Full Moon
27 Casal Normal
Notas iniciais

“You wouldn’t have to change for me Bella.
I’m in love with you, and I want you to pick me instead of him.”
― Jacob to Bella
“Podemos pular do penhasco?"
Jacob, que dirigia pela estrada de La Push, freou abruptamente, e eu tive que me apoiar no painel com a mão, para não sair voando pelo pára-brisa.
Seu rosto chocado quase me fez rir.
“Quantas vezes você precisa passar por uma situação de ‘quase morte’, antes de aprender a lição? Já foram o quê, umas quatro?” Retrucou, sem acreditar que eu havia mesmo pedido aquilo. “Eu te ressuscitei na praia não faz nem um mês, e gostaria que aquela fosse a última vez.”
Revirei os olhos para o seu antagonismo. “Não precisa exagerar. De qualquer forma, não há muitas nuvens no céu, e você prometeu que iria me levar quando o tempo estivesse bom, se lembra?”
Ele me olhou, transtornado.
“Você não desenvolveu um transtorno de estresse pós traumático, ou algo do tipo, em consequência daquele dia?” perguntou esperançoso, passando a mão pelo rosto.
“Não. Além do mais, eu quase me afoguei por culpa da tempestade… E hoje está quase sol.”
“Tem certeza de que não quer, sei lá, apenas andar na praia?”
“Desde quando você ficou tão chato?! Antes você era o amigo que fazia coisas impulsivas e idiotas comigo, sem questionar.”
“Bella, se tem uma coisa que não sou, é chato.” Seus olhos brilharam, como se ele quisesse que eu o desafiasse. A caminhonete voltou a se mover. “Ou apenas seu amigo.”
“Que seja.” resmunguei, desistindo de argumentar. Não seria tão divertido irmos se ele fosse a contragosto.
Eu o ouvi suspirar.
“Mas, você está certa, eu prometi.” Disse depois de um momento, buscando uma de minhas mãos, levando-a aos lábios e depositando nela um beijo suave. “Mas pode ser outro dia? Não acho que hoje seja o melhor dia.”
Sua voz soou vulnerável, por um momento, como se houvesse algo que não estivesse me contando. Eu o olhei com mais atenção; Apesar de ter os olhos na estrada, eu ainda podia ver seu rosto impassível com clareza, e achei ter visto algo ali que beirava o medo.
Não era comum vê-lo hesitar sobre alguma coisa, e me vi questionando qual seria o motivo real. Tentei lembrar daquele dia no penhasco, e de como Jacob agiu naquela situação, mas minha memória sobre aqueles ocorridos era vaga, e o pouco que surgia era bagunçado, como se tivessem sido misturadas no liquidificador.
Eu me lembrava de ouvir sua voz desesperada, e do alívio estampado em seu rosto quando finalmente abri os olhos, mas não consegui pensar em mais detalhes. Ter água salgada queimando meus pulmões e minha garganta enquanto eu a expelia não era uma de minhas memórias favoritas.
Tentei imaginar aquele dia pelo ponto de vista de Jacob, lembrando que o motivo de ele não estar lá comigo quando decidi pular, era porque estava, literalmente, seguindo Victoria pela floresta. Lembrei do modo como pareceu frustrado quando disse que ela escapou pela água, e que ele não havia conseguido me achar em sua casa.
Um calafrio subiu por minhas costas, relembrando quão perto Victoria realmente havia chego de me alcançar.
Só posso imaginar como ele deve ter se sentido desesperado, seguindo as marcas do pneu da caminhonete, e meu cheiro, apenas para me ouvir gritar, enquanto pulava. Uma nova pontada de culpa me atingiu, ao notar que, talvez, pulos do penhascos não fossem mais algo que Jacob considerasse divertido.
Ele não estaria se sentindo daquela forma, se eu não tivesse sido burra o suficiente para pular sozinha.
“Caminhar pela praia parece ser uma boa ideia também.” Finalmente falei, minha voz soando mais rouca do que imaginei que estaria. Pigarreei, olhando pela janela.
Vi, pelos cantos dos olhos, seu olhar faiscando na direção do meu rosto, antes de um suspiro escapar por entre seus lábios. Jacob me puxou, anulando a pequena distância entre nós, e me apertou contra seu corpo. “Sei o que está passando por sua cabecinha, Swan, e você não devia estar pensando nisso.”
Foi a minha vez de olhá-lo de lado.
“Não sabe, não.”
“Você sempre subestima o quanto eu te conheço.” Ele meio que riu, antes de sua expressão voltar a se tornar grave, sem nunca tirar os olhos da estrada. “Sei quando está se culpando por alguma coisa. Está escrito na sua cara.”
Grunhi, fazendo uma careta, e querendo mudar de assunto. “Você agora virou especialista em expressões faciais, ou algo do tipo?”
“Não.” Ele riu, sorrindo de lado para mim. “Apenas as suas.”
Eu escondi meu rosto em seu peito, tentando apagar o calor que queimava em minhas bochechas.
Para a minha surpresa, quando chegamos à praia, a mesma estava praticamente vazia, apesar do tempo relativamente bom. Tirei os sapatos e as meias, e deixei-os na caminhonete, correndo em direção ao mar, em seguida.
Eu havia estado naquela praia mais vezes do que podia contar, e foram poucas as vezes em que vi o mar daquela cor. Apesar de não ter a menor intenção de nadar, achei que devia aproveitar aquela rara ocasião, e ao menos colocar os pés na água.
“Você não está pensando em entrar no mar, está?” Questionou Jacob, me alcançando facilmente, porém, mantendo distância da água.
“Não, só quero colocar os pés na água um pouco… É estranhamente relaxante.” Respondi, jogando um sorriso em sua direção, sentindo a água gelada tocar os meus dedos.
“Sim, hipotermia é sempre relaxante.” Brincou, sarcástico, e eu sacudi a minha cabeça.
“É, se você estiver aqui para me esquentar…” Comentei, andando para longe enquanto chutava a água, fingindo não ter visto a expressão que tomou seu rosto.
Logo ele veio atrás de mim, me alcançando em menos de um segundo, enrolando os braços ao meu redor, e me tirando da água com um só movimento. Tentou roubar um beijo, mas eu me afastei, empurrando-o para longe.
“Não, sem beijos para você. Você anda rabugento demais!”
Ele fez beicinho. “Rabugento?”
Eu assenti. “Talvez você esteja andando demais com Sam. Tão sério o tempo todo. Precisa relaxar mais.”
