Fé E Pecado

2 Capítulo 1 - A garota "caso perdido".


Notas iniciais
Obrigada pelos reviews, queridas!
Como pediram, aqui está mais um capitulo... Esse é apenas eles se conhecendo... Daqui a pouco será muito mais quente que isso.
Beijos!

Assim que bateram na minha porta abri meus olhos finalizando minha prece mentalmente. Ajeitei a batina, já me levantando e respirando fundo, estava na hora de mais um desafio. Abri a porta e lá estavam Renée e Charlie, os pais da nova aluna.

Isabella Swan

Lembrei-me do seu nome e sorri ao ver o casal, cumprimentando-os alegremente, porém não sendo retribuído por nenhum dos dois. A senhora beijou minha mão e logo entrou na minha sala, nervosa. Sr. Swan pediu-me licença e a seguiu.

-Ela é um caso perdido, padre! – Renée esbravejou. – Eu faço tudo por essa menina e é assim que ela me retribui?

-Calma... O que ela fez desta vez? –Perguntei tranquilo e tentando passar minha tranquilidade para ela. – Não deve ter sido tão grave...

-Ah, não?! –Perguntou colérica. – Ela ontem foi presa! Por dirigir bêbada! Ela só tem 17 anos e já sai pela rua bêbada! Oh meu Deus, onde foi que eu errei com essa menina?!

-Não se culpe pelo seu comportamento, Sra. Swan. –Pedi-lhe com toda paciência do mundo. – Os adolescentes de hoje em dia são muito mais baderneiros que antigamente.

-O senhor fala como se fosse um velho de 60 anos. – Charlie comentou rindo. – Com todo perdão, padre. Mas é que o senhor nem é tão mais velho que a minha menina e fala como se tivesse o dobro da idade dela...

-Charlie, isso é jeito de falar? – A mulher ralhou com o marido, já eu apenas ri.

-Não se preocupe senhora, não me ofendi. – Fiz um gesto de descaso. -Seu marido está certo, eu realmente não sou tão mais velho que sua filha, mas desde pequeno fui criado para ser padre. Minha criação fora completamente diferente dos demais, pois praticamente nasci num seminário.

-Tá vendo? – Renée esbravejou. – Era para eu ter feito o mesmo com Bella, talvez ela não tivesse virado essa rebelde sem causa que é hoje.

Ficamos conversando mais alguns instantes até que a mulher se acalmasse. Enquanto isso, eu tentei descobrir mais alguma coisa sobre a Bella, pois quanto mais soubesse sobre ela, mais eu poderia ajuda-la.

-Ela é uma boa menina, padre. – Charlie disse todo orgulhoso, porém rapidamente seu olhar ficou tristonho. – Só que de uns tempos pra cá, ela anda com um namoradinho novo que se o senhor vê... -Bufou de desgosto. — O tal Jake a faz fazer tatuagem, sair por aí feito uma mulher da vida! Droga, eu mal reconheço minha filha mais!

-Então o problema dela são as influências negativas? – Se fosse realmente isso seria fácil, fácil.

-Eu não acho! – Exclamou a mãe. – Tá que o namorado tem uma parcela de culpa nesse comportamento malévolo dela, mas ela já vinha malcriada bem antes dele. Acho que foi sua malcriação que atraiu aquele delinquente juvenil. Mas é claro que Charlie iria por a culpa toda no garoto... A princesinha dele nunca faz nada. – Disse num tom de desprezo tão grande que até estranhei para uma mãe.

Pelo olhar que o casal trocou, eles, na verdade, não sabiam do por que do problema ou talvez até que sabiam demais, só não queriam me dizer. Percebi que essa garota realmente seria um desafio e dos grandes! Levantei-me animado e disse:

-Onde está ela? – Eles pareceram surpresos com a minha disposição.

-Hum... Deixamos Bella na recepção. – Renée disse-me, levantando-se também juntamente com o marido. Fomos andando até lá e ainda pude a ouvir comentar: — Tomara que ela ainda esteja lá.

A caminhada até a recepção foi curta, mas silenciosa. Os outros alunos só chegariam amanhã, então o castelo estava completamente vazio. Assim que chegamos lá, varri o lugar com os olhos e digo-lhe com pureza d’alma que eu engoli a seco.

A tal Bella era uma linda mulher, quer dizer, garota... Enfim, ela usava uma calça jeans muito apertada preta, uma blusa de uma banda e seus olhos estavam cobertos por uns óculos escuros estilo aviador. Seus cabelos negros estavam soltos e caídos por causa da sua postura desleixada, sua mala ao seu lado fazia papel de muleta pra ela.

Demorei alguns segundos para perceber que ela estava dormindo, em pé. Olhei para Sra. Swan que balançava a cabeça em desaprovação, já o pai foi lá acordá-la. Quando o senhor tocou em seu ombro ela acordou assustada, porém seu pai disse alguma coisa que a fez olhar pra mim, me senti envergonhado quando um sorriso malicioso brotou em sua face.

-Tem certeza que ele é o padre? – Ela perguntou, desconfiada, bem baixinho enquanto vinha até mim.

