Notas iniciais
Passou da meia noite, já é domingo, certo? Olá, pessoal, como vocês estão? Espero que gostem desse capitulo, que foi escrito e modificado vezes até demais. Boa leitura! Gi

“I won’t contest your decision. So don’t try to spare my feelings, please-just tell me now whether or not you can still love me, after everything I’ve done to you. Can you?”

— Edward Cullen, New moon.

O silêncio se instalou sobre a mesa pelos próximos vinte minutos, onde eu tentava não sucumbir ao stress, e Alice fingia comer um pouco da comida que havia pedido.

Quando o garçom se aproximou para retirar os pratos, pareceu quase ofendido pelo fato de ela ter “comido” tão pouco, e eu nem ter tocado em meus talheres.

“A senhorita gostaria de levar, para terminar mais tarde?”, perguntou. Apenas assenti, com medo do que sairia da minha boca caso eu tentasse falar alguma coisa. Sua expressão melhorou um pouco, e ele logo seguiu de volta para a cozinha, deixando-nos em silêncio novamente.

Quando a conta já estava paga, e as sobras estavam perfeitamente acomodadas em uma sacola bonita de papel, com o logo do restaurante em um dourado brilhoso, Alice foi a primeira a se levantar. Ela lançou-me um sorriso reconfortante, pelo qual eu geralmente teria ficado grata, mas que, ali, apenas me deixou enjoada; Iria demorar algum tempo até eu conseguir olhar para ela sem me sentir traída.

Eu havia aceitado o fato de ela ter feito tudo aquilo porque estava preocupada com a visão que tivera — e, pra ser sincera, eu realmente não teria aceitado conversar com Edward se estivéssemos em Forks, mesmo depois de tudo o que Alice disse durante nossa conversa. -, porém, aquilo não mudava o fato de que ela tinha traído a minha confiança, me encurralando em uma situação que ela sabia que eu não teria como dizer 'não'.

Porque, a verdade era que eu estava, realmente, fugindo de Edward.

Desde que ele havia voltado, eu o havia evitado de todas as maneiras possíveis. Não queria ouvir sobre ele, e, muito menos, falar sobre ele, mas, a cada dia que se passava, aquilo parecia ficar cada vez mais difícil. Querendo ou não, nós ainda tínhamos pendências a serem resolvidas, e eu não conseguiria evitá-las para sempre.

Aquilo não me deixava menos estressada por ser obrigada a ter aquela conversa.

A contragosto, segui Alice para o lado de fora, onde, a visão do Volvo cinza parado ao lado da calçada, fez meu estômago revirar. Agradeci, mentalmente, por não ter conseguido comer meu almoço.

Quando paramos ao lado do carro, Alice virou-se para mim. “Bom, essa é a minha deixa. Espero que você e Edward se resolvam!”

Ela sorriu, antes de começar a andar para longe.

“Espera, aonde é que você vai?” Perguntei, sentindo o pânico brotar em minha voz.

“Para casa, oras. Talvez eu pare no caminho para comprar algumas coisinhas.” Ela respondeu, como se fosse a coisa mais simples do mundo. Com um último aceno de mãos, ela se despediu, e saiu saltitando em direção ao fim da rua.

A amaldiçoando mentalmente, sequei as minhas mãos suadas nas calças, e respirei fundo algumas vezes, antes de finalmente abrir a porta do passageiro, e entrar no carro.

“Olá, Bella.” Cumprimentou Edward, e senti meu corpo inteiro enrijecer, enquanto colocava o cinto de segurança. “Eu perguntaria como foi o seu almoço, mas… imagino que não tenha sido um dos melhores.”

Eu me segurei para não bufar e revirar os olhos. A quem ele estava tentando enganar, se fazendo de inocente? Ambos sabíamos que ele tinha ouvido cada palavra dita naquele restaurante, e, sem dúvidas, até mesmo antes disso.

Se antes já estava me sentindo traída pelo plano de Alice, aquele sentimento era ainda pior com ele ali, pois ele sabia de tudo, e ainda assim deixou tudo acontecer. Pior, ajudou-a a conseguir!

