Fé E Pecado
15 Capítulo 14 - A gente tá brigando feito um casal.
Notas iniciais
Aqui está mais um capitulo dedicado a tds vcs!
Beijão!
-Meu Deus, meu filho está aqui! – Minha mãe falou rindo e me abraçando feliz e emocionada ao mesmo tempo. – Vamos, entre! Nem acredito que você realmente está aqui... Como cresceu, está lindo! Eu estava morrendo de saudades de você, meu Ed.
-Eu também, mãe. Eu também. – Retribui o abraço.
A casa da minha mãe era simples, bem rustica mesmo. Só tinha um quarto, uma sala e cozinha. Tudo ali era bem velho e gasto, inclusive o grande sofá e a pequena TV com a antena revestida de lã de aço. O que realmente me surpreendeu foi várias fotos minhas pela casa.
-Mãe, como a senhora conseguiu estas fotos? – Perguntei para a mulher à minha frente.
Depois de uma longa sessão de tosse, ela me respondeu:
-Carlisle, quer dizer, Padre Carlisle me deu... Por falar nele, como ele anda? – Perguntou nos direcionando para o sofá. – Não ouço falar dele há um bom tempo...
-Mãe, Padre Carlisle morreu. – Contei-lhe.
Ela pareceu chocada e triste, mas logo se recompôs:
-Mas que Deus guarde a alma dele... – Disse beijando o terço em seu pescoço. — Mas me diga, quem é essa moça linda, sua esposa?
-Ah, não. – Bella respondeu rapidamente e percebi que ela estava limpando lágrimas em seu rosto. – Me chamo Isabella, mas pode me chamar de Bella. Padre Edward e eu somos apenas amigos, bons amigos. – E deu uma piscadela pra mim.
-Meu Deus, Edward, você é padre? –Minha mãe perguntou contente e eu assenti. – Deus seja louvado! Estou tão orgulhosa... – Abraçou-me emocionada. – Eu, mãe de um padre, que benção!
-Mas mãe, a senhora teve contato com Padre Carlisle enquanto eu estava lá, em seu seminário? – Perguntei intrigado por ele nunca ter mencionado isso.
-Muito pouco, meu filho. Muito pouco. – Falou desviando o olhar. – Mas ele me mandava cartas com noticias suas e dinheiro para eu sobreviver. Como você deve saber, Padre Carlisle era um homem bom... – Algo nela e no seu discurso fez com que uma lâmpada acendesse em minha cabeça.
Será que Carlisle era meu... Não! Ali não era momento para discutir coisas do passado, além do mais minha mãe estava doente. Não era hora para importuná-la com esse assunto tão... Delicado. Olhei para Bella e ela parecia pensativa, talvez tenha percebido alguma coisa também.
-Então, como a senhora está se sentindo? – Perguntei a ela que estava na cozinha sentada a uma cadeira velha de madeira. – Já foi ao médico ver o que tem?
-Sim... Mas não importa, meu filho. – Disse-me em descaso. – Eu já sou velha e não é necessário gastar dinheiro que eu não tenho com uma tosse chata, é simplesmente inútil. Meu corpo está cansado e já está parando de funcionar, até minha cabeça não é como antes...
-Mãe, eu posso pagar por um bom tratamento que pode te curar! – Disse-lhe. – Eu sou diretor de uma grande escola e tenho bastante dinheiro, isso não é problema.
-Ah, meu filho! Eu realmente me sinto realizada pelo homem que se tornou... – Tossiu mais uma vez. – Mas não precisa gastar dinheiro com sua velha mãe, eu não vou durar tanto tempo e espero passar meus últimos dias em casa e não em um hospital qualquer.
-Mas eu quero ajudar! – Exclamei.
-Você já está ajudando... Só sua presença aqui, já me faz um bem que só Deus sabe! – Disse segurando meu rosto e depositando um beijo na minha testa, igual como fazia quando eu era criança. – Que tal pegar lenha para tomarmos um bom chocolate quente?
-Seria ótimo. Minha barriga tá roncando! – Bella reclamou com a mão na barriga.
Minha mãe riu.
-Tia, a gente saiu sem nem almoçar! – Bella contou pra ela.
