Notas iniciais
Olá leitores, tudo bem??? Aqui é a Gi novamente cheia de desculpas porque esqueci de postar no meio da semana... >. Boa leitura!

"The best part is coming."

"What's the best part? You swallowing an entire cow whole?"

"No. That's the finale. ”

― Jacob to Bella

Quando chegamos em La Push, o céu já estava escuro, e a casa dos Black, movimentada. Desci da viatura rapidamente, mal conseguindo conter meu ânimo. E pensar que achei que teria que passar a minha sexta-feira trancada em casa por algo de errado que eu havia feito, já que Charlie achou que precisavamos ter uma ‘conversa’. Aquele jantar na casa de Jacob era muito melhor do que a opção anterior.

“Olha quem finalmente apareceu!” Exclamou Billy, assim que cruzei a porta, com Charlie ao meu encalço. “E trouxeram presentes.”

Charlie levantou o fardo de cerveja que carregava consigo, como se fosse o item mais valioso da terra. “Achou que eu iria vir de mãos vazias?”

Billy deu de ombros. “Não seria a primeira vez.”

Eu ri da interação dos dois, aproximando-me de Billy para deixar um beijo em sua bochecha. “Oi, Billy.”

“Como tem estado, Bella? Não te vejo há dias.” comentou, e eu o olhei confusa por alguns segundos, lembrando que eu havia, dois dias antes, passado boa parte da noite na sala dele, quando encontramos os Cullens na floresta. Quando ele lançou um olhar furtivo na direção de Charlie, entendi o que ele estava tentando me cobrir.

Era bem saber que eu podia contar com Billy para essas coisas.

“É a escola. Sabe como é… último ano.” respondi, sem querer prolongar ainda mais o assunto. Eu me virei, e estudei a casa, em busca da figura robusta de Jacob, entretanto, acabei sendo recebida pelos olhos ansiosos de Seth, que esperavam impacientemente no canto da sala.

“Oi, Bella!” Exclamou ele, jogando os braços ao meu redor, quando me aproximei. Eu ri. Como sempre, a energia de Seth era contagiante. Vendo o seu sorriso fácil de volta ao seu rosto, eu me senti feliz. Era dificil olhar para ele sem pensar na última vez que eu o vira.

“Seth, é você, mesmo?!” Perguntou Charlie, atrás de mim. “O que sua mãe tem lhe dado para comer? Parece que cresceu uns dez centímetros desde que te vi, na semana passada.”

Aquilo fez o peito de Seth estufar, e eu ri novamente de jeito óbvio que ele tentava flexionar os músculos — ainda em formação — de seus braços, para ficarem mais proeminentes.

“Por que está culpando a minha comida, Charlie Swan?” perguntou Sue, aparecendo na entrada da cozinha com um avental amarrado na cintura, e lançando um olhar desafiador para o meu pai. “Não sabe que as crianças crescem mais rápido quando chegam à puberdade?"

Eu mal consegui segurar a risada.

“Mãe!” resmungou Seth, seus ombros caindo; sua mãe apenas o ignorou.

“Ah, oi Bella!” Sue se aproximou, me dando um longo abraço, que eu retribuí. “Espero que esteja com fome, porque fiz muita comida.”

“Ela não desgrudou do fogão a tarde inteira.” comentou Billy, empurrando sua cadeira de rodas para mais perto do grupo, enquanto Sue cumprimentava Charlie. “Parece até que vai alimentar um batalhão.”

“Você sabe que cozinhar é terapêutico, para mim." reclamou ela, revirando os olhos. “Se continuar reclamando, vai ficar sem comer. O que acha?”

Billy levantou as mãos em sua defesa, com um sorriso no rosto. “Não está mais aqui quem falou.”

Nós rimos, antes de o grupo se dispersar, quebrando em conversas menores. Sue deu ordens a Seth para ajudar a pegar mais peixe congelado no congelador que havia do lado de fora da casa, e Charlie empurrou Billy de volta à pequena sala, onde, é claro, ele assistia a reprise de algum jogo de baseball, antes de chegarmos.

Para não ficar sozinha, segui os dois, e me sentei ao lado de Charlie no sofá. Na primeira pausa em sua conversa, perguntei sobre Jacob.

“Eu não o vejo desde esta manhã.” Billy respondeu e, lançando-me um longo olhar, continuou: “Deve estar por aí, com os amigos.”

