Notas iniciais
Olá leitores, tudo bem? Sentiram saudades? Hehehe Nós tiramos uma semana de folga, mas estamos de volta :) Boa leitura!

“Did you seriously just stamp your foot?

I thought girls only did that on TV.”

— Jacob to Bella

Em qualquer outro momento, o corpo quente de Jacob, me aninhando contra si, teria me feito cair no sono imediatamente, porém, apesar de meu corpo — que estava completamente sem forças — implorar por algumas horas de descanso, minha mente se recusava a desligar.

O silêncio que se instaurou depois que Jacob disse que me amava — mais uma vez! -, foi o suficiente para me despertar de qualquer sono que poderia ter. Meu estômago se revirou, e tudo o que pude pensar era sobre como tinha certeza absoluta de que ele falava a verdade.

Podia ver, em seus olhos, que não havia dúvida alguma. Assim como no passado — durante meu relacionamento com Edward -, eu não tinha dúvida de que ele era tudo para mim; eu sentia como se, para Jacob, eu era tudo, naquele momento.

Se minha mente fosse um lugar físico, luzes vermelhas e alarmes absurdamente altos estariam soando por todos os lados. A discrepância entre o modo como nós dois nos sentimos um com o outro havia, subitamente, se tornado muito mais clara para mim.

Eu amava Jacob, e tinha muita certeza disso. Aquele homem lindo, seu sorriso matador, e o humor quase negro era tudo o que eu precisava no fim de um longo dia. Eu sabia que não poderia viver sem suas piadas e seu jeito honesto — às vezes até demais — de ser, mas também sabia que havia a real possibilidade de que eu, algum dia, precisaria viver sem ele.

Se havia uma lição que eu havia aprendido nos últimos meses da minha vida, era de que, não importava quão forte e verdadeiro o amor fosse; mesmo que você desejasse ser para sempre; mesmo que fosse o seu primeiro-amor — que ninguém nunca esquece -, nada impediria a outra pessoa de ir embora, se quisesse.

Claro que não era justo assumir que Jacob seria como Edward. Na verdade, eu duvidava que, se Jacob se encontrasse na mesma situação que ele, iria simplesmente ir embora… Não, Jacob era honesto demais para isso. Ele diria tudo na minha cara; jogaria todos os problemas na mesa, mesmo sabendo que aquilo poderia me fazer sofrer, justamente por ser tão honesto. Entretanto, eu também sabia que haviam outros fatores que eu devia considerar quando pensava sobre o nosso futuro juntos, e não apenas o fato de que ele poderia acordar um dia, e não me querer mais.

O imprinting era o maior deles.

E o fato de eu estar, de certa forma, preparada para algum dia ouvir de sua boca que, apesar de me amar, ele estava magicamente ligado à outra pessoa, fazia com que eu me sentisse insegura. Eu o amava? Sim, ardentemente; mas eu não podia negar estar pronta para sair correndo, caso ele decidisse ter de quebrar o meu coração.

Então, sim. Ali, naquele momento, quando sussurrou em meu ouvido, eu soube que Jacob me amava muito mais do que eu o amava.

Não havia dúvida em suas palavras. Eu era tudo o que ele queria, e, se dependesse dele, nosso futuro estaria escrito em pedra. Eu podia sentir aquilo na força que colocou em suas palavras… E achei que estivesse sendo injusta com ele.

Como poderia ser justo ele me dar seu coração inteiro, quando eu estava apenas lhe oferecendo parte do meu? Que tipo de pessoa eu seria, se usasse as mesmas palavras que ele? Se declarasse meu amor, porém, demonstrando apenas um terço da intensidade que sentia?

Iria soar como uma mentira.

‘Eu te amo! Muito!… Mas irei demonstrar só um pouco, para não me apegar muito. Tenho que me proteger, caso você acabe tendo um imprinting, e precise me deixar, pela manhã.’ Aquilo também não soava certo, apesar de ser a verdade.

Comprimi meus lábios, ainda de olhos cerrados. A respiração de Jacob era calma e ritmada, porém, eu sabia que ele também não estava dormindo. Me perguntei se ele estaria pensando em coisas tão deprimentes quanto eu.

“Você está bem?” Perguntou Jacob, me surpreendendo, e eu me movi de forma que pudesse ver seu rosto.

Mesmo no escuro, eu ainda podia ver seus olhos brilharem, contentes. Não consegui me fazer dizer o que realmente se passava pela minha mente — não queria acabar com seu bom humor -, então decidi apenas dizer uma meia-verdade.

“Esse chão, na verdade, é mais desconfortável para dormir do que eu pensava.” sussurrei. “Você não acha?”