Jake riu. Seus braços — que ainda me seguravam com força por trás -, me permitiam sentir toda a extensão de seu corpo magnífico contra o meu, e o modo como sua risada fazia seu corpo chacoalhar.
“Hoje é meu dia de folga.” Comentou por fim.
“Então que tal você relaxar comigo? Vamos colocar os pés na água."
Jacob riu alto dessa vez. “Por que você quer tanto isso? A água está congelante.”
“Por que você é tão contra?” Retruquei do mesmo modo. “Eu só quero fazer algo com você que não envolva arriscar nossas vidas. Sabe, algo que casais normais fazem…”
“E casais normais arriscam hipotermia apenas para colocar os pés no mar?” respondeu, visivelmente achando graça das minhas reações.
“Será que você pode parar de falar sobre a temperatura da água, por um segundo e focar no que realmente importa?'' perguntei, perdendo a paciência. “Eu nunca fiz coisas que casais normais fazem — ou tive um relacionamento normal, por sinal -, e você não está exatamente facilitando as coisas para mim.”
Jacob afrouxou o abraço e apoiou sua cabeça no topo da minha. Eu podia ver as ondas quebrando no horizonte, e sentia o vento chocar-se contra nossos corpos, enquanto nos abraçamos daquela maneira.
“Bella, nós não precisamos ser iguais às outras pessoas. Nosso relacionamento pode até não ser normal, mas o importante é que estamos juntos, certo? Molhando os pés na praia, ou não; caçando vampiros, ou não; isso nunca vai mudar.”
Corei novamente, sabendo que ele podia sentir meu coração acelerar no peito. "Você por acaso sofre com a síndrome de múltiplas personalidades? Uma hora está rabugento, na outra vira poeta."
Ele riu alto, me soltando. Segurei sua mão, deixando-me ser levada por ele, que começou a andar na direção do estacionamento. “Estou tentando ser romântico pela primeira vez, e você me esnoba assim? Talvez eu devesse continuar sendo rabugento, então.”
Quando ele me viu revirar os olhos para o seu drama, não deixou barato. Sem nenhum aviso, seus braços passaram pela minha cintura, e ele me jogou por cima do seu ombro.
“Jacob!” gritei, quando vi o chão se aproximando do meu rosto. “Me ponha no chão!”
Ele me ignorou, rindo, e seguiu em direção ao carro, colocando-me no chão apenas quando já estávamos ao lado da caminhonete. Pegou uma garrafa meio vazia de água que estava na cabine, e lavou a areia de meus pés, antes de calçar minhas meias e meus sapatos para mim.
Durante todo o tempo fiquei em silêncio, porém, vendo o sorriso satisfeito em seu rosto, decidi alimentar — ainda mais- seu ego.
“Muito obrigada, Sr. Black. Qual é o seu plano, então, já que não vamos ficar na praia?”
Ele me puxou para um de seus beijos ardentes e, sem me soltar, entrou na caminhonete.
“Bom, já que ficou claro que nenhum de nós sabe o que um casal normal faz quando estão juntos, vamos aproveitar nosso tempo juntos em casa, mesmo.”
***
“Bella, eu não te trouxe até aqui pra passar o tempo todo na cozinha!” Reclamou Jacob, mais tarde, quando me ofereci para fazer o jantar. “Volte aqui! Eu vou pedir pizza.”
“Jake, não podemos comer pizza todas as vezes em que estivermos juntos, só porque não quer ficar a um cômodo de distância.” retruquei.
“Claro que podemos, eu tenho o metabolismo mais rápido do mundo.” garantiu, puxando-me para mais perto de si. “Toda essa pizza vira energia, rapidinho.”
“Fale por você, garoto.” empurrei-o de brincadeira, mesmo que não o tenha movido nem um centímetro. “Levando em consideração todos os doces que a Emily vem me enfiando goela abaixo, e todas as vezes que comemos pizza e hamburger, logo terei diabetes, ou algo assim. Acho que engordei uns seis quilos só ontem, com todos aqueles muffins que Emily não parava de tirar do forno.”
Jacob gargalhou. “Você está exagerando, Bells.”
“Exagerando? Você tem que admitir que todo esse açúcar não deve ser bom, nem mesmo para você, sendo lobo, ou não.” Insisti, me segurando para não rir de sua cara. Aproveitei a brecha para provocá-lo. ”Está decidido, irei fazer uma salada, e vamos começar uma dieta, juntos, hoje mesmo.”
Seus olhos dobraram de tamanho, aderindo o olhar mais assustado que vi em seu rosto, durante toda a minha vida; era quase como se eu tivesse acabado de sentenciá-lo à morte.
“Bella, isso é tortura!” Ele gemeu, me soltando completamente. “Eu estou em fase de crescimento, não posso viver de mato.”
“Mas, Jake, suas veias estão entupindo, neste exato momento!” exclamei, exageradamente. “Você precisa comer coisas saudáveis, senão, nem o gene de lobo vai conseguir te salvar!"
Jacob estacou, encarando-me com um olhar sério. Pude ver em seus olhos que tinha, realmente, acreditado em minha piada, e parecia considerar se valia mesmo a pena continuar naquele relacionamento.
Perdi o controle ao pensar que comida poderia ser o fator mais importante em nossa relação, e caí na risada.
“Não se preocupe, lobão, eu estou só brincando! Qual é o telefone da pizzaria?” Perguntei, me dirigindo ao telefone.
“Você está impossível hoje, Swan!” Ralhou, correndo atrás de mim, com o intuito de me pegar.
Vinte e cinco minutos depois, estávamos relaxando no sofá. Eu tinha dois pedaços de pizza em um prato, enquanto Jacob tinha todo o restante da pizza, dentro da caixa, que estava apoiada em seu colo. Depois de zapear por todos os canais sem encontrar nada muito interessante, acabamos parando em um filme antigo de romance, que eu nunca havia ouvido falar, mas que Jacob dizia ser um clássico.
Antes mesmo de chegarmos à metade do filme, eu já não conseguia mais manter os olhos na tela. Como poderiam existir pessoas que gostassem daquele tipo de filme?
Espiei Jake pelo cantos dos olhos, tentando ver suas reações, mas acabei sendo pega.
“O que foi? Por que está com essa cara?” Perguntou, limpando o canto da boca com um guardanapo. Ele havia terminado a pizza inteira vários minutos antes, mas ainda pescava os pedaços de queijo derretido que haviam grudado no fundo da caixa.
“Hmm, você… gosta desse filme?” questionei, com cuidado. A última coisa que eu queria, era falar mal de um filme que ele gostasse.
