Futuro Negro
6 Capítulo 5: Isolado, na casa do morticínio.
--Afinal, o quê está havendo? -- Gritou o Príncipe.
--Sabá. -- Respondeu Linus, secamente.
O Príncipe pareceu frustrado.
--Pois livre-se deles, e depois cuide dos insurgentes.
--Sim senhor.
Continuamos a correr. Encontramos, após muito correr, um cenário de filme de terror, um grupo de oito motociclistas caídos ao chão, roupas rasgadas e pescoços à mostra. Em torno deles, quatro vampiros esqueléticos e com auras vermelhas como fogo, pulsando e ondulando. Junto a eles, uma mulher como nunca vi antes. Sua pele era pálida onde não era coberta de feridas purulentas e pulsantes. O cabelo crescia em tufos apenas no lado direito da cabeça, e ela fedia a cadáveres. Sua aura era uma sombra, de tão escura. A vampira usava roupas justas de couro, e carregava uma machadinha de incêndio. Caída perto dela, reconheci a vampira motociclista que me salvou na noite anterior.
--Seus imprestáveis barulhentos! Estou voltando para o hospital. Quem matar as visitas e voltar, vai poder beber da mocinha. -- Gritou esganiçada a vampira monstruosa.
E então, ela colocou a motociclista nas costas e começou a correr, para logo depois desaparecer no ar.
Dois dos vampiros saltaram sobre Linus, e ele os executou com tiros precisos de sua munição explosiva. Os outros dois correram para cima de Sir Eric, e em um segundo, ele arrancou suas cabeças com as mãos.
Linus e Sir Eric se entreolharam, como se pudessem se comunicar mentalmente. Eles começaram a correr, e eu e o Príncipe os seguimos.
--Aonde vão agora? -- Gritou Sr. Knox.
--Elas estão no hospital abandonado. Fica a poucas quadras daqui, senhor. -- Respondeu Linus, em sua voz calma.
O Príncipe rosnou.
--Pois vamos resolver isso logo. Este simples passeio está tomando tempo demais, e eu não bebi quase nada nos últimos dias.
Continuamos a correr até encontrar o tal hospital. A estrutura era enorme, devia ter mais de cem quartos, e estava abandonada a quase cinco anos.
--Hum... Sir Eric. O que eram esses vampiros? O que são...
--Depois, jovem. Não há tempo agora...
--Sir Eric? -- Questionou o Príncipe. -- O próprio?
Sir Eric o ignorou, e derrubou a porta do hospital com seu ombro.
O hospital estava decrépito. Cinco anos poderiam ter arruinado a pintura das paredes e o piso, mas não faria manchas e trilhas de sangue por todos os lados, ou deixaria o cheiro de morte que permeava o lugar.
Olhamos em volta. O saguão de entrada tinha apenas um largo corredor, que seguimos lentamente. Ao fim, haviam escadarias, portas e corredores.
--Se escondam -- Disse Sir Eric.
--Não ouse me dar ordens, insurrecto! -- Praguejou o Príncipe.
--É melhor, senhor. Eu e Eric podemos cobrir uma área maior sozinhos. -- Respondeu Linus.
Eu e o Príncipe nos entreolhamos, e senti que ele concordou. E provavelmente, não queria sair caminhando por um hospital cheio de vampiros. Eles nos escoltaram até um berçário naquele mesmo andar, onde haviam duas portas e uma grande janela de vidro em uma parede, que permitia a visibilidade de outra sala, ou quase. O vidro estava tão sujo de sangue que mal pudemos perceber que era uma janela.
--Fiquem aqui até voltarmos. E se você ousar tocar um fio de cabelo deste garoto... Seu xerife não vai conseguir me parar, Ventruezinho.
Sir Eric e Linus saíram da sala, sem nem ouvir a represália do Príncipe.
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