Notas iniciais
Boa tarde leitores, tudo bem com vocês? Espero que estejam ansiosos, porque o que esse capitulo é o setting perfeito para uma das minhas cenas favoritas até agora na fanfic. This is gonna be AWESOME! Boa leitura

“It wasn't hard to be with her—after all, we

were both wolf girls now.”

Bella about Emily

Quando Sam disse “Não façam planos para esta noite”, o façam, não incluía a mim.

Isso ficou claro quando, algumas horas mais tarde, Jacob me dirigiu até em casa, se transformou, e saiu floresta adentro, sem nem dizer para onde, exatamente, estava indo — onde encontrariam os Cullen para conversar sobre o que quer que sabiam sobre Victoria.

Alguns meses antes, eu até teria arriscado entrar na floresta para tentar encontrá-los, mas, meu recém descoberto senso de autopreservação, e o olhar que Sam lançou em minha direção quando saímos de sua casa, mais cedo, me fizeram afundar no sofá, emburrada, com um pote de sorvete que desenterrei do congelador.

Não entendia exatamente o motivo pelo qual Sam havia se recusado a me deixar participar do tal “encontro” que teriam com os Cullen, afinal, qualquer que fosse o assunto, eu era a maior afetada por ele, tendo em vista que era a mim, que a psicopata queria.

Eu iria fazer com que Jacob me contasse todo e qualquer detalhe do que fosse discutido, de qualquer forma, mesmo que tivesse de ser persuasiva.

O lobo em questão, porém, parecia saber exatamente quais eram os meus planos, pois não apareceu para dormir ao meu lado naquela noite.

Sozinha, preocupada, e morrendo de curiosidade, acabei passando grande parte da noite em claro. Talvez ter tomado o pote inteiro de sorvete também não tenha ajudado em nada, pensei enquanto tentava me forçar a dormir; o açúcar me deixou mais desperta do que eu gostaria.

Quando finalmente caí no sono, pela primeira vez em semanas fui envolvida por um pesadelo.

A pequena casa de Emily e Sam estava completamente tomada por manchas vermelhas, no tom profundo e familiar de sangue. As paredes, o chão, e os móveis estavam todos cobertos por uma camada grossa do líquido vermelho. Tentei chamar por Jacob, gritando seu nome repetidamente, e abrindo as portas de todos os cômodos à sua procura, mas sem sucesso.

Eu sentia um vazio absurdo dentro de mim, como se não conseguisse respirar, e sabia exatamente o que aquilo significava.

Ainda assim, me recusei a acreditar.

Segui a passos lentos até o fim do corredor, e hesitei antes de abrir a porta do último cômodo. Me senti nauseada apenas ao imaginar o que encontraria atrás daquela porta, mas sabia que precisava abri-la. Eu precisava confirmar o que o peso em meu peito parecia gritar para mim.

Ela estava lá. A mesma Leah de antes, porém, desta vez, não estava respirando. Apesar de Sue ter cuidado de seus ferimentos, e ter dito que a maioria já havia começado a se curar, ali estava ela, imóvel e tão pálida que sua imagem era doentia, como se todo o seu sangue tivesse se esvaído de seu corpo. Com o tamanho da mancha vermelha na cama, embaixo dela, eu não duvidava que tivesse.

Me virei para sair do quarto, tentando segurar o grito que se formava em minha garganta, e, o que encontrei atrás de mim, fez com que todo e qualquer som que eu pudesse reproduzir, sumisse.

Ali estava ela. Descalça; com as roupas manchadas de escarlate; cabelos ruivos esvoaçantes, e olhos mais vermelhos do que nunca.

Acordei com Charlie batendo na porta, perguntando se eu queria almoçar fora. Ainda grogue de sono, e um pouco confusa por ter dormido até tão tarde, respondi que sim, e me joguei para fora da cama em seguida, ansiosa para apagar qualquer vestígio do pesadelo que tive.

Charlie e eu tínhamos definições bem diferentes para ‘almoçar fora’. Em uma tarde de domingo, não era surpresa que, para ele, aquilo apenas significava um brunch na lanchonete da Cora, no centro de Forks.

Não que eu estivesse reclamando; eu havia descoberto recentemente que o especial da casa vinha com ovos, panquecas e tater tots feitos a mão, que eu tinha que admitir, eram os melhores que eu tinha comido na minha vida. Ainda assim, não era exatamente o que imaginei comer quando Charlie ofereceu almoçarmos fora.

Quando voltamos para casa, Jacob esperava por nós, sentado nos degraus da frente.

