Notas iniciais
Olá leitores, tudo bem com vocês? Aqui é a Gi para mais um capitulo, saíndo quentinho do forno. Espero que vocês gostem!

"Don't go back, then," Jacob suggested.

"Charlie would love that," I said sarcastically.

"I bet he wouldn't mind."

— Jacob to Bella, Eclipse

"Coitado do Paul..." comentei, sentada ao lado de Jacob, enquanto ele dirigia.

"Relaxa, a Bela Adormecida vai ficar bem." Respondeu Jacob, rindo de sua própria piada. Eu não achei graça. "Duas semanas passam voando de qualquer maneira."

Ele deu de ombros, porém eu ainda não consegui tirar aquilo da cabeça.

Assim que Paul chegou à casa de Emily, tudo virou uma bagunça. A gritaria que se instalou, entre piadas e sermões, depois que Paul explicou seu paradeiro, foi suficiente para quase me ensurdecer.

Claro que Paul não se deixou ser o centro das piadas sem perder a cabeça. Logo, metade do grupo juntou-se para carregá-lo para fora da casa, enquanto Emily segurava Sam do lado de dentro, tentando impedi-lo de latir ordens de cabeça quente.

Depois de mais alguns gritos, palavrões e risadas, Sam escapou de Emily bem a tempo de parar Jacob e Jared, que tentavam pendurar Paul de cabeça para baixo em uma árvore, depois que o amarraram com a mangueira do jardim.

Paul foi libertado e Sam encheu os ouvidos dos demais, ralhando que não era certo lidar com os erros de alguém daquela forma... aí, colocou Paul em ronda por duas semanas, sem folgas.

"Mas não é como se fosse culpa dele. Ele apenas não ouviu o chamado." Eu o defendi, achando que a ordem de Sam era injusta.

"Apenas? Qual é o ponto de uivarmos se ele não vai ouvir?" Jacob riu pelo nariz. "Ele sabe que estamos em alerta vermelho nas últimas semanas. Não devia relaxar tanto assim."

Eu não gostava daquilo, também. Eu sabia que o motivo de não poderem relaxar completamente era Victória... e, ela só estava rondando Forks por minha causa.

"Mas não sei se acredito muito nele." Comentou Jacob, me surpreendendo, depois de alguns minutos de silêncio.

"Por que não acreditaria?" Incitei.

"Não entendo como ele poderia não ter ouvido. Eu consigo ouvir Sam uivar em La Push mesmo quando estou na sua casa. É como se algo dentro de mim sentisse que o bando está em perigo, e eu ficasse em alerta." Ele franziu o cenho, encarando a estrada enquanto dirigia. "Não seria um porão e uma noite mal dormida que iriam impedi-lo de ouvir o chamado."

"Você acha que ele está mentindo, então? Acha que ele não caiu no sono no porão da casa do pai dele?" perguntei, surpresa por sua sugestão.

Jacob tinha uma expressão séria no rosto e balançou a cabeça. "Eu não sei."

Pensei naquilo por um momento, tentando imaginar Paul ignorando o uivo de propósito. Não, não era possível. Ele era parte do bando, mesmo que fosse a parte com mais problemas de temperamento; não deixaria seus irmãos em perigo sem motivos.

"O que acha que ele poderia estar fazendo, então?" perguntei, curiosa para saber suas teorias.

Jacob deu de ombros, e vi que ele parecia estar se perguntando exatamente a mesma coisa.

"A propósito, me desculpe por deixá-la sozinha, no meio do nada." Ele disse, tirando os olhos da estrada e encontrando os meus, por um momento. "Sei que te assustei."

"Não precisa de desculpar, Jake. Você precisava estar lá pelo seu melhor amigo. Eu entendo." Garanti. "Mas... como foi lá? Foi muito ruim?"

Jacob respirou profundamente, não parecendo muito à vontade.