Cruzei os braços sobre o peito quando o carro começou a se movimentar.

“Aonde vamos?”, perguntei a contragosto, assistindo-o ziguezaguear pelo tráfego.

“Para um lugar menos… movimentado.” Respondeu suavemente. Era só o que me faltava.

Apesar da raiva ainda nublar a maioria dos meus pensamentos, enquanto encarava os carros que passavam mais rápido por nós, não podia deixar de pensar em como aquela situação trazia memórias que eu havia enterrado há muito tempo.

Lutei tanto para esquecer o cheiro daquele carro, ou o modo como os vidros eram mais escuros do que o normal. Lembro de ter empurrado para longe todas as memórias criada ali, nós dois juntos, e todas as coisas que sentia naquela época e agora, tudo voltava à tona, como se eu levasse socos na cara.

Meu peito começou a doer, e imaginei que fosse, talvez, a falta de oxigênio. As janelas fechadas estavam me deixando claustrofóbica; o espaço confinado parecia ficar cada vez menor.

Me concentrei em respirar lentamente, focando nos carros do lado de fora. Não sei quanto tempo passamos assim, mas, o tempo inteiro eu passei rezando para que tudo se acabasse logo para que pudesse voltar pra casa.

Quando finalmente consegui voltar a respirar normalmente, minha mente voltou a vagar, sobre o que iríamos conversar. Lembrei do que Alice tinha dito sobre fazermos as pazes e resolvermos as coisas, porém, não conseguia imaginar como poderíamos fazer aquilo, quando, a cada segundo ao seu lado eu parecia, simplesmente, ser puxada para um buraco negro.

O que eu poderia dizer a ele? Que não me ressentia por ter me deixado? Que o perdoava por tudo? Seria a mais completa mentira.

Alice realmente não havia entendido que, mesmo que essa conversa acontecesse, nada iria mudar. A raiva e ressentimento dentro de mim não iriam se dissolver tão facilmente.

Mas, de novo, havia Edward. Ele queria, sem dúvidas, ter aquela conversa, já que havia concordado com aquele plano idiota dela. Me perguntei, por um momento, se foi ele quem havia pedido ajuda para Alice, ou se tudo havia sido, realmente, ideia dela, mas descartei a ideia.

Havia apenas um motivo para ele ter me deixado, e era o fato de não me querer mais. Ele havia convencido sua família inteira a mudar de cidade, apenas porque não suportava mais estar perto de mim.

Sua volta à Forks não significava nada além de culpa por ter deixado Victória viva.

Eu havia dito à Alice que não tinha a intenção de voltar a ter um relacionamento com Edward, quando estávamos no restaurante, e realmente era verdade. Eu não havia dito aquilo apenas para convencer Alice, mas também para lembrar a mim mesma de tudo pelo que eu havia passado, e para fortalecer as paredes e colunas que me firmavam em pé, e não deixavam que meu coração voltasse a sucumbir.

Sucumbir. Eu me sentia patética por ainda me sentir daquele jeito. Fugi de Edward durante todos aqueles dias, pois sabia que, no fundo, não confiava em mim mesma para lidar com aquela situação sem cair, de novo, aos seus pés.

Seria aquela conversa como a anterior, no dia que terminou comigo? Eu me perderia no final, sem conseguir ver e ouvir; sem vontade de viver? Eu não sabia se eu conseguiria lidar com uma renovação das palavras que ele disse naquela noite.

Comecei a suar frio assim que o carro parou completamente. Um trovão fez o carro balançar.

Estávamos parados em frente a um parque, quase deserto, exceto por algumas crianças, que ainda brincavam em um parquinho por ali; eu podia ver as mães chamando-as para ir embora, olhando para as nuvens escuras do céu com preocupação.

Edward abriu a porta e saiu do carro, em seguida; eu hesitei por alguns segundos, antes de imitá-lo. Quando nossos olhos se cruzaram, ele provavelmente pensou que a preocupação em meu rosto era devido ao trovão, porque disse: “Não se preocupe, a chuva só vai durar alguns minutos.”

