Notas iniciais
Olá leitores e leitoras! Como vocês estão? Cheguei esse capitulo que ficou mais light-hearted do que eu esperava. Boa leitura!

"I don't mind long stories. Is there any action?"

Jacob, Eclipse

Eu não conseguia parar de tremer. Era como se o uivo tivesse envolvido meus ossos, e os chacoalhasse, tamanha sua intensidade. A expressão de choque e preocupação que vi no rosto de Jacob ficou cravada em minha mente, e não me ajudava em nada, enquanto eu tentava me acalmar. Ver a reação negativa imediata que o uivo trouxe à ele, só fez com que meus piores medos viessem à tona.

Voltei à caminhonete e fechei a porta, tentando não pensar no que estava acontecendo naquele momento. Eu precisava ir para a casa de Emily; foi o que ele me pediu pra fazer. O silêncio, porém, era ensurdecedor. Tentei fazer meu corpo se mover, engatando o carro e tentando dirigir, mas minhas pernas tremiam demais. Não conseguia soltar a embreagem sem deixar a caminhonete morrer.

Respirei fundo algumas vezes, em uma tentativa de acalmar meu coração descontrolado, que mandava sangue demais para a minha cabeça, fazendo a mesma latejar, e o resto do corpo parecer ser feito de gelatina.

O que quer que tivesse acontecido, provavelmente era algo muito urgente. Urgente suficiente para que ele pulasse carro afora, na metade do caminho para La Push, e me deixasse para trás, sozinha.

Sozinha.

Engoli em seco; minha respiração ainda trêmula.

Não. Ele não havia simplesmente me deixado sozinha. Jacob apenas confiava que eu era capaz de me virar, enquanto ele corria para enfrentar o que quer que tenha causado aquele uivo. Se eu não estivesse tão apavorada, teria até me sentindo reconfortada com a sua confiança sobre mim. Era muito maior do que a confiança que tinha sobre mim mesma.

Meu Deus, tomara que todos estejam bem, pensei, enquanto sentia o vento e as últimas gotas de chuva baterem em meu rosto, torcendo para que aquilo me acalmasse o suficiente para fazer o carro se mover. Depois de alguns minutos ali, tentei, mais uma vez, girar a chave no console e a caminhonete ganhou vida. Com cuidado, tirei o pé da embreagem e o carro começou a se mover lentamente.

Em poucos minutos, eu voava pela estrada de La Push.

Assim que parei em frente a casa, desliguei a caminhonete e me joguei para fora, deixando todas as minhas coisas para trás.

"Emily!" gritei, enquanto batia na porta, torcendo para ela estivesse em casa, e pudesse me dar alguma notícia sobre o que estava acontecendo.

Quando a mesma abriu a porta, não pude deixar de respirar um pouco aliviada.

"Bella, está tudo bem?" Questionou, notando meu estado. "O que aconteceu? Você está toda molhada!"

"Eu estava vindo pra cá com o Jake, e aí ele ouviu um uivo e saiu correndo..." expliquei, enquanto andava de um lado para o outro na pequena varanda, em frente à casa. "Você sabe o que está acontecendo? Jacob me pediu para vir para cá e eu não sei se todos estão bem..."

"Hey! Hey, Bella!" exclamou, tentando chamar minha atenção. Quando virei para ela, minhas mãos ainda tremiam sem parar. "Se acalme! Está tudo bem! É apenas um novo lobo. Todos estão bem."

Levei alguns segundos para assimilar o que ela disse. "Jacob saiu tão apressado, sem explicar nada, que eu pensei que... Me desculpe."

Emily me ofereceu o seu meio sorriso, gentil como sempre, e me puxou para um abraço.

"Não precisa se desculpar." Garantiu, enquanto me guiava em direção à porta. "Agora venha comigo; você precisa de roupas secas, e talvez, uma xícara enorme de chá, para acalmar estes seus nervos."

Porém, antes mesmo que pudéssemos passar sob o batente batente, um novo uivo se fez presente no ar; um que trouxe arrepios não só a mim, mas também a Emily. Ela travou no lugar, e eu senti meu coração, voltar a bater acelerado.

"Ok." Murmurou Emily, fechando a porta atrás de si com mais força do que o necessário. "Isso não é bom."