"Nunca é fácil. Os ossos se rearranjam completamente; não é a coisa mais prazerosa do mundo" explicou, curtamente. "E além de todo o lance de choque por ser um lobo gigante, a psicopata apareceu bem na hora, e toda a correria e gritaria o deixaram ainda mais nervoso. Foi um caos."

"Não consigo nem imaginar como deve ter sido difícil para ele."

"Não foi uma das transformações mais fáceis que tivemos." Concordou. "Apesar de termos conseguido acalmá-lo o suficiente para que voltasse à forma humana, ainda há muitas coisas que precisam ser explicadas. Vai ser uma noite longa."

Aquilo chamou a minha atenção.

"Você vai voltar para La Push?" Perguntei, deixando o desapontamento, sem querer, transparecer na minha voz. Eu sabia que era egoísta de minha parte querer que ele ficasse comigo quando os meninos precisavam dele, mas, mesmo assim, não pude deixar de ficar chateada ao saber que não poderia tê-lo por perto naquela noite, depois da montanha-russa de emoções pela qual eu havia passado.

Ele parou a caminhonete em frente à minha casa, antes de desligá-la. Sem o barulho do motor, o silêncio da noite ficava mais notável.

"Quil precisa de mim." Ele confirmou os meus pensamentos. "Mas eu vou sentir a sua falta."

Eu o abracei, enterrando o rosto em seu peito, com mais força. "Amanhã iremos nos ver, certo?"

Meu corpo todo sacudiu quando ele riu, acariciando os meus cabelos.

"O que você quer dizer? Você não vai poder escapar de mim o fim de semana todo!" Eu pude ouvir o sorriso em sua voz. "Pode avisar para o Charlie que amanhã você irá dormir lá na reserva."

Me afastei o suficiente para poder olhá-lo nos olhos, mesmo no escuro da cabine. "E posso saber exatamente onde irei dormir?"

O meu sorriso de sol favorito iluminou seu rosto. "Isso você vai ter que adivinhar."

Meu rosto esquentou ao mesmo tempo em que o meu coração pulou uma batida. Me inclinei em sua direção, desejando sentir seus lábios nos meus, e, sem precisar que eu pedisse, Jake terminou com a distância entre nós.

Seus lábios macios dominaram os meus, mais doces do que nunca. Era como se ele soubesse que eu estava buscando o conforto familiar, que apenas seus beijos lentos, e delicados poderiam trazer.

Ele desfrutou dos meus lábios sem pressa, tocando a sua língua na minha com gentileza, e me fazendo esquecer facilmente de todo o resto. Talvez aquele fosse o seu poder, derreter todo o estresse acumulado em mim, com apenas alguns doces beijos.

Para o meu azar, aquilo não durou muito tempo. Jacob quebrou o nosso beijo abruptamente; seu rosto virou em direção à janela, onde ele encarou a orla da floresta com fúria no olhar. Sob minhas mãos, pude sentir cada músculo de seu corpo se retesar, deixando-o tenso.

Eu estava prestes a perguntar o que estava acontecendo, quando ele xingou alto.

"Pelo amor de Deus! Será que não podemos ter um minuto de paz?!" Exclamou, enquanto seus braços começavam a tremer. Olhei para o lado de fora, procurando pelo que Jacob encarava com tanta raiva, sentindo meu estômago afundar.

Para a minha surpresa, Jacob abriu a porta da caminhonete, escapando dos meus braços facilmente. Eu me apressei a segui-lo, completamente perdida, sem saber o que estava acontecendo.

"O que você está fazendo aqui?" Jacob grunhiu, torcendo a palavra 'você' com asco. "Já não bastou toda aquela cena na escola? Precisava, mesmo, voltar para incomodar mais?"

Demorei alguns instantes para discernir com quem Jacob estava falando. Estávamos, agora, parados em frente à minha casa; as luzes da varanda iluminavam fracamente a grama molhada, enquanto ele encarava a orla da floresta.

Edward saiu das sombras das arvores, caminhando lentamente em nossa direção.

Eu dei um passo para mais perto de Jacob, já sentindo minhas mãos começando a tremer.

