Full Moon
9 Clube da Luta Canino
Notas iniciais
"I guess the wolf's out of the bag."
— Embry Call, New moon

Horror, presas e garras do tamanho de facas de carne. Grunhidos, sangue e rosnados. Lobos do tamanho de carros se atacavam, um tentando cravar os dentes no outro. A escuridão não ajudava muito; e a rapidez incrível com que se moviam, mal deixavam que eu entendesse quem estava atacando quem. Não havia dúvidas de que aqueles dentes podiam cortar qualquer coisa.
Seth estava parado ao meu lado na varanda, em frente à casa da Emily, segurando um balde de pipoca e gritando incentivos, como se estivesse em um jogo de futebol. A chuva havia finalmente dado uma trégua, bem a tempo da briga começar.
Eu sentia como se estivesse em um filme de ficção científica com lobos alienígenas gigantes, que poderiam arrancar sua cabeça com apenas um movimento. Sam, no começo, parecia estar pegando leve, mas, vendo que Paul desviava facilmente de seus golpes, rosnando como se o estivesse provocando — e acredito que estava, mentalmente -, mordeu-o no pescoço e jogou-o contra uma das árvores, praticamente derrubando-a, tudo isso em um só movimento;
Quando Paul se levantou e chacoalhou a cabeça, encarando Sam, e soltando um rosnado entre os dentes, decidi que já era mais do que suficiente.
“Está bem!” Exclamei depois de alguns minutos, quando eles ainda continuavam brigando. “Eu estou muito mais confiante quanto à força de vocês agora.”
“Ah, Bellaaaaaa”, Seth resmungou. “Agora que está ficando bom.”
Sam e Paul me ignoraram completamente, e eu me senti enjoada.
“Emily, faça alguma coisa.” Implorei, vendo a mesma sentada e aproveitando um dos brownies que fizera mais cedo, como se não tivesse um pandemônio acontecendo em seu jardim.
“Eu esperei o ano inteiro para aquelas flores desabrocharem, Bella.” Respondeu ela, casualmente. “Deixe eles se entenderem. Se quiser controlar alguém, controle Jacob. Está tão animado, que já já estará lá no meio.”
Desviei o olhar para Jacob — que fora escolhido como “juiz” -, e, realmente, ele parecia ser quem mais estava aproveitando toda aquela situação. Minha mente começou a dar voltas, tentando pensar em um jeito de parar o show, e eu me senti culpada por ter duvidado, por um segundo, que eles não conseguiriam dar conta da Victória.
Ah, se eu tivesse ficado de boca calada.
“Jake! Nós temos que ir, antes que Charlie apareça por aqui e me leve pra casa algemada.” Murmurei a primeira desculpa que passou pela minha cabeça, puxando sua mão levemente.
Isso pareceu acordá-lo de sua distração, e ele riu, notando minha expressão de horror com a cena à minha frente, antes de puxar-me para seus braços. “Está vendo, Bells, isso é brincadeira de criança para eles. Não precisa se preocupar.”
Eu vi Paul cravar os dentes em uma das pernas de Sam e o derrubá-lo no chão. Eu achei que iria vomitar.
“Eu não vejo onde está a brincadeira.” Comentei, olhando para longe. Eu não queria mais ver aquilo.
Jacob percebeu meu estado de espírito, e gritou, logo em seguida, “Ok, chega! Temos que ir, e acho que a Bella já aproveitou bem o show.”
Os dois lobos, desta vez, ouviram e pararam de brigar. Eu olhei para a escuridão da floresta por onde sumiram poucos minutos depois, enquanto esperava-os voltarem.
“E quem ganhou?” Perguntou Seth, animado.
“É claro que Paul ganhou, tinha os dentes enfiados na perna de Sam.”, declarou Jake, sorrindo de lado.
“Foi empate.” A voz autoritária de Sam se fez, e, quando eu olhei para cima, ele e Paul saíam da orla da floresta, andando em direção à casa, apenas de bermuda. Ambos com sorrisos divertidos no rosto.