Senti meu sangue gelar. Emily me encarou por um momento, seu rosto desfigurado, nunca tão sério quanto naquele momento.

"Emily?" A chamei, minha voz falhando enquanto a assisti se mover rapidamente dentro da sua própria casa. Ela sumiu em um dos quartos antes de aparecer novamente com algumas roupas em suas mãos. "Como assim 'não é bom'? O que está acontecendo?"

"Eu não sei. Esse uivo... É um dos meninos chamando os demais para se juntarem. Mais alguma coisa está acontecendo." Disse ela, me entregando a muda de roupas para que eu me trocasse, mas eu não me movi um centímetro. Eu estava atônita demais para me importar com as minhas roupas molhada.

"Como... Como você sabe?"

"Com o tempo, você vai aprender a diferenciar os uivos." Explicou, seu tom deixava claro que ela não considerava aquilo como algo relevante. "De qualquer forma, não podemos fazer nada além de esperar. Os meninos sabem o que fazem, e nós precisamos confiar neles. "

Emily disse aquilo com confiança, mas parecia estar falando mais com ela mesma do que comigo. Quando nossos olhos se encontraram, ela deve ter percebido que eu ainda estava hesitante. "Se eles precisarem da nossa ajuda, estaremos aqui. Agora se troque, antes que pegue um resfriado. Irei colocar a água para ferver. "

Quando voltei vestindo as suas roupas, Emily andava de um lado para o outro na cozinha, abrindo as portas dos armários, e tirando panelas, assadeiras e ingredientes, de todos eles.

"Vai cozinhar algo?" perguntei, surpresa com a bagunça que ela havia feito no balcão da cozinha em tão pouco tempo.

"Preciso ocupar minhas mãos com alguma coisa." Ela sorriu fracamente, olhando sob o ombro, enquanto despejava farinha de trigo em uma tigela. Limpou as mãos em seu avental, antes de pegar uma bandeja e andar até mim. "Que bom que as roupas serviram, pensei que fossem ficar um pouco grandes em você."

Emily colocou a bandeja na mesa, apontando para uma das cadeiras ao redor, antes de se sentar em outra.

"Esqueci de te agradecer por me emprestá-las." Disse, sentando-me à sua frente, vendo ela abrir um pote branco — que parecia conter açúcar -, e adicionando algumas colheradas em uma xícara fumegante.

"E não precisa. Você já é de casa." Sorriu calorosamente, antes de entregar-me a xícara que segurava. O cheiro de chá de camomila preenchia o ar, e eu agradeci pelo calor que o líquido fumegante proporcionou às minhas mãos frias.

Apesar de o chá estar quente, ele não parecia conseguir me esquentar tanto quanto o corpo de Jacob faria. A alta temperatura da bebida conseguiu, apenas, fazer com que os meus dedos gelados parassem de tremer. O restante do corpo, porém, ainda não havia esquentado totalmente, mesmo com as roupas secas proporcionadas pela Emily. Talvez, não fosse apenas o frio que me fazia tremer.

Nós duas ficamos em silêncio por um tempo, ambas, perdidas demais em pensamentos para conseguir dizer alguma coisa. Emily logo voltou a misturar ingredientes com a batedeira, enquanto eu tomava xícara atrás de xícara de chá, tentando me acalmar.

Quem quer que tenha inventado que a camomila acalma, estava completamente errado.

Minhas pernas se mexiam sem parar, em parte pela preocupação e parte pelos tremores que ainda passavam por todo o meu corpo, e ver Emily com uma expressão tão séria no rosto estava me deixando ainda mais inquieta. Me perguntei se ela sabia de algo que não havia me contado.

"Você está pálida, Bella." Notou Emily, aparecendo na minha frente com uma travessa recém tirada do forno. Ela me ofereceu um dos muffins, em um pratinho.

Eu a olhei com um pedido mudo de desculpas. "Não acho que consiga manter alguma coisa no estômago."

"Ficar preocupada desse jeito não vai fazê-los voltarem mais rápido." Apontou, sentando-se em frente a mim. Emily começou a tirar os muffins, um por um, de dentro da forma, colocando-os para esfriar em uma travessa de vidro. Seu rosto não mostrava nada além de concentração.