“Jacob, finalmente apareceu!” Exclamou Charlie, cumprimentando-o. “Estava estranhando o fato de não estarem grudados um no outro o fim de semana todo, como de costume.”

“Achei que Bella precisava passar mais tempo em casa, com você.” Jake respondeu, claramente inventando uma desculpa fajuta, antes de se levantar. “Não é justo que eu roube sua filha o tempo inteiro.”

Charlie riu, dando um tapinha nas costas do mais novo quando passou por ele.

Você pode roubar minha filha quanto quiser.” garantiu, com um sorriso. “Ainda assim, é bom ser respeitado, pra variar.”

“Eu apreciaria muito se não falassem de mim como se eu não estivesse aqui.” Resmunguei, não gostando do modo como Jacob parecia mais seu filho do que eu.

“Não seja dramática, Bells.” Disse Charlie, antes de — para minha surpresa -, se inclinar em minha direção e plantar um beijo na minha bochecha. “Se divirta com o seu namorado. E não chegue em casa muito tarde, você tem aula amanhã.”

Ele não esperou por uma resposta antes de entrar em casa, me deixando para trás, completamente boquiaberta. Não podia negar que aquele negócio de namorar o filho do melhor amigo do meu pai tinha suas vantagens. Nunca, em todo o meu relacionamento com o Edward, Charlie havia agido daquela maneira tão liberal.

Não havia dúvida alguma de que ele confiava em Jacob cegamente.

Jake exibia um sorriso presunçoso enquanto olhava para a minha expressão atordoada; O cafajeste sabia do que era capaz.

“Como foi o almoço com o Charlie?” Perguntou graciosamente, pescando minha mão e me puxando para si. Cambaleei, tropeçando em meus próprios pés, antes de me chocar contra seu peito. Perdi o ar e, enquanto tentava me recuperar, me perguntei se ele fazia aquilo de propósito.

Não era possível que ele não soubesse quão consciente eu estava de seu corpo desde daquela noite que dormimos na sua casa. Mesmo com a camiseta preta e o jeans rasgados que vestia, eu ainda conseguia ver — e sentir — cada um de seus músculos poderosos sob o tecido. Se não soubesse melhor, poderia até mesmo dizer que ele havia ficado ainda mais forte nas últimas semanas.

Engoli em seco, tentando me recompor, enquanto me afastava dele.

“Foi bom. Mas não pense, nem por um segundo, que irá conseguir me distrair.” Ameacei, estreitando os olhos em sua direção. “Quero saber todos os detalhes do que aconteceu na noite passada.”

O sorriso presunçoso se transformou em seu famoso sorriso de sol — aquele que conseguia iluminar qualquer ambiente -, e ele enlaçou minha cintura com os braços, grudando nossos corpos. Meu coração parecia que queria sair pela boca.

“Isso é um desafio?”

“Não. É uma demanda." Retruquei no mesmo tom.

“Parece mais um desafio." respondeu, sua língua passando pelos lábios uma vez, antes de, deliberadamente, se inclinar em minha direção.

Todo o ar de meus pulmões se foi com apenas um toque de seus lábios quentes. Eles tocaram os meus levemente, antes de capturar minha boca por completo. Jacob trabalhou devagar, tomando todo o tempo do mundo, como se estivesse, não apenas saboreando a minha boca, mas também, tentando me torturar.

Sua língua quente contornou meu lábio inferior, e eu senti minhas pernas tremerem; senti seus lábios curvarem sob os meus, sorrindo, satisfeito com a reação que causava em meu corpo.

“Senti sua falta.” ele sussurrou, e aquilo fez o meu corpo todo esquentar rapidamente.

Eu não poderia deixá-lo me reduzir a uma poça, toda vez que tentasse me persuadir.

Era óbvio que o meu corpo reagia à sua temperatura; aos seus músculos; ao seu aperto forte em minha cintura, e o desejo em seus olhos, mas, naquele momento, aquele beijo, não era apenas mais um dos nossos beijos. Não, aquele beijo era um campo de batalha, que retratava o desafio de um para o outro, ambos tentando ver quem seria o vencedor.

Passando os braços ao redor de seu pescoço, tentei tomar algum controle sobre a minha mente, que parecia, aos poucos, se tornar geleia.

Mesmo estando consciente de que ainda estávamos em frente a minha casa, completamente expostos a todos os olhares curiosos de vizinhos, e principalmente de Charlie, decidi, naquele instante, que não perderia para ele.