Deixei as duas lá dentro e fui buscar a tal lenha. Esme falou que atrás da casa tinha algumas toras, então fui lá e tirei a camisa para não sujar com fuligem. Percebi um olhar sobre mim e quando virei, peguei Bella me observando da janela com um olhar de cobiça. Quando percebeu que tinha sido flagrada, ela sorriu e me mostrou a língua, eu ri.
Bella’s POV
Uau! Foi a cena mais emocionante, linda e completamente foda da minha vida... O reencontro de Edward com a mãe dele foi simplesmente digno de novela. Eu realmente me emocionei, admito que até derramei algumas lágrimas.
Ele foi para o quintal pegar lenha e eu fiquei o observando pela janela da cozinha e Deus Meu! Por que ele tinha ser tão gostoso? E o pior, ele inventou de tirar a camisa e deixar aquele tronco másculo e viril de fora que, com certeza, vai fazer parte da minha fantasia, quando eu for dormir. Eu estava tão distraída com aquela visão dos deuses que nem percebi a presença da mãe dele ao meu lado.
-Meu filho se tornou um homem bonito, não acha? – Perguntou-me.
Eu assenti.
- Fiquei feliz por ele ter se tornado padre, mas... Não era bem esse o futuro que eu pretendia pra ele. – Contou-me. – Eu sei bem das privações e tentações que essa vida sofre... Não queria isso pra ele.
-Então por que o mandou para um monastério, Dona Esme?
Ela esboçou um sorriso e disse-me:
-Às vezes a vida é bastante complicada, não é? – Concordei. – Eu fiz o que era certo, o pai dele tinha mais condições de cria-lo que eu. Eu não tive escolha e Carlisle prometeu que daria tudo a ele.
-Então, Padre Carlisle é o pai de Edward? – Perguntei tentando não parecer intrometida.
-Sim, é. – Admitiu. – Não adianta mentir depois de tanto tempo e ele já está morto mesmo... Ele é a cara do pai! – Falou num suspiro.
Ela foi embora e me deixou lá, apenas o observando empilhar um monte de lenha e pensando no que ela havia me dito. Ele se virou e me pegou o observando. Não me fiz de rogada e fiz graça, mostrando a língua para ele, fazendo-o rir e continuar o que estava fazendo.
Logo ele entrou todo suado. Tentei ao máximo controlar minha natureza e não disse absolutamente nada sobre esse fato. Acho que ele até esperava por um comentário meu, mas também não falou nada.
-Eca Edward, você tá todo suado... Vai tomar um banho para comer! – A mãe dele ordenou.
-Mas mãe... – Ia protestar, mas a mãe o interrompeu.
-Você vai me desobedecer, Edward Antony Cullen? – Perguntou-lhe incisiva. – E você também, Bella, vão os dois tomar banho para comer, vão!
Eu é que não ia desobedecer, né? Mandou, tá mandado! Passei por Edward e ele me olhou como se entendesse o que estava passando na minha cabeça. Ele deu de ombros e pegou a mala, levando para o box improvisado ao ar livre no fundo da casa.
-Você tem que ser mais cuidadoso, até sua mãe percebeu! – Adverti-lhe.
-O quê? –Perguntou sendo, ou fingindo, de desentendido.
-Dona Esme percebeu o clima entre a gente! – Disse e ele bufou.
-A culpa é minha se você fica babando só por que eu estava sem camisa? – Perguntou convencido. – Você que deveria parar com sua obsessão por mim!
-Eu não sou obcecada por você porra nenhuma! – Esbravejei.
-Não, eu que sou por você! – Falou irônico.
- Com isso eu concordo. – Cruzei os braços, irritada.
-Argh! – Grunhiu indo para aquela cabine com o chuveiro, mas parou me olhando: – Você quer ir primeiro? –Perguntou ríspido.
-Com você sendo grosso assim, eu não quero nada! – Devolvi.
-Eu tô sendo grosso? – Perguntou sarcástico. – Você que está toda estressadinha! Mal chegamos e a gente já tá brigando feito gato e rato!
-Não, querido, a gente tá brigando feito um casal. – Corrigi, passando por ele e entrando para tomar banho primeiro.
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