Notas iniciais
Olá, de novo, leitores! Como a escrava dos seus comentários que eu sou, aqui está o próximo capitulo. Ainda acho que precisava de pelo menos um pouco mais de revisão, mas... Como eu posso deixar vocês na mão, assim? Let's burn.

“So are you going to be my Valentine?

Since you didn’t get me a fifty-cent box of candy, it’s the least you can do.”

Jacob Black, New Moon



Isabella Swan.” Jacob disse, a sua voz baixa.

Eu não tinha sido capaz de mover um centímetro desde o momento que meus olhos caíram em sua figura, mas agora, com os seus queimando sobre mim, vorazes, todos os meus instintos me diziam para recuar.

Dei um passo para trás ao mesmo tempo em que Jacob descruzou os seus braços. Cada passo que eu dava para trás, ele copiava, se aproximando de mim. Cada movimento dele era calculado, habilidoso e pesado, como se ele fosse um lobo encurralando sua presa. Eu não dizer fazer nada, hipnotizada com a nossa dança.

Em poucos segundos, minhas costas bateram na parede, e eu me vi presa entre ela e Jacob. Ele não parou; seus olhos não deixaram os meus enquanto ele avançava, chegando cada vez mais perto.

Pude sentir sua respiração pesada batendo em meu rosto quando ele, finalmente, parou em frente a mim. Seu nariz, que quase tocava o meu, tinha as narinas dilatadas e eu podia sentir o calor do seu corpo irradiando próximo ao meu. Meu coração parecia ter enlouquecido em meu peito.

"Porque está fugindo de mim?” perguntou ele; sua voz não passava de um murmúrio. Sua mão pousou em meu ombro e desceu, lentamente, pela lateral de meu corpo, fazendo questão de tocar cada curva até fixar-se em meu quadril. Meu corpo todo se arrepiou, e tudo que eu consegui enxergar foram seus lábios entreabertos, quase colados em meu rosto. “Você fugiu quando te puxei para sentar comigo, não me deixou segurar a sua mão, fez de tudo para ficar na cozinha com a Sue…”

Seus lábios roçaram a pele da minha bochecha — descendo pela minha mandíbula, enquanto ele falava -, e pararam em meu pescoço por alguns segundos. Era como se Jacob estivesse tentando, ao mesmo tempo, me seduzir e me torturar. Mal sabia ele que, apenas o seu cheiro já seria suficiente para que eu me esquecesse de que Charlie estava no cômodo ao lado.

Lentamente, seus lábios se aproximaram dos meus, e, todo o controle que eu tinha foi para o ralo. Me lancei em seus braços, agarrando os seus cabelos, e moldando nossas bocas juntas.

Minha fome por ele embaçando meus pensamentos.

Suas mãos, que estavam em minha cintura, me seguraram com um pouco mais força, antes de me levantar no ar. Automaticamente, passei minhas pernas ao redor de sua cintura, me segurando ali, antes de ele me prensar contra a parede, com força.

Eu perdi o ar. Seus lábios e seu corpo quente, moldaram-se aos meus, nossas cinturas se chocando e eu deixei minhas mãos correrem livres pelos músculos de seu ombro, descendo pelo braço e perdendo-se em suas costas largas.

Como eu sentia falta dele! Mesmo que tivéssemos nos visto mais cedo naquele mesmo dia, tê-lo daquele jeito era tudo o que eu desejava. Era como se, a cada toque, e a cada beijo, algo dentro de mim acordava, ávido por mais. Não importa se nos beijássemos uma ou duzentas vezes, eu sempre iria querer mais.

Suas mãos subiram por minhas coxas e fizeram o contorno da minha perna, antes de alojarem-se em minha bunda, e eu perdi o pouco de sanidade que ainda tinha em mim — que fora o que me havia feito evitá-lo, desde que ele chegara. Eu não sabia o porque, mas o calor dos seus dedos, segurando com força, quase que massageando aquela area, me fazia querer arrancar cada peça de roupa que eu vestia.