Eu deixei meus ombros caírem. Quando Charlie me disse que iamos na casa de Billy, eu achei que eu passaria a noite toda junto a Jacob, sem precisar me preocupar com nada, apenas comendo e conversando, aproveitando a reunião que nossos pais organizaram… Agora, todas as minhas expectativas vieram ao chão.

Jacob esteve em ronda a manhã inteira, então eu me perguntava onde ele poderia estar naquele momento? Eu tinha notado que estava cansado quando me buscou, então eu duvidava que ele tivesse ainda correndo por ai como lobo. Obviamente, ele não tinha voltado para casa para descansar, e, com Seth relaxado do jeito que estava, não parecia que havia alguma emergência. Me perguntei se deveria ligar para Sam, e confirmar se Jacob estava bem, mas então lembrei que não tinha seu número.

Apesar de ter estado na casa de Sam e Emily algumas vezes desde que os conhecera, nunca me passou pela cabeça perguntar seu número de telefone. Talvez eu contasse mais com as habilidades dos lobos do que notara.

Pensar naquilo me deu uma ideia. Deixei o sofá, e segui em direção à barulhenta cozinha dos Black, encontrando Sue em frente ao fogão, ainda dando ordens à Seth, às pressas.

Qualquer outra pessoa ali, provavelmente não teria aguentado as demandas de Sue; Seth, porém, apenas sorria para a sua mãe, enquanto ela pedia, com mais ‘vivacidade’ do que necessário, para que ele descascasse as batatas direito.

“Eu posso ajudar com as batatas.” ofereci, puxando as mangas do suéter para cima, e pescando uma das facas no balcão.

“Ah, Bella, você não precisa fazer nada, querida!” exclamou Sue. “Seth insistiu em ajudar, mesmo quando eu disse que não queria. Só estou enchendo-o de coisas para fazer para que não chegue perto do chilli que estou fazendo.”

“O cheiro está tão bom! O que custa me deixar experimentar um pouco?” resmungou Seth sem tirar os olhos da batata que parecia ter problemas para descascar.

“Uma coisa é experimentar, outra é enfiar a colher na panela a cada cinco segundos, Seth.” ralhou ela, antes de pousar os seus olhos em seu filho. Acho que ela não gostou do modo como as batatas que ele já tinha trabalhado tinham um formato estranho, já que falou logo em seguida: “Deixe as batatas aí, que eu termino. Vá fazer companhia para a Bella.”

Eu estaquei.

“Não, não! Eu não vim aqui tirar o Seth da cozinha…” comecei, mas Sue me cortou.

“Ele mais atrapalha do que ajuda, de qualquer forma. Você estará me fazendo um favor tirando-o daqui.” Comentou, voltando-se, novamente, para a grande panela que tinha no fogo, porém, quando viu que nenhum de nós se mexeu para sair dali, acrescentou: “Por que vocês não arrumam a mesa lá fora, então? Perguntem a Billy onde guardou a mesa grande.”

Poucos minutos depois, nós andávamos até a velha garagem, em busca da tal mesa. Sozinhos, vi a oportunidade perfeita para perguntar a ele se sabia notícias de Jacob.

“Jake? Ah, ele estava capotado no sofá da Emily quando terminei minha ronda. Ainda deve estar lá.” respondeu, remexendo nas tralhas ao redor da garagem, à procura da mesa dobrável que Billy mencionou. Ele parou, virando-se para mim, em seguida. “Você quer que eu vá chamá-lo?”

Eu balancei a cabeça. “Deixe-o descansar. Jacob não dorme o suficiente.”

Seth concordou, “Acho incrível como ele consegue ficar acordado tanto tempo.”

Eu suspirei profundamente, assentindo, antes de continuar. “Ele diz que dormir oito horas por dia é um feito superestimado. Aparentemente, ninguém faz mais isso hoje em dia.”

“Bom, eu faço.” Seth riu. “Em qualquer oportunidade que tenho, caio na cama, pode apostar!”

Não pude deixar de rir de como ele parecia uma criança quando fazia aquela cara. Mesmo que eu me sentisse um pouco desapontada Jacob não estar ali, surpreendentemente, Seth me fazia rir tão facilmente quanto ele.