"Você não está preocupada?"

Ela me olhou, surpresa, antes de me lançar um de seus meios sorrisos.

"Estou sempre preocupada com eles. Mas as coisas não têm sido calmas há um tempo, e eu aprendi que preocupação demais não faz bem algum. Muito pelo contrário." Explicou, e depois gesticulou para o muffin em meu prato, novamente, empurrando-o para mais perto de mim.

Eu o peguei, e dei uma mordida, relutante. Estava, como sempre, uma delícia. O gosto de chocolate preencheu minha boca, e meu estômago pareceu ganhar vida, transformando o enjoo em fome.

Talvez ela estivesse certa.

Três muffins e alguns sorrisos orgulhosos de Emily depois, eu me sentia muito melhor. Os tremores desapareceram lentamente, enquanto meu corpo ia relaxando. Ainda assim, eu podia sentir uma leve dor de cabeça surgir. Me perguntei se a chuva fria tivesse, afinal, me afetado como Emily previra.

O baque da porta da cozinha se abrindo me fez pular do meu assento. Meu coração começou a bater mais rápido, e eu comecei a sorrir ao ver Seth passar pelo vão — feliz por, finalmente, ter algum deles de volta -, mas o sorriso logo morreu, quando notei o seu rosto.

Seth segurava o nariz, e sangue escorria por entre seus dedos. Um de seus olhos estava completamente fechado, devido ao grande inchaço em seu supercílio e, apenas depois de dar alguns passos em minha direção, notei que ele mancava.

"Seth!" Nós duas exclamamos ao mesmo tempo. Emily deixou a tigela que segurava cair com um baque alto, e limpou as mãos em seu avental, antes de correr para amparar Seth.

Eu senti a sala girar.

"Ei." Seth respondeu; sua voz abafada pela mão, que cobria o nariz.

"O que aconteceu?!" Perguntou Emily, guiando-o para sentar-se em uma das cadeiras da cozinha. Ele se deixou cair sentado nela, com um grunhido.

"Eu bati numa árvore." resmungou. "Ou melhor, fui batido numa árvore."

Eu me aproximei, levando todos os guardanapos de papel que estavam sobre a mesa comigo, e comecei a tentar enxugar a maior parte do sangue, que ainda escorria de seu nariz.

Emily saiu da cozinha apressada, apenas para voltar, segundos depois, com uma caixa que parecia conter alguns primeiros socorros.

"Já não deveria ter parado de sangrar?" perguntei, perturbada ao ver os guardanapos se ensoparem de sangue.

"Acho que está fora do lugar." Disse Seth, com a voz saindo anasalada. Emily se aproximou, tentando examinar melhor.

Tirei as minhas mãos do caminho, e me afastei, sentindo os muffins revirarem em meu estômago. O cheiro de ferrugem no ar parecia entrar pelo meu nariz e se alojar no fundo da minha garganta.

Sem pensar duas vezes, e sem dar tempo para que Seth entendesse o que estava prestes a fazer, Emily apertou o nariz quebrado e empurrou-o para o lado, fazendo-o voltar para o lugar correto com um alto "treck".

Seth berrou, cobrindo o seu nariz com as duas mãos. O sangue voltou a escorrer, e eu corri para enfiar mais um bocado de guardanapos embaixo de suas narinas.

"Bella, pode pegar alguns cubos de gelo na geladeira?" Emily pediu, segurando os guardanapos que eu segurava para estancar o sangue.

Corri até a geladeira, e, notando que minhas mãos estavam cheias de sangue, usei minha camiseta para abrir a porta do congelador e puxar a bandeja de gelo para fora. Bati a mesma sobre a pia, e enrolei os vários cubos que se soltaram com um guardanapo de pano que encontrei sobre a pia, torcendo para que não fosse um dos favorito de Emily.

Quando voltei para perto deles, Seth, estranahmente, já não sangrava tanto.

"Obrigado" Murmurou Seth, deixando o guardanapo com gelo cobrir seu rosto todo. "Isso doeu mais do que eu esperava."

"Seth, o que aconteceu?" Questionei, hesitante, com medo de sua resposta.