"Eu disse que era a minha vez de ficar de guarda." Respondeu Edward; sua voz fria, assim como sua expressão, escurecida pelas sombras.

"E eu disse que ela não precisa de você." Jacob rosnou, sua fisionomia se curvando como se ele estivesse prestes a atacá-lo.

"Não precisa?" Desafiou, fazendo Jacob tremer ainda mais.

"Edward, o que você está fazendo aqui?" Foi a minha vez de intervir, tentando evitar que uma brigada explodisse no jardim da minha casa.

Seus olhos dourados voltaram-se para mim, e, no mesmo segundo, a expressão em seu rosto mudou, suavizando. Um pequeno sorriso brotou em seu rosto e ele estava prestes a dizer alguma coisa, mas parou à meio caminho.

Seus olhos se voltaram para Jacob, como se o mesmo o tivesse chamado pelo nome.

"Quer dizer que Victoria apareceu na reserva. Parece que o bando teve uma noite cheia." Edward comentou, aparentemente lendo os pensamentos de Jacob.

"Saia da minha cabeça!" rugiu Jacob, dando um passo à frente. Agarrei seu braço, segurando-o, desejando ter forças para o impedir de alguma maneira. Ele não se moveu novamente. "Por que você não fala logo o que quer, e vai embora? Eu não preciso perder meu tempo com você."

Edward deu de ombros. "Se está com pressa, pode ir. Eu não estou aqui por você."

Outro tremor, mais forte do que ante, passou por todo o corpo de Jacob, e me sacudiu junto a ele.

"Será que você pode não fazer isso?!" Perguntei; minha voz um quarto mais alta que o normal.

Meu tom desesperado pareceu fazer ambos acordarem; Edward me olhou novamente e os tremores de Jacob diminuíram.

"Me desculpe, Bella. Não tive a intenção de iniciar uma... discussão, no meio da noite." Respondeu Edward. "É difícil me controlar, quando não paro de ser insultado de todas as maneiras possíveis."

Abri a boca para perguntar sobre o que raios ele estava falando, até entender o olhar desafiador que Jacob lançava em direção à Edward.

"Jacob? Espere, Jacob, o que você está fazendo?" Perguntei, chacoalhando o seu braço por um momento. Ele demorou alguns segundos, ainda enviando adagas para Edward com o seu olhar, antes de olhar de volta para mim.

"Se ele não gosta do que eu penso, devia ficar fora da minha cabeça." Murmurou ele, entre dentes; sua mandíbula completamente travada.

"Não é como se eu pudesse ignorar. É como se você estivesse berrando dentro da minha cabeça." Comentou Edward, encarando Jacob antes de olhar de volta para mim. "Eu só estou aqui porque Emmett e eu estamos montando guarda ao redor da sua casa, e a vimos chegar. Quando ouvi sobre Victoria ter invadido a reserva, mais uma vez, achei que pudesse tentar, de novo, te convencer a ficar em Forks."

Jacob grunhiu, jogando uma de suas mãos para o alto. "Você não desiste mesmo desse assunto, não é?!"

Coloquei a mão sobre o peito de Jake, em um pedido mudo para que se acalmasse, antes de me virar para encarar Edward. "Eu te disse que faço minhas próprias escolhas, Edward. Agradeço todos os esforços para me ajudar, mas, se vai apenas ficar usando isso como desculpa para aparecer aqui e..."

Edward ergueu uma mão no ar, me parando. "Não é uma desculpa, eu me preocupo mesmo com a sua segurança, Bella. O que aconteceu hoje só prova, mais uma vez, que os lobos não estão preparados para te proteger."

"Do que porra você está falando?" Jacob riu, uma risada baixa e sombria. "Bella não tem um arranhado sequer! Se isso não é prova de que podemos protegê-la, o que é?"

"Que tal a cabeça da Victoria?" Edward desafiou. "Depois de tantos encontros com ela, era de se esperar que vocês tivessem, ao menos, arranhado ela."