Nós demos a volta na garagem, até encontrarmos uma pilha de coisas coberta com uma lona. Quando Seth finalmente encontrou a tal mesa, e até pensei em ajudá-lo a carregá-la, mas acabei desistindo quando ele a levantou facilmente do chão, com uma mão só.

Eu fiquei surpresa com como eu conseguia esquecer que, agora, ele tinha mais força do que cem pessoas juntas. A trasnformação tinha mesmo o mudado.

“E como está indo toda essa coisa de ser um lobo?” questionei enquanto andávamos de volta. “Jake disse que você estava aproveitando.”

Seus olhos brilharam, e eu o assisti dar pequenos pulos, subitamente animado. “É insano! Quem diria que eu poderia ser igual aos outros? Quando Leah se transformou no meio da sala de estar, tenho que admitir, fiquei com medo, mas agora que vejo todas as possibilidades… Quer dizer, eu consigo levantar um carro, se eu quiser, o que é muito estranho para falar a verdade. Não são muitas pessoas que podem fazer isso.”

“Ninguém consegue fazer isso, Seth.” comentei e ele riu, encabulado. “Mas não te aborrece o fato de não poder falar com seus antigos amigos da escola? Jake mencionou estar preocupado com os seus estudos.” Insisti, preocupada.

“Eh, eu não me importo. Não é como se eu tivesse muitos amigos, de qualquer forma.” explicou. “E além do mais, não tenho muita escolha. Se tenho que ser lobo, então tento ver pelo lado positivo da coisa, sabe?”

“Se a vida lhe dá limões…" Comentei, me surpreendendo com aquele seu lado maduro.

“Pois é, mas isso não muda o fato de que posso mesmo acabar repetindo o ano escolar. Perdi duas provas só essa semana!” comentou, quando paramos em frente à casa e ele começou a montar a mesa. “Minha mãe ligou na escola ontem e deu alguma desculpa sobre eu estar passando por momentos difíceis, por conta da morte do meu pai, e parece que vão me deixar repor as provas na semana que vem. Mas, para falar a verdade, não sei se Sam vai deixar.”

“Por que não deixaria?” perguntei, duvidando que Sam tentaria impedir Seth de ir para escola.

“Você sabe, é meio difícil não perder o controle, no começo.” Explicou, parecendo, subitamente, envergonhado. Meu coração doeu por ele, e me perguntei se havia alguma coisa que pudesse ser feita para ajudá-lo.

“Não consigo imaginá-lo perdendo a cabeça, Seth, ainda mais na escola. Você é uma das pessoas que mais se importam com as aqueles ao seu redor; então acho que você dá conta de passar algumas horas sem se transformar.” Garanti, lhe oferecendo um sorriso encorajador. “Se quiser, posso conversar com Sam por você.”

Seth pareceu hesitar por um momento, coçando a cabeça, e eu o olhei curiosa, esperando. Ele parecia sem graça

“A verdade é que, mesmo que consiga fazer as provas, não sei se vou conseguir tirar boas notas. Eu não tenho estudado muito ultimamente."

Eu teria rido da cara que ele fez, se não fosse um assunto, de certa forma, sério. Um sentimento maternal, subitamente, se apossou de mim e eu me vi meditando, por um momento, sobre o que ele havia me dito. Pensei em ralhar com ele, antes de perceber que não poderia reclamar do fato de que ele não focava em seus estudos, quando eu mesma não me considerava uma aluna exemplar. Principalmente nos últimos sete meses…

“Posso ajudá-lo a recuperar o tempo perdido, se quiser.” Ofereci, de repente, forçando meus pensamentos para longe. “Não sou a melhor da turma, mas… sou decente, na maioria das matérias. E cheguei ao último ano!”

“Você faria isso?” perguntou pulando no lugar, como se eu tivesse oferecido a uma criança de cinco anos para levá-la à Disneyland. “Caramba, Bella! Você é a melhor!”

“Claro que faria, Seth” respondi, achando engraçado a sua animação. “Você pode ir a minha casa, depois da escola, ou eu posso ir até a sua.” adicionei, sorrindo. “Em quais matérias você precisa de ajuda?”

Nós passamos os próximos minutos discutindo o conteúdo escolar de Seth, enquanto buscamos cadeiras, e as levamos para o jardim. Logo, Sue terminou todos os pratos que tinha em mente, e nós arrumamos a grande mesa para acomodar a todos.