Ele apenas deu de ombros.
Mordi o lábio enquanto apertava os olhos, tentando encontrar as palavras certas para expor minha opinião. “Você não acha que ele é um pouco…”
“Idiota?” completou, e eu quase suspirei em alívio por não ser a única que pensava aquilo. “Não há motivos para a garota querer ficar com ele. Nada além de ser o seu ‘primeiro amor’. O cara a vem tratando como lixo o filme inteiro, e, ainda assim, ela continua correndo atrás dele.”
Jacob apontou para a cena que se desenrolava na tela, onde o personagem principal beijava outra pessoa na frente da garota que o amava. “Viu? Idiota.”
“Graças a Deus não sou a única que pensa assim. Este filme está mais para uma tragédia, do que para um romance.”
A garota na televisão caiu aos pés do homem, chorando e pedindo para que ele voltasse para ela. Eu fiz uma careta. “Se é isso que os casais normais fazem, então estou feliz por não sermos normais.”
Nós assistimos por mais alguns minutos, torcendo para que a garota acordasse, e parasse de correr atrás do homem que a havia traído, porém, a história não parecia que se desenvolveria daquele jeito. Tive a impressão de que eles iriam fazer com que ela tentasse ‘mudá-lo’ com o seu amor.
Depois de uma cena na chuva, onde ele pediu perdão, dei as costas para a televisão, sentindo algo que beirava nojo. Que bosta de filme.
“Não sei porque eles romantizam tando o primeiro amor. Ela é, obviamente, boa demais para ele.” Reclamei, sentindo-me irritada. “Não sei como alguém acha romântico vê-la correndo atrás dele, depois de tudo o que fez.”
Jacob riu. “É só um filme, Bella. Relaxa.”
“Mas é mesmo só um filme? O primeiro amor sempre é descrito como ‘o amor supremo’, o amor que ninguém esquece.” Eu bufei, cruzando os braços. “Se quer saber, acho que essa história de primeiro amor é muito superestimada. O primeiro amor não é sempre predestinado a ser o único verdadeiro, ou algo do tipo.”
A mão de Jacob me cutucou e puxou a minha manga, em uma tentativa de descruzar os meus braços.
“Bom, isso é um problema.” Ele disse.
“Um problema? Por que?” Lancei um olhar confuso.
“Porque preciso que o meu primeiro amor seja o único verdadeiro.” Ele sussurrou, inclinando-se, lentamente, em minha direção. As paredes de minha garganta secaram, e, automaticamente, me afastei de seu rosto — que se aproximava cada vez mais de mim. Quando vi, estava completamente deitada no sofá, e ele estava sobre mim.
Ambos seus braços estavam apoiados — um em cada lado de minha cabeça -, e ele suspendia seu corpo sobre o meu. Seus olhos semi abertos assistiam a cada movimento meu; cada respiração; sem perder um detalhe.
Jacob havia acabado de dizer que eu era o seu primeiro amor.
Engoli em seco.
Ele soou tão sério quando disse que queria que fosse o único, que suas palavras pareciam ter entrado em minha alma, e feito uma bagunça por lá. Subitamente, não pude mais pensar em nada que não fosse ele — e o seu corpo quente — tão próximos a mim.
Seus lábios estavam levemente separados, apenas esperando um movimento meu para atacar; Seu cheiro amadeirado, me envolvia completamente; Seus olhos escuros pareciam conter nada além do amor mais forte que eu havia experimentado, em toda a minha vida.
Não havia dúvidas ou incertezas naquele olhar. Cada palavra dita, fora a mais pura verdade.
No fundo de minha mente, notei que nunca havia dito a ele que o amava. Disse que precisava dele, e que não podia viver sem tê-lo em minha vida, mas nunca havia pronunciado as palavras 'eu te amo', de fato.
Me perguntei se aquela seria uma boa hora para dizê-las.
Talvez sim, mas eu estava tão enfeitiçada por sua boca — que estava perigosamente perto da minha -, que tudo o que consegui fazer foi deixar que meu olhos se fechassem. Foi a minha vez de me inclinar em sua direção, pronta para sentir todo aquele amor, que ele sempre depositava em seus beijos deliciosos.
Todavia, não consegui alcançar seus lábios. O calor, que vinha me esquentando, subitamente sumiu; eu abri os olhos, confusa, procurando por ele.
Jacob estava de pé, no final do sofá, seu corpo virado parcialmente em direção à cozinha, com um sorriso de lado no rosto, que eu só poderia descrever como satisfeito.
“O que está fazendo? Precisamos tomar um banho antes de irmos para cama.” Seu tom era casual, mas pude ouvir seu sorriso ao fundo que sabia muito bem o que havia acabado de fazer.
Ele saiu, à passos largos, em direção ao fundo da casa, onde o imaginei procurando por toalhas e as coisas necessárias para que pudéssemos tomar banho, enquanto eu fiquei ali, deitada no sofá, sentindo meu corpo inteiro ferver, e meu lábios formigarem, necessitando seu contato.
Minha cabeça girou, fazendo as paredes se inclinarem de maneiras estranhas, e sem entender o que exatamente tinha acabado de acontecer. Pisquei diversas vezes, tentando estabilizar minha respiração irregular.
Ele… Jacob tinha me deixado em frangalhos!
Sacudi a cabeça, tentando acordar do transe que havia entrado enquanto minha mente pensava em nada além dos seus malditos lábios, me perguntando como era possível que Jacob conseguisse me fazer sucumbir, completamente, sem nem ao menos me tocar? Como era possível que eu tivesse perdido o controle total de meu corpo, com apenas seu olhar sobre mim?
Sentei-me no sofá, lentamente, sentindo os efeitos dele sobre meu corpo começarem a dissipar. Cobri os olhos com a mão por um momento, imaginando quão patética eu devia ter parecido, me inclinando, achando que ele iria me beijar ali mesmo, na sala, apenas para ele se afastar, em seguida.
Bom, a culpa era tecnicamente dele, por ter se aproximado tanto de mim. Ele não podia simplesmente colocar seu rosto tão perto do meu, e achar que eu não reagiria a isso.
Meu corpo inteiro se arrepiou, novamente, lembrando quão perto estivemos um do outro, apenas alguns minutos atrás, naquele sofá.
Me levantei, marchando em direção ao banheiro, decidindo que precisava de um banho gelado, urgentemente. Talvez a água fria ajudasse a apagar o que quer que estivesse queimando dentro de mim, naquele momento.
