Notas iniciais
Olá pessoal, como vocês estão? Obrigada pelos comentários no ultimo capitulo e espero que gostem desse capitulo!

“I wish you would have told me that you were so afraid. You didn’t need to be.”

Jacob Black, New Moon

POV Bella

Jacob tinha os braços ao meu redor, como se não quisesse me deixar sozinha, nem por um segundo.

Quando estávamos quase na porta da casa de Emily, porém, ele nos parou, e virou para a orla da floresta, onde Sam apareceu apenas de bermuda, com Embry, Paul e Seth em seu encalço, todos vindo em nossa direção.

Eles tinham expressões fechadas em seus rostos — assim como Jacob havia estado no trajeto de Forks até ali -, e passaram por nós assentindo, antes de entrar.

“Você está bem, Bella?” Questionou Seth, parando ao meu lado e segurando minha mão, levemente. Diferente dos demais, ele tinha os olhos arregalados em antecipação.

Eu tentei sorrir para ele, apenas concordando com a cabeça.

Uma vez dentro da casa, encontramos os demais lobos ali, espalhados pela pequena cozinha. Diferente da última vez, não haviam conversas ou piadas quando entramos, e todos nos encararam até sentarmos. Percebi que Leah e Jared não estavam ali, provavelmente ainda em ronda, e a tensão no ar era quase palpável.

“Eu disse que era uma idéia idiota.” Paul foi o primeiro a falar, sem nem tentar esconder seu descontentamento. “Damos a mão, e eles levam o braço.”

“Tem razão.” Resmungou Sam, acomodando-se no extremo da sala, cruzando os braços no peito. “Porém, como assumimos que seriam apenas dois, não conversamos sobre o resto deles. A vidente, é claro, esqueceu de mencionar a volta dos demais.”

“O resto também voltou?” Questionou Jake, com um olhar enojado no rosto e eu assisti o resto de cada um ali copiar o dele. Era como se todos estivessem sentindo o cheiro deles naquele momento, pois todos enrugaram o nariz.

“Achamos que sim. Achamos mais rastros quando passamos por Forks, no caminho pra cá.” Comentou Embry, cruzando os braços no peito — assim como Sam havia feito — com rosto sério. “O problema é que não sabemos se são apenas eles.”

“Quantos rastros vocês encontraram?” Perguntou Jacob, e vi seu maxilar se contraindo novamente.

“Pelo menos quatro diferentes, tirando o do hospital.” Todos os lobos se remexeram, não parecendo nada confortáveis com aquele número.

Eu pensei rápido, contando em meus dedos por um momento.

“Então está certo.” minha voz vacilou e todos me olharam. Limpei a minha garganta antes de continuar. “Carlisle no hospital, Esme, Rosalie, Jasper e Emmett em Forks, são os quatro… E Alice e Edward na escola.”

Mesmo com aquela informação, o clima continuou o mesmo. Olhei para Jacob, tentando entender o motivo de ainda estarem tão tensos. Se eram apenas os Cullen, nada estava errado, certo? Não havia motivos para preocupações.

“Eles trouxeram o antro inteiro mesmo.” Cuspiu Paul, e notei que ele estava tentando conter seus membros, que tremiam.

“Mas não dá para confiar que sejam apenas os Cullen.” Foi Jacob quem falou. “Mesmo que os números estejam batendo, não podemos descartar a possibilidade de algum outro sanguessuga ter conseguido passar.”

“Todos esses vampiros por aqui não vão fazer mais quileutes se transformarem?” Perguntou Embry parecendo preocupado, e Sam assentiu com um olhar quase triste no rosto.

“Com mais vampiros por perto, é provável que mais quileutes se transformem. Eu vou precisar falar com os anciões sobre isso, podemos, pelo menos, nos preparar melhor dessa vez.”

Um longo silêncio se fez e eu olhei para os meus pés, preocupada. Eu havia esquecido de considerar aquela parte. Era claro que os quileutes eram os que mais sofreriam com toda aquela história. Aquela informação não ajudou em nada na — já enorme -, culpa que eu sentia.

“Então o que vamos fazer? Se são os Cullens, não podemos atacar, podemos? Não conhecemos bem o cheiro deles. Como vamos saber?” Seth quebrou o silêncio, ansioso para fazer parte da conversa.

“Nós precisamos confirmar que são eles.” Concluiu Paul, e Sam assentiu para ele, como se ambos tivessem compartilhando seus pensamentos. “Se algum outro vampiro aproveitou a oportunidade para passar despercebido, não podemos ignorar por pensar ser um Cullen.”