Sua risada baixa chacoalhou meu corpo inteiro. “Acho. Quer voltar para a cama?”

Concordei com aceno rápido de cabeça, e logo nós dois nos levantamos, recolhendo os travesseiros e a coberta do chão, e ajeitando tudo em sua cama — pequena demais, e que não nos permitia ter um centímetro entre nós — não que quiséssemos.

Enquanto Jacob estendia a coberta sobre a cama, de forma que cobrisse toda a sua extensão, não pude deixar de notar a grande protuberância que ainda existia em suas calças. Em meio à meus pensamentos, eu havia esquecido completamente que ele estava daquele jeito.

Mordi meus lábios, desviando o olhar, enquanto sentia meu rosto esquentar, mais uma vez. Pensei que, depois de todos os minutos que se passaram, ele teria voltado ao normal, mas, parando para pensar sobre as aulas de anatomia masculina, eu percebi que havia alguns outros passos que precisavam ser seguidos, antes de o volume em suas calças desaparecer.

Jacob se deitou, abrindo os braços em um convite mudo para que eu me juntasse a ele, mas eu hesitei.

“Jake… você está… bem?” perguntei, fazendo esforço enorme para manter meus olhos em seu rosto, mas muito consciente de suas partes, que se tornaram ainda mais imponentes quando se deitou naquela posição.

“É claro que estou bem, Bella. Por que a pergunta?” Questionou por um momento, parecendo confuso, até que meus olhos me traíram e eu espiei em direção as suas calças. Um sorriso brincalhão preencheu seu rosto. “Ah, você está se referindo ao problema do andar de baixo.”

Cruzei os braços sobre o peito, me sentindo constrangida, já que ele não parecia sentir vergonha alguma da situação atual.

“Sim. Desse problema.” Afirmei, com sarcasmo. “Você vai apenas… ficar desse jeito?”

Jacob meio que riu, apoiando o seu cotovelo no travesseiro e levantando a cabeça, de forma que ficasse apoiada em sua mão. Seu olhar divertido apenas fez minhas bochechas esquentarem ainda mais.

“Não é como se eu tivesse controle sobre ele.” Ele respondeu. “Por que? Te incomoda?”

“Não! Não é isso!” Me apressei a dizer, trocando o peso de pé, nervosa. “Só parece… desconfortável para você. Como vai conseguir dormir desse jeito?”

Jacob pareceu lutar consigo mesmo, tentando controlar outra risada que ameaçava sair. “Bom… É desconfortável, mesmo, ficar assim, mas me dá mais satisfação vê-la satisfeita, do que eu mesmo.” Ele piscou para mim. “Então vou ficar bem, não se preocupe.”

Eu balancei a cabeça, concordando com relutância e me encaminhei para os seus braços. Me ajeitei ali, colocando a minha cabeça no espaço em seu peito que parecia ser feito para mim, e Jacob se arrumou de forma que seu braço circundava meu corpo, perfeitamente.

Mordisquei o canto do lábio inferior, mais uma vez, quando minha visão caiu sobre as suas calças novamente. Jacob havia dito que ficaria bem, seja lá o que aquilo realmente significava, mas eu ainda não conseguia tirar da minha cabeça o quão injusto aquilo também era.

Eu não consegui acreditar que ele estaria… bem, dormindo daquele jeito.

“Hmm, Jake, você tem certeza disso? Não me parece justo você ir dormir desse jeito depois de ter feito todas aquelas… coisas comigo.” Perguntei, me sentindo corar mais e mais a cada palavra que dizia. Assim que elas saíram de minha boca, quis colocá-las de volta, envergonhada demais por apenas pensar no que havia acontecido a poucos minutos.

“Você está se oferecendo para me ajudar?” Perguntou, e eu poderia até ter considerado seu tom sério, não fosse a risada que parecia presa no fundo de sua garganta, no fim da frase. “É melhor pensar duas vezes antes de responder, Bells. Você não quer começar algo que não está pronta pra terminar.”

O modo como disse a última parte, com a voz rouca perto do meu ouvido, fez com que eu engolisse em seco.

Duas batidas fortes do meu coração se passaram, antes que eu tivesse confiança o suficiente em minha voz para responder. “Você está certo. É melhor que eu cale minha boca, mesmo.”

Jacob riu, e me puxou para mais perto, de forma que nossos rostos ficassem a apenas alguns milímetros de distância um do outro. Eu conseguia sentir sua respiração quente batendo em meu rosto, e, pensar que sua boca estava tão perto da minha mandou pequenos arrepios por todo meu corpo.

