Full Moon
22 Hematomas

“I think you were just worried that if you really forced her to choose,
she might not choose you.”,
― Jacob to Edward
Desejei, pelo que pareceu ser a vigésima vez, estar em casa.
Eu não havia considerado a conversa que tive com o Edward como um sucesso; muito pelo contrário, estava certa em tê-la evitado por tanto tempo, e devia ter continuado daquele jeito. Edward, porém, não parecia pensar o mesmo. Estava visivelmente relaxado, e dirigia com um sorriso leve no rosto.
Revirei minha mente tentando lembrar se havia dito alguma coisa que pudesse ter lhe dado a impressão de que eu o havia perdoado, ou até mesmo que havia nos acertado, mas não achei nada que explicasse seu bom humor.
Parecendo alheio à minha confusão, Edward fez de tudo para manter algum tipo de conversa entre nós, focando em tópicos fáceis, e evitando qualquer assunto que pudesse trazer de volta os sentimentos discutidos anteriormente.
Apesar de todos os seus — visíveis — esforços, não consegui relaxar. Era como se meu corpo reagisse a sua proximidade. Ouvir sua voz calma; sentir o seu cheiro que inundava o carro inteiro; ter seus olhos me sondando todo o tempo, como se não se cansasse de olhar para mim; tudo aquilo me fazia sentir estranha. Como se algo em meu peito pesasse, me sufocando.
Era como um dejavu. Ali estava eu, no mesmo carro, ouvindo as mesmas músicas, tendo uma conversa normal com Edward Cullen.
Um calafrio desceu por minha espinha, e eu me remexi, inquieta, em meu assento. Seja lá o que estava o deixando de bom humor, estava me deixando de mal humor.
“Alice disse que você não planeja ir para a faculdade no próximo outono.” Comentou me tirando de meus pensamentos.
“É claro que disse.” Resmunguei. Alice realmente precisava aprender a ficar de boca calada.
Edward me ignorou. “Tenho que dizer que estou surpreso.”
Eu franzi o cenho, me perguntando como aquilo era da sua conta. Edward riu fraco.
“Não me leve a mal, Bella. É só que eu sempre te considerei do tipo estudiosa, e sei que estava ansiosa para sair de Forks. Pensei que seria uma das primeiras alunas a preencher inscrições para as universidades mais distantes daqui.” Explicou. Sua tentativa de arrancar alguma informação de mim não sendo muito sutil.
Me limitei a dar de ombros, “A faculdade não esteve na minha lista de prioridades, nos últimos meses.”, respondi. “Tenho coisas mais importantes com que me preocupar no momento.”
“Mais importantes do que o seu futuro?” insinuou, com seu sorriso de lado, e eu desejei apagá-lo de seu rosto.
“Não há futuro se eu acabar morta por causa de, não sei, uma vampira psicopata que tem me caçado nos últimos meses.” respondi, com escárnio. “Prefiro não gastar o meu tempo com isso, e focar no que está acontecendo agora.”
Aquilo pareceu, finalmente, calar sua boca, e eu não consegui conter o sorriso satisfeito de brotar em meu rosto. Ele ainda estava relaxado demais para o meu gosto, mas, pelo menos, não estava tentando agir como se tudo estivesse bem entre nós.
Vários minutos depois, o carro parou em frente à minha casa. Eu me inclinei em direção ao banco de trás com a intenção de alcançar a sacola com a comida do restaurante, ao mesmo tempo que tentava não tocar nele no processo.
“Acho melhor você entrar logo.” Disse ele, perto demais do meu rosto e eu me afastei rapidamente, porém, não sem notar o modo como o seu tom soou completamente diferente de antes; tão seco que me fez encará-lo. Alguma coisa estava errada.
Sua fisionomia relaxada havia evaporado. Seus olhos estavam fixos na porta de entrada; suas sobrancelhas, franzidas, como se estivesse se concentrando em ouvir algo vindo de lá…
Ah, merda!