“Vamos ter que concentrar as rondas na reserva, enquanto não conseguirmos confirmar isso.” Complementou Sam.

“Eu posso ligar para Alice de novo.” Intervi, querendo ser útil. Meu olhar encontrou o de Sam. Quando ele fazia aquela cara séria, a mesma que eu vira diversas vezes no rosto de Jacob, uma pequena ruga profunda formava em sua testa, dando a ele a aparência de ter alguns anos a mais.

Ele assentiu, concordando, porém acrescentou: “Mas talvez seja melhor encontrarmos com eles pessoalmente. Não vou confiar apenas na palavra deles. Não dessa vez.”

Eu assenti, entendendo o que ele queria dizer, mas, mesmo assim, não pude deixar de pensar que estava exagerando um pouco.

“Todos nós? Acha mesmo uma boa ideia nos juntarmos no mesmo lugar que os Cullen?” Questionou Embry, preocupado. “Quem ficará de olho na reserva, contra a ruiva psicopata?”

“Não é o ideal, mas se eles estão mesmo em sete, precisamos, pelo menos, igualar os números.” Sam disse, pensativamente. “Além disso, nós fizemos um acordo, e não seremos nós a quebrá-lo. Por isso precisamos saber quando um rastro na floresta for de um Cullen, para não perdermos tempo, nem arriscarmos… machucar um deles.“

Paul latiu uma risada com a última parte, fazendo algum comentário baixo que eu não pude ouvir.

“Nós sabíamos que teríamos que nos coordenar com eles quanto às rondas, de qualquer forma.” Concordou Jacob, visivelmente tenso ao meu lado, e sem olhar para mim. Eu me perguntei se ele estava chateado comigo. “Só não sabíamos que seriam sete. A vidente aproveitou muito bem os pontos cegos da nossa conversa.”

Eu pude ouvir nojo em sua voz, e estremeci.

O ódio que Jacob e os demais lobos tinham de vampiros — ainda mais os Cullen — não era novidade para mim, mas, naquele momento, pude ver quão profundo aquele sentimento realmente era. Os quileutes não suportavam qualquer vampiro, e o modo como foram passados para trás pelos Cullens não ajudava em nada naquele quesito. Acrescentando aquilo ao fato de que mais adolescentes poderiam se transformar, perdendo a vida normal que sempre tiveram, o relacionamento entre os dois não podia estar em estado pior.

Imaginei que a cooperação entre os dois grupos deveria ser algum tipo de tortura para eles. Desejei, novamente, que houvesse alguma coisa que eu pudesse fazer para aliviar aquela situação.

Minha mente vagou para os Cullen, e tentei imaginar o que Alice e Carlisle estavam pensando quando decidiram trazer os demais. Eles não haviam escondido a informação de que os outros também viriam de propósito, assim como Jacob assumira, certo? Não havia motivos para os Cullens quererem esconder essa informação, não é?

Apesar de conhecê-los — ou pensar que os conhecia -, não consegui ter tanta certeza de que tudo não passava de uma coincidência. Alice, com certeza, sabia brincar com as palavras das pessoas.

Pensar naquilo me deu dor de cabeça.

Achei melhor guardar minhas opiniões para mim mesma, não querendo começar uma discussão naquele momento. Eu teria que tirar minhas próprias conclusões quando encontrasse com os Cullens novamente.

Pensar em reencontrá-los, fez meu estômago revirar, ansioso. Passei meses desejando vê-los; desejando que não tivessem ido embora; Até me ressenti por terem me deixado sozinha, para trás. Descobrir que eles haviam ido embora apenas porque Edward os havia pedido, porém, fez todo aquele rancor diminuir um pouco. Eu estava, de certa forma, feliz em saber que veria-os novamente.

É claro que não podia dizer o mesmo sobre Edward.

Empurrei o pensamento para longe, não querendo pensar sobre ele até ser extremamente necessário. Imaginei que sua reação e minha própria tivesse deixado claro a situação que nos encontrávamos, e eu me iludi pensando que poderia apenas ignorar o assunto. Pelo menos por agora.

“Bella? Bella!” Jacob me cutucou, tirando-me de meus devaneios. Olhei ao redor, e percebi que todos os outros me encaravam. Em seus rostos, uma mistura de preocupação e diversão. Senti meu rosto esquentar. “Você ouviu? Sam perguntou se você poderia ligar para a sanguessuga vidente agora.”