“Não nos subestime de novo, baby.” Disse Paul, tocando dois dedos em meu queixo, antes de desviar — por pouco — de um tabefe que Jacob enviou em sua direção.
”O que?” Perguntou, com um olhar inocente, quando apareceu apenas com a cabeça para fora da porta da casa. “Ela ainda pode perceber que você não é o mais interessante do bando, Black. Durma de olho aberto, em.”
“Ohh”, instigou Seth, ainda enchendo a mão de pipocas e enfiando na boca. “Vai deixar, Jake? Ameaçou roubar sua garota.”
Eu pude ouvir o sangue de Jacob borbulhar e seus braços tremeram.
“Chega por hoje.” Sam disse, colocando uma mão no peito de Jacob. “Leve a Bella pra casa antes que Charlie apareça por aqui. De novo.”
Jacob olhou por alguns momentos para a direção em que Paul sumira, respirando profundamente, antes de concordar com um curto aceno de cabeça.
“Tchau. Bella.” Emily apareceu por trás de Sam, me dando um abraço curto. “Espero te ver por aqui mais vezes.”
“Boa noite, Emily. Foi bom ter vindo…” Eu sorri amarelo, “Quer dizer, pela maior parte.” Eu disse, fazendo uma nota mental para nunca ficar no lado ruim de Emily.
“Te vejo depois, Bella!” Exclamou Seth, entrando dentro da casa, seguido por Emily. Sam apenas acenou com a cabeça antes de sumir também, seguindo os demais.
Eu abracei Jacob uma última vez, me sentindo enjoada, mas feliz, apesar de tudo. Eu não podia dizer que não havia sido — pelo menos um pouco — interessante, passar o fim da tarde com eles.
“Paul, o que você está fazendo?”, eu pude ouvir a voz de Sam dentro da casa, “Você ainda tem mais uma hora de ronda! Aliás, você e o JACOB!”
Nós nos apressamos para entrar no carro, aos risos.
“O que você achou da nossa demonstração?” Perguntou Jacob, logo depois de ligar o carro, e eu me agarrei ao seu tronco, buscando, instintivamente, por seu calor.
“De muito mal gosto.” Resmunguei, sendo completamente honesta. “Me pergunto se vou conseguir jantar hoje à noite."
“Você tem estômago fraco, não é?” perguntou ele, sua voz me provocando.
“Nem todo sente alegria ao ver pessoas tentando se matar.” brinquei, cutucando o seu estômago repetidamente.
Aquele comentário pareceu tê-lo pego de surpresa, porque seu rosto se fechou lentamente, como se eu tivesse acertado um nervo.
“Isso te incomoda, realmente?” Questionou. Sua voz estava baixa, como se estivesse amedrontado. “Do negócio de virar lobo, eu quero dizer.”
“De onde saiu esta pergunta?” respondi, surpresa com a dúvida repentina. “Eu não me importo por você ser lobo, Jake. É parte de quem você é, e eu gosto de você por completo. Apenas me preocupo que acabem se machucado um dia, você sabe.”
“Eu sei. Só…” Ele suspirou, chateado. “Gostaria de ser melhor pra você. Mais… normal. Queria poder te dar uma vida humana.”
Eu levantei uma sobrancelha para ele, achando que ele tinha perdido um parafuso. Tentei aliviar o clima, acariciando o seu braço, enquanto ele dirigia.
“Não sei se uma vida humana normal teria alguma graça para mim, a este ponto, Jake.” ri, antes de continuar, em um tom mais sério, enquanto movia a mão para seus cabelos. “Eu não sonho com uma vida normal. Nunca sonhei. O que temos hoje, é o suficiente para mim. A única coisa que eu mudaria, é o fato de ter uma vampira psicopata atrás de mim... Neste ponto, fico grata por você se transformar, pois, se nós dois fossemos normais, provavelmente já estaríamos mortos.”