Jacob era alto, e seu corpo cobria o meu toda vez que nos beijávamos daquela maneira; entretanto, eu conseguiria usar aquilo a minha vantagem. Firmando os pés no chão, me empurrei para cima e entrelacei os dedos nos cabelos curtos de sua nuca, puxando-o para mim.

Nossos lábios se chocaram com ainda mais força, e foi a minha vez de atacá-lo, aproveitando o momento de surpresa. Beijei-o profundamente, tentando lembrar — e copiar — todas as coisas que eu adorava quando ele fazia. Logo suas mãos famintas também ganharam vida, e começaram a acariciar meu corpo, me fazendo ganhar ainda mais confiança.

Passei a língua por seus lábios, como ele havia feito comigo há poucos segundos, antes de mordiscar o local. Grudando cada centímetro de nossos corpos juntos, prendi o seu lábio inferior entre os meus, e suguei com força, arrancando, por fim, um gemido dele. O som rouco veio direto de seu peito, e eu poderia jurar que soou quase como um rosnado.

Foi a minha vez de sorrir, presunçosa.

“Você está trapaceando, Swan.” Sua voz rouca soou a milímetros da minha boca, seu hálito quente batendo em meu rosto.

“Não. Estou jogando exatamente como você.” Respondi, selando nossos lábios mais uma vez.

Ele riu baixinho. “Então está trapaceando.”

Dessa vez foi a minha vez de rir. Entrelacei nossos dedos, e puxei-o em direção à caminhonete. Ele não resistiu, apenas se deixando ser levado por mim. Quando pulei para o banco do motorista, ele me empurrou para o lado — me fazendo deslizar pelo banco -, e tomou o meu lugar.

Seguimos até La Push e paramos na sua garagem. Ele parecia ansioso para me mostrar o seu rabbit — que, segundo ele, estava quase pronto -, parecendo uma criança em uma loja de brinquedos.

Ele conseguiu me distrair por um tempo, explicando quais peças faltavam para terminar, e que pretendia me levar para dar uma volta assim que estivesse rodando, mas não pode fugir mais do assunto quando, finalmente, se sentou ao meu lado no pequeno sofá velho da garagem.

“Então…” Comecei, esperançosa, olhando-o com olhos pedintes. Jake não precisou perguntar para saber exatamente sobre o que eu queria falar.

Ele deu um longo suspiro.

“Bom, primeiramente, acho que ficará feliz em saber que Sam decidiu limitar as patrulhas em Forks.” Disse de mal gosto, sem olhar para mim.

Um misto de emoções tomou o meu peito, especialmente ao ver quão decepcionado ele parecia ao dar aquelas noticias. Era verdade que nós dois discordamos naquele assunto, mas eu não me senti uma vencedora naquele momento.

“Eu não sei se ‘feliz’ é a palavra que usaria para descrever.” disse, sem pestanejar. “Mas devo admitir que estou grata por ele ter tomado esta decisão.”

“É, o Doutor Presas foi bem persuasivo sobre este assunto. Quase persuasivo demais.”

Eu estranhei o seu tom, observando seu rosto por um momento, e notando uma expressão diferente tomá-lo.

“O quê? Você acha que estão pressionando este assunto por alguma outra razão além do nosso bem?””

“Eles não têm razão alguma para fazer algo considerando o nosso bem, Bella. São nossos inimigos naturais; é claro que suspeito de tudo que fazem.” Jacob respondeu, duramente. “Mas, depois de uma longa conversa com o conselho, Sam acredita que nada de errado poderia vir dessa decisão. Ele diz que, mesmo se ficarmos escondidos na floresta, longe da escola, eles não conseguiriam passar por nós.”

“E você discorda.” Afirmei, observando o modo como sua expressão parecia mais frustrada a cada palavra que dizia.

“Não me leve a mal, eu confio no poder do bando.” Ele sorriu de lado, afirmando. “Mas não consigo me fazer confiar em algo que os Cullen digam, não importa o que seja. Não depois do que fizeram à você.”

Suspirei, pesadamente; Eu conseguia entender os sentimentos de Jacob naquele ponto. Ele, afinal, havia sido quem me curou quando estava completamente destruída. Jacob havia visto, em primeira mão, o que aconteceu quando fui deixada para trás; quando esqueceram todas as promessas que haviam feito para mim.

Eu não podia culpá-lo por não confiar neles, mesmo que nós não tivéssemos o luxo de tal coisa, no momento.

“E foi só isso? Todo aquele suspense, só para falar disso?”