Ainda me olhando atentamente, fez um gesto para que eu o seguisse, antes de começar a caminhar parque adentro. Notei que o mesmo não era muito grande; o parquinho das crianças tomava grande parte do espaço disponível. Vários bancos estavam espalhados pelos caminhos de pedra que se estendiam por todo o parque, com árvores para todos os lados, e grama bem aparada.

Notei que Edward caminhava em direção a um gazebo circular, que apenas consegui notar depois de passarmos por uma grande árvore, plantada bem no centro do parque. Pude ver o motivo de ele ter escolhido aquele lugar. Apesar de o parque ser aberto, havia árvores suficientes ao redor para que não fosse possível ver o gazebo de onde havíamos parado o carro. Ninguém nos veria ali.

Senti algumas gotas de chuva atingirem meu rosto, quando estavam apenas há alguns metros de distância. Imediatamente, como se estivesse apenas esperando que chegássemos ali, pois, assim que pisei no chão de madeira do gazebo, o céu começou a cair.

Edward parou ao meu lado, e notei, por minha visão periférica, que me assistia, enquanto eu fingia admirar a estrutura. Me forcei a contar quantos bancos estavam dispostos ao redor, e demorei mais do que o necessário escolhendo um para me sentar.

Ele não me seguiu.

“Então… Sobre o que quer conversar?” Comecei forçando meu corpo tenso a, ao menos, fingir que aquela situação não me incomodava profundamente.

“Como você está?” Perguntou. Seus olhos dourados pareciam quase brilhar na tarde escura.

Eu demorei alguns segundos para conseguir responder sem bufar.

"Sério? Fui sequestrada apenas para você me perguntar como eu estou?”

“Se você concordou em vir, não é, realmente, um sequestro, é?”, respondeu. Em seu rosto, aquele sorriso de canto que, um dia, me fez fraquejar. Eu pisquei mais vezes do que era necessário.

“Edward, eu não vim aqui para fazer piadinhas. Vamos acabar logo com isso, assim nós dois não precisamos sofrer mais do que o necessário.”, cruzei os braços sob o meu peito, enxugando as palmas suadas na minha roupa.

“Me desculpe, não foi minha intenção ofendê-la...” garantiu, antes de um olhar confuso cruzar em seu rosto. “Você... Você fala como se eu quisesse que essa conversa terminasse logo.”

Eu soltei o ar pelo nariz, rindo; talvez ele estivesse louco. “E você não quer? Você não precisa fingir na minha frente. Não tem mais ninguém aqui.”

Edward me encarou por um longo momento, como se a louca fosse eu. “Não, muito pelo contrário, Bella, eu-" Sua voz se prendeu em sua garganta "Você por acaso se esqueceu de tudo que eu te disse antes…?”

Antes...

Eu sufoquei.

Como ele ousava perguntar aquilo?

Em outro momento, o simples fato dele ao menos cogitar que eu poderia, em algum momento, eu esquecer tudo o que aconteceu entre nós, teria me feito travar, assim como havia acontecido naquela noite fatídica, meses atrás. Porém, agora, aquilo só serviu para abastecer a raiva que crescia dentro de mim.

As palavras praticamente explodiram para fora da minha boca.

“Antes?” questionei, minha voz mais histérica do que eu gostaria. “Qual parte exatamente, Edward? A parte onde você me disse eu não servia pra você, ou a que me largou no meio da floresta, sozinha? Ah, talvez a parte em que forçou a sua família a deixar a cidade — mesmo sabendo que a maioria deles odeia ficar se mudando o tempo todo -, apenas por que não queria mais estar comigo? Por favor, se você puder esclarecer qual parte você se refere, eu posso tentar te responder se eu lembro ou não.”

A chuva caía forte no chão de pedra do parque, abafando as batidas fortes do meu coração.

Suas sobrancelhas escureceram os seus olhos, que pareciam encarar a minha alma.

“Bella...” Ele deu um passo. “Eu minto muito bem, Bella, eu tenho de mentir.”