Nós rimos por um instante, concordando naquilo, pelo menos. Seus olhos encontraram os meus, novamente, e senti que ele já estava um pouco mais calmo, porém, ainda pensativo.
“Você já pensou que, se vampiros não existissem, nós seríamos normais, e tudo seria do jeito que deveria ser? Seríamos apenas dois adolescentes normais, indo para escola e vivendo nossas vidas. Esse era o caminho que deveríamos ter seguido. Natural.”
Vê-lo meditar sobre aquilo me fez parar por alguns segundos, para analisar seu rosto. Havia certa agonia — certa frustração -, sob sua expressão serena.
“Ser um lobo realmente te incomoda, tanto assim?” perguntei, dessa vez preocupada.
Ele demorou um pouco, mas assentiu, os olhos presos na estrada.
“Tenho medo de perder o controle e te machucar, como Sam fez com a Emily. Ou que fique tão assustada, que vá embora. Eu não entendo. O que te faz ficar?” Ele continuou, antes mesmo que eu pudesse responder. “Como é ter um lobo como namorado? Isso não te apavora?”
“Não, Jake.” Eu sussurrei, me apertando mais contra ele, que respirou fundo novamente. “Eu te disse. Você não me assusta; Seu lobo não me assusta. A única coisa que me incomoda, é o medo de te perder. Não sei o que eu faria sem você.”
Um pequeno sorriso brotou em seus lábios e eu me inclinei para dar um selinho ali.
“Eu também não sei o que faria sem você, Bells.”
***
Charlie não ficou muito feliz por me ver chegar em casa tão tarde, mas não estava tão bravo a ponto de reclamar. Ele resmungou algo que eu não consegui entender, e acabou deixando de lado. Imaginei o que ele acharia se soubesse que, naquela mesma noite, eu havia assistido os lobos que ele vinha caçando nos últimos dois dias, brigando a poucos metros de mim.
Quando acordei na manhã seguinte, me preparando para mais um dia tedioso na escola, percebi que, desde que eu havia selado a minha promessa com Jacob, de tentar fazê-lo feliz, eu não havia tido mais pesadelos.
Naquela noite, algo havia mudado dentro de mim. A dor em meu coração e o anseio que eu tinha por Edward, se tornaram coisas de pequena importância em minha vida. Não havia como negar que ainda estava machucada — ainda mais nos momentos em que ficava sozinha -, mas, pensar sobre ele já não era tão doloroso quanto antes. Jacob havia preenchido minha vida com tantas coisas, principalmente nos últimos dias, que eu mal tive tempo para notar as mudanças em mim mesma.
A “briga” entre lobos, que eu assistira no dia anterior, com certeza, deveria ter feito a voz de Edward aparecer. Entretanto, apesar de amedrontada, eu me senti mais protegida entre os lobos do que em perigo. Eu me perguntei se aquilo era resultado do meu coração ter se acalmado, ou o fato de eu saber que eles jamais fariam algo ruim a mim, de propósito.
Aquela terça passou no mesmo ritmo que o dia anterior, porém, sem o alívio que senti ao ouvir o sinal do fim do dia da escola. Eu ainda tinha que trabalhar na loja dos Newton a tarde toda, e não teria oportunidade de ir a La Push, ou ver Jacob.
Enquanto eu repunha os produtos na prateleira quase vazia da loja, me perguntei se Jacob estaria dormindo. Eu sabia que ele sempre ficava com as rondas da noite, correndo na floresta ao redor da minha casa. Era um dos motivos para eu me sentir tão tranquila, mesmo sozinha. Quem estaria fazendo ronda naquele momento? Talvez Jared ou Sam?
Pensar em Sam me fez lembrar da noite anterior, e eu sorri sozinha. Aquela tinha sido a primeira vez que eu havia visto Sam de qualquer outra forma que não fosse em total controle. Emily tinha Sam na palma de sua mão, não importava se ele fosse lobo, alfa ou quase um metro mais alto do que ela.