Como seria sentir suas mãos diretamente na minha pele? Seria tão enlouquecedor quanto era agora? Porque, no momento, era como se eu queimasse sob as suas caricias e sua boca selvagem. Mas, apesar de todo o meu corpo estar em chamas, o que queimava mais do que qualquer parte, era aquela parte entre as minhas pernas.

Pensar sobre aquilo fez meu quadril se mover por conta própria, empurrando contra Jacob e encontrando a dureza em suas calças.

“Porra” murmurou Jacob, subitamente, tormento aparecendo na sua voz. Ouvir aquilo fez uma nova onda de fome passar por mim. Eu olhei para o rosto de Jacob, vendo o desejo que eu sentia, refletido no dele e eu sabia que ele também queimava por dentro.

Será que havia algum jeito de aquele fogo diminuir? Será que, algum dia, Jacob beijaria a minha boca e eu não desejaria que ele estivesse beijando outras partes do meu corpo também? Eu duvidava.

Jacob devia ter algum jeito de ler os meus pensamentos, porque sua boca me atacou com mais avidez do que antes. Eu retribui, buscando a sua lingua macia e a sugando por um longo momento, apenas para ser recompensada com um grunhido rouco em retorno.

Uma de suas mãos desistiu de se afundar em uma das minhas nadegas e subiu para me segurar por trás do meu pescoço e me forçou a tombar a minha cabeça para trás, tomando controle. Seus olhos estavam tão negros, tão cheios de desejo que eu me contorci em suas mãos, ansiosa pelo que estava a vir.

Sua tortuosa língua começou o seu trabalho, sugando, lambendo e mordiscando onde quer que passava. Eu fechei os olhos, mordendo meus lábios para que eu não deixasse nenhum som escapar por eles e aproveitando cada segundo do que quer que fosse que estava acontecendo ali.

Logo a mão que estava em meu pescoço se foi, decidida a explorar a parte da frente da minha camiseta e eu voltei a atacá-lo com os meus lábios quase imediatamente. Quando eu senti nossas peles se tocarem perto da minha barriga, um choque passou pelo meu corpo e eu fui puxada para fora da névoa de luxúria que tinha entrado.

Se fossemos pegos daquele jeito…

Forcei-me a afastar meus lábios, ainda famintos, dos dele, deixando minha cabeça encostar na parede novamente, enquanto respirava pesadamente.

“Aconteceu alguma coisa, princesa?” ele perguntou, sua voz rouca, entre os beijos delicados que dava em meu pescoço e apertando-me com mais força quando eu deixei um som tortuoso sair da minha garganta.

“N-Não”, de alguma forma, eu consegui gaguejar as palavras.

“Então por que raios…” murmurou ele, descendo seus beijos pela gola da minha camiseta, tentando alcançar as partes que estavam escondidas debaixo da camiseta, com sua língua. “...você fez aquilo?”

Eu segurei seu rosto, puxando-o para que ele olhasse para mim. Seus olhos negros pegavam fogo, e eu quase desisti de pará-lo, querendo provar daquele desejo. Queria poder ver até onde ele iria, o que exatamente queria fazer comigo.

“Como que eu posso…” sussurrei, fazendo uma pausa para tentar estabilizar minha respiração, “...quando Charlie está ali, vendo tudo?”

Confusão passou por seu rosto.

“Charlie? O que tem ele?” perguntou ele, surpreso, afastando-se da parede, enquanto eu desenrolava minhas pernas da sua cintura, e me ajudando a me firmar sobre meus pés. Demorou um segundo para que as minhas pernas bambas me deixassem ficar de pé sem cair.

“Espera, é por isso que vem me evitando a noite toda?” perguntei e eu hesitei. Jacob não parecia que deixaria eu escapar daquela pergunta, então eu apenas balancei a cabeça lentamente, concordando.

Jacob revirou os olhos, “Bella, Charlie viu nós nos beijávamos mais cedo, se lembra?”

“Sim, mas, Jake… ele é meu pai! É estranho.” resmunguei, constrangida por admitir aquilo em voz alta. “Ainda mais depois de hoje, que ele veio com ‘a conversa’. Eu não quero dar a ele motivos para achar que precisa voltar nesse assunto.”