A noite estava fresca, e, apesar da grama estar bem úmida, foi gostoso sentar do lado de fora, por algum tempo. Charlie e Billy não pararam de falar, primeiramente sobre o jogo que começaram a assistir mais cedo, e depois sobre as vidas de conhecidos — agindo como as duas velhas que eram.

Descobri que Charlie possuía um vasto conhecimento sobre tudo que acontecia em Forks, e parecia mais do que disposto a trocar as informações por fofocas sobre o que acontecia em La Push, com Billy. Os dois eram como o par perfeito.

Sue interagia com os dois frequentemente, comendo lentamente de um prato que preparou para si mesma, mas eu podia ver seus olhos tristes desfocarem em alguns momentos da conversa, olhando para em algo que ninguém mais podia ver.

Apesar de todos terem terminado de comer depois de um ou dois pratos, Seth repetiu diversas vezes, enquanto conversávamos. Eu via, cada vez mais, a semelhança entre ele e Jacob, como se o primeiro fosse uma mini-versão do outro e eu me perguntei se, quando Jacob tivesse filhos, eles seriam iguais a Seth.

Seth era curioso, sempre gentil e contagiante. Eu não me importaria de ter filhos que fossem como ele. Passei vários minutos tentando imaginar uma mistura entre Jacob e eu; se eles teriam os olhos mais estreitos dele ou se puxariam a textura de seu cabelo. Eu gostaria que todos fossem como ele, mas, é claro, não havia como escolher.

Eu me parei em meio a meus pensamentos, notando, apenas naquele momento, que estava imaginando como nossos filhos seriam. Nós tinhamos começado a namorar a uma semana e eu já estava pensando naquilo! Senti minhas bochechas queimarem, sabendo muito bem que meu rosto devia estar todo vermelho.

“Se você vai corar desse jeito na frente do Seth, vou começar a ficar com ciúmes.” A voz rouca de Jacob soou próxima do meu ouvido, e eu quase dei um pulo, virando-me para encontrar Jacob parado atrás de mim. Seu sorriso de sol iluminou a noite, e eu tive que me segurar para não me jogar em seus braços na frente de todos.

“Jake!” exclamei, buscando sua mão e apertando-a com força. O calor familiar de seus dedos entre os meus, fez meu coração bater descompassado. “Achei que não viesse! Seth disse que você estava capotado no sofá da Emily.”

O rosto de Jacob se transformou quando seus olhos me deixaram, apenas para focar em Seth. “Você sabia onde eu estava e não foi me acordar, pirralho?! Queria ficar sozinho com a minha namorada tanto assim?”

Eu corei com a palavra ‘namorada’, enquanto Seth levantava as mãos para o alto, tentando defender-se de suas acusações, sem sucesso. Jacob pulou sobre ele, tentando bagunçar os seus cabelos, e jogá-lo na lama. Logo, os dois estavam envolvidos em uma daquelas brigas de mentira, e, apesar de Jacob ter a vantagem, vi que Seth parecia estar acostumado a escapar daquele tipo de coisa. Me perguntei o quão comum eram aquelas interações entre os dois.

Eles pareciam irmãos de verdade.

“Não é assim, Jake! Eu pedi para o Seth não te chamar.” eu disse, tentando chamar a atenção dele, mas os dois estavam envolvidos demais na brincadeira para parar.

“Ah, então é você que está querendo passar mais tempo com o Seth?” Exclamou, um falso tom ofendido pintando a sua voz. “Que beleza, estou sendo traído por todos os lados.”

Eu revirei os olhos para o seu drama, apontando para a mesa atrás de nós. “Você já comeu? Sue fez um montão de coisas.”

Desvencilhando-se de Seth, Jacob agarrou a minha mão, e me puxou para a mesa, onde os outros ainda estavam sentados, conversando. Enquanto Sue o cumprimentava, notei como Charlie fixou o olhar em nossas mãos unidas.

Rapidamente, tirei minha mão da sua, me sentindo muito consciente do olhar de meu pai, e me pus a fazer um prato para Jacob, como desculpa; minhas costas virada para os demais. Eu sabia que ele não era contra nosso namoro — aliás, muito pelo contrário! -, porém, seu olhar pesado sobre nós, nos observando de uma forma que apenas um pai conseguia, me fez querer manter uma distância segura de Jake.