É o poder do imprinting, eu pensei, entristecida.
Apesar de ter deixado o assunto de lado com Jacob, meu coração ainda ficava inquieto quando eu pensava sobre. Eu sabia que Jacob falava a verdade quando dizia que era eu quem ele havia escolhido e que ele não queria ter um imprinting, mas, mesmo assim, eu também sabia que aquilo não era uma decisão dele. Se fosse acontecer — e eu desejava com todas as fibras do meu corpo que não -, não havia o que nenhum de nós pudesse fazer contra isso.
A sombra do imprinting era a única coisa — tirando a caçada a Victória, é claro, — que causava algum tipo de mancha escura na minha vida naquele momento. Eu poderia dizer, sem ter que pensar muito sobre isso, que eu estava feliz.
O caminho para casa, no entardecer de mais um dia no dilúvio da primavera, não foi tão ruim quanto eu esperava. Encontrei Charlie, que havia comprado uma pizza, esparramado no sofá, assistindo a um jogo de baseball na TV. Peguei um prato e me juntei a ele, feliz por não ter que cozinhar.
Ao fim do jogo, a falta que senti do calor do corpo de Jacob o dia todo, pareceu triplicar. Aquele fim de dia teria sido perfeito se ele estivesse ali, conosco, assistindo ao jogo, com seus braços ao meu redor… mas eu sabia que não podia reclamar. Eu tinha certeza de que, se pudesse, Jacob estaria ali.
Pensar nele me deixou um pouco preocupada. Eu não havia notícias suas o dia todo. Talvez algo tivesse acontecido. Talvez eles tivessem conseguido pegar a Victória, e estavam lidando com ela. Mesmo sabendo do que os lobos eram capazes, não havia como eu não ficar ansiosa.
Eu rolei na minha cama, mordendo a parte de dentro da minha bochecha, discutindo comigo mesma se eu devia tentar ligar para Billy ou Sam; Inferno, até mesmo considerei se Alice poderia ser de alguma ajuda, naquele momento. Minha preocupação me corroeu por horas, e eu não pude fazer nada. A última coisa que eu queria era ser a mesma Bella do dia do penhasco, que havia feito uma bobagem desnecessária, em um momento crítico, cansando mais problemas.
Não. A melhor opção, naquele momento, era ficar na minha cama, quieta.
Queria que fosse assim, tão simples.
Na manhã seguinte, quando desci as escadas para tomar café da manhã, eu tinha dormido apenas duas horas, e me sentia um lixo. A falta de Jacob trazia tanta angústia ao meu coração, que parecia até uma dor física.
“Bom dia, Bella.” Murmurou meu pai, sem tirar os olhos do jornal que tinha em mãos, enquanto tomava um gole da sua xícara de café. Eu resmunguei um ‘bom dia’ de volta, buscando o cereal no armário, sem vontade de fazer algo que exigisse alguma atenção.
Quando sentei em sua frente, na pequena mesa da cozinha, deixei meu corpo cair na cadeira, como um saco de batatas. Charlie pareceu notar o meu humor, pois me observou em silêncio por um momento, ajeitando a sua postura, e fechando o jornal.
“Tome cuidado no caminho para escola hoje.” Ele comentou, pigarreando. “A chuva não parou desde ontem, e a estrada está muito molhada.”
Eu apenas balancei a cabeça, concordando, e enfiei outra colherada de cereal na boca. Em qualquer outro momento, eu teria tentando esconder de Charlie como eu me sentia, mas, sinceramente, naquela manhã, eu estava cansada demais para isso. Mal podia esperar para que as aulas acabassem, para que eu pudesse ir para La Push, mesmo que significasse apenas ir na casa da Emily e conversar.
Charlie percebeu que eu não estava afim de papo naquela manhã, e logo se levantou, anunciando que tinha que ir para o trabalho. Eu o segui, depois de deixar o meu café da manhã — quase intocado — na pia, e dirigir para escola.