Abri a porta imediatamente, e pulei para fora do carro, abandonando a sacola.
O ar estava mais gelado do que pela manhã e, apesar de naquele momento não estar mais chovendo, o céu continuava nublado; as nuvens pesadas cobriam toda a sua extensão, fazendo a tarde parecer mais escura do que o normal.
Para a minha surpresa, Edward me copiou, e saiu do carro, lentamente. Me virei, pronta para mandá-lo embora, mas era tarde demais.
A porta da frente se abriu com um baque, atrás de mim.
“Isabella Marie Swan, o que é que está fazendo saindo de dentro desse carro?!”, perguntou Charlie, sua voz irada, enquanto marchava em minha direção. “Você sai sem avisar, passa o dia inteiro fora, e agora aparece com ele?!”
Droga! Eu havia esquecido completamente de deixar um bilhete para Charlie! Em algum lugar em minha mente — que não estava em pânico tentando decidir qual seria a melhor resposta para dar sem que acabasse morta pelas mãos do meu próprio pai -, me perguntei se aquilo havia sido mais um apêndice do plano de Alice.
“Alice foi quem a levou para almoçar, Sr. Swan.” Disse Edward, ainda parado ao lado do carro, sem se deixar abalar com o tom em que Charlie se referia a ele. “O restaurante era em Port Angeles, então ela achou melhor usar o meu carro. Eu sou só o motorista.”
Charlie parou ao meu lado; seu corpo ligeiramente tomando a frente do meu, como se tentasse me proteger.
“Ela devia ter me dito. Eu as teria levado sem que você precisasse se envolver.”, respondeu Charlie, rispidamente.
Eu engoli em seco, tocando em seu ombro, tentando atrair a sua atenção. “Desculpa pai, foi uma ideia de última hora. Saímos com tanta pressa, que esqueci de avisar.”
Desejei não ter falado nada, pois o rosto vermelho pimentão de Charlie se voltou para mim. “Bella, você tem ideia do quão preocupado você me deixou? Eu estava prestes a convocar uma equipe de busca, pensando que você tinha — de novo…” ele parou, esfregando os olhos, frustrado.
Abaixei a cabeça, evitando o seu rosto. Culpa ameaçando a me engolir viva. “Me desculpa, pai.’’
Ouvi-o respirar profundamente.
“Ande logo para dentro. Está frio demais para você ficar do lado de fora.” disse, com a voz mais controlada.
Eu apenas sacudi a cabeça, concordando.
Enquanto seguia em direção a porta, ouvi-o continuar: “E você… saia da minha propriedade, imediatamente!”
Não fiquei para ouvir o resto da conversa. Corri para dentro e me tranquei no banheiro o mais rápido que pude, respirando aliviada quando finalmente me enfiei embaixo da água fervente do chuveiro.
Em qualquer outro momento, teria me sentido mal por Charlie ter gritado com Edward daquela forma — o tom que ele usou deixava claro que ele não era bem-vindo -, porém, daquela vez, eu achei que foi bem-merecido. Afinal, Edward estava apenas colhendo o que plantou com a sua partida. Não foi apenas a mim que Edward afetou quando desapareceu de Forks.
A tarde tumultuada passou em flashes pela minha mente repetidamente, enquanto eu ensaboava meu corpo mais do que o necessário. A cada segundo que se passava, onde eu me lembrava de tudo o que havia ocorrido, o modo abrupto como Alice apareceu; o fato de ela não ter mencionado Edward em nenhum momento até a porta do carro se abrir… Quanto mais eu pensava sobre os detalhes, mais certeza eu tinha de que aquilo fora cuidadosamente planejado.
Se eu não tivesse confiado tão cegamente em suas palavras, não tivesse me deixado levar por suas sugestões mesmo quando eu não concordava completamente... nada daquilo teria acontecido. Eu teria passado o dia limpando a casa, Charlie não estaria de mal humor e eu teria evitado aquela situação constrangedora com Edward.
