Fé E Pecado
14 Capítulo 13 - O encontro de recontro.
Notas iniciais
-Vai ser assim, né? – Perguntei confirmando com Edward. – Depois do almoço a gente parte para a casa dela, ok?
-Eu não acho uma boa ideia, nós dois, sozinhos... – Falou hesitante.
-Pelo amor De Deus Edward, você acha o quê? –Perguntei revirando os olhos. – Eu não vou te atacar, não! Nós vamos lá pra ver sua mãe e mais nada. Não vai ser um encontro ou algo do tipo...
-Promete? –Pediu e eu suspirei.
-Pela milésima vez, sim! – Eu já estava perdendo a paciência. –Nós já discutimos isso. Eu prometo me comportar, eu juro!
-Então, se é assim... Tudo bem. – Concordou.
-Agora vai fazer a mala e um carro pra gente viajar. – Falei o arrastando para fora do escritório. – Você tem duas horas, ok? – Falei consultando meu relógio.
-Tá, tá. Mas nos encontramos no portão principal, tá bom? – Perguntou-me apontando naquela direção. – Eu não quero que ninguém veja que a gente está saindo juntos.
-Sair escondido... – Falei em negação. – É isso que dá namoro proibido!
-Isabella! – Falou me advertindo.
-Desculpa, não resisti. – Falei rindo. –Prometo que foi a ultima brincadeira.
-Espero que sim. – E nos separamos.
Edward’s POV
Eu sabia que essa viagem ia me dar dor de cabeças. Imagine eu e Bella juntos, sem ninguém para nos vigiar, ou melhor, julgar? Não ia dar o que preste... Mas resolvi lhe dar um voto de confiança e aceitei viajar com ela. Eu sabia que eu iria me arrepender, mas eu quis arriscar.
Também tinha o fato de que eu não queria segurar essa barra, sozinho. Ver minha mãe, depois de anos sem ter noticias, ia ser duro. Acho que se Bella não fosse comigo, talvez eu não tivesse coragem de enfrentar esse desafio.
Arrumei minha mala com coisas estritamente básicas. Eu não pretendia passar lá mais do que dois dias. Quando ia fechar a mala, lembrei-me da bíblia e acrescentei lá dentro. Olhei para o relógio e faltava uma hora apenas para eu me encontrar com Bella.
Ai que frio na barriga...
Resolvi sair logo do quarto, antes que desistisse. Não fui para o salão de jantar almoçar, não tinha estômago para isso. Fui direto para a portaria principal e me surpreendi em já encontrar Bella me esperando.
Ela estava linda como sempre. Com seus cabelos soltos e rebeldes jogados sobre o ombro, suas roupas estilosas e provocantes me fez lembrar como ela era nua. Nem pense nisso, Edward. Adverti-me mentalmente.
-Já almoçou? –Perguntei, enquanto me aproximava.
-Não, não estava com fome. E você? –Perguntou tirando os óculos escuros do rosto e pondo na cabeça.
-Não, não tô com cabeça pra isso. – Falei colocando minha pequena mala no chão, Bella tinha sua mochila nas costas. – Vamos?
-Só se for agora!
-Por que se não for agora, você não vai? –Perguntei confuso e nervoso ao mesmo tempo.
-Aff, Ed. Foi modo de dizer... – Falou me dando leve tapa no meu ombro. Ela pegou na minha mão e me arrastou para fora.
Foi meio estranho segurar sua mão, mas foi um estranho bom. Assim que entramos no carro, ela me perguntou:
-Trouxe o endereço?
-Claro. – Falei tirando o papel do bolso do casaco. – É um num vilarejo próximo, daqui à uma hora, mais ou menos, chegamos.
-Ok. – Falou pondo os fones de ouvido.
-Ei, não me ignore. – Falei tirando puxando os fones.
-Você é indeciso, né? – Perguntou-me num ligeiro tom de irritação. – Uma hora quer que eu te ignore, outra fica me implorando por atenção. Se decida, Ed!
-Calma. Eu não estou te implorando por atenção, eu só quero que converse comigo. – Disse saindo das propriedades do colégio.
-Sobre o quê?
