Full Moon
8 Telefonema
Notas iniciais
"You wouldn't have to change for me, Bella, or say goodbye to anyone. I can give you more than him. I mean, he probably can't even kiss you without hurting you. Feel that? Flesh, and blood, and warmth."
― Jacob to Bella

“Não!”, foi a primeira coisa que Jacob disse assim que desliguei o telefone. “Bella, isso é uma péssima ideia!”
Ele agora andava de um lado para outro na cozinha, visivelmente frustrado.
“Não é como se fosse minha escolha, Jake. Você ouviu o que ela disse, Carlisle acha que é responsabilidade dele cuidar disso.”
“Nós não precisamos da ajuda deles.” Afirmou Jacob, quase com raiva. “Ter mais vampiros por aqui é o oposto de útil, aliás! Se eles voltarem, Forks estará fora dos limites.”
Eu franzi o cenho, considerando suas palavras. Os braços de Jacob começaram a tremer levemente e eu parei em seu caminho, impedindo-o de caminhar. Ele me encarou e eu tentei acalmá-lo.
“Bom, pelo menos eu tenho desculpa para eu passar mais tempo em La Push. Com os Cullen dando as caras — mesmo que sejam apenas Carlisle e Alice -, é capaz de Charlie até me pedir para morar lá.” Tentei fazer graça, mas Jacob não pareceu cair na minha.
“Eu não gosto de pensar que não vou conseguir te proteger na sua própria casa.” Disse ele, bagunçando seus próprios cabelos com a mão, perdido em pensamentos “Eu preciso falar com Sam imediatamente.”
Aquilo me deixou chateada. “Você precisa mesmo ir agora?”
Minha voz baixa chamou a sua atenção e ele finalmente prestou atenção em mim. Seu rosto ainda preocupado se suavizou minimamente quando ele tentou me dar um sorriso tranquilizador. Suas mãos envolveram os dois lados do meu rosto e eu abracei a sua cintura.
Jacob acariciou minhas bochechas. “Os caras estão rondando o perímetro, e Charlie logo estará aqui. Você precisa descansar.”
A contra gosto, eu aceitei, deixando ele sair pela porta da frente com um último selar de lábios. A casa parecia fria e vazia sem sua figura que preenchia qualquer ambiente. Sem muito o que fazer, e me sentindo sozinha, decidi lavar a pouca louça restante do almoço, com um pesar no meu coração.
Enquanto secava os recipientes em que Jacob tinha trazido o ensopado, eu lembrei de que ele havia dito que eram de Emily. Na pressa, Jake havia esquecido de levá-los de volta com ele.
O barulho da porta da frente se abrindo me despertou dos meus devaneios. Estiquei meu pescoço pela porta da cozinha, apenas para ver Charlie entrar na casa, molhado por conta da chuva.
“Oi pai.” Cumprimentei ele e sua cabeça levantou rapidamente.
“Ei, Bells. Como está se sentindo?” Perguntou enquanto tirava as botas enlameadas e as colocava do lado de fora da porta.
Eu dei de ombros, “Melhor depois de um cochilo. E a febre baixou.” Notei que seu rosto, apesar de cansado, não parecia tão preocupado quanto na noite anterior. “Como foi na reserva? Achou algum lobo?”
Minha curiosidade queimava em minha garganta enquanto eu tentava soar o mais casual possível, o que atraiu a atenção de Charlie. Acho que eu não tinha feito um bom trabalho tentando escondê-la.
“Não. Nós seguimos o rastro quase a tarde toda, mas decidimos parar quando começou a chegar nos limites da reserva.” Seus olhos me observavam então eu voltei para a cozinha, colocando as tigelas, que usamos para comer mais cedo, no armário, como desculpa para não ter que olhar para ele.
“Então os lobos não estão mais na reserva?” Perguntei, concluindo a sua linha de raciocínio.