Não, eu não acho que eu poderia confiar nela depois disso, mesmo que eu tenha dito a Edward que tentaria convencer o bando a confiar nos dois e deixar de patrulhar as redondezas da escola — que, aliás, era outra dor de cabeça que eu teria que enfrentar.
Na realidade, eu não gostava nada daquela ideia. Saber que um dos meninos estava sempre por perto se eu precisasse sempre foi algo que esteve no fundo da minha mente e me trouxe paz, mesmo que subconscientemente.
Era, apesar de tudo, racional deixar a escola para que os Cullen guardassem. O problema era que, mesmo que eu achasse lógico e concordasse parcialmente com a mudança, parecia ser uma missão quase impossível tentar convencer qualquer um dos lobos a deixar Forks nas mãos dos Cullen.
Nas mãos dos Cullen… Estremeci, me sentindo enjoada.
Sentindo como se eu começasse a sufocar, esfreguei a esponja com mais força do que necessário em meu corpo, sentindo quase medo de que o seu cheiro ainda estivesse impregnado em minha pele. Pensando bem, eu desejava, na verdade, não apenas apagar o cheiro, mas todo aquele incidente. Era possível lavar tudo aquilo com sabão, deixar a água escorrer e levar o cheiro, as sensações e emoções, para o ralo? Seria possível que aquele incidente ficasse preso no passado e ninguém soubesse sobre o que acontecera?
Era a vez dos Cullens montarem guarda, então, ninguém, provavelmente, teria notado meu breve “desaparecimento”, certo?
Talvez conseguisse manter a boca de Charlie calada se eu pedisse para ele não comentar nada. Se ele contasse para Billy, o bando inteiro ficaria sabendo no minuto seguinte. As probabilidades não estavam a meu favor, porém, eu precisava tentar.
Apenas depois de a pele de todo o meu corpo estar vermelha e ardendo, e de ter lavado os cabelos pelo menos três vezes, decidi desligar o chuveiro.
Me enrolando na toalha, notei que havia me apressado tanto para me trancar no banheiro e evitar a conversa com Charlie, que havia esquecido completamente de buscar meu pijama.
Devo ter demorado tempo demais no banho, pois, quando abri a porta, percebi que Charlie roncava em algum lugar na sala. Ele devia estar muito cansado para cair no sono àquela hora, depois do que havia acontecido. Me perguntei se eu era a causa para o seu estranho cansaço.
Achei que iria acabar indo dormir com as orelhas doendo de tanto ouvir Charlie ralhando comigo, mas, talvez, pela primeira vez na vida, a sorte tivesse virado a meu favor.
Tal pensamento logo evaporou, pois, assim que abri a porta do quarto, uma mão agarrou meu braço e, antes que eu pudesse reagir, fui puxada para dentro do quarto escuro; o movimento rápido me fez perder o equilíbrio.
A mão que usava para segurar a toalha se soltou, tentando, automaticamente, encontrar algo em que me apoiar. Meu corpo se chocou contra outro que, apenas com um toque eu pude dizer que era de Jacob; a toalha que estava ao meu redor, um segundo antes, caiu no chão, aos meus pés.
O calor de seu corpo contra o meu foi como um choque elétrico, e, por instinto, tentei me afastar.
Um de seus braços se envolveu ao meu redor, tentando me estabilizar — provavelmente pensando que eu estava prestes a cair novamente -, e forçou meu corpo para mais perto do seu.
Do peito até a barriga, pude sentir o calor de seu corpo em cada pedacinho exposto de minha pele. Uma de suas pernas estava entre as minhas, a centímetros de tocar partes nunca exploradas. Por alguns segundos, eu não consegui me mover, meu coração batendo em meus ouvidos.
“Merda… Como posso ficar bravo com você desse jeito?”, ele murmurou, sua voz soando mais rouca do que de costume me fez olhar na direção de seu rosto, mesmo que não pudesse ver nada no escuro.