Demorou um segundo para que ele entendesse o que eu disse antes de a sua risada estrondosa fazer meu rosto esquentar. “Você quer dizer a conversa da cegonha? Aquela conversa?”

Eu evitei o seu olhar, “Mas é claro que é a da cegonha, Jacob, que outra conversa me faria querer entrar em um buraco e morrer de vergonha?!”

“Bella, você tem dezoito anos. Falar sobre sexo não devia ser motivo para se envergonhar.”

“É vergonhoso por ser o meu pai falando sobre sexo, Jacob. Outras pessoas passam por isso uma vez na vida, ou duas, no máximo. Mas não eu! Minha mãe encheu a minha orelha com isso hoje, e esta é a segunda vez que Charlie toca no assunto.”

Jacob se afastou, sua respiração já calma, encostando na parede oposta da minha no corredor apertado, me olhando com uma das sobrancelhas erguidas, “A segunda, hm? Quando foi a primeira?”

Eu virei o rosto para longe dele, olhando para o fim do corredor. Demorei um minuto para respondê-lo.

“Quando fui convidada para o baile.” resmunguei, querendo mudar de assunto. “De qualquer forma, não importa. Já tive conversas suficientes sobre isso, e gostaria de evitar mais, se você não se importa.”

Jacob puxou minha mão, forçando-me a olhar para ele. Ele tinha um sorriso gentil no rosto, e a resposta imediata do meu corpo foi se acalmar sob o seu olhar.

“Você precisa relaxar, Bells. Eu sei que você está… traumatizada com tais conversas, mas não precisa exagerar.” Ele torceu a palavra ‘traumatizada’ enquanto cutucava um ponto em minha barriga, tentando me fazer cócegas. “Além do mais, Charlie me viu praticamente te engolir, hoje, mais cedo. Segurar as mãos e sentar em meu colo são coisas muito pequenas, em comparação a isso.”

Ele tinha um ponto.

“Eu sei que o meu pai não se importa.” ele garantiu. “Ele parece estar mais feliz com nosso relacionamento do que nós.”

Olhei para o fim do corredor, novamente, onde a conversa continuava alta. Eu podia ouvir a risada baixa de Billy e Seth, sobre alguma coisa que Charlie havia dito.

Parando para pensar sobre como Billy tinha agido a noite toda, eu não o havia visto tirar o sorriso do rosto, nem por um segundo. A princípio, associei tal felicidade ao fato de ter seus melhores amigos reunidos em sua casa, mas, na verdade, não havia muitos motivos para algum deles sorrir. Não quando a morte de Harry havia sido há menos de uma semana.

Deus, como era estranho pensar que apenas uma semana havia se passado desde aquele dia do penhasco. A morte de Harry, o começo do namoro com Jacob, a volta dos Cullens, Victória… Tanta coisa havia acontecido em tão pouco tempo, que pareciam ter se passado meses!

Eu sorri para Jacob, que apenas me observou, sem dizer uma palavra. Ele estava distraído com uma mecha do meu cabelo, que enrolava entre seus dedos, parecendo tão perdido em pensamentos quanto eu.

Nós faríamos uma semana de namoro ‘oficial’ no domingo.

Deixei aquela informação ser absorvida por minha mente, surpresa com o peso que tinha. Apenas uma semana me entregando, sendo honesta e me abrindo completamente, e eu me sentia uma pessoa completamente diferente.

Lembro de me sentir oca e depressiva; odiar os momentos em que ficava sozinha, seja a noite em meu quarto, ou nas tardes em que era forçada a passar meu tempo longe de Jacob. Lembro da necessidade inquietante que tinha de manifestar o fantasma de Edward, e como aquilo apenas fazia meu coração doer ainda mais, por saber que não era real, que ele não me queria, nem se importava comigo; e ainda assim, lá estava eu, sacrificando minha sanidade mental para vê-lo.

O fantasma que eu via, falava como se estivesse tentando me proteger; como se ainda me amasse; e eu me agarrei aquilo, achando que iria conseguir me sentir inteira novamente, quando, na verdade, só ficava pior.