Jacob estacou, e eu soube que Edward havia atingido um nervo. Se havia algo que pesava na consciência dos lobos nas últimas semanas, era o fato de que Victória continuava a escapar, de novo e de novo, por entre os seus dedos.

"Agora, se nós coordenássemos os ataques, se nos juntássemos e colocássemos um plano bem planejado em prática, talvez poderíamos..." Edward continuou; sua voz era quase como um ronronar, cauteloso, não parecendo que era a primeira vez que dizia aquilo.

"Nem que o mundo estivesse acabando você teria permissão para colocar esses seus pés imundos na reserva." Finalizou Jacob. Por um momento, ele me lembrou Sam. Aquele era um tom de alfa. A firmeza em sua voz deixou claro que aquilo era inquestionável.

Foi a vez de Edward lançar adagas com os seus olhos.

"Então, ao menos confie que iremos mantê-la segura em Forks." Concluiu Edward. "Ninguém irá tocá-la enquanto estivermos por perto."

Jacob apertou os olhos. "Nem você?"

"Acho que já chega disso." Intervi, pelo que me pareceu a centésima vez. "Jake, você precisa voltar para a reserva, eles precisam de você. Quanto a você, Edward, se acampar do lado de fora da minha casa irá fazer com que você se sinta melhor, fique à vontade. Só não espere que eu o convide para entrar."

Eu dei as costas para ele, segurando a mão de Jacob e puxando-o para longe. Ainda podia sentir o olhar de Edward sobre nós, enquanto Jake me deixava guiá-lo até a varanda da casa, mas eu estava decidida a ignorá-lo.

Edward queria aparecer na frente da minha casa e fazer uma cena? Tudo bem, mas que não contasse que eu ficaria ali para ouvi-lo. Eu estava cansada demais de todas essas interações entre nós.

"Te vejo amanhã, ok?" Fui capaz de dizer com uma voz confiante, que não condizia com o que eu sentia naquele momento. Jacob me olhou incerto, ainda tenso demais para responder. "Vá para a reserva, ajude o Quil, e não arranje mais brigas, está me entendendo?"

Ele não me respondeu por alguns segundos, e eu podia dizer pelo olhar em seu rosto, que ele não queria sair de perto de mim. Não naquele momento.

"Eu vou ficar bem, eu prometo." Afirmei, tentando lhe lançar um sorriso encorajador. Claro que aquilo também não funcionou, então achei que havia apenas uma coisa que pudesse convencê-lo.

Me erguendo nas pontas dos pés, passei os braços ao redor de seus ombros. Ele se abaixou, quase automaticamente, para que eu pudesse alcançar seu pescoço e juntar nossos lábios.

Não fui recebida com o fervor com que estava acostumada, mas aquilo não me parou. Eu precisava transmitir para Jacob que, mesmo que não gostasse daquela situação — assim como ele -; mesmo que quisesse passar a noite toda ao seu lado — porque precisava do seu calor junto a mim -, eu sabia que nós precisávamos nos separar naquele momento.

E estava tudo bem. Nós estávamos bem.

Jacob me deixou invadir a sua boca, parecendo quase surpreso por me ter ali. Tentei me lembrar das maneiras deliciosas que sua língua se movia contra a minha quando era ele quem tentava tirar alguma reação de mim, e às copiar, lambendo e sugando os seus lábios por longos segundos; meus dedos brincando com os seus cabelos.

Logo senti seus braços envolverem ao redor da minha cintura, segurando todo o meu peso. Nossos corpos se juntaram, ao mesmo tempo em que Jacob retribuiu os meus beijos, devolvendo tais avanços em dobro.

Quando eu perdi o ar, sem saber quanto tempo havia se passado enquanto eu me derretia em sua boca, nós nos soltamos. Meu coração batia rápido em meu peito.

"Boa noite, Jake." Sussurrei, sentindo as minhas bochechas corarem. Um lindo sorriso preencheu seu rosto, e eu senti o seu olhar quente preencher minha alma.

"Até amanhã, Bells."