“Oh, claro!” Levantei o mais rápido que pude, e segui para o telefone — assim como havia feito alguns dias antes -, tentando fugir dos olhares que caíam sobre mim. Deus! Todos deviam me achar algum tipo de aberração.

Alice atendeu no terceiro toque.

“Bella?” A voz de sino respondeu do outro lado e eu respirei aliviada. Por um louco segundo, imaginei Edward atendendo ao telefone dela. Eu não estava preparada para aquilo.

“Alice…”

“Oh Bella, eu sinto tanto! Na escola, na frente de todo mundo… Eu nem sei como me desculpar. Edward resolveu voltar com a gente no último segundo. Eu não vi a tempo, então não consegui te avisar. Sinto muito, de verdade.” Ela falou sem parar, sem nem ao menos parar para respirar, falando tão rápido que precisei de um momento para absorver tudo o que estava dizendo.

Subitamente, me senti extremamente consciente dos demais pares de ouvidos aguçados presentes, que podiam ouvir cada uma de suas palavras.

“Não se preocupe sobre isso Alice; não importa.” Respondi o mais rápido que consegui, ansiosa para mudar de assunto. “Eu liguei porque precisava falar a respeito de outra coisa.”

“Oh.” Sua voz soou surpresa por um instante. Novamente, ela não devia ter visto o motivo da ligação. “Do que você precisa?”

“Não é bem o que eu preciso… Você deve ter visto Jacob, hoje, na saída da escola.” Eu falei devagar. “Ele, e os meninos, ficaram surpresos ao ver que não foram apenas você e Carlisle que voltaram, entende?”

“Ah, eles realmente foram pegos desprevenidos, não é? Eu imaginei, quando vi tantos cachorros por lá.” Ela riu, parecendo indiferente. “Eu disse para Carlisle que não havíamos mencionado sobre os outros, e ele achou que não teria problema, já que somos uma família, e o tratado com os quileutes envolve a todos nós, de qualquer jeito… Mas eu supus que este fosse o caso.”

Eu ouvi um leve rosnado as minhas costas e me remexi, desconfortável por ter que mediar a conversa entre os dois grupos. A culpa é sua, Bella. Agora faça sua parte, eu dizia a mim mesma. Tentei ser o mais eficiente que podia, para terminar aquela ligação o mais rápido possível.

“Sim.. hã… Sam me pediu para perguntar se poderiam encontrar com vocês. De preferência hoje a noite.” Me virei, olhando para Sam que estava parado perto de mim e ele assentiu. “Sabe, para discutir sobre rondas e coisas assim.”

Alice ficou em silêncio por um longo segundo.

“Mas é claro. Será que eu poderia falar com… Sam?” Sua voz se retorceu no nome dele, e eu desejei que ela controlasse seu temperamento. Não estava ajudando em nada.

Quando me virei para entregar o telefone a Sam, ele já tinha a mão estendida, e tirou o telefone da minha rapidamente. Notei que ele estava completamente tenso, assim como os demais. Fiquei parada ali, ao seu lado, tentando não encarar nenhum dos lobos ao meu redor. Sentia como se os tivesse traído por ser tão amigável com Alice ao telefone, ainda mais enquanto ela parecia zombar deles.

“Alô.” A voz de Sam foi seca, sem demonstrar qualquer sentimento. Alguns segundos se passaram antes que ele voltasse a falar. “Sim, pode ser.”

Alice deve ter dito mais alguma coisa, pois Sam demorou mais alguns segundos para colocar o telefone no gancho. Ele se virou, encontrou meus olhos por um momento, antes de dirigir-se para os demais:

“Não façam planos para hoje a noite.” Anunciou, e me encarou por um instante, antes de voltar para a cozinha, para perto de Emily.

Eu senti que aquele comando era mais para mim do que os demais, que puderam escutar toda a conversa no telefone.

***

“Bella, você não vai.” Jacob reclamou pela terceira vez. Os nós de seus dedos apertavam o volante da caminhonete com força, enquanto ele dirigia para a sua casa para matarmos o tempo, até a hora do encontro com os Cullen. Eu havia ligado para Charlie logo após a ligação para Alice, e disse que chegaria mais tarde do que de costume, porque Emily havia me convidado para assistir um filme e jantar na casa dela.