O beijo veio antes mesmo de minha visão se acostumar com a falta de iluminação. Sua língua invadiu minha boca repentinamente, e eu hesitei, esquecendo por um momento como reagir.
Aquilo não pareceu ser um problema para Jacob, que seguiu pescoço abaixo.
“Jake!” Exclamei, envergonhada. ” Eu p-preciso me vestir.”
“Precisa?” Perguntou, de encontro com minha pele, sua mão fazendo o contorno do meu corpo lentamente, seus dedos traçando a lateral nua do meu corpo com delicadeza, fazendo arrepios surgirem por todos os lados.
Sua língua chegou a minha orelha; seus dentes mordiscaram meu lóbulo, me fazendo questionar, por um momento, se realmente precisava me vestir. A sensação de suas mãos em meu corpo era… delirante. Apesar da súbita vergonha que me atingiu — naquele quarto escuro onde eu mal conseguia ver nada -, foi fácil esquecer os detalhes e me perder no desejo que ele emanava, enquanto me agarrava com força.
Sua boca deslizou pelo meu maxilar, e logo veio de encontro a minha, novamente. Desta vez, deixei que sua língua macia tocasse a minha, e retribuí com o mesmo entusiasmo que o dele, passando os braços ao redor do seu pescoço.
Meu peito ainda estava esmagado contra o seu; o calor vindo de seu corpo fazendo meus mamilos enrijecerem e eu me perguntei como, apenas sentir o seu corpo grudado no meu, sem nenhuma barreira, poderia ser tão bom.
Jacob grunhiu impaciente, ainda com a boca colada à minha, antes de me levantar do chão, girar nossos corpos, e me colocar deitada na cama.
Eu não consegui segurar o som surpreso que escapou dos meus lábios.
No curto momento em que se afastou — apenas o suficiente para que pudesse olhar meu corpo de cima a baixo -, eu, finalmente, consegui ver seu rosto por completo com a luz fraca que vinha da janela. Ele tinha os lábios entreabertos, famintos, e seus olhos pareciam estar em chamas. Ele estava ainda mais quente do que o normal, e eu não duvidava de que podia estar, literalmente, queimando por dentro.
Logo, seus lábios estavam de volta aos meus, e nossos corpos se juntaram novamente, como imã e metal.
“Você…” Ele murmurou, enquanto suas mãos subiam pelo meu corpo, alcançando, pela primeira vez, meus seios. “...é tão linda.”
Suas mãos grandes os envolveram; seus dedos encaixaram perfeitamente ao seu redor, e apertaram com força, me fazendo perder a razão. Eu não tinha ideia de que suas mãos poderiam fazer algo como aquilo; O modo como massageava meus seios era surreal, quase como se soubesse exatamente o que precisava fazer, onde apertar, como esfregar, para que eu não conseguisse nem ao menos pensar.
Como aquilo podia ser real? Como havia vivido aquele tempo inteiro sem sentir algo assim?
Quando finalmente voltei a abrir os olhos, notei que Jacob me encarava enquanto me tocava. Seus olhos ferventes me assistiam, e enquanto seus dedos trabalhavam em meus mamilos, minha cabeça caiu para trás; um som tortuoso escapou por entre meus lábios sem meu consentimento.
Aquela pareceu ser a deixa para que ele perdesse a cabeça, pois, no segundo seguinte, senti seus lábios sugando com força meu seio direito, enquanto seus dedos continuavam a trabalhar no esquerdo.
“Jacob!” Meus olhos reviraram nas órbitas.
Sua língua quente, macia e molhada, sempre havia me feito enlouquecer facilmente. Eu não fazia ideia, porém, de que, ali, em meu seio, a sensação seria ainda melhor. Minhas mãos agarraram seus cabelos, segurando-os com força, impedindo-o de sequer pensar em parar.
Mas ele não parou. Na verdade, pareceu decidir que não seria suficiente torturar apenas um de meus seios, pois, no momento seguinte, sua boca trocou para o próximo.