Depois de pular no mar gelado, assisti a imagem de Edward apenas me ver afundar cada vez mais fundo, sem poder fazer nada para me ajudar. Foi ali que entendi que estava apenas enganando a mim mesma.

Ele não era real.

Não era real como as mãos de Jacob apertando contra meu peito, e expulsando a água de meus pulmões.

Não era real como Jacob me carregando na chuva, lutando contra seu próprio cansaço, e me confortando em meu sono.

Não era real como seu amor, que resistia às barreiras que eu havia posto e ao tempo; sempre paciente, me esperando, respeitando quando me afastava, e tentando ao máximo me proteger. De Laurent. De Victória. E até de mim mesma.

O sentimento que eu nutria por Jacob, não era algo que tinha sido construído em uma semana. Era o resultado de meses de apoio, carinho e respeito. Meses de um amor mutado, que ele me deu sem pedir algo em troca.

Títulos à parte, meu relacionamento com Jacob havia começado muito antes daquela semana.

“Bella!” A voz de Charlie me tirou de meus pensamentos, fazendo-me pular. “Precisamos ir. Já é quase meia-noite!”

Jacob bufou, descontente, e eu ouvi Billy reclamar que ainda era cedo, e que Charlie nunca passava tempo suficiente na casa dele. Eu soltei um risinho baixo, sabendo muito bem como ele se sentia.

Puxei Jacob pela mão, arrastando-o para a sala, apenas para ver Sue entregando uma sacola cheia de potes com comida para Charlie, que ficou mais do que feliz por aceitar. Ele ergueu a sacola para mim, como se fosse uma criança mostrando um presente do papai noel, para a mãe.

“Bella, olhe! Temos comida garantida por mais umas duas semanas!”

“Quem você está querendo enganar, pai? Você vai terminar com tudo antes de segunda-feira!”

Billy soltou uma gargalhada alta, e não pude deixar de compará-la com a de Jacob. Eu nunca o havia ouvido rir daquela maneira, antes. Charlie apenas olhou para nós, parecendo sem jeito, mas não negou.

“Eu não te culpo, Charlie.” Interveio Jacob. “A comida de Sue é tão boa, que aqui em casa também não dura muito.”

“Ah, mas isso é porque você mais parece um saco sem fundo.” reclamou Billy, desfazendo-se do comentário de Jacob. Foi a minha vez de rir.

“Deixe o menino comer em paz! Faço comida para ser comida, não para ficar na geladeira.” comentou Sue, seguindo em direção a Jacob, e passando o braço ao redor de sua cintura, em um abraço de lado.

Eu comecei a me despedir dos demais, dando um abraço em cada um deles. Quando cheguei a Seth, porém, notei que ele estava tão chateado por todos estarem indo embora, que seu corpo, subitamente, começou a tremer.

Não era algo como eu havia visto com Jacob, onde apenas suas mãos e braços tremiam quando ele estava com as emoções à flor da pele. O corpo inteiro de Seth tremia, parecendo quase estar convulsionando, ali, em pé na sala de Billy.

Entrei em pânico, lembrando que Seth era novo naquela coisa de transformação, e seu autocontrole ainda não era dos melhores. Se Charlie o visse naquele momento, iria ficar, no mínimo, preocupado com a saúde do garoto, se não pior.

Porém, tão abruptamente quanto começaram, os tremores pararam, assim que Jacob brincou em voz alta, dizendo que devíamos nos reunir novamente na semana seguinte para atualizar as fofocas.

Percebi por seu tom de voz, e pelo modo como falava, que, apesar da pequena piada ser dirigida à Charlie e Billy, Jacob, na verdade, afirmava para Seth que estava tudo bem. Iríamos embora, porém, teríamos mais oportunidades de nos reunirmos.

O modo com que Jake lidou com a situação, tão rapidamente, me fez ficar atordoada por um momento. Seth voltou a sorrir no instante seguinte, como se nada tivesse acontecido, adicionando que podíamos convidar Sam, Emily e os demais, na próxima e ninguém pareceu desgostar da ideia.