Ela ajudou, pegando o telefone e falando com Charlie por alguns minutos, afirmando que eu estaria bem, e segura. Eu sabia que, não fosse por sua ajuda, Charlie não teria me deixado ficar fora até mais tarde, em um dia de semana.

Quando encontrei os olhos de Jacob, ele não pareceu nada feliz com a notícia. Ele não queria que eu fosse, apesar de Sam não ter visto problemas na minha presença lá.

“Jacob, você ouviu Sam. Victoria pode aproveitar que todos vocês estarão longe, para vir atrás de mim, ou pior, atrás de algum desavisado na reserva.” Reclamei “Eu comecei o problema, e posso, pelo menos, estar lá para ajudar a consertar.” Insisti, cruzando os braços sobre o peito, e olhando para fora da janela. Não havia nada no mundo que me impediria de estar lá.

“Você não vai poder consertar nada se estiver no caminho, ou tendo um ataque de pânico na frente deles.” Contrariou. Sua voz era dura e eu o encarei, boquiaberta, com a facilidade que tinha para ofender.

“Está tentando dizer que eu só atrapalho?” Cuspi e ele olhou para mim por um segundo, consternado. “Estou tentando fazer tudo o que posso para ajudar.”

“Não, Bella. Estou dizendo que é perigoso, e não quero colocá-la em risco desnecessário.”

Eu ri, sem achar qualquer graça. Ele não poderia estar falando sério.

“São apenas os Cullen, eles não vão fazer algo contra mim, Jake.” Falei, descartando o seu argumento. “Além do mais, eu quero vê-los.”

Ouvi o motor da caminhonete gritar mais alto, quando Jacob apertou o acelerador com mais força do que necessário. Seu corpo inteiro tremeu, e sua mandíbula fechou com força.

“Você quer vê-los?” Uma onda mais forte de tremores passou por ele, fazendo-o quase parecer um borrão, por um segundo, antes de respirar profundamente, tentando se controlar. “Depois de tudo o que fizeram a você?”

Eu, por minha vez, não consegui me controlar, achando a atitude dele, no minimo, infantil. Não era como se eles tivessem feito de propósito!

Eles não fizeram nada, Jake. Edward fez. Lembra quando falamos sobre não fazê-los pagar pelos erros dele?” Argumentei, tentando não perder a compostura. Jacob olhou para mim mais uma vez, antes de diminuir a velocidade e virar na rua estreita que levava para a sua casa.

“Edward vai estar lá, Bella.”

Pisquei por alguns segundos, atônita com a sua observação.

“Eu não estou indo até lá para vê-lo.” Disse simplesmente, sentindo a caminhonete parar em frente a sua casa. Ele desligou o motor, e o silêncio que seguiu foi mais alto do que o barulho da caminhonete.

“Não está?” Dúvida e sarcasmo mancharam sua voz. Encarei-o por alguns segundos, sem conseguir acreditar que havia mesmo dito aquilo. Ele, mais do que todo mundo, sabia a resposta para aquela pergunta. Senti meu sangue borbulhar com uma raiva que nunca havia sentido antes. Não de Jacob, pelo menos.

“Você acha que eu quero vê-lo?!” Eu explodi, sem conseguir me controlar.

Foi a vez dele explodir, jogando suas mãos para o alto. Ele olhava no fundo dos meus olhos, mas, ainda assim, não parecia ver do que havia acabado de me acusar.

“Eu não sei, Bella, porque, até momentos atrás, eu nem sabia que você queria tanto ver os tão preciosos Cullens de novo!”

"Sério mesmo, Jacob?” Senti meus olhos arderem e desviei meu rosto para que ele não visse. “Se é assim que você vai agir, então estou indo embora. Emily e Sam com certeza irão me tratar melhor do que isso. Vou voltar pra casa deles e esperar lá até a hora do encontro.” Pontuei. “Saia do meu carro. Agora!”

Segundos se passaram, onde tudo o que eu podia ouvir era meu coração batendo em meus ouvidos. Eu não conseguia nem olhar para Jacob, encarando algum ponto distante nas árvores ao redor, ao invés disso.

“Me faça.”

Eu bufei, estupefata. “Como é?”

Jacob tinha os olhos cravados em mim tão profundamente, que me desarmou completamente. Sua mandíbula se projetava para frente, me desafiando. “Eu disse para me fazer sair. Ou tentar.” Completou ele. “Se conseguir, eu desisto, e você pode ir.”