***

Fechei a porta da caminhonete com um baque surdo. Jacob sorria ao meu lado, parecendo satisfeito, depois de ter praticamente me envergonhado na frente de Charlie. Eu ainda ficava incrédula com o fato de que Charlie sempre tomava o lado dele, sem muitos questionamentos.

"Você fez alguma lavagem cerebral no meu pai, por acaso?" questionei, frustrada. "Os pais não deviam, sei lá, tentar proibir esse tipo de coisa? Ou ao menos pensar duas vezes antes de deixar sua única filha dormir fora de casa."

Jacob gargalhou; o peito estufado com orgulho. "Eu já te disse que Charlie gosta de mim."

"É, mas a esse ponto, me pergunto se ele gosta mais de você do que de mim." Resmunguei, cruzando os braços sobre o peito. "Não é justo."

Jacob engatou a ré no carro, e deu a volta, antes de começar a subir pela rua.

"Aw. Você fica tão linda com ciúmes." Ele sorriu, satisfeito. "Mas devia ser grata que ele goste tanto de mim, senão ficaria presa em casa com o sanguessuga rondando o terreno."

"Nem me lembre disso." resmunguei, desejando poder esquecer a noite anterior.

Jacob dirigiu em direção à La Push, fazendo a caminhonete quase berrar sob seu controle, forçando o motor a trabalhar na sua potência máxima, o que, sinceramente, não era muito mais rápido do que a sua velocidade normal.

"Agora me diga... o que quer fazer hoje?" Perguntou ele e eu o olhei, surpresa.

"Então eu decido o que iremos fazer?

"Eu te devo uma por te largar sozinha, ontem. Então pode escolher o que quiser: garagem, andar na praia, ficar em casa... O dia é seu." respondeu, um sorriso brotando em seu rosto.

Meu peito se encheu de algo que eu não soube descrever. "Assim me sinto até importante."

Ele tirou os olhos da estrada por um momento; seu olhar encontrando o meu. "Você é importante para mim, Bells."

Meu coração perdeu uma batida, e minhas bochechas esquentaram. Como ele conseguia dizer aquele tipo de coisa sem hesitar, nem por um instante?

Pensei por alguns instantes, imaginando o que poderíamos fazer. O dia estava tão bom. "Podemos ir ver como Quil está, primeiro? Eu passei a noite toda pensando nele."

Jacob hesitou, me olhando de lado por um momento. "Você percebe que acabou de dizer para o seu namorado, o amor da sua vida, que passou a noite toda pensando em outro cara, não é?"

Eu bufei. "Será que pode me levar a sério, por gentileza? Eu estou mesmo preocupada com ele."

"Mas eu estou falando sério! Se continuar assim, Quil vai entrar na mesma lista negra que o Seth está. Não tem outro jeito."

"Por que Seth está na sua lista negra?" questionei, confusa.

"Porque você sempre dá atenção demais para ele. Eu tenho quase certeza de que ele tem uma quedinha por você." Ele resmungou, fazendo uma careta e eu tive que me segurar para não cair na gargalhada.

"Se ele gosta de mim, é porque eu sou a única do grupo que não o trata como criança. Mas devo admitir que ele desperta um instinto protetor em mim." admiti, lembrando da tarde anterior. "Ontem ele apareceu na porta da Emily coberto de sangue e eu quase morri."

"Está vendo? Por isso ele está no topo da lista." Reclamou. "O único que pode fazê-la sentir-se assim, sou eu."

"Não seja infantil." Revirei meus olhos mais uma vez. "E pare de tentar trocar de assunto. Ainda quero ir ver como o Quil está."

"Bella... é perigoso." Ele insistiu. "Ele não pode ficar vendo ninguém, pode acabar machucando alguém."

"Você mesmo disse que ele está passando por um dos momentos mais difíceis da vida dele. Isolá-lo do mundo e deixá-lo sozinho não vai fazer com que consiga se controlar mais rápido, só vai deixá-lo mais estressado."