Jacob se sentou à mesa, com a montanha de comida que eu havia posto em seu prato, à sua frente, e devorou tudo com mais rapidez do seria necessário. Seth sentou-se ao seu lado, decidindo que havia espaço em seu estômago para mais um pouco de comida, enquanto eu apenas beberiquei uma latinha de refrigerante, contando para Jacob tudo o que tinha acontecido naquela noite.

Assistir os dois comendo, porém, era um show sem precedentes. Não havia como ser saudável colocar aquele tanto de comida dentro de si em tão pouco tempo.

Quando voltei ao jardim, depois de buscar uma garrafa d’água na cozinha para Jacob, o mesmo tinha a mão sobre a barriga lisa, acariciando-a como uma mulher grávida. Fiquei frustrada ao notar que, mesmo depois de comer aquele tanto de comida, não havia nenhuma gordurinha em seu estômago.

“Obrigado, Bells.” agradeceu Jacob quando lhe passei a garrafa, e ele agarrou a minha mão estendida, puxando-me para si, com o intuito de me fazer sentar em seu colo. Meus olhos voaram para Charlie, que não parecia alheio a situação que se passava.

Com um movimento brusco, desviei, dando um giro completo, antes de cair sentada, não em seu colo, mas na cadeira ao seu lado. Jacob me encarou, confuso; Uma ruga surgiu entre suas sobrancelhas, enquanto eu sorria um sorriso amarelo para ele, torcendo para que ele não comentasse nada na frente de todos.

Ele não o fez, continuando a conversa que tinha com Seth sobre como o fim de semana prometia ser mais quente, porém sem tirar os olhos de mim. Suspeitei que ele havia notado que eu o estava evitando, pois, ainda olhando em meus olhos enquanto falava, Jacob puxou a minha cadeira — com apenas uma mão -, fazendo-nos ficar extremamente próximos um do outro.

Eu achei que ia ter uma síncope.

Mesmo com todos os meus esforços para não deixar aquela situação estranha na frente dos demais, Jacob não ajudava. Será que ele não entendia os sinais que eu estava mandando?

Para a minha sorte, Seth mudou de assento após colocar seu prato na pia, sentando-se do meu outro lado, então eu apenas me inclinei em sua direção — para longe de Jake -, buscando entrar, novamente, em uma conversa com ele.

Levando em conta que, naquele momento, estávamos sentados perto dos nossos pais, eu me limitei apenas a conversar sobre a escola. Seth não pareceu notar a limitação de assuntos, enquanto contava sobre uma das garotas que dizia gostar dele. Eu podia sentir a crescente irritabilidade de Jacob enquanto eu, sem muitas opções, o deixava de fora da conversa. Lancei olhares furtivos em sua direção diversas vezes, encontrando-o de braços cruzados em frente ao corpo, feito uma criança emburrada.

Quando Sue se levantou — algum tempo depois -, e começou a recolher as travessas da mesa, vi a oportunidade perfeita de escapar daquela situação. Juntei-me rapidamente a ela, me ocupando em carregar as coisas para dentro, e deixando os dois lobos para trás, com Billy e Charlie.

“Obrigada pela ajuda, Bella. Pelo menos alguém por aqui tem modos” agradeceu Sue, quando entrei na cozinha com duas das travessas que estavam na mesa em minhas mãos, sem saber que era eu quem estava grata por ter algo para fazer.

“Eu que agradeço pela comida, Sue. Estava deliciosa.” respondi, e ela abanou a sua mão, dispensando o comentário.

“Isso não é nada. Eu gosto de cozinhar para a família." Ela disse, parando em frente à pequena pia da cozinha. “Você pode deixar as coisas aí, que eu vou separar em potes para congelar para o Billy e o seu pai. Se dependesse dos dois, ambos comeriam apenas macarrão instantâneo e pizza a semana inteira.”

“Ok, vou buscar o resto das coisas, então.” Eu disse, antes de voltar para fora, onde os demais já estavam levantando de seus lugares para terminar de retirar as coisas e guardar a mesa na garagem. Seth carregava três cadeiras ao mesmo tempo, quando me aproximei da mesa para pegar a tigela de salada de batatas. Jacob logo estava ao meu lado, recolhendo o restante da louça, para levar para a cozinha.