Abri a porta do banheiro, dando um passo para dentro, antes de notar algo muito importante: Eu não havia realmente prestado atenção para onde Jacob havia ido, quando saiu da sala.
E, ali, parado no meio do banheiro pequeno da casa, eu o encontrei. Ele tinha a toalha em uma mão, e se virou para mim completamente espantado, quando abri a porta sem bater.
Meus olhos desceram sem que fossem comandados. De seu rosto, para os seus ombros fortes e seu peito exposto; seu abdômen trincado — que eu nunca me cansava de olhar, parando na parte que antes eu apenas havia imaginado -.
Jacob estava completamente pelado.
Oh, Meu Santo Jesus Cristo!
Minhas pernas bambearam, e eu agarrei a maçaneta da porta, como a um bote salva-vidas.
“Essa é algum tipo de vingança por eu ter te visto sem toalha, no outro dia?” Perguntou casualmente; sua voz rouca me despertando com um solavanco. Meus olhos voaram de volta para o seu rosto onde encontrei um sorriso safado estampado ali, sem qualquer sinal de constrangimento.
Eu gaguejei, tentando achar palavras, mas minha boca parecia ter esquecido como funcionar corretamente.
Forçando minhas pernas a se moverem, joguei-me para fora do banheiro, fugindo dele como um demônio fugiria da água benta, e batendo a porta atrás de mim, sem a menor discrição. Meu coração parecia querer sair pela boca a qualquer momento, enquanto me agarrava na maçaneta da porta, chocada demais para conseguir abrir meus dedos e soltá-la.
Ouvi a risada baixa de Jacob soando de dentro do banheiro. Ele pareceu muito satisfeito consigo mesmo, antes de a água do chuveiro começar a bater no chão.
Tentando me concentrar, fiz com que meus dedos se soltassem, e minhas pernas se movessem lentamente de volta para a sala. O caminho pareceu mais longo do que eu me lembrava, e, quando caí sentada no sofá, minha alma pareceu sair do corpo, e voar para longe.
Demorei alguns minutos para voltar a ter algum pensamento que fosse coerente; e, então, a vergonha me deu um tapa na cara, e eu quis sair correndo daquela casa. Considerei seriamente se seria pior enfrentá-lo — e ao seu sorriso cafajeste -, quando saísse do banheiro, ou no dia seguinte, quando me perguntasse o por que de ter fugido de sua casa no meio da noite.
Me senti ainda mais patética do que nos momentos anteriores, como se aquilo fosse, de alguma forma, possível.
Pensei no que Charlie diria se eu aparecesse em casa àquela hora, sem uma explicação decente para ter desistido de passar a noite na casa dos Black. Ele — com certeza — não acreditaria se eu dissesse que apenas queria dormir em casa. Minhas habilidades para mentira nunca haviam sido muito boas, e qualquer chance de mentir sem ser pega havia se perdido, assim como a minha dignidade, alguns minutos antes.
Chacoalhei a cabeça, tentando voltar a mim mesma. Não! Eu não iria voltar para casa apenas porque havia visto Jacob nú. Eu estava sim, muito envergonhada por ter olhado — talvez por tempo demais — para as suas partes privadas, mas aquilo não devia ser um motivo para fugir dele.
Jacob havia me visto sem roupas antes.
Ele mesmo comentou sobre aquilo ser uma vingança, ou algo assim, e não pareceu nem um pouco envergonhado; não naquele momento, e muito menos quando era eu quem estava despida.
Belisquei minhas bochechas — que estavam quentes demais para o meu gosto -, e soltei todo o ar de meus pulmões. Meu rosto devia estar completamente vermelho, e eu sabia que meu corpo não estava muito melhor. Tentei pensar em outras coisas, e relaxar o suficiente para fazer com que meu coração parasse de bater de forma tão descontrolada, mas aquela se provou uma tarefa muito mais difícil do que eu havia previsto.
Pude ouvir a porta do banheiro se abrindo, anunciando que Jacob havia terminado seu banho. Não ouvi seus passos, mas, quando me levantei do sofá, procurando pela mochila com roupas que havia levado comigo, Jacob estava parado na entrada no corredor, secando os cabelos com a toalha.
Ele vestia apenas um par de shorts, como sempre, e tinha algumas gotinhas de água ainda escorrendo por seus ombros e pelo peito. No rosto, aquele mesmo sorriso cafajeste que eu havia visto alguns minutos atrás.
Caralho.
“Eu deixei uma toalha seca para você no banheiro.” informou, dando alguns passos, e tomando o lugar que eu antes ocupava no sofá.
“Valeu.” resmunguei, puxando a mochila do chão, e correndo em direção à entrada do banheiro, novamente.
“Ah, e Bells?” Chamou; eu parei automaticamente, para olhá-lo. “Acho que você tem algo escorrendo aqui.”
Jacob passou o dedo pelo canto da sua própria boca, como se limpasse algo ali. Por um segundo, tentei limpar o canto da minha própria boca, mas o seu sorriso de lado me parou. Meus dentes trincaram com um estalo, e eu lhe dei as costas, marchando em direção ao banheiro.
“Foi um acidente!” Gritei, antes de fechar a porta e trancá-la.
Quando entrei embaixo da água do chuveiro, fiz questão de que estivesse o mais gelada possível, contrariando todos os meus instintos, que imploravam para que eu me aquecesse.
Tomei banho rapidamente, pensando em qualquer coisa que não fosse o lobo do lado de fora, e focando em não escorregar; Já havia passado por humilhação demais, para ainda ter que ouvi-lo rir de mim por ser um desastre.
Quando saí do banheiro, devidamente limpa e vestida, Jacob não estava em lugar nenhum. Passei os olhos pelo lugar procurando por ele, mas não o encontrei, imaginando que, talvez, estivesse em seu quarto.
“Procurando por alguém?”
O som repentino de sua voz rouca em meu ouvido fez meu coração disparar novamente, e eu pulei, virando, e encontrando-o parado logo atrás de mim. Suas mãos, imediatamente, foram de encontro a minha cintura, para evitar que eu me chocasse contra ele.
“Jacob!” Ralhei, sentindo meu rosto esquentar novamente, destruindo todo o trabalho que tive para me acalmar, no banheiro. “Você ainda vai acabar me matando do coração, sabia?”
Ele riu baixinho.
O som da porta da frente se abrindo fez com que ambos acordássemos do estupor que a nossa simples interação havia causado. Jake lançou um longo olhar em minha direção — que continha sentimentos que imaginei não serem apropriados para serem expressados em público -, antes de dar a volta ao meu redor, e ir em direção a sala. Eu o segui.