“Tudo indica que não.” Resmungou. “Mas isso não é desculpa para andar sozinha pela floresta. Quero que você tome cuidado quando estiver por lá, Bells. Se ouvir algum uivo de novo, volte para Forks imediatamente”
“Ok, chefe.” Respondi, batendo continência, antes de secar as minhas mãos na toalha, pegar a tigela de Emily de cima da pia, e seguir em direção à porta de entrada.
Charlie me assistiu passar por ele com um olhar confuso no rosto.
“Ei, ei! Onde está indo?”, exclamou, tentando me parar.
“Você disse que os lobos já não estão mais na reserva.” Constatei o óbvio e Charlie balançou a sua cabeça.
“Eu sei que está ansiosa para voltar a La Push, mas não pode esperar até amanhã, depois da escola? Já está tarde, e está chovendo muito.”
Como se para provar o seu ponto, um trovão soou do lado de fora, fazendo os vidros da casa tremerem. Eu suspirei, derrotada.
O resto da noite passou sem mais eventos. Fiz uma lasanha simples, enquanto Charlie tomava banho, e jantamos juntos, assistindo um pouco de televisão, antes de ir para cama.
Minha mente não parou por um segundo de pensar sobre a possibilidade de ter Alice e Carlisle de volta e o que aquilo significava para mim. Por mais que Jacob não gostasse da ideia de tê-los de volta, eu não via muitos pontos negativos, visto que seriam apenas os dois. Ajudariam a capturar Victória e iriam embora, depois que tudo estivesse resolvido.
Eu só queria que aquela confusão acabasse de uma vez, mas não conseguia deixar de ficar feliz ao pensar em ter Alice por perto novamente. Eu ainda a considerava uma amiga.
Segunda-feira chegou, e a chuva do dia anterior continuava caindo torrencialmente do lado de fora. O pior clima possível para voltar às aulas. Angela tinha muito a dizer sobre seu spring break, assim como Jéssica. As duas preencheram o silêncio do dia — que passou o mais devagar possível, como se risse do meu desespero -, enquanto eu rezava para que ele chegasse ao fim.
Quando o sinal tocou, eu saí correndo — contra todos os meus instintos de autopreservação — pela chuva, até chegar à caminhonete, pronta para sair dali.
Somente quando cheguei em La Push, que percebi o erro em meu plano; Eu não fazia ideia de onde ficava a casa de Emily e Sam.
Segui em direção à casa de Jacob, então, para perguntar ao Billy se ele podia me indicar a direção correta. No fim, a casa de Sam não era muito longe, e, mesmo com a minha memória falha, utilizando as instruções de Billy, eu consegui encontrar o caminho.
Dirigindo pelas ruas de La Push, eu parei em frente à casa, que era mais afastada das outras, cercada por árvores, e com vários vasos de flores em frente à varanda.
Desliguei a caminhonete, e, sem o barulho estrondoso do motor, tudo o que eu pude ouvir foi a chuva batendo nas janelas. Puxando o capuz da minha jaqueta sobre a minha cabeça, peguei as coisas de Emily, antes de pular para fora.
“Bella?” A voz rouca e muito familiar me chamou e logo eu vi a figura escura de Jacob saindo de dentro da casa e correndo em minha direção. “O que você está fazendo aqui?”
Eu levantei os potes no ar, com um meio sorriso. “Fui liberada da prisão, e você esqueceu as coisas da Emily na minha casa. Então decidi trazê-las de volta.”
“Liberada da prisão?” Repetiu, balançou a cabeça, incrédulo. Ele me puxou pela mão em direção à casa. “Venha, saia da chuva. Esqueceu que estava doente ainda ontem, sua louca?”
“Não sei o que Sam fez para convencer Charlie que os lobos se foram, mas funcionou.” Comentei, rindo da expressão de Jacob, e deixando-o me guiar para dentro.