"A doida psicopata apareceu do nada e me deu um sacode, acredita?!" Resmungou, como uma criança. "Já consigo até ver! Eles irão falar disso a semana inteira..."

"Victoria? Vocês estavam caçando a Victoria?!" sufoquei, voltando a sentir minhas mãos tremerem. "E onde estão os outros? Estão bem?"

"Eles estão bem; Jacob e Leah ainda estão atrás dela, mas não acho que vão conseguir fazer nada, além de segui-la, até que ela fuja pela àgua de novo." Ele moveu o gelo do rosto, por um momento, e eu notei que o inchaço parecia estar diminuindo rapidamente. Tive que piscar algumas vezes, para ter certeza do que eu via.

"E Sam? Jared?" perguntou Emily, caminhando até a pia para lavar as suas mãos.

"Eles estão com o Quil. Vai demorar ainda para ele se acalmar, por causa de toda a bagunça com a vampira."

"Jacob comentou que Quil andava com febre." apontei, trocando o meu peso de pé, nervosamente.

Seth concordou, "Ele não podia ter escolhido uma hora pior. Sam não sabia o que arrumar, primeiro. Foi uma bagunça!"

Seth passou os próximos minutos contando, com detalhes até demais, como eles tiveram que se dividir em dois grupos, e apesar de terem executado sua estratégia, ele acabou sendo devagar demais em um dos seus avanços. Ela havia conseguido jogá-lo contra uma árvore, quebrando, assim, a formação. No fim, Victória desistiu de tentar passar por eles para ir em direção à Forks e deu meia volta.

"...é claro que, sem o Paul, não havia como chegarmos perto suficiente dela." reclamou.

"Paul não estava lá?" perguntou Emily, tão surpresa quanto eu. Ela se aproximou dele novamente , tirando o guardanapo com gelo do seu rosto para inspecionar seus ferimentos. Eu encarei-o por alguns segundos, sem acreditar que, apesar de seu cenho ainda estar um pouco inchado, ele parecia completamente normal.

"Nop." Sacudiu a cabeça. "Espero que tenha uma boa desculpa, ou então vai acabar levando uma sova da Leah." comentou, parecendo distante.

"Aonde será que ele se meteu?" perguntou Emily, para ninguém em particular, despejando o gelo de dentro do guardanapo na pia, antes de ligar a torneira e começar a lavar o mesmo.

"Será que está bem?" questionei, agoniada. "E se ele encontrou Victoria antes de vocês?"

Seth discordou, enquanto se levantava, segurando um dos seus ombros e o mexendo, como se o testasse. "Ela não chegou tão perto do centro da reserva; estava mais para o lado da divisa."

Eu respirei fundo, me sentindo um pouco aliviada, vendo-o seguir em direção à sala, e jogar-se no sofá. Fiquei chocada ao notar que ele nem mancava mais! Não pude deixar de pensar no quão estranho era aquilo.

Eu sabia que os meninos se curavam rapidamente; Tinha visto a cicatriz em Paul no dia em que brigou com Jacob. Parecia ter sido feita a muito tempo, quando, na verdade, foi feita alguns minutos antes. Mesmo assim; Mesmo sabendo tudo isso, ver Seth se curando tão rapidamente em primeira mão, era completamente diferente de ver apenas uma cicatriz.

"Seth Clearwater! É melhor não ter nenhuma manchinha de sangue no meu sofá quando eu chegar aí." Ralhou Emily, sem nem ao menos levantar o olhar da pia.

"Emilyyyyy..." Resmungou ele, no mesmo tom. "Você precisa me tratar melhor, eu estou enfermo. Quase morri agora pouco e você já está me maltratando."

"Eu acabei de consertar o seu nariz!" Reclamou, e Seth soltou outro resmungo, como se não tivesse realmente quase morrido alguns minutos antes. O pensamento fez meu corpo todo gelar, e eu me lembrei de Jacob e Leah, que ainda corriam pelas florestas ao redor da reserva, atrás de Victoria.

"Eu estou com dor, Emy." Informou Seth, gemendo teatralmente. "Acho que preciso de um bolo de chocolate com cobertura para me sentir melhor."

Eu teria rido da atuação de Seth e de Emily, que havia jogado um muffin em sua cabeça, caso não estivesse ocupada demais andando de um lado para o outro, olhando periodicamente pela janela, em busca dos demais.