“Hey, Jacob!” Cumprimentou Billy, quando entramos no cômodo. Para minha surpresa, era Paul quem empurrava sua cadeira de rodas pela porta. “Boa noite, Bella!”
Eu acenei para Billy, com um sorriso, pronta para cumprimentá-lo, porém, Paul me cortou, antes mesmo que eu pudesse abrir a boca.
“Jake… e Bella?! Oh! Eu não acredito que planejaram uma festa do pijama, e nem chamaram os amigos!” Exclamou, fingindo uma cara triste, como se realmente estivesse chateado com a notícia. “Seth vai chorar quando ficar sabendo disso!”
Eu quase consegui ouvir os olhos de Jacob revirando nas órbitas. “Ele não vai chorar, porque você não vai abrir a boca.”
Eu e Billy trocamos um olhar, sabendo muito bem aonde aquela conversa ia. Ele sorriu para mim, cúmplice, balançou a cabeça, e começou a rolar a cadeira para longe de Paul.
Ele me deu um tapinha nas costas quando passou por mim — quase como se desejasse boa sorte -, antes de sumir para o fundo da casa.
“Eu não preciso abrir a boca para que eles fiquem sabendo, mano, você sabe disso.” Paul sorriu grande, parecendo muito orgulhoso por ter uma vantagem sobre Jacob. “Que tal você me deixar participar da sua festa, e ficamos quites? Por acaso tem comida sobrando, por aqui?”
Ele começou a andar em direção a cozinha, sem nem ao menos esperar por uma resposta, e Jacob o parou a meio passo, colocando a mão no seu peito.
“Não é uma festa, Paul. E mesmo que fosse, você não estaria convidado.” Grunhiu, parecendo estar começando a perder a paciência. Me perguntei se deveria intervir, antes que as coisas começassem a ficar sérias demais. “Bella está passando a noite aqui para ficar longe do sanguessuga.”
Paul gargalhou alto. “Claro, claro.”
Ele me lançou um olhar intenso — seu sorriso grande ainda dominava seu rosto -, antes de voltar a olhar para Jacob. Ele deu as costas para nós, erguendo as mãos no ar, como se estivesse se rendendo. “Tudo bem, eu sei quando não sou bem-vindo.”
“Que bom. Agora vaza.” Murmurou Jake. Seu tom deixava claro que não estava para brincadeiras. Paul, entretanto, não pareceu notar, e, se notou, decidiu ignorar completamente.
“Mal posso esperar até amanhã, quando você se transformar.” Comentou, casualmente, andando em direção a porta, sem olhar para nós enquanto falava. “Apesar de não querer ser colocado na sua listinha negra, não será minha culpa se você não conseguir controlar os próprios pensamentos, certo?”
Jacob se lançou sobre Paul, que riu, parecendo adorar o fato dele ter caído em suas provocações. Ambos desapareceram pela porta da frente, em seguida; Jake a centímetros de agarrar o pescoço de Paul.
Meu olhar ficou preso à porta por um longo momento, enquanto assimilava o que Paul havia dito. Meu cérebro parecia trabalhar mais lentamente que o normal.
Demorei para fazer a conexão entre os pensamentos de Jacob; nossa ’festa do pijama’; e porquê Paul entraria na lista de Jacob por causa disso. Quando finalmente entendi, senti — pela segunda vez naquela noite -, minha alma sair do corpo.
Quando Jacob voltou, alguns momentos depois, me encontrou sentada no sofá, com uma expressão estranha no rosto, sem saber como reagir.
“Bella, não esquente a cabeça com as coisas que o Paul diz. Ele é um imbecil.”
“Jacob…” O chamei, lentamente, engolindo em seco “Eles podem ver tudo o que fazemos.”
Ele pareceu confuso por um momento com a minha afirmação. “Sim, eu te falei sobre isso antes.”
“Jacob. Eles podem ver tudo o que fazemos!” Eu repeti, olhando significativamente em sua direção. Imagens sobre a noite em meu quarto pularam em minha mente, como flashes, e eu senti meu coração perder uma batida.
Ele finalmente pareceu entender aonde eu queria chegar. “Não é bem assim, Bells, eles…”
“Ai meu Deus, eles me viram nua!” interrompi-o, exclamando aos sussurros, para que Billy não ouvisse. “Jacob!”
“Bella, não é assim!” garantiu, andando até mim e sentando-se ao meu lado, passando os braços ao meu redor. “É só uma questão de controle dos pensamentos. Se eu não pensar sobre isso, eles não veem. De vez em quando alguém escorrega, mas é normal pra todo mundo. Semana passada mesmo, o Jared deixou escapar uma lembrança de quando ele e a Kim…”
Eu me afastei dele rapidamente, com os olhos arregalados.
“Eu não quero saber o que o Jared e a Kim fizeram, Jacob. Essas coisas são particulares. Não é porque ele deixou escapar que você tem que sair por aí anunciando!” insisti, em choque. Meu rosto voltou a ficar vermelho, ainda lembrando de tudo o que fizemos, enquanto eu pensava estarmos sozinhos. Fiquei em silêncio por alguns segundos, encarando-o com seriedade, e prestando atenção em todas as suas reações, para ter certeza de que sua resposta a minha próxima pergunta seria verdadeira. “Você já 'deixou escapar' alguma coisa, Jacob?
Pela primeira vez em muito tempo, as bochechas morenas de Jacob tomaram uma cor levemente avermelhada.
"Bom…"
"Jacob Black!"
"Foi sem querer, e foi só o Jared quem viu." garantiu; seus olhos suplicando por compreensão. "Eu prometi não falar sobre o que vi em seus pensamentos, e ele prometeu não falar sobre os meus.”
Eu joguei meus braços para o alto. "Isso não melhora nada, Jacob! Como vou poder olhar na cara dele depois disso?"
“Ele nunca falaria nada, não precisa se preocupar! Nenhum deles falaria, mesmo que eu deixasse escapar para o bando inteiro." Ele afirmou, e eu o encarei significantemente. “O Paul não conta, ok? Ele é um idiota!”
Chacoalhei a cabeça, andando de um lado para o outro da sala.
“Não! Não podemos deixar que algo assim aconteça.” Afirmei, decidindo ali mesmo que preferia ser enterrada viva do que ter Paul fazendo piadinhas sobre nós. “Nós temos que fazer algo sobre isso.”
