –Perguntou petulante e algumas pessoas concordaram. – Como pode ter tanta certeza de que eles não inventaram tudo aquilo? O senhor estava lá?

Respirei fundo e respondi:

–Não, eu não estava. Mas tenho fé que eles estavam falando a verdade, pois Deus existe. Você deveria acreditar também, Bella. – Vi que Alice estava embasbacada pela ousadia da amiga em me enfrentar perante a classe.

Ela bufou.

–Padre, perdão. Mas não consigo acreditar numa coisa que não há evidências concretas e muito menos consigo ver. Pois eu posso muito bem inventar uma pessoa e fazer com que uma legião me siga.

–Então, pra você, quem criou o mundo? –Perguntei curioso e notei que ela não esperava que eu perguntasse nada ela, ela queria me atacar, porém eu sabia que a maior defesa era o ataque.

Ela deu de ombros.

–O big bang. – Falou indiferente.

–Então, você tem evidências de que foi como big bang que criou o mundo? –Ataquei novamente e dessa vez foi a mim que os alunos concordaram.

–Não, mas é muito mais plausível que um carinha ter criado um mundo tão ruim como esse.

–Ruim? –Perguntei confuso. – Os mares, as florestas, todas as belezas que há neste mundo, você acha ruim?

–Não, estava me referindo aos humanos. – Eu ia rebater, mas ela não deixou: — Se os humanos foram criados pela imagem e semelhança Dele, então será que ele é tão bom assim?

Não pude nem responder, pois o sinal tocou e a aula tinha acabado.

Todos se retiraram, menos ela. Ela ficou lá, parada esperando que todos saíssem. Fingi que não notei e comecei a arrumar meus livros. Porém foi tão estranho quando ela se aproximou, pois todo meu corpo reagiu a sua presença.

–Boa argumentação, Bella. – Elogiei lhe. – Porém preferiria que usasse em algo construtivo.

Ela sorriu de canto de boca.

–Você não me respondeu. – Observou.

Eu suspirei.

–Olha, Deus criou os humanos como serem perfeitos, num lugar perfeito. Porém eles sempre tiveram o livre arbítrio, sempre tiveram o poder de escolha. Cada um escolhe o que quer plantar para colher no futuro, Bella. – Eu respondi tentando ensiná-la alguma coisa sobre a vida. – Seu pai fez a escolha errada e agora você é do jeito que é. Ele plantou o mal, e é lógico que as consequências não poderiam ser boas.

–Padre, cuidado... –Ela disse sombria chegando bem próximo de mim e tocando meu ombro. – Eu não sou do tipo que sou influenciável e sim que fluência os atos das pessoas ao meu redor, o senhor está se aproximando demais de mim... Eu posso muito bem transfigurar sua crença, se eu quiser. – Avisou-me. – Eu já sou descrente da humanidade, mas o senhor não, ainda tem fé nas pessoas, acha realmente que elas podem mudar para melhor. Mas acredite, eu não sou uma delas. – Eu ia falar uma coisa, mas ela pôs o indicador em meus lábios, silenciando-me. – Se até Adão que vivia num mundo tão perfeito, não resistiu à tentação de Eva. Será que você, que vive cercado de pecado e tentação, consegue?

Perguntou, mas não esperou a resposta, pois saiu sem sequer olhar pra trás.


Notas finais
Reviews?