Eu abri a boca, mas ele levantou a mão, me parando. “Por favor, me deixe terminar! Eu minto bem, Bella. Você sabe disso, e ainda assim, acredita em mim com tanta facilidade.” Ele engoliu em seco. “Naquela noite… Você acreditou tão rapidamente que foi… doloroso.”

Eu quis gargalhar. Algo se revirou em meus estomago ao passo em que suas palavras sem sentido me alcançavam. Talvez eu tivesse realmente caído na risada, não fossem seus malditos olhos dourados, que pareciam mergulhados em tanta dor. Eu podia quase senti-la...

Meu corpo se retesou, e eu senti como se estivesse perdendo o controle de mim mesma.

“Quando estávamos na floresta, e eu estava te dizendo adeus… você não ia desistir". Continuou. Sua voz era quase um sussurro. "Pude ver em seus olhos. Eu não queria fazer aquilo, mas sabia que, se não te convencesse de que não sentia mais nada, você iria levar muito mais tempo para retomar a sua vida. Eu esperava que, se achasse que eu havia seguido em frente, você faria o mesmo. Vi em seus olhos, que você acreditou quando disse que não te queria mais."

Ele deu outro passo, se aproximando de mim.

“Achei que você, de todas as pessoas, iria saber que eu estava mentindo, então tentei fazer de tudo para te convencer de que não te amava. Foi fácil, Bella. Fácil até demais, e eu me perguntei como você poderia acreditar, tão facilmente, depois de todas as milhares de vezes que eu disse que te amava.”

Edward parou bem na minha frente, a poucos centímetros de mim, seus olhos penetrando cada pedacinho do meu corpo, fazendo eu me sentir fraca.

“O conceito mais absurdo e ridículo; como se eu pudesse existir sem te querer! Um mundo onde você não exista; um mundo onde eu não te ame-”

“Não.” Eu o cortei. Minha garganta se apertando ao mesmo tempo em que meus olhos começaram a queimar. “Cale a boca. Eu não quero ouvir mais nada.”

Ele me encarou, pego de surpresa. Eu pude assistir as emoções passar pelo seu rosto: primeiro, surpresa, algo como culpa e depois se fixou em tristeza. Tentei me desprender do seu olhar, mas eu não tinha comando sobre o meu corpo. Eu estava sendo engolida...

Edward se sentou ao meu lado, sua mão gelada tocando a minha, que, apenas naquele momento, notei estar fechada. Minhas unhas criavam marcas profundas em minha palma. Os pequenos formatos de meia-lua quase imediatamente ficaram escuros, deixando vários pequenos hematomas, a serem somados com os da coxa que eu havia beliscado forte demais mais cedo.

“Bella, me desculpa. Por favor...”

Minhas mãos voaram, cobrindo os meus ouvidos, e eu fechei os olhos com força; minha respiração presa em minha garganta. Não, eu não havia ido até ali para ouvir aquilo. Eu não tinha vindo para ouvir que tudo era uma mentira... Ele me deixou porque não me amava! Ele foi embora, esmagando o meu coração, sem se importar!

“Não, Edward! É mentira! Você está mentindo!” Eu acho que gritei. A chuva parecia fazer tudo ficar ainda mais abafado. “Você não tem o direito! Você não pode me fazer passar por tudo aquilo apenas para chegar agora e dizer que foi... tudo mentira! Você me deixou para trás porque não me amava!”

Ele murmurou algo, mas a sua voz estava abafada demais para que eu pudesse ouvir. Alguns minutos se passaram em completo silêncio, antes de eu sentir sua mão gelada tocar a minha novamente, a puxando suavemente para longe dos meus ouvidos.

Um soluço sacudiu o meu corpo.

“Me desculpe por mentir. Me desculpe por ter te deixado, e te machucado tanto. Você tem todo o direito de estar brava comigo, mas a verdade é que eu nunca deixei de te amar, Bella. Apenas te deixei porque queria que tivesse a chance de ter uma vida humana normal; Feliz. Eu vi o que estava fazendo a você — mantendo-a em constante perigo, tirando-a do mundo a que pertence, arriscando sua vida a cada minuto que passava comigo. Eu tive que tentar. Tive que fazer alguma coisa, e ir embora pareceu ser o certo, no momento.”