Já começava a escurecer do lado de fora, e, apesar de estar grata por Seth ter voltado, não achava que conseguiria me acalmar até que todos voltassem.

Quando o relógio soou nove horas da noite, eu já perdia o resto da minha paciência e estava à ponto de entrar em uma síncope. Horas haviam se passado sem qualquer notícia e eu era a única ainda inquieta.

Seth ainda resmungava no sofá, apesar de já estar completamente curado; Emily terminava uma macarronada gigantesca, alegando que os meninos voltariam com fome, depois de correrem tanto; e eu ainda andava de um lado para o outro, tentando manter minha respiração estável o suficiente para não acabar desmaiando.

O som de conversas do lado de fora me tirou do meu estupor, e eu me virei para a porta, ao mesmo tempo em que Emily aparecia pela entrada da cozinha, parecendo ter ouvido o mesmo que eu.

Sam entrou primeiro, andando diretamente até Emily, e envolvendo-a em um abraço de urso. Emily soltou um gritinho quando ele a levantou do chão.

"Ei, Sam!" Cumprimentou Seth, com os pés para o alto, sem nem ao menos se levantar do sofá.

"Seth! Você está melhor?" perguntou Sam, virando-se para o mais novo, ainda sem soltar Emily.

"Opa! Novo em folha e pronto pra outra."

Levantei uma sobrancelha, lançando-lhe um olhar inquisitivo. Ele não estava reclamando de dor à um minuto atrás?

"Pronto para esmagar a cara em outra árvore, você diz?" perguntou Jared, sarcástico, vindo da cozinha, já com um muffin em cada mão.

Seth mostrou-lhe a língua.

"Se está melhor, já pode se levantar. Embry está chegando com o Quil, e ele precisa mais do sofá do que você." ordenou Sam.

O garoto deu um pulo, levantando-se rapidamente. "Quil está vindo para cá?!", perguntou, com um sorriso de orelha a orelha.

Sam concordou, comentando sobre como ele tinha demorado algum tempo para conseguir voltar a sua forma humana, mas que logo chegariam. Eu não me atrevi a dizer nada, me sentindo ainda mais deslocada do que antes, por ser a única que não conseguia relaxar. Vê-los interagindo um com o outro como se nada tivesse acontecido, só aumentava ainda mais a distinção entre nós.

Me perguntei se Leah e Jacob viriam com os demais, ou se ainda estariam perseguindo Victoria.

Não demorou muito antes que Embry passasse pela porta com os braços ao redor de Quil, que parecia extremamente exausto. Ele tinha uma expressão de dor em seu rosto, mas parecia ainda conseguir dar alguns passos, por mais que lentos. Embry ajudou-o a se deitar no sofá, e ele pareceu relaxar, instantaneamente.

"Bella, você pode ficar na cozinha, com a Emily?" perguntou Sam em uma voz baixa, aproximando-se de mim. "Apenas por precaução."

Assenti, aceitando a mão que Emily havia estendido em minha direção, e seguindo-a até a cozinha. Decidindo que eu precisava ocupar a minha mente, me ofereci para ajudar Emily, que ainda cozinhava. Ter algo para fazer, uma tarefa tão simples quanto cortar alguns tomates, ajudou um pouco, nos meus nervos.

Eu ainda não era capaz de manter uma conversa, aflita demais para isso, mas Emily não pareceu se importar com o meu silêncio.

Quando não havia mais nada a ser feito, além de esperar a macarronada terminar de cozinhar, tudo o que me restou foi voltar para a mesa da cozinha, sentindo o meu peito se comprimindo de ansiedade. Eu não sabia quantas horas mais eu conseguiria aguentar naquela espera.

Assim que me sentei, porém, a minha espera, finalmente, chegou ao fim. A porta se abriu com força, e eu acompanhei com os olhos enquanto Leah passou, à passos largos e duros, em direção a sala, provavelmente preocupada com Seth.

Me levantei assim que Leah sumiu, virando para a porta, em expectativa, e ali estava ele.

Meu olhar passou por todo o seu corpo, temendo ver sangue em algum lugar, como havia visto em Seth.