“É claro que não.” Jacob bufou, “Se fosse só isso, Sam nunca teria concordado em um encontro. Um telefonema bastaria.”

“Então a reunião foi sobre o que, exatamente?”

“Você se lembra das notícias que estava assistindo na televisão, ontem?”

Eu assenti, lembrando da imagem desfocada da criança, retorcida no chão sujo de Seattle.

“Eles pensam que são mais do que apenas assassinatos. Aparentemente, o loiro esquisito que controla emoções-”

“Jasper?”

“É, esse aí. Ele pensa como você, e tem certeza que isso é coisa de sanguessugas. Eles queriam nos encontrar porque está acontecendo perto demais daqui, e pode acabar nos afetando.”

“Espera, você está me dizendo que os ataques de Seattle são, realmente, obra de vampiros?”

“Sim, e do tipo novo, que não sabe controlar o que faz.” Ele respondeu, com asco pingando de suas palavras. “Para ser sincero, essa reunião só me fez ficar com mais vontade de acabar com a raça de todos esses seres nojentos.”

Senti todo o meu corpo tensionar, enquanto meu coração bateu tão forte em meu peito que mal consegui ouvir o que Jacob dizia. Havia mais vampiros por perto, e esses não viam problemas em matar uma criança inocente, em um beco.

Meu estômago revirou, como formigas correndo ao redor de um pedaço de comida deixado no chão. Mais uma coisa para entrar na minha lista, já extensa, de medos.

“E-E por que Carlisle acha que isso pode nos afetar?" Quando finalmente perguntei, depois de alguns momentos em silêncio, minha voz estava seca, e Jacob, é claro, não deixou de notar isso.

“Não precisa ficar com medo, Bells. Nenhum deles tem a menor chance de chegar perto de você, enquanto estivermos por perto.” Ele me assegurou, segurando minha mão entre as suas. “O Doutor Presas queria nos avisar para que fiquemos ainda mais alertas; e não apenas focados na psicopata. Eles estão preocupados que todos esses ataques possam atrair a atenção de uns outros parasitas barra pesada.”

Aquilo chamou a minha atenção. “Barra pesada?”

“Acho que os chamaram Volturi, ou algo assim; um nome italiano. Você sabia que, até mesmo parasitas, têm um tipo de polícia?” Ele zombou, balançando a cabeça, claramente achando aquela uma ideia bizarra.

O nome me levou de volta há meses antes, no dia do meu aniversário de dezoito anos, quando Edward me contou sobre a “realeza” dos vampiros; sobre suas regras, e o fato de Carlisle ter passado alguns anos com eles, antes de decidir seguir em frente. Tentei não pensar sobre o fato de ter me prometido que, se eu viesse a morrer, ele iria até eles pedir para ser morto.

“O quê?” Questionou Jacob, provavelmente, vendo a expressão tensa em meu rosto. “Vai me dizer que você conhece esses caras?”

“Edward me falou sobre eles, uma vez. Havia me esquecido completamente que eles existiam.” Revelei, tentando não focar nas memórias que tomaram minha mente.

“Parece que não são boa coisa. Segundo eles, se esses italianos vierem ver o que está acontecendo, as coisas poderiam ficar ainda piores para todos nós.” Jacob deu de ombros, não parecendo acreditar muito naquilo. “Os Cullen parecem querer evitar um encontro com eles a todo custo.”

Me perguntei se aquilo era apenas suposição dele, ou se era verdade. Eu não havia encontrado com muitos vampiros que não faziam parte da ‘dieta’ especial dos Cullen, e os únicos que eu havia encontrado tentaram me matar. Aquilo não me dava muita margem para especular se era mesmo necessário evitar a aristocrática família Volturi, ou se havia algo que os Cullens poderiam estar querendo esconder.

Eu dei de ombros, deixando o pensamento de lado. Apesar de curiosa, eu não tinha vontade alguma de falar com qualquer um deles para tirar as minhas dúvidas.

“Acho que todos já temos problemas demais.” Afirmei em tom que deixava claro que queria encerrar aquele assunto e me espreguicei. “Se pudermos evitar mais um, ficarei grata.”

Nisso Jacob concordou. Depois de alguns minutos em silêncio, onde ambos tentamos absorver toda a nova informação, lembrei do plano que havia bolado mais cedo para tirar informações dele.

“E depois da reunião? Por que não foi para a minha casa?” Resmunguei, olhando para baixo. “Tive um pesadelo, sem você lá.”