Dessa vez eu me levantei, saindo de perto dele, não conseguindo aguentar ouvir aquilo. Era como se insetos tivessem se infiltrado por baixo da minha pele e andassem por todos os lados. Parei na parte mais distante do gazebo, considerando fugir dali, no meio a chuva.

“Por quê? Por que está me dizendo isso agora?” Engasguei. “Eu não quero ouvir isso... Não, eu não preciso ouvir isso. Talvez eu precisasse há alguns meses, quando caí em depressão, ou quando arrisquei a minha vida de várias formas idiotas possíveis, só pra ouvir a sua vez mais uma vez..., mas não agora.”

Eu me virei para encará-lo, querendo ver a sua reação; Lágrimas ameaçavam cair de meus olhos.

“Você sabia disso, Edward? Que eu o via e ouvia quando não estava lá? Como um fantasma, falando apenas na minha cabeça. Foi isso que a sua mentira; a sua decisão com propósito de me ‘fazer feliz’, fez.” cuspi, rancor pintando a minha voz. “Agora, depois de tanto tempo, você quer se desculpar; dizer que… que me ama, como se fosse mudar todo o resto?!”

Edward se tornou uma estátua, completamente imóvel. “Quando você disse para Alice que pulou do penhasco por diversão…”

Dessa vez eu gargalhei, e as lágrimas, antes presas em meus olhos, rolaram pelas minhas bochechas. “Em um ato patético para tentar te ver mais uma vez, eu pulei de um penhasco em meio a uma tempestade, como uma louca! E se a água não tivesse me matado, Victória teria. Tudo porque você ‘achou’ que devia tomar as decisões; achou que poderia decidir o que é melhor para mim sem nunca perguntar o que eu queria!”

A chuva que antes caía forte, começou a diminuir lentamente, enquanto apenas nos encaramos. Esperei que ele dissesse algo, mas, pela primeira vez, ele pareceu completamente sem palavras.

“Se não fosse por Jacob, eu não estaria viva. Se não fosse por Jacob, eu provavelmente estaria internada em um hospital muito antes disso.” Continuei, meus olhos cravados nos seus. “Você fala de não conseguir viver em um mundo sem mim... por alguns minutos, você viveu. Eu quase morri e fui salva, mas não por você. E isso tudo é culpa sua.”

Outro trovão soou, porém dessa vez, estava bem mais distante.

No mesmo segundo que as palavras saíram da minha boca, soube que havia cruzado a linha. Edward fechou os seus olhos com força, seu corpo se retesando como se quisesse se esconder em si mesmo, e senti meu próprio corpo reagir ao dele.

Pensei que dizer aquelas palavras tirariam um peso enorme do meu peito, que eu finalmente estaria liberta de todas aquelas coisas que estavam presas na minha garganta por meses, todo o ódio e rancor, porém, enquanto o assistia se curvar em si mesmo, eu apenas me senti pior.

Eu havia dito tudo o que eu queria, e ainda assim, não parecia ser o suficiente para me curar. Me perguntei o que poderia fazer para aliviar a dor que eu sentia em meu peito naquele momento, mas nada me veio à mente. Eu estava ferida, profundamente, e não havia palavras naquele momento que iria resolver aquilo.

Passei a mão pelo rosto, limpando as lágrimas, e respirei fundo, tentando colocar a minha cabeça no lugar. Minhas mãos tremiam.

“Já não importa mais. Esqueça isso. Vamos deixar o passado no passado. Nós… Nós precisamos trabalhar todos juntos para acabar com a... Victoria.” Eu disse, tentando soar confiante, mas faltava firmeza na minha voz. Era quase como se eu estivesse perguntando ao invés de afirmar.

A chuva havia parado completamente naquele momento, e o cheiro de grama molhada subia pelo ar com força. Edward ainda tinha os olhos fechados, completamente parado. Se não soubesse melhor, poderia até pensar que era uma escultura de mármore.