Ao entrar na pequena, mas aconchegante, casa de Sam e Emily, fui recebida pelo cheiro maravilhoso de alguma coisa com chocolate assando no forno. Por onde quer que passávamos, flores decoravam todo e qualquer móvel; suas cores dando um aspecto muito acolhedor ao ambiente.
Chegando na cozinha, Sam e Emily riam de alguma coisa, e, grande parte do cômodo estava coberta com assadeiras cheias de brownies.
“Olhem quem eu achei na chuva.” Disse Jacob, se jogando em uma das cadeiras da mesa.
“Bella”, exclamou Emily vindo direto até mim, e me puxando para um abraço, apesar de eu ainda estar meio molhada. “Finalmente você apareceu por aqui novamente.”
Eu retribuí seu abraço, antes de entregar o seu pote de comida vazio.
“Obrigada pela comida. Jacob aproveitou muito mais do que eu, mas estava uma delícia."
“Não precisa agradecer, eu tinha feito uma panelada para os meninos mais cedo.” Ela deu o seu meio sorriso de sempre, parecendo genuinamente feliz, e depois lançou um olhar acusatório a Jacob, como se estivesse brava por ele ter comido a comida que ela mandou para mim, mesmo depois de já ter enchido a barriga na casa dela.
Ele só deu de ombros. Eu sabia até o que ele deveria estar pensando: “Sou um lobo em fase de crescimento.”
“Como está se sentindo, Bella?” Perguntou Sam, sorrindo para mim. Ele parou logo atrás de Emily, pousando uma mão em sua cintura. “Jake contou que você estava doente ontem.”
“Estou melhor.” Eu corei, lembrando dos acontecimentos de ontem, mas tentei deixar o assunto de lado. Ao invés disso, pensei sobre Victoria e tudo o que Sam e o bando vinha fazendo por mim nos últimos tempos. “Sinto muito por trazer mais problemas para vocês.”
“Não se preocupe, Bella. Nós cuidamos da nossa família.” Respondeu ele, com simplicidade, como se o que se ele não tivesse feito nada de mais.
“Eu estava prestes a te ligar, Bells.” Disse Jake, parecendo desconfortável quando continuou, “Você acha que poderia ligar para a Cullen? Talvez possamos tentar negociar alguma coisa com eles sobre proteger Forks.”
Pude notar a postura de Sam se enrijecer, mas ele assentiu. “Acredito que seja melhor falarmos com eles diretamente.” Sam sugeriu, seu rosto grave. “Talvez a vidente possa nos conectar com Carlisle.”
Jacob bufou, em frustração. “Eu só não entendo porque, só agora, eles decidiram que precisam ser ‘responsáveis’. Eles te largaram aqui sozinha por mais de seis meses, e acham que podem voltar e alterar toda a ordem, do nada?!"
“Jacob!” Sam advertiu. Sua voz grave deixando claro que já era suficiente. Depois disso virou-se para mim. “Acha que seria possível, Bella? Falarmos diretamente com Carlisle?”
“Sim, eu… Hm… Eu só tenho o número da Alice, mas acredito que estejam juntos, então…” Eu tentava falar normalmente, porém, minha voz parecia não seguir os comandos do meu cérebro. “Posso ligar agora, se quiser.”
Ele assentiu, e indicou com a cabeça para que eu o seguisse até a sala. Jacob nos seguiu, parecendo uma criança emburrada.
Ao tirar o telefone do gancho, disquei o número de Alice, que eu havia decorado depois de tanto encarar o papel em que ela o havia anotado. Ela atendeu o telefone no primeiro toque, frustrada, é claro, por ter sido pega de surpresa novamente.
“Bella? É você? O que houve? Você está bem?” Perguntou apressada. “Você está com aqueles lobos, não está? É claro que sim, eu não estou conseguindo qualquer-”
“Oi, Alice” Cortei-a, quando notei que ela não tinha intenção de parar de falar, tão cedo. “Sim, estou com eles.”