Ele parecia bem, tirando seus olhos, que estavam tão arregalados que pareciam prestes a saltar para fora. Assim que deu um passo à frente, eu despertei de meus pensamentos e corri, praticamente saltando para passar os braços ao redor do seu pescoço. Nós não nos abraçamos por muito tempo; Jacob me desprendeu dos seus braços, nos afastando, e me olhou de cima para baixo.

"Bella, o que aconteceu?!" perguntou, alarmado. "Você está sangrando??"

Eu o encarei, confusa por um momento, antes de notar que a camiseta que Emily havia me emprestado estava repleta de manchas de sangue.

"Oh. O sangue." Senti um soluço seco subir pela minha garganta. "É de Seth."

Alivio lavou a sua expressão e ele voltou a me abraçar, comentando logo em seguida, "Imagino que ele esteja morto, então, se perdeu tanto sangue."

"Eu ouvi isso!" Exclamou Seth, do outro cômodo.

"Nem brinque com essas coisas." Supliquei, enquanto me soltava dele. O cheiro de sangue pareceu voltar com tudo às minhas narinas, e senti minha cabeça girar. Achei que era melhor eu achar algum lugar para me sentar, antes que minhas pernas falhassem.

Jacob deve ter notado o modo como o meu rosto empalideceu, pois logo me segurou pela cintura, sustentando o meu peso. "Talvez seja melhor você trocar de roupas."

Me perguntei como ele sabia que eu estava assim por causa do sangue.

"Suas roupas já devem estar secas, Bella." Disse Emily, e me surpreendi por ter esquecido, por um momento, que ela ainda estava ali. "Vou buscá-las para você."

Depois de ter certeza que eu não iria desmaiar, Jacob me deixou entrar no banheiro para me trocar. Demorei mais do que o normal, tentando não tocar no sangue seco da camiseta, e lavando as minhas mãos por mais tempo do que o necessário, até que eu não sentisse mais o cheiro de ferrugem, que apenas sangue trazia.

Enquanto isso, eu podia ouvir os meninos conversando na sala, comentando sobre os acontecimentos daquela noite. Parecia que Leah e Jacob não haviam tido muito sucesso com Victória, e Quil não demorou muito antes de cair no sono.

Quando sai do banheiro, a maioria deles estava mergulhada em pratos de macarronada, parecendo não ver comida há dias. Leah havia desaparecido e Jacob indicou para que eu me juntasse a ele, me sentando em sua coxa, sem parar de comer por um minuto sequer.

Eu me acomodei, grata por ter os seus braços de volta ao meu redor. Toda aquela espera, todo o estresse que passei naquela tarde, fazia com que aquele momento se tornasse ainda mais importante para mim. Eu segurei a mão livre de Jacob com força, desejando não precisar me separar dele por algum tempo. Alguns minutos depois, todos os meninos levantaram os olhares para a porta, ao mesmo tempo, de um modo tão sincronizado, que me deu arrepios.

"Boa noite, família." Exclamou Paul, passando pela porta de modo desinteressado, e se sentando na única cadeira vazia. Quando levantou os olhos e viu que todos o encaravam, com expressões diversas, ele vacilou. "Hã... O que eu perdi?"

Notas finais
Primeiramente, queria agradecer à todos que favoritaram a nossa fanfic, que chegou, agora, à 100 favoritos no spirit! Vocês não sabem o quão orgulhosas, eu e a Carol, ficamos ao ver tanta gente por aqui. Sinceramente, eu achei que esse fandom estava morto à muito tempo, e o ship JacobxBella ainda mais enterrado, à sete palmos debaixo da terra, para ser mais exata hahaha (Esse ship nunca foi muito popular, sadly) Um agradecimento especial à Tylleryang, denize88, kelmysoares, costa14, Camila Amorim Ramos e JujuSwanCullen que sempre deixam suas opiniões e comentários que nos fazem morrer de rir. Eu e a Carol nos divertimos demais escrevendo essa fanfic (Vocês não sabem o quanto nós rimos, sozinhas!), mas ver que vocês também se divertem é muuuuuuito gostoso. Obrigada pelo carinho! Aos novos leitores, sejam todos bem-vindos, espero que vocês gostem da nossa fanfic! Sem mais, até a semana que vem, pessoal! Gi