Ele fez questão de encostar em mim enquanto andávamos, me causando arrepios, e ficou, a todo momento, mais perto do que o necessário, enquanto voltamos para a cozinha. Tentei escapar, andando a passos rápidos, mas fui facilmente seguida por ele. Acabei entrando na cozinha primeiro, mas ele passou pela porta não mais do que um ou dois segundos depois de mim.

Sue estava de costas para nós, ocupada demais com sua tarefa, para notar que Jacob parou atrás de mim — enquanto eu colocava as coisas sobre o balcão -, impedindo-me de sair dali. Seu corpo me prendeu no lugar; seus braços ficaram ao meu redor como uma prisão, e ele aproveitou a minha hesitação para me abraçar por trás, seu queixo pesando em meu ombro.

Toda vez que Jacob me abraçava, eu sentia como se pudesse respirar mais facilmente; como se meu corpo todo relaxasse ao primeiro toque, e ficava mais calma. Entretanto, ser abraçada por ele daquela forma, com ele às minhas costas e seus braços rodeando a minha cintura, era tão diferente do que eu estava acostumada, que eu não conseguia parar de me arrepiar.

Era tão… íntimo.

Ouvi a voz de Charlie — que parecia estar empurrando Billy para dentro — no corredor se aproximando, e, mais uma vez, pânico correu por minhas veias. Jacob não esperava que eu desviasse dele, porque, quando eu escorreguei por baixo dos seus braços, foi muito mais fácil do que eu esperava. Lancei-me para o outro lado da cozinha, e ele apenas me encarou, atônito.

“S-Sue, deixa que eu te ajudo com isso. Assim você termina mais rápido!” Exclamei, sem dar chances para ela responder, puxando uma das tigelas que estava no balcão, e enchendo-a de comida.

Mesmo sem olhar para trás, eu sabia que Jacob me encarava. Podia sentir seu olhar em minhas costas, e já conseguia imaginar o que ele diria quando ficássemos sozinhos. Eu quase podia ouvir os seus pensamentos naquele momento, enquanto me esforçava para ignorá-lo completamente, e aquilo fez-me sentir culpada.

Apesar de não querer que ele entendesse errado, não consegui reagir de outra maneira. Meu pai estava bem ali!

Terminamos de transferir toda a comida em alguns minutos, e eu me ofereci para lavar a louça, querendo manter-me o mais ocupada possível. Jacob desapareceu da cozinha — provavelmente ajudando com as demais coisas que haviam restado no jardim -, e eu pude, finalmente, me acalmar um pouco e controlar meu coração, concentrada na tarefa à minha frente. Enquanto lavava os pratos ao lado de Sue — que estava raspando os restos no lixo, e limpando o fogão -, não precisava me preocupar com o que Charlie pensaria.

Pude ouvir que eles haviam se reunido na sala novamente, e conversavam alto sobre alguma coisa, sem tanto entusiasmo quanto antes.

Olhei para o relógio pendurado na parede da cozinha, e vi que já passava das onze horas. Eu nem tinha visto o tempo passar! Jacob não havia chego há muito tempo, e eu sabia que, assim que terminasse de ajudar Sue, Charlie anunciaria que devíamos ir para casa.

Com aquilo em mente, comecei a lavar a louça mais devagar, esfregando-as mais vezes do que o necessário, tentando estender o meu tempo ali. Depois de vários minutos, o barulho da água da torneira, somado às duas latinhas de refrigerante que eu havia tomado mais cedo, me fizeram ficar apertada para ir ao banheiro.

Eu lavei as minhas mãos cheias de sabão, e me virei para Sue. “Vou ao banheiro rapidinho, já volto.” Ela apenas assentiu, tomando o meu lugar, enquanto eu me apressei até o pequeno banheiro que havia no corredor.

Mas, quando terminei, eu não consegui voltar à cozinha.

Encostado na parede oposta à porta do banheiro, me esperando, com os braços cruzados sobre o peito, e um olhar ameaçador no rosto, estava Jacob Black.

Tudo que eu pude fazer foi engolir em seco.

Notas finais
Que maldade a minha, não postar no meio da semana e ainda parar esse capitulo bem na melhor parte... Se você conhece o Jacob, sabe que o que está prestes a acontecer vai ser QUENTE! Já que eu devo uma à vocês, prometo postar a continuação da Reunião amanhã, o que acham? Talvez hoje a noite se a revisão não demorar muito. Prometo paragrafos e paragrafos de SPICY! hehehe Obrigada pelo apoio! kisses, Gi