Sua mão acariciou minha bochecha. “Não há motivos para nos apressarmos, amor. Para mim, está bom apenas tê-la assim, em meus braços, toda mole depois que suguei cada gota do seu mel.” Jacob lambeu os lábios, como se para demonstrar o quanto ele gostava daquilo. “Acho que poderia me acostumar a fazer isso todo dia.”

“Jacob!” Censurei, tendo a certeza de que meu rosto inteiro já estava quase roxo. Me desviando de suas mãos, lhe dei um tapa no braço, antes de esconder meu rosto em seu peito, novamente.

Dessa vez a risada de Jacob foi mais alta, e chacoalhou a cama inteira. Ele voltou a acariciar meus cabelos, visivelmente satisfeito com a reação que tirou de mim.

“Bons sonhos, Bells.”

Xxx

O sinal tocou, anunciando o começo de uma longa e tediosa segunda-feira. Comparado ao fim de semana que havia tido, estar de volta à Forks High School era o mesmo que ser mandada para uma prisão federal de segurança máxima.

“Está com uma cara péssima, Bella.” Comentou Angela, enquanto se sentava ao meu lado, na sala de aula. “Fim de semana ruim?”

“Pelo contrário.” Escondi um sorriso com meus cabelos, sentindo minhas bochechas corarem apenas com a lembrança. “Foi muito bom.”

“Verdade?” Perguntou, surpresa. “Pensei que, depois do que aconteceu no estacionamento sexta-feira, você não estaria de muito bom humor.”

Fiz uma careta, lembrando, apenas naquele momento, do que havia acontecido na sexta.

“Estou tentando fingir que sexta-feira não aconteceu.” Informei, enquanto tirava minhas coisas de dentro da mochila. “É melhor para os meus nervos.”

“Você pode até fingir, mas o pessoal da escola não esquece. Terão assunto suficiente para fofocar pelas próximas três semanas.” Ela riu, nervosa. “É tudo o que tem sido falado ultimamente."

Notei que ela remexia as mãos enquanto falava, agindo de modo muito diferente do normal. Parei o que estava fazendo para olhá-la com mais atenção e, depois de poucos segundos, percebi que estava escrito em seu rosto que — assim como o resto da escola — estava muito curiosa para saber o que realmente aconteceu naquele dia.

Um sorriso brotou em meus lábios por saber que, mesmo que estivesse morrendo de curiosidade, ela tinha a decência de não perguntar algo que pudesse me deixar desconfortável.

“Você quer saber o que aconteceu?” perguntei, devagar, observando seu rosto enquanto era pega de surpresa com a minha pergunta.

“Seria muito ruim se eu dissesse que sim?” Ela se contorceu, espremendo os seus ombros. “Sei que não gosta que fiquem falando sobre a sua vida…”

Dessa vez eu tive que rir.

“O que não gosto é que falem de mim pelas costas, Ange. Você é a única dessa escola com quem posso conversar, sem ter que me preocupar com esse tipo de coisa.” garanti, vendo seu corpo relaxar. “Sei que não vai sair por aí contando para todos.”

Ela sorriu, e continuou me olhando em expectativa; seus olhos nem sequer piscavam, enquanto esperava pela história completa.

Apesar de tê-la encorajado a falar sobre aquilo, eu ainda não me sentia extremamente à vontade quando comecei a contar o ocorrido. Queria poder me abrir completamente para Angela — aquilo seria um sonho para mim, poder desabafar com alguém -, mas também sabia que, apesar de ser uma boa amiga e eu poder confiar nela, ela não poderia nem imaginar as coisas sobrenaturais que envolvia toda aquela situação sem ficar em perigo.

“Bom, pra encurtar a história: Edward queria falar comigo, mas estava… usando suas mãos um pouco demais.” Expliquei, tentando achar as palavras certas. “Jacob, é claro, não gostou. Edward começou a provocá-lo sem parar, eles trocaram algumas farpas, e, quando Edward foi longe demais, eu tentei intervir.”

“Nossa!” Exclamou, tentando manter a sua voz baixa. “Eu nunca imaginaria que Edward seria capaz de provocar em uma briga desta forma. Sempre me pareceu tão… controlado.”

“Pois é. Parece que nós duas tínhamos uma imagem completamente errada, dele.” Concordei, porém não exatamente por conta da mesma parte que ela. “Mas isso já não importa. Eu estou feliz com o Jake, e apenas serei civil na presença dos Cullen, assim como prometi.”

“Você tem muito mais força de vontade do que eu.” Rebateu, aos sussurros, vendo o professor conversar com um aluno atrasado, na porta da classe. “Se Ben terminasse comigo, eu não conseguiria suportar ficar na presença dele, sem começar a chorar.”