Bufei de novo, sem acreditar no que eu ouvia. Como podia ser tão arrogante? Tudo que eu desejava era dar um soco naquela cara presunçosa, mas, ao invés disso, me inclinei sobre ele o suficiente para abrir a porta do carro, ao mesmo tempo que tentava empurrá-lo para fora com toda a minha força.

Ele não se moveu um centímetro sequer! Rosnei, irritada com toda aquela coisa de magia, super força, e como aquilo era injusto comigo. Por que todo mundo podia fazer o que queria, e eu tinha que ser a única fraca? Como o mundo podia ser injusto daquela forma?

Em um último esforço para fazê-lo sair, me coloquei de joelhos no banco, e joguei toda a força de meu corpo em minhas duas mãos, que empurravam o seu ombro. Jacob apenas observou o meu esforço, e riu quando minhas mãos escorregaram e caí no seu colo.

“Isso. Não. É. Justo. Jacob!” Guinchei, pontuando cada palavra com um soco em suas pernas antes de me afastar dele, respirando pesado.

Captei um olhar louco que passou por seus olhos por um momento, antes que ele fechasse a porta com um puxão.

“Eu vou te mostrar o que não é justo.” Grunhiu com a voz grossa, me girando em um único movimento, e me empurrando de costas contra o banco do carro.

Logo em seguida, ele estava sobre mim. Com apenas uma de suas mãos, ele prendeu meus dois braços em algum lugar acima da minha cabeça, me trancando naquela prisão de puro fogo. Seu rosto estava a centímetros do meu, e pude sentir sua respiração pesada e quente em minha pele. Olhando em seus olhos, naquele momento que mais pareceu uma eternidade, vi minha raiva refletida na dele. Mas havia algo mais; algo que, nos segundos que passaram, se transformou, lentamente, em luxúria.

“Não é justo que você cheire tão bem. Não é justo que eu não consiga deixar de querer estar assim com você, mesmo quando você me deixa irado. Não é justo que, enquanto estamos juntos, eu não consiga parar de me perguntar se você já esteve assim com ele, algum dia.”

Eu congelei, sem saber como reagir a sua frase. Percebi que nós não havíamos falado sobre os detalhes do meu relacionamento com Edward, então ele não sabia que…

“Jake, eu…” Eu comecei, mas perdi o ar quando seus lábios tocaram a pele exposta do meu pescoço, me perdendo naquela sensação. Seus lábios macios e quentes, exploraram a minha pele com paixão, e eu não consegui segurar o som que saiu de meus lábios.

Jacob se afastou, me encarando por vários segundos, em silêncio, como se estivesse tentando registar o som que eu havia feito. Até que, como se algum tipo de interruptor tivesse desligado em sua mente, ele pareceu perder o controle.

Sua boca capturou a minha com força, quase como se quisesse me mostrar a sua raiva. Sua língua entrou em minha boca sem permissão, me forçando a lhe conceder a entrada, e explorando cada canto, cada espaço vazio, como se quisesse apagar qualquer vestígio de já ter pertencido a qualquer outro.

“Ele te beijou desse jeito?” Sua voz rouca soou quase ameaçadora, e eu estremeci.

Sua língua passou pelo contorno da minha mandíbula; Seus beijos fazendo uma trilha pelo meu pescoço e subindo pela minha orelha. Cada pedacinho do meu corpo se derreteu, e eu perdi qualquer linha de raciocínio.

“Ele te fez sentir assim?” Perguntou, sugando a parte macia do meu pescoço e me fazendo arquejar.

Eu estava completamente rendida a ele em questão de segundos. Seu corpo em chamas fazia cada célula do meu gritar e implorar por mais; nossa discussão completamente esquecida.

Dessa vez, Jake pareceu querer uma resposta verbal para sua pergunta, porque ele não avançou mais, e aquilo me fez ficar irritada. Eu tentei soltar um dos meus braços, mas ele apenas segurou-os com mais força, voltando o seu rosto a ficar a centímetros do meu, seus olhos presos em mim.

Tentei achar minha voz, e a frustração era palpável quando disse “Não, ele não fez.”

Aquilo trouxe um sorriso malicioso ao seu rosto. Era quase presunçoso, e eu quis apagá-lo com a minha boca. Ele achava que só ele podia provocar?

Me inclinando da maneira que pude, alcancei a sua boca, beijando-o com força. Empurrei minha língua entre os seus lábios, como nunca havia feito antes, e forcei-os a abrir passagem para mim. Logo, ele desistiu; sua mão liberou as minhas, e eu pude passar meus braços ao redor de seu pescoço, para finalmente atacá-lo da mesma forma que havia feito comigo.