“Eu sabia. Aposto que você deve estar fedendo.” Comentou, parecendo distante, antes de acrescentar: “Sem ofensas.”
“Não ofendeu.” Eu garanti, e vendo as sobrancelhas de Jacob e Sam se erguerem ao mesmo momento, acrescentei. “Não à mim.”
“Ah, eles estão ouvindo?” Perguntou ela, chocada. Então riu. “Bom, eu não menti.”
Eu mordisquei meus lábios, desconfortável com a situação. “Na verdade, eles querem falar com Carlisle. Ele está por aí?”
“Com Carl...” Ela parou, como se estivesse surpresa demais para continuar. “Está, mas, uh… ok, peraí.”
O telefone ficou mudo e eu senti meu coração acelerar. Eu sabia que não era nada demais conversar com Carlisle, mas, mesmo assim, me senti nervosa. Era como se tivéssemos voltado no tempo, para o dia em que eu o conheci pela primeira vez “oficialmente”, e não sabia o que esperar. Tanta coisa havia mudado desde que eles se foram, e eu não sabia como me sentir.
“Bella?” Chamou a voz do outro lado e meu coração pulou uma batida. Eu torci para que nenhum dos lobos atrás de mim tivesse notado.
“Oi.. hã… Carlisle, Sam quer falar com você.” Foi tudo o que eu consegui dizer antes de entregar para Sam, e, a passos largos, ir em direção a cozinha. Jacob me observou passar por ele, curioso.
Eu estava sendo covarde, mas, por enquanto, eu gostaria de evitar pensar nos sentimentos que me atingiam quando pensava em qualquer um dos Cullen. Talvez o fato de quererem voltar para Forks estivesse me afetando mais do que eu queria admitir.
***
“Emily, se eu comer mais alguma coisa, vou explodir.” Resmunguei para ela, que riu da minha expressão. “Eles estão deliciosos. Você deveria abrir uma confeitaria ou algo assim.”
Ela deu de ombros.
“Ahh, que nada. Não chego nem perto dos talentos da minha mãe.” Comentou, enquanto acrescentava ingredientes, e mexia o conteúdo de algumas panelas, no fogão. "Entretanto, cozinhar o tempo todo para os meninos tem, com certeza, ajudado minhas habilidades culinárias a evoluírem."
“Consigo imaginar o caos que seria, caso você entrasse em greve.” Brinquei, limpando meus dedos sujos em um dos guardanapos que estavam no balcão da cozinha. Emily olhou para mim sobre o seu ombro.
“Falo por experiência, que eles não sobreviveriam dois dias. Brigas e gritarias por todos os lados. Esses lobos só pensam direito com as barrigas cheias.” Ela riu, puxada por alguma lembrança que eu desconhecia. Depois de alguns segundos, quando sua risada morreu, seu tom mudou. “Então, hãn... Você e Jacob parecem ter se resolvido.”
Eu olhei sobre o ombro para a sala, onde Jacob e Sam, ambos de costas para mim, ainda seguiam conversando ao telefone.
“É. Demorou um pouco, mas parece que sim.”
Emily ficou em silêncio por um minuto, parecendo inquieta. Eu a olhei inquisitiva, imaginando o que estaria passando por sua mente. Nossos olhares se cruzaram, e ela enrubesceu quando notou que eu a encarava.
“Tem algo de errado, Emily?” Perguntei curiosa. Ela limpou as mãos na toalha que estava pendurada em seu ombro, parecendo nervosa. Eu a ofereci um sorriso encorajador, e ela balançou a cabeça.
“Eu não quero passar dos limites, então você não precisa falar sobre isso, se não quiser.”
“Você pode perguntar o que quiser.” Garanti, entendendo seu desconforto. “O que quer saber?”
Ela me olhou, torcendo seus lábios, tentando decidir se queria falar sobre o assunto, ou não. Eu fiz o melhor que pude para encorajá-la a continuar.