"Ele não está sozinho. Os meninos estão com ele, e Sam não vai deixar o seu lado até que esteja calmo suficiente." Ele assegurou. "Quil precisa de algum tempo até, pelo menos, se controlar um pouco, antes de ver alguém de fora do bando. Não é nada pessoal."

Eu revirei os olhos, cruzando os braços sob meu peito. "É a mesma história do Seth, repetindo de novo."

Ele ergueu uma de suas sobrancelhas para mim. "Você já devia estar acostumada, então."

Encarei o seu rosto, irritada. Ele não me olhava de volta, concentrado na estrada, mas eu sabia que ele me via em sua visão periférica. Eu podia dizer pelo modo que ele falava que não havia discussão ou argumento que eu usasse que o faria ceder.

Mas eu também não queria ceder.

"Eu só quero garantir que ele esteja bem, Jakey. Quil também é meu amigo, e eu não gosto de saber que ele está sofrendo." Eu disse, suavemente. Minha mão subiu por seu peito, lentamente, traçando uma linha imaginária por ali. "Eu não pude estar lá por você, e fico triste até hoje em saber que você sofreu e eu não pude fazer nada."

"Bella..."

"Por favor?" insisti. "Só uma vez? Nem precisamos ficar muito tempo. Eu fico do outro lado da sala, e você vai estar lá comigo para me proteger se algo der errado."

"Eu não acredito que você está tentando usar seu charme em mim, Swan. Isso é jogo sujo." Ele exclamou, fechando a cara, e eu fiz um biquinho, colocando a minha cabeça em seu peito.

"E está funcionando?" perguntei, piscando meus olhos. "Por favorzinho?"

Jacob hesitou.

"Sam vai me matar." Resmungou, mas eu pude ver em sua expressão que eu havia ganhado. Eu dei um sorriso satisfeito.

Alguns minutos depois, nós paramos em frente à casa da Emily. Jacob me ajudava a descer da caminhonete quando a porta da frente se abriu, revelando Seth, que tinha um olhar preocupado.

"Bella? O que você está fazendo aqui?" ele perguntou sem nem ao menos me cumprimentar.

"Vim ver como o Quil está, é claro." Respondi com um sorriso animado, que não foi correspondido por nenhum dos dois.

Seth encarou Jacob por um momento, e ele ergueu as mãos para o alto. "Não olhe para mim, eu não tenho qualquer controle sobre as decisões dela."

"Sam vai te matar." Seth comentou, e Jacob apenas suspirou com pesar, concordando.

A falação característica de quando a casa de Emily estava cheia tomou o ar; os meninos que estavam presentes se encontravam sentados à mesa, assim como Quil, que batia o pé no chão sem parar quando entramos.

Pude notar que suas mãos tremiam, apoiadas em seu colo, e seus olhos voaram para nós no segundo em que pisamos na cozinha.

As conversas e barulhos cessaram abruptamente. Pelo canto do olho, notei Jared lançar a Jacob um olhar mortal, que eu fiz questão de ignorar. Todos os demais pareciam prender a respiração, como se esperassem que Quil se transformasse a qualquer segundo, e destruísse a cozinha.

Isso, entretanto, não aconteceu.

"Bella!" exclamou ele, sorrindo. Suas mãos haviam parado de tremer, e seu pé parado de bater no chão. Ele parecia muito mais relaxado do que alguns segundos antes. "Quanto tempo! Eu não esperava te ver por aqui."

"É melhor se acostumar, eu estou por aqui o tempo todo, ultimamente." Eu ri, e ele acenou, parecendo satisfeito com aquilo.

"Então você e Jacob, finalmente, se resolveram?"

"Pois é." Deu dei um olhar furtivo na direção de Jacob. "E você, finalmente, se juntou ao bando."

Ele riu, concordando. "Eu era o próximo, afinal."

"Ok, o que está acontecendo aqui?" perguntou Jacob, com um olhar estranho no rosto. "Desde quando vocês dois são tão próximos?"

Dei de ombros, trocando um sorriso cúmplice com Quil.