“Edward?”

Seus olhos se abriram imediatamente, como se estivessem apenas esperando pela minha voz. Nos encaramos por longos instantes, onde tentei, de alguma forma, ler sua expressão; sem sucesso.

Eu limpei a minha garganta. “A-A Alice estava certa sobre precisarmos resolver nossas diferenças. Mesmo depois de tirarmos a Victoria de cena, eu não quero viver com esse rancor dentro de mim para sempre e…” eu respirei fundo novamente. “Você queria que eu fosse feliz, e eu estou. Estou muito feliz. Podemos ambos aceitar isso e seguir em frente?”

Eu o assisti engolir seco.

“Isso é… justo. Eu devo mais a Jacob do que havia imaginado.” A este ponto, ele parecia tentar controlar a sua voz.

Assenti — minha mente voando para La Push por um momento -, e me sentei novamente. Minhas pernas estavam bambas, e eu sabia que não levaria muito tempo antes que cedessem sob mim. Edward voltou a se mexer, parecendo quase humano novamente. Ele hesitou por alguns segundos, antes de se voltar a mim.

“Bella, sei que, provavelmente, não me quer por perto e... Eu não sabia que tinha te causado- “Ele parou de falar; parecia estar buscando as palavras. “Não, eu não tenho desculpas para isso. Você está certa em querer distância, mas… se não for muita ousadia da minha parte, peço que me deixe continuar por perto. Pelo menos até capturarmos Victoria.”

Aquele nome me fez estremecer e ele suspirou audivelmente.

“Sei que sou culpado por ela estar te caçando neste momento, e gostaria de poder ter certeza de que ela não será mais um problema. Vou tentar ficar fora do seu caminho, mas, em algumas ocasiões isso pode ser… difícil."

“Como na escola, por exemplo?” deduzi, e ele concordou com um aceno de cabeça cuidadoso.

“Os lobos vêm mantendo guarda do lado de fora da escola — por minha causa, eu sei; por ter aparecido de repente. Até o momento, tiveram sorte que nenhum dos alunos os notou, mas… não irá demorar muito até que alguém veja um lobo gigante, e alarme a cidade inteira.”, continuou. “Comigo e Alice por perto, Victoria não conseguirá chegar perto de você; e nenhum de nós a colocará em perigo.”

Apesar de tudo, eu considerei as suas palavras. Algo no seu tom me incomodava.

“Eu nunca insinuei que vocês poderiam me machucar.”, retruquei.

“Sei disso, Bella, e agradeço o voto de confiança, mas os Quileutes parecem pensar que não somos capazes de nos manter em controle perto de humanos. Perto de você.” Explicou.

Edward não estava errado; os Quileutes, realmente, não confiavam nos Cullen. Apesar de entender o lado deles, eu também sabia que, o risco que corriam ao patrulhar Fork em plena luz do dia, era real. Aceitar a ajuda dos Cullen, pelo menos em Forks, era, para dizer no mínimo, racional.

Naquele momento, eu me senti ainda mais cansada.

“Acho que posso convencê-los a, pelo menos, deixar que vocês cuidem daquela área.” Concordei, querendo acabar com aquilo “Mas, Edward, você precisa acabar com os rumores que estão circulando. Eu sei muito bem que você ouviu o que andam falando.”

Edward relaxou, visivelmente, como se eu tivesse tirado um peso enorme das suas costas. Para a minha mais completa surpresa, ele sorriu de lado.

“Mas é claro, Bella.”

Notas finais
Uma coisa que preciso relembrar a todos vocês é que, apesar de Bella ser menos idiota nessa fanfic, ela não é imune as manipulações de nenhum dos Cullens. Sei que pode ser frustrante, porém, se a Bella soubesse de tudo e não tivesse falha nenhuma... Seria mesmo interessante de ler? Quer dizer, ainda teriamos as partes hots... QUE ALIAS VEM LOGO MAIS. Carol estava até secando o suor de tanto calor que ficou depois de terminar de escrever hehehe Obrigada pelos comentários e pelo amor e paciência. Adoramos todos vocês!!