“Eu só… Estou um pouco surpresa em vê-la por aqui, na verdade. Com a volta dos Cullens, imaginei que… Enfim… Só não pensei que a veria por aqui tão cedo.” Explicou, sem me olhar nos olhos.
Perguntei-me o quanto Jacob havia compartilhado com os lobos sobre tudo que vinha acontecendo entre nós, e se eles haviam visto tudo em seus pensamentos. Provavelmente sim, porém, eu não tinha como saber o quanto Emily sabia.
Eu pude ver que o seu lado maternal, que necessitava proteger todos os meninos do bando, era o motivo por trás de sua fala. Não consegui culpá-la por querer ter certeza sobre minhas intenções, ainda mais com a minha fama de adoradora de vampiros. Talvez eu tivesse mesmo que dar algumas explicações, ainda mais agora, com a possibilidade de volta dos Cullens.
"Eu tive algum tempo para refletir sobre certas decisões que eu tomei até agora. Levando em conta tudo o que aconteceu, eu percebi que, tudo o que eu estava disposta a arriscar antes, não é o mesmo que eu arriscaria agora.” Eu disse, lentamente, sem conseguir olhar nos seus olhos. “As coisas mudaram muito.”
Emily repousou sua mão sobre a minha, e eu a olhei, não podendo deixar de sorrir para os seus olhos carinhosos, antes de continuar.
“Com o Jacob, eu não preciso desistir da minha família, dos meus amigos, do meu futuro... Pelo contrário! Ele me deu uma nova família, que eu nunca imaginei que poderia ter. Ele me deu novos amigos, e novas perspectivas para o futuro.” Suspirei, sabendo que precisava daquele momento de desabafo. “Aqui, eu não tenho que me preocupar com cada passo que dou, não tenho que me preocupar se vou cortar o dedo com papel e causar um massacre na cidade… Isso pode soar irrealista, mas era algo com que me preocupava todos os dias, mesmo que inconscientemente. Eu finalmente percebi que estava me auto-destruindo."
Emily ficou em silêncio por alguns momentos, parecendo estar buscando as palavras certas para dizer. “É muito fácil criar suposições sobre o que aconteceu, e, para ser honesta, não sei se entendo completamente, Bella. Mas, devo admitir que nunca imaginei que você estivesse passando por algo assim.”
Ela suspirou e segurou minhas mãos nas suas com mais firmeza. Seu olhar finalmente encontrou o meu e, nele, encontrei simpatia e algo que fez o meu coração esquentar. Eu me senti, pela primeira vez em meses, grata por ter alguém para compartilhar os sentimentos que eu sempre lutava tanto para esconder.
“Eu não te culpo por desconfiar das minhas intenções, Em; Afinal eu magoei Jacob várias vezes. A verdade é que, antes, era como se eu estivesse em uma bolha, cega para tudo que não fosse Edward. A dificuldade que eu tive para superar sua partida não foi normal; e eu nem sei dizer se realmente superei. Aqueles sentimentos vão, provavelmente, ficar marcados para sempre dentro de mim.”
“Não vão.” Interrompeu Jacob, entrando na cozinha e se aproximando de nós, com Sam em seu encalço. “Não se depender de mim.” Ele beijou o topo da minha cabeça, e eu a abaixei, envergonhada por ter sido ouvida pelos dois. Não é como se eu estivesse tentando esconder alguma coisa, mas, ainda assim, eu havia esquecido completamente que eles estavam ali.
“Vocês já terminaram?” Me apressei a perguntar, tentando mudar de assunto o mais rápido possível. “O que Carlisle disse?”
Jake passou seus braços ao meu redor, me abraçando por trás, enquanto o alfa sentou-se ao lado de Emily e a puxou para si.
“Ele concordou em permitir que os lobos aumentem o perímetro das rondas em Forks, até capturarmos a sanguessuga.” Informou Sam. Pela expressão em seu rosto, ele realmente não gostava do fato de ter que pedir alguma coisa para vampiros. “Claro que eles não são bem-vindos na reserva.”