"E olha só para os braços dele!" exclamou Embry. "Ele parou de tremer! Eu levei uma semana pra conseguir fazer isso!"

"Não é surpresa para ninguém que você tenha demorado tanto, Embry." Comentou Jared, o olhando com uma pena fingida. "Você não é o mais... talentoso do grupo, se é que me entende."

"Está me chamando de burro?" Embry se levantou, não parecendo nada contente por ter chegado àquela conclusão.

"Se a carapuça serviu." Jared resmungou, rindo pelo nariz. Embry se aproximou dele, pronto para começar uma briga e Jacob se juntou à Seth, que viram que a situação estava para sair do controle, e seguiram até os dois para separá-los. A última coisa que precisavam era que uma briga acontecesse e agravasse Quil.

Aproveitei a distração dos demais para me sentar do outro lado da mesa, em frente à Quil, que ainda tinha um leve sorriso no rosto, parecendo alheio a discussão que se instalava ao seu lado.

"Como está se sentindo, Quil?" perguntei. Minha voz não passava de um sussurro, pois não queria chamar a atenção dos demais para a conversa que estávamos tendo.

"Não sei bem. Quero dizer... me transformo em um lobo gigante, como uma pessoa reage a isso?"

"Imagino que não seja fácil" Comentei, estendendo uma mão sobre a mesa, para tocar seu braço. "Mas os meninos estão aqui para você, assim como eu e a Emily. Tenho certeza de que, se precisar de qualquer coisa, não faltará pessoas a se oferecerem para te ajudar."

Ele balançou a cabeça lentamente, concordando com um sorriso fraco. "Ainda é meio estranho pensar que todas as lendas que ouço desde criança, são reais. Acho que vai demorar um pouco até cair a fixa."

Eu sorri, fracamente, lembrando o modo como eu me senti quando ouvi sobre tudo aquilo pela primeira vez. "Bem-vindo ao mundo sobrenatural."

Seus olhos faiscaram em minha direção; suas sobrancelhas franziram sobre eles. "E como você faz parte desse mundo, mesmo? Você, por acaso, se transforma também?"

Aquilo quase me fez rir. "Não, eu sou só um imã para o desastre. Estou aqui por acaso."

Jacob apareceu ao meu lado, passando o braço ao meu redor, com um sorriso matador no rosto. "Olá, eu sou o acaso."

Revirei os olhos, tentando segurar meu próprio sorriso, antes de me inclinar na sua direção e sussurrar: "Um dia te conto a história de como cheguei aqui."

"Sim, sim, mas esse dia não é hoje, pois temos muitas coisas a fazer." Disse Jacob, me puxando pelo braço e me fazendo levantar. "Você queria ver como Quil estava, e ele está muito bem. Acho melhor irmos, antes que Sam chegue e mande me castrar por sua culpa."

Acenei para os demais, me despedindo às pressas, enquanto me deixava ser levada por ele até o carro, aliviada ao ver que Quil ria com os demais, completamente diferente de quando chegamos.

Pelo menos uma coisa boa parecia ter saído da noite anterior.

Notas finais
Ultimamente eu tenho revisado alguns capitulos que já estavam postados, então se vocês decidirem algum dia reler a fanfic, não pensem que estão loucos por ver alguns detalhes um pouco diferentes. É claro, não é nada muuuuito diferente, mas da para notar uma coisinha ou outra. Sobre a fanfic, eu e a Carol estamos planejando para ter um capitulo um pouco mais sossegado logo mais. Um pouco de amor antes de começarmos a andar para a trama final. Eu mesma estou surpresa por já termos passado da metade das coisas que planejamos para a fanfic... Mas vocês sabem aquele ditado, as coisas passam mais rápido quando estamos nos divertindo. Ah, se alguém ainda tem alguma dúvidas sobre essa fanfic ter cenas... QUENTES... fiquem tranquilos. Muitos planos tem passado pelas nossas mentes últimamente, especialmente agora, que esses dois vão ficar mais e mais próximos heheehe Beijão! Gi