Eu vi estrelas. Minhas pernas enrolaram-se nas suas, fazendo o tecido áspero de sua bermuda encostar, diretamente, no ponto entre minhas pernas. Toda a vergonha que eu sentia apenas ao pensar em fazer algo daquele tipo, havia evaporado.
Meu corpo se movia sozinho, ainda puxando-o para o mais próximo possível de mim. Meu quadril empurrava-se de encontro ao seu, tentando ficar ainda mais perto, como se estivéssemos tentando ambos ocuparmos o mesmo espaço.
Jacob se deitou de lado na cama, e me puxou de encontro a si. Sua mão passou a ter acesso a mais partes do meu corpo, e ele não fez questão de esperar para explorar. Em um momento de lucidez, me perguntei se o que fazíamos era errado; me perguntei se eu estava disposta a ir até o final, e se não, se eu seria capaz de nos parar, mas as perguntas se perderam em minha mente quando, com um chupão mais forte, ele fez minhas pernas tremerem involuntariamente.
Jacob grunhiu, feliz com a minha reação.
Os arrepios continuavam a surgir por todo lado, enquanto ele me acariciava daquela maneira, me afogando na sensação que sua pele quente espalhava pela minha.
Seus beijos passaram de ardentes para doces e breves, e ele parecia ter aceitado a missão de cobrir todo o meu corpo com eles. Começou por meu rosto, beijando minhas bochechas, meu queixo e minha testa. Então desceu pelo meu pescoço, plantando beijos por toda a extensão do meu peito até parar sobre minha barriga.
Eu resfoleguei, borboletas voando pelo meu estomago.
Minhas mãos — ainda enterradas em seus cabelos -, eram incapazes de se soltarem. Seus olhos encontraram os meus, observando-me, e buscando algum tipo de consentimento, porém suas mãos nunca paravam. Elas subiam e desciam por minhas pernas, acariciando-as, sem nunca tirar os olhos dos meus.
Quando apertou a minha coxa, porém, meu corpo todo travou. Jacob havia, sem querer, pressionado minha perna no exato lugar onde eu havia beliscado, mais cedo. O ponto ainda estava dolorido.
Ele notou minha reação e, imediatamente, parou. Suas sobrancelhas foram franzidas, e ele pareceu confuso, tentando entender o que havia feito de errado.
Tentei desviar de sua inspeção, sentando-me, e puxando as pernas para longe dele. Jacob, porém, foi mais rápido.
“Mas que porra é…” ele murmurou, segurando a minha perna e puxando-a de volta para si, por um momento, enquanto tentava decifrar, no escuro, o que havia de errado. Quando seu olhar encontrou o meu novamente, todo o desejo que antes ali queimava, havia desaparecido.
Ele se levantou, caminhou até a porta em apenas duas passadas, e acendeu a luz do quarto. Apesar de momentaneamente cega, me apressei a buscar as cobertas para me cobrir, sentindo meu rosto esquentar rapidamente.
Jacob voltou para a cama e se sentou ao meu lado, puxando minha perna direita de debaixo das cobertas. Com a luz finalmente acesa, pude ver que havia, aparentemente, usado mais força nos beliscões do que pensei. Várias manchas roxas cobriam a extensão da minha coxa.
“Bella… que merda aconteceu com a sua perna?” exclamou ele e eu me senti ainda mais envergonhada. Tentei cobrir os roxos com as minhas mãos, mas isso só o permitiu ver as marcas em meia-lua que minhas unhas deixaram em minhas palmas. “Suas mãos… Bella!”
Eu suspirei profundamente, me amaldiçoando internamente. Eu sabia que não conseguiria escapar daquela conversa, mas… precisava mesmo ser bem naquele momento?
“Posso pelo menos me vestir, antes de começarmos a conversar?” sussurrei, sem conseguir olhá-lo nos olhos. Ele ainda tinha o maxilar travado quando assentiu, mas ainda assim, não tirou os olhos de mim. “Se importa de virar para o outro lado, para eu poder me trocar?”