Vendo que ele estava mais calmo, eu finalmente o abracei para me despedir, porém ainda estava perplexa. Agora eu podia entender o motivo de Sam estar sempre tão preocupado com os novos lobos. Eles podiam estar tendo o melhor dia de suas vidas, e, um segundo depois, acabarem perdendo a cabeça por um motivo tão bobo quanto o fim de uma festa.

Jake me arrastou para perto da viatura, aproveitando enquanto Charlie ainda terminava sua conversa com Billy sobre a viagem de pesca que pretendiam fazer em homenagem a Harry, assim que Seth em soltou do seu abraço.

“Agora de pouco, Seth…?” Eu murmurei, baixinho, apenas para Jacob e ele balançou a cabeça antes de dar de ombros.

“Acontece.” Foi tudo o que ele respondeu, deixando de lado o assunto. Apesar de ainda chocada, eu segui o exemplo de Jacob, não querendo prolongar o assunto mais do que necessário.

Parando ao lado do carro, pensando, novamente, em como Jacob estava certo quando mencionou o fato de Charlie já ter nos visto nos beijando, deixei-me ser embalada por seu abraço de urso. Seu corpo era tão maior do que o meu que parecia que eu desaparecia dentro dos seus braços quando ele me abraçava daquele jeito.

Jacob começou um beijo doce e calmo, enquanto ainda tinha seus braços ao meu redor. Apesar de ter que tombar minha cabeça para trás, e ficar na ponta dos pés para alcançar seus lábios, eu não me importava de ficar daquele jeito, por qualquer tempo que fosse. Não sei quantos minutos se passaram até escutarmos um pigarrear atrás de nós, vindo de Charlie.

“Boa noite, Jacob.” ele resmungou, entrando no carro, após colocar sua sacola de comida com cuidado no banco de trás.

Jacob riu, abaixando-se na altura da porta, quando eu entrei. “Boa noite, chefe”.

Com um último beijo em minha testa, ele se despediu de mim.

“Te vejo amanhã, certo?” perguntei, segurando sua mão no último momento, sentindo-me ansiosa para vê-lo novamente.

Jacob parou por um segundo, olhando para mim como se estivesse absorvendo o que eu havia dito e a expressão ansiosa em meu rosto, antes de seu sorriso lindo de sol preencher seu rosto, novamente, fazendo-o parecer o homem mais feliz do mundo.

“Claro, anjo.”

Ele fechou a porta em seguida, e eu senti meu rosto esquentar, enquanto Charlie ligava a viatura, e dirigia para casa.

Por alguns minutos, me senti tensa, evitando olhar para meu pai enquanto ele dirigia de volta para Forks, mas, depois de alguns minutos — onde tomei coragem para espiá-lo, de vez em quando -, notei que Charlie não poderia estar mais relaxado. Tinha um leve sorriso no rosto; o silêncio no carro não era de desconforto, mas, sim, de um cansaço bem vindo, depois de um longo dia.

Confirmar que Jacob, afinal, estava mesmo certo sobre o fato de Charlie não se importar conosco, fez com que um peso enorme, que eu nem sabia que existia, saísse de meus ombros. Aquele peso, notei, era fruto do fato de que, antes, eu sempre mantive todos os acontecimentos da minha vida em segredo. Não apenas sobre o mundo sobrenatural em que eu estava envolvida, mas também sobre todos os meus relacionamentos.

Eu não sabia com certeza em que ponto aquele hábito de mentir havia começado, mas haviam muitas coisas que Charlie não sabia sobre mim ou Edward. Ele não tinha ideia de quão profundo o meu relacionamento com ele tinha realmente sido.

Afinal, como poderia saber? Ele não fazia ideia que Edward passava todas as noites em meu quarto; Não sabia que Edward havia me salvado de ser atacada por todos aqueles homens, em Port Angeles; Ou sobre toda a história de James.

Na verdade, tudo o que ele parecia saber sobre nosso relacionamento, era ruim.

Charlie sabia que eu o via na escola e nos fins de semana. Que eu havia fugido uma vez — magoando profundamente os seus sentimentos no processo — devido a uma ‘briga’ com Edward; Que eu não passava tempo com mais ninguém além dele, fazendo minha vida moldar-se ao redor dele. Tudo isso para, depois de um tempo, logo após o meu aniversário, Edward me abandonar no meio da floresta e eu acabar sendo sugada para uma depressão profunda, da qual apenas consegui sair depois de meses!