“Os outros lobos estão ok com isso?” Perguntei, tentando ignorar o fato de que, mais uma vez, eu estava causando problemas para o bando. “Não consigo imaginar Paul concordando com um acordo entre Quileutes e Cullens.”
Para a minha surpresa, os três começaram a rir, como se eu tivesse contado a piada mais engraçada do mundo. Até mesmo Emily, que eu achava ser tão imparcial, não pareceu nem um pouco culpada por rir tão abertamente.
“Bella, Paul não aceitaria de bom grado, nem se os ancestrais aparecessem aqui, em pessoa, e implorassem para que ele obedecesse”, disse Jacob entre risos, e Emily concordou.
“Não que ele tenha escolha,” comentou Sam, seu tom era de brincadeira, rindo junto aos demais, mas aquilo me incomodou. Paul estava sendo forçado a me ajudar? Eu não podia deixar de me sentir mais desconfortável.
“Sam, por favor… Paul já não gosta de mim. Não há necessidade de você forçá-lo a me ajudar.” Supliquei, parecendo ser a única pessoa a levar aquilo a sério. “Eu vou passar a maior parte do tempo aqui, de qualquer jeito, então não tem problema...”
“Paul não tem nada contra você, Bells,” afirmou Jacob, quando notou que eu estava realmente preocupada com aquilo. “Quer dizer, ele tinha quando você namorava o sanguessuga, mas agora você é uma das nossas meninas-lobo.”
Eu fiz uma careta para o apelido e Emily pareceu riu da cara que eu fiz.
Sam sorriu para mim, por algum motivo parecendo orgulhoso. “Além de que, te proteger; proteger a nossa família e o nosso povo, é o motivo de sermos como somos. É nossa responsabilidade; apesar de os Cullen acharem que cuidar da vampira ruiva é a deles.”
“Ainda assim…” Continuei, “mesmo sendo trabalho de vocês… Não gosto de estarem em risco por minha culpa.”
“Bella, nós já falamos sobre isso trinta e cinco vezes.” Resmungou Jacob, agora aparecendo realmente incomodado. “Não é sua culpa que a vampira psicopata esteja atrás de você.”
“E você realmente precisa começar a confiar em nós, Bella.” Acrescentou Sam, como se ele já tivesse feito parte daquela conversa antes. Me perguntei se ele havia visto a conversa que eu havia tido com Jacob antes.
“Talvez ela precise de uma demonstração ao vivo para acreditar que vocês dão conta do recado.” Sugeriu Emily, seu tom de voz era sugestivo e ela cutucou o ombro de Sam, como se eles estivessem em uma conversa interna que eu não entendia. “Ele quebrou meu vaso de flores, sabe. Aquele com as flores roxas.”
Sam revirou os olhos, “Eu já te disse que isso é uma péssima idéia, Emy.” Resmungou ele, tentando desconversar. “Paul quebrou o vaso por acidente!”
“Nunca vi um vaso de flores voar janela afora por acidente”, ela afirmou, com uma voz firme que eu nunca a vi usar antes.
Jacob se inclinou, em direção à Emily subitamente, sussurrando como se não quisesse que alguém ouvisse, “Eu não quis dizer nada antes, mas, eu o ouvi dizendo que estava planejando fazer aquilo há dias.”
“Eu sabia!!”, exclamou Emily.
“Jacob!”, reprimiu Sam, o olhando consternado.
Eu olhei para os três, atônita. Seja lá o que tenha acontecido entre Paul e Emily, as coisas não pareciam estar tomando um rumo muito bom naquele momento.
“Você não vai se vingar por mim, Sam Uley?!”, perguntou Emily inquisitiva, seus olhos pareciam pegar fogo agora, enquanto ela colocava as mãos na cintura. O modo como o guardanapo de pano estava pendurado em seu ombro e o avental preso na sua cintura, deixava a cena mais cômica do que eu gostaria de admitir.
