Futuro, Volume I - Futuro Esquecido

5 Confusão, Parte II - Jeanine


Notas iniciais
Jeanine vai procurar satisfações sobre o ocorrido.

Corro em direção à Área Dos Laboratórios. O barulho dos meus saltos tinindo no chão branco. Viro os corredores apressadíssima rumo ao laboratório de número 2. Estou com tanta raiva que quando descobrir que tripulou aquele avião sou capaz de esganá-lo. Abro a porta de vidro da sala com bastante força, não tenho medo de quebrá-la, afinal metade da sede foi destruída, graças a aquele avião maldito. Quando eu descobrir quem foi…

– Jeanine? – Patrick se assusta. Ele está arrumado como sempre, de jaleco e cabelo penteado, usando perfume, típico.

– Não venha com Jeanine! – explodo.

– O que foi? – diz ele tentando me abraçar, mas recuso seu abraço conduzindo suas mão para longe de mim.

– Você sabe muito bem o que foi. – sei que ele sabe – Aquele avião Patrick! Aquele maldito avião!

– Ah, aquele avião…

– Eu sei muito bem quem está por dentro disso – digo sendo sincera.

– Quem? – fala baixo

Só aí que percebo que a pessoa de quem estamos falando não está no ambiente conosco.

– David, Patrick! – digo um pouco mais alto que um sussurro – será que não entendeu ainda?

Patrick faz cara de pensativo. Demora um pouco pra responder, já estava ficando agoniada.

– Mas porque ele faria uma coisa dessas?

– Não sei.

– Conduzir um avião para passar bem perto da cidade – ele bate o dedo no queixo como se estivesse em dúvida – não sei se pode ser arte dele

– Então de quem mais poderia ser? – pensando bem David perdeu a memória lá no aeroporto, então ele está fora da lista—Explique-se.

– Não sei. Evelyn Eaton, talvez. Ela nunca gostou tanto da Erudição, afinal.

Como eu não pensei nisso antes? Evelyn Eaton! Meu deus como sou burra!

– Obrigado Patrick. – saio dando um pequeno beijo na sua boca.

Vou saindo do laboratório e quando abro a porta me deparo com David. Só essa que me faltava.

– Oi Jeanine. – diz ele, lá vem a ladainha – foi bom te ver por aqui! Estava precisando mesmo falar com você.

– Oi David. – digo com frieza. Acho que todos nós sabemos que não gostamos um do outro. – Mas sabe, você me pegou numa hora bem chata.

– Ah, ok. Outra hora a gente se fala. Mas é mais sobre os consertos que vão precisar ser feitos. Com licença que agora preciso dar um aviso.

– Ok David.

E ele entra no laboratório quase me atropelando com aquela cadeira de rodas dele.

Corro de volta pelos mesmos corredores pelos quais eu vim. Acabo no saguão da Sede, vejo Tris e seus amigos no saguão. Olho pelas altas paredes que dão para o lado de fora da Sede, que antes eram grandes janelas, e vejo muitas pessoas caídas no chão. Será que foram mortas. Será que estão desmaiadas? Depois eu descubro isso. Enquanto observo Tris e sua turma ouço o aviso de David vindo das caixas de som:

Atenção, todos os residentes da sede da Erudição voltem para os seus respectivos quartos, janelas quebradas ou não. Não sabemos se esse avião pode ou não ter sido um ataque. Provavelmente não, mas vamos nos prevenir. Obrigado

Todos saem para os seus quartos como foi ordenado. Menos eu, porque tenho coisa mais importante pra fazer.

Atravesso o salão em busca da sala de Evelyn. Todos os corredores da erudição são brancos e cheios de janelas. Como teve esse inesperado, já não há mais janelas. Sinto o vento frio vindo de fora no meu rosto. Está tão frio que chega minha boca fica seca. Ando um pouco mais rápido, mesmo sabendo que no meu destino o clima não estará diferente. Entro em um corredor sem buracos, ou melhor, janelas. Somente portas. Passo por todas até o escritório de Evelyn, que é o último desse corredor já que ela que governa tudo agora. Raiva.

Abro a porta do seu escritório e não encontro ninguém, como é possível ela não está na sala dela em uma situação dessas? De dentro da sala ouço alguma porta do corredor pelo qual acabei de passar se abrir e saio logo do escritório dela, mas quando abro a porta me deparo com a própria Evelyn.

– Oi Jeanine – diz ela com cara de desgosto.

Ah, esqueci de dizer. Ela sabe que não perdi a memória. Acho que ela não ficou muito feliz com isso.

– Oi Evelyn. – retribuo com frieza

– O que você quer? Aprontando muito por aí?