Aquilo o relaxou um pouco. Ele riu pelo nariz. “Para quê? Eu já vi tudo.”
“Sim, mas luzes estão ligadas agora.” Resmunguei.
“Você sabe que não fazem diferença para mim. Consigo enxergar agora o mesmo que no escuro.” retrucou, porém, vendo meu rosto começar a ficar vermelho novamente, pareceu reconsiderar por um instante, e acrescentou: “Mas se é tão importante pra você…”
Respirei, aliviada, quando ele se levantou e seguiu para a janela, olhando para a floresta, do lado de fora. Corri até a cômoda, e puxei as primeiras roupas que vi, me vestindo o mais rápido que eu consegui.
Em menos de um minuto, eu já estava de volta à cama.
“Você pode olhar agora.”, disse, ao mesmo tempo que eu notei que o vidro da janela refletia o rosto de Jacob, que sorria de lado para mim. Ele havia assistido a tudo. O salafrário.
Apesar de ter um sorriso cafajeste no rosto, Jacob não mencionou nada sobre os últimos minutos; apenas voltou para a cama e sentou-se em frente a mim. Seu olhar foi, imediatamente, de encontro a minha coxa, que estava à mostra.
“Vai me contar o que aconteceu, agora?” Seu olhar era sério enquanto ele passava a mão pelas marcas, contornando-as levemente com as pontas dos dedos.
Eu mordisquei os lábios, tentando pensar em uma maneira de contar a ele sem causar uma guerra. “Só se me prometer que não vai ficar bravo.”
Ele me encarou, de canto de olho.
“Eu já estou bravo, Bella. Então me diz logo o que aconteceu, antes que vá até o cemitério que os sanguessugas chamam de casa, e resolva isso eu mesmo.” Ameaçou. Sua voz era baixa e controlada, mas eu podia dizer que ele lutava para manter aquela faixada.
Minhas mãos voaram para seu braço, como se pudesse segurá-lo ali, caso decidisse, realmente, ir.
“Não, não precisa!” Exclamei, sentindo o pânico brotar em minha voz por um momento. “Fui eu! Eu fiz isso.”
Demorou um minuto para que sua ficha caísse.
“Você?” Questionou, quando finalmente conseguiu proferir algumas palavras. “O que? Por quê?!”
Suas mãos cobriram as minhas, as acariciando, e eu as encarei, com medo de olhar em seu rosto.
“Eu precisava de… controle. Alice apareceu aqui, dizendo que era a vez dela de ficar de guarda e me convidou para almoçar, mas, enquanto estava lá, eu pude me sentir começar a afundar naquele mesmo buraco de antes, quando… por mais que eu odeie admitir, a dor me fez focar na realidade e..."
Enquanto eu falava, Jacob começou a balançar a cabeça, discordando. Pude ver seu corpo se tensionando e seu rosto endurecer a cada palavra e suas mãos tremerem mais fortemente. Deixei as palavras morrerem na minha boca.
“Não, não foi só isso.” Ele afirmou, sem qualquer sombra de dúvida em sua voz. Sua mão tocou meu queixo, puxando meu rosto, de modo que pudesse vê-lo por inteiro. Sua expressão era grave. “Passar tempo com a sanguessuga nunca te fez reagir assim.” Ele me encarou profundamente, como se para ter certeza de que eu estava entendendo cada palavra.
“Me diz a verdade.”
Sua mão apertou a minha mais firmemente.
Eu não queria dizer as próximas palavras, com medo de qual seria a sua reação, mas sabia que não conseguiria mentir. Não enquanto olhava nos seus olhos, daquela maneira. Eu havia, afinal de contas, prometido ser honesta.
“Edward estava lá.” Minha voz soou, não mais do que um sussurro, mas ele ouviu claramente, e eu só pude fechar os olhos, desejando ter forças para enfrentar os próximos minutos.
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