-Sobre o que você quiser. – Falei, mas depois complementei: — Mas que seja consideravelmente apropriado.
Ela estalou a boca.
-Você é muito exigente. –Retrucou rindo. — Tudo bem, eu quero saber mais sobre você.
-O que você quer saber? –Perguntei já me arrependendo de puxar conversa.
-Sobre sua família. – Disse. – Rola muitos boatos sobre isso no colégio, dizem que sua mãe era freira, é verdade?
Eu fiquei na duvida se contava a ela ou não. Resolvi contar logo tudo de uma vez.
-Sim, ela era. Mas nem me pergunte quem era meu pai, pois não sei. – Ela assentiu, prestando atenção. – Ele pode ter sido um padre, um monge, ou um homem comum. Minha mãe nunca quis dizer nada sobre ele, apenas dizia que ele era um homem bom. Nós éramos muito pobres e minha mãe tinha grandes dificuldades em me criar. – Contei-lhe. – Lembro-me de passar fome, até que minha mãe me levou para o seminário, foi lá que conheci Padre Carlisle. Ele foi minha única família por um bom tempo, ele foi um pai pra mim. Antes de mim, era ele o diretor da escola. Ele morreu antes de me tornar padre, mas foi por causa dele que eu resolvi completar o sacramento.
-Ou seja, você não entrou por vocação. – Bella concluiu.
-É... Bom... Não. – Admiti. – Mas não me arrependo de ter seguido esse caminho.
-Nem ultimamente? -Instigou.
-Bella... Você prometeu! – Lembrei-lhe.
-Mas você tá bem disse que eu poderia perguntar qualquer coisa que fosse consideravelmente apropriado. – Retrucou. – Eu considero essa pergunta apropriada.
-Mas não é.
-É sim. Mas se você não me responder, eu farei uma pergunta mais constrangedora. – Ameaçou.
-Se não for diretamente ou indireta sobre nós dois, tudo bem.
-Tem certeza? – Perguntou-me com cara de mafiosa.
-Vai, manda logo. – Falei antes que eu desistisse.
-É verdade que você além de virgem, é BV? –Perguntou incisiva.
-O que diabos é BV? -Perguntei e ela riu.
-Boca Virgem. – Explicou, mas quando percebeu que eu ainda não tinha entendido. — Nunca beijou na boca. Já ou não? Responda-me.
-Bom, você me deu um... Selinho, naquele dia. – Falei, lembrando-me do toque dos seus lábios nos meus. – Antes disso, eu nunca tive nenhum outro contato com outra mulher. – Vi que ela ficou calada, pensativa. – O que foi?
-Nada. Eu só não sei se fico lisonjeada ou com pena de você.
-Ãh, por quê?
-Só me responda uma perguntinha consideravelmente inapropriada. – Pediu e eu assenti relutante. – Você gostou?
-S-Sim. –Gaguejei. – Acho que sim.
-Você gostou sim, que eu sei. Tá escrito na sua testa. – Falou apontando para meu rosto. – Mas não é esse o ponto. Eu quis dizer o seguinte: A relação entre homem e mulher é um dos poucos e melhores prazeres que se tem na vida. Se você gostou tanto de apenas um selinho, imagine de...
-Para, Bella! – Exclamei a interrompendo. – Eu posso não ter virado padre por vocação, mas tenho que honrar o juramento que fiz e por favor, respeite isso!!
-Tudo bem. – Murmurou, pondo novamente o fone de ouvido.
Ficamos calados desde então e ainda bem que não demorou tanto para que chegássemos ao pequeno chalé, onde, de acordo com a carta, minha mãe morava.
-Preparado? – Bella me perguntou saindo.
-Nem um pouco. – A respondi seguindo-a.
Ela foi à frente e bateu na porta, ela sabia que eu não tinha coragem alguma pra fazer isso. Ela me encarou e em poucos minutos a porta rangeu, revelando uma senhora bastante envelhecida. Mesmo com o passar dos anos, meu coração já sabia quem era.
-Edward? – Perguntou Esme.
-Mãe? – Perguntei recebendo um abraço.
Foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida e fiquei extremamente feliz de ter compartilhado com a mulher da minha vida. Droga! Não acredito que disse isso!
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