Puxando seu cabelo, mordisquei o seu lábio inferior, fazendo-o grunhir para mim. Aquilo só me fez avançar mais, desci meus beijos por seu pescoço, enquanto passava minha mão livre por baixo de sua camisa branca, para poder tocar suas costas.

Quando o arranhei, ele nos girou novamente, me colocando sentada em seu colo, de frente para ele. Suas mãos tiraram os fios de cabelos do meu rosto, antes de atacar a minha boca novamente. Eu me perdi em seus lábios, incapaz de pensar em alguma coisa que pudesse se comparar ao fogo que eles proporcionavam em meu corpo inteiro.

Raiva, ciúme e desejo se misturavam em nossos lábios, como se um tentasse subjugar o outro. Quando eu senti sua mão subir e descer em minhas costas, fazendo o contorno do meu corpo como se quisesse memorizá-lo, me arrepiei e senti minha determinação falhar.

Perdi o ar, e tive que lutar para liberar minha boca da dele para poder me afastar o suficiente. Naqueles poucos segundos de pausa, pude ter uma visão completa de Jacob.

Sua pele morena estava levemente avermelhada, seus lábios inchados, e seu olhar cheio de desejo e devoção. Ele parecia estar pegando fogo de dentro para fora, assim como eu. Jacob passou a beijar meu pescoço e, empurrando minha camiseta para o lado, alcançou meus ombros, mordiscando-os levemente, e causando mais arrepios em minha pele.

Seus beijos se tornaram mais leves, menos agressivos do que antes, e eu aproveitei para tentar estabilizar meus batimentos cardíacos, enquanto aproveitava a sensação que os seus lábios quentes me traziam.

Eu puxei seu rosto, grudando nossas testas juntas, deixando que ele também se recuperasse. Jacob fechou os olhos por um momento, apenas respirando pesadamente; suas mãos pararam em minha cintura. Minhas pernas ainda estavam ao redor de seu corpo, e eu senti minhas bochechas esquentarem, ao notar que as janelas da caminhonete estavam embaçadas.

“Jake…” Chamei-o devagar, esperando-o abrir os seus olhos. Passando minhas mãos por seu pescoço, mantendo seu rosto colado ao meu. “Você pode confiar em mim?” Minha voz estava rouca depois dos acontecimentos dos minutos anteriores, e Jacob apenas me olhou de volta; a raiva completamente esquecida. Tomei aquilo como encorajamento para continuar.

“Eu fiz minha escolha. Minha escolha é você, e eu não vou voltar atrás nisso.”

Jake fechou os olhos novamente. Suas mãos seguraram minha cintura mais firmemente, e eu pude ver a culpa e a preocupação aparecerem em seu rosto, antes calmo. Suspirei profundamente antes de continuar.

“Sei que existe a possibilidade de eu ter um ataque de pânico, ou algo assim, mas você me prometeu que estaria comigo, e, por isso, não estou preocupada. Por que eu confio em você!”

Seus olhos se abriram novamente quando terminei de falar, e eles nos separou o suficiente para baixar a cabeça, não querendo olhar para mim.

“Eu só estava sendo um idiota com ciúmes, me desculpa.” Jacob murmurou e depois de alguns momentos em silêncio, olhou de volta para mim e pude ver os traços infantis que seu corpo de transmorfo geralmente escondia. “É só que… Só de pensar que posso te perder; que ele pode tentar tirá-la de mim…”

Seu corpo estremeceu. Toquei seu rosto novamente, fazendo-o focar seus olhos nos meus.

“Preciso que pare de pensar no que ele pode fazer, e comece a pensar em nós. Ele fez a sua escolha, e eu fiz a minha. Mas preciso que você esteja comigo, porque eu não posso fazer isso sozinha.”

Notas finais
O que acharam da pequena cena SPICY?? Jacob pode ser um idiota algumas vezes também, mas se ele for um idiota desse jeito, eu acho que eu não me importo hahahaha Semana que vem tem mais um capitulo e vamos diretamente na reunião com os Cullens! QUERO TEORIAS! O que acham que a Bella deve fazer durante essa reunião? Ela vai ficar do lado dos lobos ou vai pular nos braços dos Cullens? E o Jacob? Vai conseguir se segurar ao ver a cara do Edward? Fico esperando os comentários! beijos