– Eu que te pergunto, amor – digo com falsidade, ela me dá um sorrisinho. – Tripulando muitos aviões por aí?

Ela dá uma risada super-hilária, para não falar ao contrário. Como ela pode estar rindo.

– Não ria! Eu sei que foi você.

– Queridinha, tenho mais assuntos pra tratar do que ficar tentando derrubar a sede em que estou morando.

Bem pensado. Ela vive aqui.

– E além do mais – continua ela – eu seria mais esperta e estaria fora da sede se estivesse planejando isso, em outras palavras, vá procurar o que fazer.

Dou meia volta e vou em direção a porta, quando vou pegar a maçaneta, digo, mas sem olhar pra ela:

– Não pense que eu não vou descobrir quem foi.

– Pode ir. Continue tentando. Quando descobrir me ligue – ela fala isso piscando pra mim.

Abro a porta e saio do seu escritório. Foi uma conversa mais curta do que eu estava esperando.

Saio pelo corredor cheio de portas e entro no corredor que está totalmente frio e sem janelas. Ouço umas batidas de cama no andar de cima. O clima deve estar esquentando com alguém lá. Mais tarde descubro quem foi no, Facção News. Sim, esse é o jornal de fofoca aqui do município. Até hoje ninguém sabe quem o produz o manda a notícia até o produtor. Tudo anônimo.

Tomo um banho e vou para o meu quarto dormir.

Acordo, mas fico alguns minutos sentada na cama. Olhando pro cômodo. Me levanto e vou em direção a porta. Saio do quarto e ando muito devagar pro banheiro. Parece que não durmo a dias, cansada demais. Ouço a porta do quarto de Eric se abrindo. Mas me surpreendo quando vejo Tris saindo de lá. Fico boquiaberta! Finjo que nada aconteceu e vou tomar meu banho e escovar meus dentes.

Não vou tomar café hoje. Tenho coisas mais importantes para resolver. Caminho até o elevador e desço até o hall de entrada, muito limpo por sinal – até que Evelyn está fazendo um bom trabalho, mas eu faria melhor – e me deparo com uma pilha de revistas em cima do balcão da recepção. Desde que Evelyn fez esse balcão isso aqui ficou parecendo um hotel, ou pelos barulhos de ontem, até um motel.

Vou em direção às revistas, morta de curiosidade. Mais até que o Tobias. Pego uma revista e vejo que é mais uma edição da Facção News. Como notícia de capa, nada mais nada menos que:

Avião passa perto demais de sede da Erudição e quebra todas as suas janelas, além de matar mais de 30 pessoas com fumaça esverdeada que saio de um quarto desconhecido.

O QUE? Meu deus. Eu sei o que isso significa. Pego uma cópia da revista e levo comigo.

– O que foi hoje Jeanine? – diz Patrick

– Veja isso! Rápido – digo, entregando-o a revista.

Patrick sai do computador para ler sobre o que se tratava.

– Casal do ano, T. e E. tem relação quente durante a noite toda…

– Não é isso seu idiota! Veja a capa! – grito com ele

– … mata mais de 30 pessoas com fumaça esverdeada... – ele lê meio sério.

Ele para de ler e me olha. Mas não diz nada.

– Diga alguma coisa!

– O que você quer que eu diga? Aposto que você já sabe do que se tratava.

– Eu sei eu sei. O frasco com o líquido esverdeado que você me deu para exterminar divergentes! – digo com cara de tédio.

– O que você quer mais que eu faça?

– Não sei. Quero uma explicação para ter matado tanta gente. – digo sentando em uma cadeira perto do computador de Patrick

– Não tem explicação nenhuma.

– Então quer dizer que todas aquelas pessoas que desmaiaram eram divergentes?

– Desmaiaram não, morreram.

– Pelo menos o objetivo foi comprido.

– Se é o que você diz – diz ele se virando e sentando de frente ao monitor – Agora licença que tenho algo pra fazer.

– Então tá. – digo e saio do laboratório

Preciso saber o que está acontecendo, só não sei como. Ando sem rumo pela sede. Passo pela porta de entrada e sinto o calor do sol de manhã bem cedo. Ando um pouco em direção ao parque que fica na frente da sede. Ando e ouço o som dos pássaros entre as árvores e vou andando pelo bosque em direção ao chafariz que tem no meio do parque. Quando chego lá vejo uma pessoa sentada no banco da fonte. Quando se depara comigo esse alguém sai correndo em direção ao nada. Tento correr atrás o mais rápido que consigo e entramos no bosque. Perco de vista, eu sabia quem era. E não gostei nada disso.

Notas finais
Little J. acho que você não poderá esconder seu segredo por muito tempo, alguém uma hora irá desocobrir. XOXO, Facção News