Futuro Negro
5 Capítulo 4: Sombras negras sobre o passado.
Passamos algumas horas conversando. Sir Eric me ensinou a fechar ferimentos, como tornar minha pele mais resistente e, o que achei mais impressionante, como ver auras.
–-A aura de cada um mostra seu estado de espírito. Sua aura é branca, Matthew.
–-Isso é... "inocência"?
–-Exato. Mas mais importante... É um branco brilhante. Vívido. Diferente dos outros vampiros. Nós, em geral, temos auras pálidas e cinzentas. Apenas os vivos tem auras brilhantes.
–-E o quê isso significa? Não sou um imortal?
–-Você é. Não tenha dúvida disso. Você é um amaldiçoado, como todos nós. Mas você... não se deixou ferir por sua maldição.
–-Não tenho certeza se entendi... Mas enfim. Sir, na sua aura...
–-Diga, jovem.
–-Ela muda de cor. Ás vezes é prateada, as vezes amarela, e as vezes marrom... Mas sempre há traços negros...
Paramos de andar. Um luxuoso carro preto parou na rua, em frente ao beco onde estávamos. De lá, desceram dois homens. Um deles vestia um terno impecável, e tinha o cabelo preto puxado para trás. O outro caminhava logo atrás, tinha uma vasta cabeleira negra e vestia calça social e uma camisa preta, mal-abotoada.
O homem de terno se aproximou e começou a falar.
–-Ora... Visitas, em minha cidade. E por quê ainda não fiquei sabendo disso? É melhor ainda, criando progênie? -- O homem de cabelos compridos levou a mão às costas, na altura da cintura.
–-Já estou na cidade a tempo suficiente. Se nunca tu nunca encontraste-me, é porque passas tempo demais na sua torre. -- Respondeu Sir Eric.
–-Quieto, insurgente! Estes são meus Domínios, portanto, eu lhes comando. Quem são?
–-Apenas os piores bárbaros exigem nomes antes de se apresentarem -- Retrucou Sir Eric.
–-Pois bem. Linus, limpeza.
O homem de longos cabelos negros puxou uma pistola de grande calibre das costas e disparou contra Sir Eric. Ele deu um tapa no ar, e a bala surgiu inerte em sua mão.
–-O... O quê? -- Exclamou o homem de terno. -- A munição é explosiva! Como ela não...
–-A bala não fez contato, senhor Knox. -- Respondeu Linus, sem alterar sua feição. -- Ele a apanhou antes dela atingí-lo. -- Ele guardou a pistola às costas.
–-Não me interessa. Elimine-os.
–-Sim, meu senhor.
Linus saltou contra Sir Eric, apenas com os punhos. Ele atacava repetidamente, visando o coração e a cabeça de meu mestre, mas era sempre rechaçado. Sir Eric não tinha tempo de revidar.
–-Pare de ser ridículo, rapaz. Não serás capaz de me ferir.
–-De fato. Sua velhice não parece atrapalhá-lo.
Os dois continuavam a digladiar. Eu ouvia muitos impactos, mas não podia enxergar, eles começaram a se mover mais e mais rapidamente. E então, houve sangue. Nas mãos de Linus, surgiu uma faca longa de combate. Entretanto, o ferimento não foi em Sir Eric.
O vampiro de cabelos longos afastou-se do combate, e cravou a faca em sua própria perna. O sangue escorreu fartamente.
–-O... o que fizestes? Estás louco? -- Disse Sir Eric.
O vampiro tinha um esgar de prazer no rosto. Ele investiu novamente contra Sir Eric, com o punhal em mãos, mas parou abruptamente, baixando a arma. Sir Eric pareceu entender, e também baixou as mãos. Eles se entreolharam e saíram correndo, entrando em outro beco.
Corri atrás deles, e logo atrás, vinha o tal Sr. Knox.
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