Estacionei no meu lugar habitual, o mais próximo possível da saída. Assim, as chances de eu escorregar em alguma poça de lama e cair, diminuíram, e eu perdia menos tempo na hora de ir embora. Só quando estava saindo do carro, porém, foi que me lembrei do meu dever de casa.
Com a preocupação com Jacob na noite anterior, eu havia completamente esquecido de fazer os problemas de cálculo que o professor passou na segunda-feira. Eu grunhi, me lançando para fora do carro, com a mochila nas costas.
Quando entrei na escola, tentando limpar as gotas de chuva dos meus cabelos, reconheci o rabo de cavalo de Angela do outro lado da cafeteria. Me apressei, prestando atenção, para não tropeçar nos meus pés.
“Ange, ainda bem que eu te achei.” Eu estava respirando pesado, meu coração batendo forte com a súbita corrida.
“Bella!” Exclamou ela. Seus olhos arregalados e sua expressão de choque, não combinavam com aquela manhã chata, chuvosa. “Você já chegou?”
Eu a olhei confusa. Angela não era uma pessoa que costumava fazer perguntas para as quais já sabia a resposta. Ainda mais uma tão óbvia. Eu não estava atrasada, estava? Balancei a minha cabeça, deixando para lá.
“Sim, mas Ange, será que eu posso te pedir um favor?” Perguntei, virando a minha bolsa e a abrindo, procurando o papel com as questões de cálculo. “Eu sei que você não gosta disso, mas será que você pode me deixar copiar o seu dever de cálculo?”
Angela não piscou duas vezes.
“Claro! Claro que sim, Bella. Por que não vamos para a sala, primeiro?!” Ela respondeu; sua voz um quarto mais alta do que eu esperava. Eu havia esperado alguma resistência, então vê-la concordar tão rapidamente, me fez parar por um segundo.
Observei o seu rosto, que parecia quase frenético, diferente do seu normal. “Tem alguma coisa errada?”, perguntei.
Notei o seu olhar fixo em algo atrás de mim, antes de ela bufar exageradamente. “Claro que não, porque você acha isso?”, ela riu, quase forçadamente, “Melhor irmos logo, se você ainda precisa copiar tudo…”
Eu concordei, relutante, e nós caminhamos em direção aos corredores da escola. Angela tinha a mão na base das minhas costas e me empurrava levemente, como se para me apressar.
Na sala de inglês, Angela se sentou ao meu lado, falando sem parar até o sinal tocar, enquanto eu tentava copiava o seu dever o mais rápido possível. Se o jeito que ela vinha agindo desde que eu chegara até o momento já não fosse suspeito o suficiente, a forma com que ela emendava um assunto no outro, sem pausa para respirar, com certeza, era.
Era quase como se ela estivesse tentando me impedir de pensar.
Quando a aula acabou, a vi se mexer inquieta ao meu lado. “Ange, tem certeza que não tem nada de errado? Você está estranha.”
Angela pareceu pensar por um momento, mantendo seu olhar preocupado sobre mim, enquanto nós caminhávamos para nossa próxima aula.
“Bella, como você tem estado nos últimos dias? Quase não nos falamos depois da volta às aulas.” Perguntou ela, de forma inusitada. Ela nunca me perguntou sobre minha vida pessoal depois que eu voltei para escola após meu estado catatônico. Eu deveria estar com uma cara pior do que imaginava, para ela ficar tão preocupada.
“Eu estou bem.” Respondi e aquilo não pareceu ser o suficiente para ela, então eu ri. “Eu falo sério, Ange. Na verdade, um pouco mais do que bem.”
Senti minhas bochechas corarem ao pensar em Jacob e nos últimos dias que passamos juntos. Claro, Angela percebeu que algo estava acontecendo, pois tinha as sobrancelhas levantadas, esperando por uma explicação.
“Lembra quando fomos à LaPush?” Perguntei, olhando para minhas mãos, e parando em frente à porta da sala. Ela assentiu, confusa com a pergunta. “Lembra que te apresentei meu amigo, Jacob? Que mora lá na reserva.”