Jacob passou os braços ao meu redor, impedindo-me de continuar andando. Ele segurou o meu rosto com uma das mãos, puxando o meu queixo para que eu olhasse-o nos olhos.
“Não precisamos fazer nada; Não vou deixar mais nada escapar.” Ele sorriu, reafirmando. Seu dedão passou pelo meu lábio inferior, lentamente, contornando-o. Seu rosto se inclinou em minha direção.
“O que pensa que está fazendo?”
Ele pareceu surpreso com a minha pergunta por um segundo, antes de continuar a aproximar nossos lábios. “Te beijando?”
“Hã, não. Não está, não.” Coloquei meu dedo sobre sua boca, parando seu progresso. Contorcendo-me, escapei de seus braços, dando dois passos para longe de Jacob, antes de voltar a olhá-lo. Ele me encarava parecendo muito confuso. “A partir de hoje, iremos ficar a essa distância um do outro.”
Jacob fez uma carranca. “Nem fodendo.”
Ele deu um passo em minha direção, porém, eu ergui a mão, dando um passo para trás. “Jake, é para o seu próprio bem. Nós precisamos ficar longe um do outro.”
“Agora você passou dos limites.” Anunciou, avançando sobre mim em um piscar de olhos, me agarrando facilmente na prisão de fogo que eram seus braços.
“Ei! Eu não te dei permissão para se aproximar!” Exclamei, antes de seu rosto se enterrar em meus cabelos. Senti seu nariz quente tocar meu pescoço, inalando profundamente, antes de depositar um delicioso beijo naquele ponto sensível.
“Eu não pedi permissão.” Murmurou; sua voz rouca perdida em algum lugar perto do meu ouvido, causando arrepios.
Tive que juntar toda a força de vontade que tinha em mim para conseguir fazê-lo parar. Meu corpo implorava por seu calor e por seus lábios, e eu até considerei — por alguns segundos -, enquanto suas mãos deslizavam pelo meu corpo, deixar tudo de lado, e aproveitar.
Mas a voz de Paul encheu a minha mente, e o modo como me olhou longamente antes daquele sorriso convencido tomar seu rosto, me tirou dos braços de Jacob.
Agarrei o travesseiro que estava sobre o sofá — e que imaginei ter sido trazido por Jacob enquanto eu tomava banho -, erguendo-o entre nós como se fosse um escudo.
“Acho melhor irmos dormir.” Declarei, sem folêgo.
Jacob não se moveu, apenas me encarou por um longo minuto. Tudo o que podia ser ouvido era o tick tack do relógio da sala.
“Certo. Está mesmo na hora de ir para cama.” Respondeu, respirando profundamente, antes de apagar as luzes e fechar a porta da frente, que ainda estava aberta.
Suspirei, aliviada, jogando-me no sofá e ajeitando o travesseiro para me deitar.
“Agora, o que você pensa que está fazendo?” perguntou. Apesar de não poder ver seu rosto, seu tom de voz deixava claro quão frustrado estava.
Sorri docemente para o escuro. “Dormindo no sofá. Você pode ficar na sua cama; eu não quero te incomodar mais do que o necessário.”
“Me incomodar?!” Ele bufou. “Você é inacreditável, sabia?”
Como meus olhos ainda não estavam acostumados com a escuridão, não o vi se aproximar, então, quando senti meu corpo ser levantado do chão — Jacob me carregando em seu colo como uma princesa -, quase soltei um grito.
Não precisava enxergar para saber para onde estava me levando. Ouvi uma porta sendo fechada com um baque surdo, antes de ser colocada em sua cama.
“Se vai insistir nessa baboseira, então você dorme aqui, e eu fico com o sofá.” Resmungou enquanto se afastava, e eu me apressei para segurar sua mão, antes que se fosse completamente.
“Agora quem está sendo inacreditável?” Exclamei; meus olhos sendo capazes de distinguir a sua figura tensa. “Nem que o mundo acabe vou deixar que você durma lá!”
“E eu não vou deixar que você durma lá”. Decretou, antes de retirar a minha mão da sua, e cruzar os braços sobre o peito, fazendo seus músculos ficarem ainda mais proeminentes.
Eu o encarei, em desafio. Uma fraca luz passava pelas cortinas, vinda da lua, que brilhava no céu.
Ele queria ser teimoso? Eu podia ser também.
Peguei o único travesseiro que havia na cama e joguei-o no chão, sem tirar os olhos dos seus por um momento. “Então eu durmo no chão.”
Saí de sua cama, puxando o cobertor comigo, e me deitei no chão, sobre o tapete do seu quarto. Fechei os olhos imediatamente, querendo deixar claro que falava sério, e que não havia nada que ele pudesse dizer para me fazer mudar de ideia.
Achei que tivesse entendido o recado, pois, logo saiu do quarto, e voltou, não muito tempo depois, com seu travesseiro. Pensei que ele finalmente tivesse desistido, e fosse deitar-se em sua cama, como eu queria que fizesse, porém, ouvi o outro travesseiro cair no chão, ao meu lado.
“Vá para a cama, Jacob." Pedi, sem abrir os olhos.
Senti seu calor irradiando de seu corpo e navegando até meu lado esquerdo, deixando claro que ele havia se deitado comigo. Eu me virei, ficando de lado, dando as costas para ele.
“Me force.” Foi tudo o que ele respondeu.
Eu bufei. Como podia ser tão petulante?
“Quantos anos você tem? Três?” acusei.
“Olha quem fala.” resmungou, mudando sua voz, ao tentar me imitar. “Senhorita ‘Eu vou dormir no chão’."
Senti meu rosto esquentar, irritada.
“Você vai acordar com dor nas costas amanhã.” Retruquei, ajeitando as cobertas ao meu redor.
“O mesmo vale para você.” Respondeu, rindo pelo nariz.
Ambos ficamos em silêncio depois disso, frustrados demais um com o outro; Fechei os olhos com mais força, determinada a cair no sono o mais rápido possível.
Obviamente, o chão do quarto de Jacob não era o lugar mais confortável para aquilo acontecer, e era a última coisa que eu teria imaginado que iríamos fazer, quando falamos sobre dormir na sua casa. Eu estava agradecida por, pelo menos, ter um tapete para deitarmos em cima, mas, a cada minuto que se passava, eu tinha mais certeza de que aquela seria uma longa noite.
Um longo tempo se passou, até eu sentir seu toque em minhas costas. Eu não havia notado, mas Jacob havia, lentamente, se aproximado de mim, deitando o mais perto possível sem me tocar.