Eu não podia culpá-lo por não gostar de Edward.

Ser, até certa forma, honesta com Charlie, depois de tanto tempo mantendo segredos, era um grande alívio. Ele era meu pai, e, como ele mesmo disse, estaria ali para todos os momentos em que eu precisasse.

Com Edward, tudo sempre havia sido dito em meias verdades. Algum dia, quando eu me transformasse em vampira, Charlie seria informado de que eu estava morta, quando, na verdade, eu estaria viajando o mundo, e vivendo para sempre. Quando se tratava do meu relacionamento com Edward, eu nunca poderia ser honesta. Não com Charlie, não com Renée, e muito menos com meus amigos.

Respirei profundamente, sentindo-me, subitamente, contente. Com Jake, tudo era tão mais fácil; tão mais certo. As coisas fluíam naturalmente, e eu conseguia, facilmente, ver um ‘para sempre’ daquela maneira.

Mesmo que houvessem os lobos, o mundo sobrenatural, e a magia, aquilo nunca afetaria Charlie. Se algum dia ele ficasse sabendo sobre os transmorfos, não precisaríamos juntar nossas coisas e fugir no meio da noite, para nos escondermos. Havia uma comunidade inteira para nos apoiar. Billy, Sue… Todos faziam parte daquele segredo.

Em casa, ajudei Charlie a esvaziar a sacola, colocando os vários potes cheios de comida no congelador. Eu estava distraída, ainda meditando sobre todos os ‘e se’ quando ele falou, chamando a minha atenção.

“Ah, eu acabei esquecendo de te falar. Eu deixei algum dinheiro dentro daquele pote em cima da geladeira para você comprar mais chocolate, quando estiver naqueles dias do mês, de novo.”

O modo como o seu tom casual não parecia combinar com a postura das suas costas tensas, fez eu ter que processar a sua frase algumas vezes antes de tentar fazer algum sentido para o que se passava.

“Como é?”

“Você sabe… Eu ouvi dizer que vocês precisam de chocolate quando estão… daquele jeito.”

Eu teria explodido em risadas, se não estivesse tão envergonhada com o fato de que Charlie estar falando sobre menstruação! Como é que ele havia chegado àquela conclusão?! Quer dizer, no dia em que ele me deu o chocolate, eu mal havia dormido, e praticamente não tinha falado com ele pela manhã.

Talvez ele tenha pensado que eu estava de mau humor? Bom, ele não estava errado, eu estava mesmo irritada, mas definitivamente não era porque eu estava menstruada.

Era estranho saber que Charlie havia pensado sobre isso e ido até a loja, apenas para me comprar chocolates.

“É. Ajuda mesmo.” respondi, sem conseguir lhe contar a verdade. Seu gesto foi, apesar de tudo, muito fofo. “Obrigada pai.”

“Estou aqui para isso.” respondeu, antes de me dar um boa noite e subir escadas acima, reclamando que já tinha passado da sua hora de dormir.

Fiquei mais alguns minutos ali na cozinha, olhando para o pote alaranjado em cima da geladeira, que havia sido recém colocado ali, ainda sem acreditar.

E pensar que eu quase troquei-o por uma vida eterna junto a Edward.

Que piada.

Notas finais
Se eu estiver sendo honesta, nos ultimos capitulos, tem sido dificil parar esses dois quando eles começaram algo. O build up está tão intenso que não sei quanto mais os dois conseguem aguentar antes de algo acontecer de verdade hahaha Próximo capitulo, vamos começar a mover a história mais rapidamente. Tem muita coisa que precisa acontecer além do romance entre esses dois. Esperem por um encontro entre Edward e Bella acontecendo em não muito tempo, junto com muito, muito drama. Além disso, vamos nos aprofundar no que rola nas histórias dos demais lobos e talvez envolver a Bella nisso. Vejo vocês no meio da semana, no próximo capitulo. (Dessa vez eu falo a verdade) kisses, Gi