Apesar de não ser sua culpa, eu poderia muito bem usar as cartas que tinha ao meu favor. Entretanto, não pude deixar de me sentir culpada quando sua expressão mudou completamente.

Foi como se um soco invisível atingisse seu estômago, e eu, imediatamente, me arrependi de ter usado aquilo contra ele.

“Pesadelo? O que você sonhou?” Sua voz soava quase desesperada, e eu tive que me segurar para não desistir e pedir desculpas por ter jogado aquilo na cara dele.

“Tinha sangue por toda parte. Leah estava morta, e eu não conseguia te encontrar em lugar algum.” Eu consegui dizer, e aquilo pareceu quebrar ainda mais Jacob. Ele passou os braços ao meu redor, e eu enterrei meu rosto em seu peito, enquanto me abraçava com força.

“O que aconteceu ontem te afetou mesmo, não é?” perguntou, me afastando dele apenas para poder olhar em meu rosto. “Mas você não precisa se preocupar, Leah já está de pé, e mal-humorada como sempre.”

“Não é como se eu pudesse evitar.” Respondi, dando de ombros. “Mesmo que esteja de pé, as coisas ainda não estão bem entre ela, Sam e Emily, não é?”

Aquilo fez Jacob suspirar.

“Mas não há nada que possamos fazer quanto a isso. Essa briga é algo que eles precisam resolver entre si. Se estressar com isso é besteira.”

Eu encolhi os ombros, sabendo que era verdade. Eu vivia falando sobre Jacob e os meninos, como eram fofoqueiros e intrometidos, e ali estava eu, fazendo a mesma coisa.

“Posso ao menos visitar Emily, hoje? Talvez eu possa ajudá-la com algo, imagino que também esteja abalada com tudo que aconteceu ontem.”

Jacob riu, me olhando de lado, como se eu tivesse dito algo absurdo.

“Você pode fazer o que quiser, Bells. Não tem que pedir minha permissão.” Ele me ofereceu o seu melhor sorriso. “Sou seu namorado, não seu dono.”

Aquilo me atingiu como um tapa.

Encarei-o, atordoada com a afirmação. Levei mais alguns segundos para notar que ele estava certo, e que, sem perceber, eu estava mesmo lhe pedindo permissão.

Me perguntei de onde aquele hábito havia surgido, e senti minhas bochechas corarem quando percebi que eu o havia criado meses atrás, quando cada passo que eu dava, era vigiado por Edward.

“Só peço que fique em La Push, onde sei que estará protegida da psicopata.” Ele adicionou, dando um beijo estalado no topo da minha cabeça, antes de se levantar e voltar a mexer no rabbit.

Eu concordei de bom grado.

Ali, sentada no sofá sujo de sua garagem quente, senti um peso — que eu não fazia ideia que existia — sair de meus ombros. Era como se correntes invisíveis, que me acorrentavam ao passado, tivessem sido quebradas. Subitamente, senti uma sensação de liberdade que nunca havia sentido antes, como se eu tivesse retomado o controle sobre mim mesma, depois de tanto tempo, e aquilo era, para dizer o mínimo, estranho.

Como eu nunca havia notado que me submetia a ser controlada, o tempo todo? Nunca havia passado pela minha mente que eu poderia ter alguém que me protegia, e que, ao mesmo tempo, me deixasse fazer o que eu quisesse.

Atordoada com a bomba de sentimentos que me apossou, encarei Jacob, que estava completamente alheio à mudança que havia causado em mim, e não pude deixar de atacá-lo, pela segunda vez naquele dia, pegando-o de surpresa quando o enchi de beijos.

Jacob decidiu tirar uma soneca no sofá de sua casa, enquanto eu saía para visitar Emily, conforme combinado. Apesar de querer passar o máximo do meu tempo livre com ele, decidi que precisava ir vê-la sozinha. Eu sabia que Jacob jamais trataria Emily com menos respeito do que ela merecia, porém, às vezes, ele podia ser um tanto… sem tato.

Eu teria batido na porta, se a mesma não estivesse escancarada, e do lado de dentro não estivessem ligados tanto o liquidificador, quanto a batedeira, ambos fazendo um barulho tão alto, que seria impossível me escutar, de qualquer forma.

Incerta, entrei na casa. Estava completamente vazia, com exceção da cozinha. Lá, encontrei Emily, trajando seu avental de cozinha habitual, ao lado de uma pilha de panelas, travessas e potes que se empilhavam por todos os balcões.

Um furacão parecia ter passado por ali.

Esperei até que desligasse os dois eletrodomésticos, antes de chamar sua atenção. Não queria pegá-la de surpresa.