Eu segurei o riso.
Seus dedos tocaram meus cabelos, tirando-os de meu rosto.
“Jacob…” avisei-o, pronta para me virar em sua direção e adverti-lo novamente. Seu braço, porém, passou ao meu redor, restringindo-me. De repente, o chão não era a única coisa dura pressionando contra mim, quando senti-o me puxar para trás e grudar meu corpo no seu. Eu continuei: “Eu te disse antes; não quero que nenhum dos meninos…”
Ele moveu o resto do meu cabelo para o lado com o nariz, abrindo acesso completo para meu pescoço. Eu podia sentir sua respiração quente ali, causando arrepios.
“E qual é o seu plano?” Perguntou; sua voz não passava de um sussurro rouco. “Ficar para sempre longe de mim? Nunca mais me deixar te tocar?”
Como se para provar quão idiota era aquela ideia, seus lábios tocaram meu pescoço, chupando a pele macia levemente, e lambendo com fervor em seguida. Sua mão em minha cintura desceu pela lateral do meu corpo, agarrando a minha perna com força. Eu gemi sob seu toque.
“Prometo não deixar nada escapar. Vou tomar o dobro de cuidado, especialmente se Paul estiver por perto.” Assegurou-me, sem nunca tirar seus lábios do meu pescoço. À esse ponto, eu não conseguia mais pensar, focada demais na sensação que seus lábios quentes traziam. “Você não confia em mim?”
A pergunta me pegou desprevenida, e eu me forcei a respondê-la, tentando colocar alguma firmeza em minha voz. “Confio, mas…”
Jacob capturou o lóbulo da minha orelha entre seus dentes, fazendo-me perder a linha de raciocínio. Seu hálito quente me excitou, fazendo com que uma sensação ainda mais quente crescesse entre as minhas pernas.
“Então, não se preocupe. Vou ficar de olhos fechados o tempo inteiro; assim ninguém vai poder te ver.” Prometeu, entre beijos doces, empurrando a coberta para longe.
Seu outro braço esquerdo esgueirou-se por debaixo de meu corpo, selando meu destino. Eu estava presa, sem chance alguma de escapar de seus ataques maravilhosos em meu pescoço... Não que eu quisesse escapar.
Quando virei o pescoço, em uma vã tentativa de olhá-lo, seus lábios capturaram os meus, e pude ver que ele falava a verdade. Jacob tinha os olhos cerrados, e as narinas infladas, enquanto provava cada canto da minha boca.
Naquele momento, não pude deixar de admirar quão lindo ele era: Sua pele morena, levemente avermelhada, a marquinha em seu queixo, e o modo como — mesmo de olhos fechados — me atacava com fervor, sem se restringir, nem por um segundo.
Ele era um pedaço de mal caminho.
A mão que havia passado por baixo de mim deslizou por entre minhas roupas, como se ali pertencesse. Seu toque deixava um rastro de fogo para trás, enquanto deslizava pela minha barriga, e subia lentamente, parando apenas quando encontrou uma barreira, que era meu sutiã.
Eu resfoleguei. A tarefa de respirar, de repente, se tornou muito difícil. Imaginei que tivesse notado o efeito que teve sobre mim, pois ouvi-o grunhir; um som que pareceu vir do fundo de seu peito, soando muito satisfeito.
“Ah, Bells… Você é tão perfeita.” Sussurrou em meu ouvido, me distraindo o suficiente para que sua mão se esgueirasse pela abertura de meu sutiã, e envolvesse meu seio direito, completamente.
Seus dedos eram como carvão em brasa. Agarraram meu mamilo entre suas falanges, beliscando-os. Sua mão grande e forte massageou meu seio incansavelmente, colocando apenas pressão suficiente para me fazer suspirar de prazer, e me excitar ainda mais. Naquele momento, suas carícias se tornaram o meu mundo, apagando qualquer outro pensamento que jamais tive.
Sua outra mão seguiu o mesmo exemplo da primeira, tocando a pele exposta de minha barriga apenas o tempo necessário para me causar arrepios, antes de fazer o caminho inverso da outra.
O arrepio não parou. Pelo contrário: foi subindo pela minha barriga em direção ao pescoço, à medida que ele descia. Meu corpo inteiro tencionou quando sua mão passou — com facilidade — pela barra da minha calça.
“Relaxe, meu amor.” Murmurou; sua voz tão rouca que mal consegui identificar as palavras que proferiu. “Eu vou fazê-la se sentir… muito, muito bem.”
Eu não sabia o que esperar do momento em que sua mão fervente tocasse — pela primeira vez -, a parte mais íntima de meu corpo; Não fazia ideia do que pretendia fazer, ou de quais idéias passavam por sua mente. Ainda assim, me vi ansiando pelo resultado.
Ali, deitada no chão de seu quarto, com o coração batendo descontrolado no peito, todo o meu corpo, todo meu ser, implorava por seu contato. Era como se tivesse esperado minha vida toda por aquele momento, prestes a sentir Jacob me tocar bem ali, no ponto em que eu mais queimava e pulsava.
Seus dedos deslizaram por cima do tecido da minha calcinha, alcançando meu ponto sensível como se ele soubesse — por instinto — onde, exatamente, se localizava. O calor de sua mão, mais especificamente dos dois dedos que tocaram o começo da minha intimidade, descendo até onde conseguiam alcançar, me deixou zonza, e ainda mais quando ele pressionou-os para baixo com um pouco mais força.
Eu gemi. Minhas mãos ganharam vida e agarraram seu braço; meu quadril se moveu por conta própria, empurrando contra sua mão por um momento, apenas para voltar para trás e me esfregar contra o seu corpo em chamas.
Nesse momento, pude sentir por completo a extensão do corpo de Jacob; desde os músculos duros do braço — ao qual ainda me agarrava com força -, até a dureza em suas calças.
Me deliciei com o fato de que ele estava duro por minha causa. Eu o havia feito ficar daquele jeito, sem nem ao menos precisar tocá-lo; sem que precisasse me olhar! O orgulho me preencheu, e meu quadril trabalhou sozinho, movendo-se de tal forma que pude sentir, mesmo com as roupas entre nós, toda a extensão de seu membro contra mim.
Foi a sua vez de deixar um som escapar por seus lábios, quase como um aviso, antes de sua boca voltar a atacar meu pescoço, descendo a língua por toda a pele que não estava sendo escondida por minha camiseta.