-Tenho. – Pela feição do pai dava pra notar que ele também havia percebido seu sorriso nenhum pouco inocente.

-Quanto desperdício. –Falou bem perto de mim, porém achou que eu não ouviria somente por ter falado baixo.

-O que você disse? –A mãe perguntou num tom irritado. – O que você resmungou desta vez, hein?

Bella suspirou.

-Nada mãe, nada. –A mãe bufou ao meu lado e ela simplesmente fez um muxoxo e tirou os óculos, para depois apertar minha mão. Porém desistiu no meio do caminho e me abraçou. – Prazer, padre Edward.

Fiquei nervoso de uma maneira interessante, eu nunca tinha sentido esse tipo de nervosismo, era diferente de estar irritado ou estressado, era uma sensação boa. Depois que ela me largou vi o olhar espantado que seus pais lançaram pra mim, mas não entendi direito.

-Bom, está na hora de ir, né Charlie? – Renée estava louca para deixa-la ali, dava para sentir.

Charlie assentiu a contra gosto.

-Calma mãe, não precisa sair correndo... – Isabella murmurou revirando os olhos. Renée a olhou completamente furiosa, porém disfarçou quando disse:

-Só que temos que pegar o voo para Forks, querida. – Seu tom de voz era de uma cordialidade forçada. – Não podemos perder...

Bella somente deu de ombros e acenou um tchau, como se dissesse que poderiam ir de uma vez. Charlie foi o único que a abraçou e beijou-lhe a face, a mãe, longe estava, longe ficou. Quando a soltou, Charlie apertou meu ombro e murmurou um “boa sorte” e depois partiu com a Renée que já estava do lado de fora da escola.

Qual era o problema dela com Bella? Por que mesmo que Bella fosse um “caso perdido” como diziam, não explicava a repulsa que a mãe parecia ter dela. Quis perguntar, mas desisti, seria bastante indelicado da minha parte. Porém a própria Bella sorriu seco e comentou:

-Ela me odeia. – E pegou a mala, a arrastando para dentro.

A segui um pouco confuso, como assim a mãe dela a odiava? Quis tanto perguntar, mas percebi que era um assunto muito delicado e pessoal no qual ela não deveria se sentir confortável em falar comigo agora, já que ainda sou um mero desconhecido.

-As aulas começam amanhã e você ficará no quarto com mais uma garota, Alice Cullen. – Ela assentiu. – Espero que se sinta a vontade para me procurar caso tenha dificuldade com qualquer coisa. – Disse o discurso padrão na qual eu digo para todo aluno. – Estamos na ala das salas de aula, a ala dos quartos fica pra lá. – E apontei para o lado esquerdo do castelo e ela seguiu o caminho que eu havia indicado. – Ali está a quadra, a sala de jantar, o jardim, onde normalmente é o ponto de encontro dos alunos... A biblioteca, a sala de musica e ali é meu escritório. – E quase iria me esquecendo de algo muito importante: — Olha, hoje você tem que se confessar, pois é como um ritual para se purificar antes que a aula comesse. Todos os alunos passam por isso.

-Ok. – Ela disse simplesmente depois que o choque passou.

Eu a olhei de esguelha e ela fingia que também não me encarava, sua postura descontraída me fez relaxar, Bella não me parecia tão ruim assim. Talvez não fosse tão difícil assim fazê-la mudar de comportamento. Ela olhava para cada canto dos corredores como se tivesse realmente interessada, mas de repente ela me pergunta:

-Padre Edward, há quanto tempo veste batina? – Percebi que era o modo dela de me perguntar a quanto tempo eu sou padre, achei engraçado.

-Há seis anos. – Respondi de imediato e ela arregalou os olhos.

-Uau, isso é muito tempo! – Exclamou. –Eu não aguentaria...

-Não aguentaria o quê, querida? –Perguntei confuso.

-Ficar sem... Tanto tempo! –Explicou-se e eu continuei confuso.

-Sem o quê? – Tive que perguntar, estava ficando curioso.

-Sem sexo.

Engasguei e ela riu.

-Menina, você está falando com um padre! – Repreendi-lhe.

Ela simplesmente deu de ombros.

-Mas diz aí, você nunca...? – Seu sorriso maroto me fez ficar desconfortável.

-Não! – Disse convicto e bravo com tamanha audácia e falta de respeito.

Ela estancou o passo e virou para me encarar. Sua boca estava escancarada e seus olhos tão arregalados que até cogitei a possibilidade de saírem das orbitas.

-Quer dizer, que você nunca... Nunquinha... Em sua vida toda?!

-Eu. Já. Disse. Que. Não! – Eu já tinha perdido qualquer paciência e tranquilidade que tinha, que menina diabólica!

De repente, um sorriso de canto se formou em seus lábios e seus olhos se tornaram duas lâminas, fazendo-me lembrar de um olhar felino. Engoli a seco com esse olhar, senti que começava a suar por debaixo da batina. Eu não sabia o que dizer, quando ela comentou:

-Não sabe o que está perdendo. – E saiu andando, dando as costas a mim.

Notas finais
E aí, gostaram?