“Ah, Bella! O que está fazendo por aqui?” Ela perguntou, limpando o rosto com o guardanapo de pano que estava pendurado em seu ombro. “Onde está o Jake?”

“Quis dar uma passada aqui para ver como você está, então o deixei tirando um cochilo.”

O sorriso que Emily me ofereceu de volta pareceu ensaiado. Mesmo que sua boca nunca subisse mais do que alguns centímetros, por causa do ferimento em seu rosto, eu sabia que aquele não era seu sorriso verdadeiro.

“Não precisava, Bella, eu estou ótima! Na correria para deixar algumas coisas preparadas para a semana, mas bem.” Respondeu, apontando para uma pilha de potes de vidro, já preenchidos com comida. “Não é fácil alimentar um bando inteiro.”

“Tudo isso é para eles?” Perguntei, me aproximando do balcão. Dentro dos potes, notei vários tipos diferentes de carnes sendo marinadas e diversos vegetais pré cozidos.

Ela concordou, e passou a me mostrar tudo que havia saído para comprar mais cedo, e como precisava deixar tudo já lavado e pronto para o uso, para que pudesse preparar a comida mais facilmente durante a semana.

“Espero que os meninos estejam contribuindo para a sua despesa.” Eu disse, abismada com a quantidade de comida que havia ali.

“Eles sempre ajudam com algo.” Ela sorriu para mim, voltando a mexer no conteúdo do liquidificador. “E o conselho contribui, também.”

Ela falava em um tom suave, contudo, seus braços se moviam sem parar, e eu quase podia ver seu cérebro trabalhando a todo vapor, decidindo a ordem em que faria todas as coisas que precisava.

“Emily, por que não se senta, um pouco, sim?” sugeri, parando ao seu lado depois de notar que, apesar de ocupada, ela não parecia ter a mesma energia que sempre exibia. “Deixe que eu continue para você, enquanto descansa por um tempo.”

O meu pedido definitivamente pegou-a de surpresa, pois ela quase derrubou o pote em que despejava o conteúdo do liquidificador.

“Descansar?” Ela perguntou, atordoada. Tinha um olhar confuso no rosto, como se eu tivesse acabado de pronunciar uma palavra em outra língua.

“Sim. Acho que eu não estou contribuindo, nem fazendo minha parte como uma das garotas-lobo. Então você pode se sentar bem aqui,-” Eu puxei uma das cadeiras da mesa e a guiei até a mesma. “- enquanto faço o seu trabalho de hoje.”

“Bella, você não precisa…”

“Eu insisto! Você sempre cuida de todo mundo, por que não me deixa cuidar de você, hm?” Eu a cortei, puxando as mangas de minha camisa para cima dos cotovelos. “Quer tomar um chá? Eu faço um para você, rapidinho.”

Ela ainda parecia atordoada quando depositei uma xícara de chá, quentinho, na mesa a sua frente. A princípio, pareceu um pouco incomodada, mas, depois de alguns minutos sentada, podendo relaxar e apenas distribuir ordens, ela pareceu mais à vontade, e feliz, enquanto apreciava chá atrás de chá.

Nós passamos horas assim, conversando sobre as receitas que ela pretendia fazer, e sobre as poucas que eu conhecia. Notei como era fácil ficar em sua presença; a conversa nunca acabava, apesar de ser óbvio que seu coração não estava completamente ali. Quanto mais conversamos, mais pude notar quão abalada Emily ainda estava com a situação da noite anterior. Ainda assim, não consegui me fazer entrar naquele assunto, imaginando que, se quisesse, ela mesma o teria feito.

“Fico feliz em saber que você é uma boa cozinheira, Bella. Isso me dá várias ideias.” Ela admitiu, enquanto eu acabava de lavar a última panela que restava na pia.

“Saiba que estou à sua disposição, quando precisar.” Exclamei, com um sorriso. “Já está mais do que na hora de começar a fazer minha parte. Parece que estou sempre nos cantos dependendo de todos, e nunca contribuo com nada.”

“Isso não é verdade. Você cuida do Jacob, e isso é mais do que suficiente.” Ela disse, me pegando de surpresa. “Além do mais, somos uma família; não há uma taxa de participação, Bella.”

“Ainda assim, eu me sentiria melhor se contribuísse de alguma forma com o bando. Todo mundo parece sempre estar fazendo algo enquanto tudo o que faço é esperar.”