Seus dedos me esfregaram por cima da calcinha, apertando minha parte mais sensível por apenas um segundo, antes de acariciar o resto; eu arfei, e ele aproveitou a deixa para que um dedo se infiltrasse entre meus lábios baixos, mesmo com a barreira do tecido.
Jacob inspirou profundamente. “O seu cheiro é tão gostoso, especialmente agora que está molhada, assim.”
Seu comentário enviou uma onda de choque por todo o meu corpo, fazendo-o estremecer por completo. Eu não havia notado até aquele momento, que, além da chama que parecia queimar bem no centro de minha intimidade, havia algo mais crescendo dentro de mim. Os dedos habilidosos de Jacob causavam reações completamente inéditas em meu corpo, e elas estavam me deixando completamente… molhada.
Minhas pernas se contorceram ao redor de sua mão, impossibilitando-o de continuar. A outra mão, que ainda segurava meu mamilo entre os dedos, também parou por um segundo. Senti meu rosto esquentar quando ambos hesitamos; nossas respirações pesadas emitiam o único som a ser ouvido no quarto quente.
Sua boca cobriu a minha novamente, com uma nova fome antes desconhecida por mim, me desnorteando completamente. Ele escapou do aperto de minhas pernas com facilidade, e deslizou por baixo da última barreira que havia entre sua mão e minha pele.
Minha respiração ficou presa na garganta; meu ser inteiro parou naquele instante, apenas esperando por seu toque.
Ele apertou meu seio com força, ao mesmo tempo em que seus dedos deslizaram pelas dobras de minha intimidade, achando, finalmente, o seu destino final. Eles não encontraram resistência alguma, escorregando facilmente pelo líquido que escorria de dentro de mim.
Arquejei, sentindo seu dedão apertar a parte mais sensível de todo meu corpo, brincando com meu clitóris pela primeira vez, enquanto os demais ainda estavam dentro de mim. Seja lá o que estivesse fazendo — um minuto apertando-o, no outro fazendo movimentos circulares -, meu corpo inteiro respondia, contorcendo-se sem parar. Minha mão deslizou por seu braço, e segurou seu pulso com força, quase como se tivesse medo que, por algum motivo, ele decidisse parar.
E a última coisa que eu queria era que ele parasse.
Minha cabeça caiu para trás, tocando o seu ombro, e ele acomodou seu queixo na curva do meu pescoço, pairando sobre meu rosto. Seu nariz na lateral do meu rosto e seus lábios entreabertos quase tocando a minha bochecha.
“Bella…” Ele sussurrou meu nome, enquanto empurrou seu quadril contra mim.
Achei que meu fim havia chegado, quando ouvi a sua voz sexy sussurrar o meu nome com tanto amor e desejo. Tudo pelo que eu havia passado; todos os meus problemas e preocupações, se tornaram insignificantes, enquanto seu dedo em chamas desistia do meu clitóris dando liberdade para os demais, que desceram pela pele molhada de minha intimidade.
“Jacob!”
Cravei as unhas em seu braço; meus olhos se abriram de imediato, quando senti a sensação mais incrível de todo o universo me atingir. Sua mão se movia com agilidade, empurrando contra a minha carne, atiçando cada vez mais minha chama, incansavelmente investindo em meu centro, antes de voltar para o meu clitóris.
“Você é tão macia…” Ele sussurrou, deslizando para dentro de mim.
Minhas pernas perderam a força, enquanto ele continuava a encharcar seus dedos entre os meus grandes lábios, empurrando apenas o suficiente para que a ponta de um deles desaparecesse em mim, deixando os demais esfregarem com força o meu clitóris, me fazendo perder o último resquício da minha razão.
Cada vez que fazia aquilo, algo parecido com uma pressão aumentava dentro de mim. Sua dedicação; seu hálito quente em meu rosto; seus músculos fortes ainda me apertando; e seu membro duro pressionado atrás de mim, ajudavam a construir aquele sentimento.
Jacob se moveu, empurrando minhas pernas, e fazendo com que ambas caíssem abertas, de uma forma que eu só poderia descrever como indecente. O braço que antes se encontrava embaixo de mim sumiu, e ele me deitou de costas no chão.
Ele não tirou a mão de mim, nem por um segundo. Continuou a apertar minha intimidade, porém, mudou a posição de sua mão, de forma que seu corpo acabou ficando parcialmente em cima de mim.
“Você não precisa mais disso”. Disse, antes de fazer com que minha camiseta desaparecesse, para que sua boca pudesse capturar meu seio. Mordi o lábio com força, tentando segurar o som que surgiu em minha garganta, tentando escapar. Tal som deixou claro que eu estava prestes a chegar em meu limite, sobrecarregada com tantas sensações que haviam surgido ao mesmo tempo.
Então, seu dedão apertou o meu clitóris novamente, e as estrelas surgiram em minha visão. Meu corpo inteiro tencionou, e logo após começou a tremer, me impulsionando em direção à sua boca, que ainda me lambia sem parar, prolongando ainda mais a sensação.
Algo se abriu dentro de mim, me libertando da pressão gigantesca que havia surgido nos minutos anteriores; minha cabeça girou, e meu corpo se tornou extremamente leve. Senti algo escorrer para fora de mim e encharcar — ainda mais — seus dedos, já pegajosos. Jacob grunhiu, soltando o meu seio antes de, finalmente, abrir seus olhos e olhar para mim.
Eu não sabia o quanto sentia falta daquele olhar, até que ele estava sobre mim novamente. O meu prazer se tornando o seu enquanto ele absorvia, em primeira mão, todas as minhas reações.
Meu corpo sucumbiu, fraco e pegajoso depois de mais um longo tremor. A mão de Jacob se foi, deixando minha carne pulsante para trás, e ele sorriu para mim, um sorriso orgulhoso e safado.
Passei os próximos minutos tentando recuperar o fôlego. Sentia meu corpo quente demais, enquanto Jacob apenas me encarava, parecendo o homem mais feliz do mundo.
Subitamente, me senti extremamente envergonhada.
“Por que está me olhando assim?” Perguntei, tateando o chão em busca da coberta perdida, com a intenção de esconder. Eu tinha certeza que meu rosto inteiro estava vermelho como um pimentão.
“Nada.” Respondeu, me impedindo de esconder o rosto embaixo da coberta. Ao invés disso, ele se deitou de costas, e me puxou para si — me fazendo deitar em seu peito -, sem parecer se importar com o fato de estar semi nua, e suada. “Apenas estou pensando que, se tem uma coisa que eu tenho certeza absoluta, é que eu te amo.”
Se fosse possível, eu teria corado ainda mais.
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