“É, Sam, não vai se vingar pela sua garota?” Jacob reiterou e, dessa vez, eu o acotovelei no estômago, tentando parar suas provocações que só deixavam Sam ainda mais nervoso. Ele estava indo longe demais.
“Não posso dar um exemplo ruim. Crianças aprendem vendo.” Seu tom era calmo e diplomático para Emily, mas seus olhos pareciam querer arrancar a cabeça de Jacob. “Além disso, Paul está em ronda. Ele já teve uma discussão com a Leah hoje, e eu tive que alterar os pares para evitar uma morte no bando.”
“Quem vai morrer?” Perguntou Seth, aparecendo na porta da cozinha com um olhar confuso. “Oh, oi Bella”, ele cumprimentou e eu sorri de volta.
“Caso o desejo da Emily se realize: Paul.” Informou Jake, casualmente. Aquele meio sorriso que eu adorava, nunca deixando seus lábios.
“Por causa do vaso, não é?”, Seth perguntou, se aproximando da mesa, e roubando uma pêra da cesta de frutas. “Quando vai ser a briga? Preciso passar na loja pra comprar uns petiscos.”
“Tem pipoca aqui, Seth. “ Comentou Emily, se virando e abrindo uma das portas do armário. “Eu estouro elas enquanto você vai buscar o Paul.”
Sam a olhou, estupefato, mas não teve tempo de reagir, Seth deu meia volta, batendo continência e dando uma última mordida na pêra antes de falar: “Sim, senhora.”
“Espera, Sam vai mesmo brigar com o Paul?” Perguntei para Jacob, perdida com a rapidez do desenrolar da situação enquanto Seth sumia. “Agora?!”
Jacob balançou a cabeça, seu sorriso malicioso pendurado em seu rosto, enquanto assistimos Sam correr atrás de Emily, parecendo implorar para que ela desistisse daquilo.
Assistindo a pequena discussão do casal, foi a minha vez de me inclinar na direção de Jacob, falando baixinho. “Mas como vocês sabem se o Paul vai querer brigar?”
“Paul está sempre afim de brigar.” Respondeu Jacob, como se fosse a conversa mais casual do mundo. “Mas acho que vai sair perdendo, porque se ele ganhar, vai acabar com os piores turnos nas rondas. Orgulho alfa, sabe?”
Eu podia sentir os olhos de Sam cravados em nós, como se jogasse facas em nossa direção. Ele definitivamente ouvira aquilo.
Vários minutos se passaram, onde Sam e Emily discutiam, até que Seth estava de volta com Paul, que parecia uma criança em um parque de diversões, seus olhos brilhando.
“Eu sabia que quebrar aquele vaso feio me traria sorte.” Foi a primeira coisa que saiu da boca de Paul e eu assisti a luz deixando os olhos de Sam.
Emily bufou, agitando a panela que fazia pipoca com mais força do que necessário.
“Ok, ok!”, Sam desistiu, “Mas isso é só uma demonstração para a Bella. Não tem nada a ver com o vaso feio. Quer dizer… hã… esquece.”
Eu tive que segurar a gargalhada que ameaçou explodir dentro de mim.
“Você organizou o evento, Bella?” perguntou Paul, me olhando de cima para baixo. “Devo admitir que estou surpreso. Nunca te vi como dona do clube da luta.”
A palavra ‘luta’ fez meu estômago se revirar e eu deixei de sorrir.
“Estamos fazendo isso porque Bella acha que não conseguimos nos proteger dos sanguessugas.” Explicou Jacob, colocando mais lenha na fogueira, e foi minha vez de jogar facas com os meus olhos em sua direção.
“Ah é?!” Grunhiu Paul, soando ofendido. “Acho que vamos ter que te mostrar do que somos capazes, então.”
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