“Eu sei como se sente.” Ela disse, baixinho, parecendo ocupada com uma linha que se desprendia de sua roupa. “Mas não precisa se preocupar com esse tipo de coisa por aqui. Ninguém vai exigir nada de você.”

Quando as cinco assadeiras de cookies estavam prontas e descansando sobre o balcão, me juntei à ela junto a mesa, e nós trocamos o chá por xícaras de chocolate quente.

“Obrigada por ter me ajudado, Bella.” comentou ela, sorrindo distraidamente. “Com todas estas coisas feitas, tenho mais tempo para ajeitar tudo para a chegada de minha irmã, que virá nos visitar esta semana.”

“Ela mora em outra tribo, não é?” perguntei, tentando lembrar o seu nome. “Me lembro de Jake ter mencionado isso, alguma vez.”

“Sim, ela mora na tribo Makah.” explicou. “Não é muito longe daqui — apenas uns quarenta minutos -, mas não é sempre que conseguimos passar um tempo juntas.”

“Deve ser difícil para você ficar longe de sua família." Eu disse, analisando a expressão triste que tomou seu rosto, mas que ela logo tentou esconder com um dos seus sorrisos calmos.

“Nem tanto, os meninos estão sempre entrando e saindo daqui, e eu estou sempre muito ocupada, então não noto.” Ela assegurou. “Mas não posso deixar de admitir que estou ansiosa para vê-la. Ela trará minhas sobrinhas, também.”

“Eu não sabia que você tinha sobrinhas!” Exclamei, animada ao ver seus olhos brilharem pela primeira vez naquele dia. “Quantos anos elas têm?"

“A mais velha tem treze.” Contou, sorrindo orgulhosa. “E a mais nova dois.”

“Dois? Mas ela acabou de ter o bebe, então!”

“Sim, mas está crescendo tão rápido. Eu disse a Elena outro dia, que precisamos apenas piscar, e ela já está andando e falando.” comentou, com um sorriso. “Parece até que foi ontem que ela nasceu.”

Emily continuou a contar cada detalhe que conseguia lembrar sobre suas sobrinhas e sua irmã, Elena, visivelmente mais animada do que quando eu cheguei. Dava para ver, apenas pelo modo que falava, que ela amava muito as duas, e que estava muito feliz por tê-las ali por alguns dias.

Achei que aquela visita seria boa para Emily, sabendo que, apesar de ter dito que estava ocupada demais para se sentir sozinha, não devia ser fácil para ela se manter afastada do mundo, guardando todos aqueles segredos.

Enquanto dirigia de volta para casa de Jacob, ao pôr do sol, senti uma sensação de dever cumprido. Eu havia deixado Emily com um sorriso no rosto e a promessa de que voltaria para ajudá-la a arrumar o resto da casa para a chegada das visitas. Ela planejava fazer um grande banquete para o dia em que chegassem — que seria na próxima sexta-feira -, e, depois de todas as coisas que Emily havia me contado sobre suas sobrinhas, eu estava ansiosa para conhecê-la.

Aquela semana acabou passando mais rápido do que eu esperava. Apesar das fofocas na escola ainda não terem morrido completamente, era mais fácil ignorá-las quando tinha Angela ao meu lado.

Acabei descobrindo que não era apenas Emily quem gostava imensamente de cozinhar. Durante uma das nossas conversas, contei à ela sobre como pretendia passar as tardes em que não trabalhasse, junto à Emily, e os olhos de Angela brilharam, principalmente quando mencionei que ela faria comidas típicas da tribo Makah.

“Eu nunca comi isso!” Ela exclamou quando contei sobre como eles comiam muitos pratos feitos com carne de baleia. “Dizem que o gosto é mais parecido com carne de vaca do que de peixe.”

“Verdade?” Perguntei, enquanto andávamos juntas para a nossa próxima aula. “Por ser um animal marinho, imaginei que teria mais gosto de peixe.”

“Estranho, não é?” Disse, parecendo genuinamente curiosa sobre o assunto. “Você precisa me contar se é mesmo verdade, depois que comer.”

“Não seria melhor se eu te trouxesse um pouco?” perguntei, rindo quando ela parou de andar e agarrou o meu braço, como se eu tivesse acabado de lhe dar a melhor notícia do mundo.

“É melhor você não estar mentindo para mim, Bella! Você promete?!?”

“Claro.” dei o meu melhor sorriso para ela. “Eu tenho certeza que Emilly vai adorar compartilhar um pouco da sua comida.”

Assim, quando visitei Emily na quarta-feira, depois da escola, para começarmos a limpar a sua casa, perguntei se ela se importava em partilhar um pouco da comida que pretendia fazer na sexta-feira.