“Uhun, sim... O que tem ele?”
“Bom… nós estamos… meio que juntos.” Antes mesmo que eu pudesse terminar a frase, seus olhos se arregalaram do tamanho de bolas de golfe, e ela soltou um gritinho que nos teria causado uma detenção, caso um professor estivesse por perto.
“Ai que bom, Bella!” Exclamou, parecendo aliviada. “Que ótimo que você está seguindo em frente. Eu estou tão feliz por vocês!”
Nesse momento, Jéssica apareceu atrás de nós e parou entre nós duas. “Feliz por quem?”
“Bella está namorando Jacob, o cara da reserva.”
“Jacob? Jacob Black?” Perguntou ela, seu rosto se transformando em uma careta de surpresa. “Mas ele não é tipo, dois anos mais novo que você?”
“Ele é um ano e meio mais novo.” Respondi, entrando na sala e indo para o meu lugar. As duas vieram logo atrás de mim e tomaram lugares nas carteiras ao redor da minha. “Não que isso faça diferença… Ele meio que ‘cresceu’, nos últimos tempos.”
Dessa vez eu não pude disfarçar o sorriso que brotou em meus lábios, lembrando dos músculos definidos de seu abdômen, do jeito que seus ombros largos conseguiam me cobrir facilmente, e os seus mais de dois metros de altura.
Angela deu risadinhas, ao passo que Jéssica, que tinha um sorriso quase que presunçoso após seu comentário, pareceu infeliz por ver que não conseguiu me afetar.
“Então, em que base vocês já chegaram?” Aquela foi a primeira coisa que Jéssica perguntou aos sussurros se inclinando em minha direção, querendo mais detalhes. Angela também se aproximou, escondendo o rosto nas mãos, envergonhada.
“Uh...”
O sinal tocou, salvando minha vida, e o professor entrou na sala parecendo extremamente estressado. Fiquei feliz por ter uma desculpa para ficar de boca calada por, pelo menos, mais duas horas, já que nós teríamos duas aulas com ele.
No fim da aula dupla, quando o sinal do intervalo bateu, me vi caminhando sozinha para a cafeteria. Jéssica tinha corrido para encontrar Mike nos corredores, enquanto Angela tinha sido parada pelo professor na porta da sala, pedindo para ela ficar uns minutos a mais para conversarem sobre um projeto em que ela o estava ajudando.
Fazia algum tempo desde que eu havia sentado sozinha na cafeteria, e eu me senti depressiva por ser justo naquele dia. A conversa mais cedo sobre Jacob, só me fez sentir ainda mais sua falta, e eu gostaria de ter Angela ou Jéssica falando sem parar para me distrair das minhas preocupações, durante as horas intermináveis de escola.
Enquanto eu caminhava, porém, eu comecei a notar algumas pessoas, que não conhecia, me encarando quando passava. Cochichos que não pude decifrar, mas que estavam por todos os lados, se tornaram mais notáveis, e eu comecei a me perguntar se havia algo de errado comigo. Era como estar em um daqueles sonhos em que você vai para a escola sem roupas, ou algo assim.
Apenas quando eu entrei no refeitório, entendi o por que de Angela estar agindo de maneira tão estranha quando cheguei, naquela manhã. Era o mesmo motivo para todos estarem olhando para mim e cochichando em minhas costas. Não era porque havia algo de errado comigo, minha cara cansada, ou minhas roupas. Era porque eu era parte da maior fofoca da escola.
“Bella!” Sorriu Alice, angelicalmente, em minha frente, me puxando para um abraço. “Parece que faz tanto tempo que não nos vemos.”
Mas eu não consegui respondê-la, ou sequer abraçá-la de volta. Meu olhar estava preso atrás dela, na mesa mais afastada do refeitório, onde se encontrava outro par de olhos dourados.
Edward Cullen.
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