Emily bufou, rindo. “Que tipo de pergunta é essa, Bella? É claro que não me importo; você é parte da família. Não precisa pedir esse tipo de coisa”

Ri junto a ela, constrangida, sendo pega de surpresa com a sua sinceridade.

Nunca considerei a casa de Emily, nem por um momento, suja. O chão estava sempre limpo; as estantes, impecáveis; e, naquele momento, enquanto estava ao seu lado, segurando uma escova de dentes, e esfregando as frestas de suas janelas, pude ver o motivo de sua casa estar sempre arrumada.

Se Emily era considerada uma cozinheira de mão cheia, era justo dizer que ela beirava ser uma maníaca por limpeza quando se tratava de manter sua casa limpa e em ordem.

No fim do dia, enquanto terminávamos de lavar, secar, e passar todas as roupas de cama, eu já estava me sentindo extremamente envergonhada. Eu não colocava nem um terço do seu esforço em minha casa. Tentava manter uma rotina, sempre tendo certeza de lavar o banheiro e trocar as toalhas uma vez por semana, e nunca atrasava o dia de lavar a roupa, porém, nunca havia esfregado o chão com cera, como Emily fez questão de fazer. Eu tinha certeza de que nossas janelas nunca foram limpas com uma escova de dentes, focando nos detalhes.

“Você está cansada?” Perguntou Emily, provavelmente notando minha expressão de derrota.

“Não, claro que não. Você fez a maior parte, como eu poderia estar cansada?” desconversei e ela riu, concordando comigo.

“É a ansiedade.” Comentou. “Não consigo ficar parada por muito tempo quando estou ansiosa. O bom é que sempre tem algo para ser feito, com esses meninos bagunceiros saindo e entrando o tempo inteiro.”

Levantei a cabeça subitamente, encarando-a tão seriamente que Emily até mesmo parou o que estava fazendo para me observar.

“É melhor nenhum deles pensar em pisar no chão que acabamos de encerar.” Eu disse, em tom extremamente sério. “Só de imaginar aqueles pés imundos, cheios de lama pisando no nosso chão limpinho… Me dá um negócio!”

Emily gargalhou, rindo tão forte que lágrimas caíram de seus olhos. Não pude evitar rir junto a ela, feliz por vê-la de tão bom humor.

“Não deixe Jacob ouvi-la falar assim.” Comentou, ainda rindo. “Aposto que não vai querer mais que você passe seu tempo aqui.”

“Tenho certeza que ele não se importaria, de qualquer forma.” Respondi, dando de ombros, antes de trocar de assunto. “Você já decidiu quais pratos irá fazer? Eu lembro que estava indecisa entre alguns.”

Emily suspirou, parecendo desolada. “Depende se vou conseguir fazer Sam ir buscar a carne que eu preciso em Makah. Além disso, não é muito fácil, ou barato, conseguir carne de baleia. “

Dessa vez, foi a minha vez de rir. “O que você quer dizer com ‘conseguir fazer’? Eu tenho certeza que se você pedir, Sam não irá desistir até trazer o que você quer.”

Ela riu um pouco, concordando, porém, pude notar que seu olhar se tornou um pouco tristonho. Me perguntei se eu tinha dito algo de errado.

“De qualquer forma, você está convidada a vir jantar aqui na sexta.”

“Eu tenho certeza que a comida vai ser deliciosa, com ou sem baleia.” Eu afirmei, tentando animá-la um pouco.

Por fim, Sam conseguiu encontrar a carne que Emily tanto queria, e todo o nervosismo quanto aquele assunto se dissipou. Tudo estava pronto e perfeitamente planejado para a chegada da sua irmã, Elena, e de suas sobrinhas.

Se tudo saísse do jeito que Emily queria, elas teriam o melhor fim de semana de suas vidas, em La Push.

Notas finais
Bom, se você ainda não percebeu, nós já estamos em Eclipse nessa parte da fanfic, então se preparem! No próximo capitulo... MEU VOCES VAO ADORAR, Nós já estamos com mais da metade pronto, eu mal posso esperar para postar. Uma observação que eu queria fazer é que, toda a informação que colocamos sobre a tribo Makah veio de sites oficiais, então nós não estamos inventando nada. Na verdade, tem muito pouca coisa que a gente realmente inventa nessa fanfic, já que a maioria dos fatos realmente aconteceu nos livros e só estão sendo contados de um jeito diferente. Até a proxima! Gi