Antes que eu pudesse responder, o professor terminou a caminhada até sua mesa e pediu desculpas pelo atraso, antes de começar a dar instruções sobre a aula sem nem se incomodar em desejar bom dia aos alunos.

Não conseguimos mais conversar depois disso, pois a aula passou sem nem um segundo de pausa. Nós duas apenas conseguimos voltar a nos falar no horário do almoço, onde ela correu até mim no corredor, antes mesmo que pudesse seguir para a cafeteria.

“Bella! Aí está você!” Exclamou, sem fôlego, com a mão sobre o peito. Parecia ter corrido uma maratona. “Eu estava te procurando! Quer ir almoçar na lanchonete do centro? Estou cansada da comida dessa escola!”

Não precisei pensar duas vezes antes de aceitar o seu convite. Eu estava com tanta fome, que, quando ela mencionou a lanchonete da Cora, pude até sentir o cheiro da torta de amora em meu nariz.

Nós fomos para o seu carro, sem um segundo a perder. Nós tínhamos apenas uma hora de almoço, e, se demorassemos demais, acabaríamos atrasadas para a próxima aula.

“O povo dessa cidade precisa parar de reclamar da minha caminhonete.” Resmunguei depois que ela comentou sobre ser lenta demais para a nossa pequena aventura. “Ela é uma cidadã idosa, e merece respeito.”

Angela revirou os olhos. “É uma ameaça ao meio ambiente, isso sim. Carros com mais de cem anos não deveriam ter permissão para rodar.”

Eu bufei, chocada por ela ter dito algo tão ofensivo sobre a minha pobre caminhonete, antes de sair do seu carro, e seguir em direção à lanchonete, que estava surpreendentemente vazia.

“Se o chefe de polícia a considera adequada, ninguém pode discordar.” Declarei, feliz por ter vencido aquela discussão, ainda mais ao vê-la concordar que não havia como negar que eu tinha um pé dentro da lei da cidade.

Nos sentamos em uma das mesas perto das janelas e, depois de pedirmos, Angela decidiu continuar a conversa de mais cedo, parecendo ainda chocada que Edward Cullen não fosse tão perfeito quanto todos pensavam.

“... e aí aquele — me perdoe pela honestidade — Deus Grego entrou na sua lata velha e te levou embora, como se estivesse salvando uma princesa em perigo, e todo mundo ficou com o queixo no chão!” Ela exclamou, enquanto me contava a história pelo seu ponto de vista. “Edward entrou no carro e saiu tão rápido, que quase nem vi. A Lauren achou que ele iria atrás de vocês, mas eu não achei que ele seria capaz de algo assim. Claro que, agora que me contou o que ele fez, não tenho tanta certeza assim...”

Oh, Lauren estava com toda certeza certa. Eu não duvidava que ele teria nos seguido — pelo menos até a linha do tratado de La Push -, e depois acampado do lado de fora da minha casa, ‘montando guarda’ e esperando por mim… Mas eu não podia contar aquilo para Angela. Não sem soar extremamente estranho.

“Não, ele não nos seguiu. Acabei passando o resto da sexta-feira em La Push, com os amigos do Jacob.” Comentei, ao mesmo tempo em que a garçonete chegou com a nossa comida. Pulei em cima do meu hambúrguer como se fosse a minha última refeição.

“São os mesmos que encontramos naquele dia, na praia?” perguntou, curiosa, cobrindo as batatas fritas com ketchup, antes de enfiar uma na boca. Quando eu assenti, ela completou, corando. “Ben tem muita sorte que sou feliz em nosso relacionamento, senão já teria tratado de providenciar um daqueles para mim.”

Quase me engasguei ao ouvir o comentário, porém, consegui terminar de engolir a comida em minha boca, antes de continuar.

“Se cansar dele, é só me falar. Ficarei mais do que feliz em te apresentar um ou dois deles.” brinquei, vendo a vermelhidão de seu rosto aumentar, e começar a descer pelo seu pescoço; ela abanou o rosto com o cardápio, que ainda estava sobre a mesa.

Ri de sua reação, antes de acrescentar: ”Posso garantir que não irá se decepcionar.”

“Bella!” guinchou, ao ver o olhar sugestivo que lancei em sua direção. ”Não me faça questionar minhas escolhas.”

“Estou brincando, Ange. Você e Ben foram feitos um para o outro.”

Ela me contou brevemente sobre algumas coisas sobre Ben que a irritavam, porém, garanti a ela que nenhum casal era perfeito, e que os problemas deles seriam resolvidos facilmente com uma conversa. Ela concordou, e voltou a atenção para mim, novamente.

“Mas e o seu fim de semana? Você disse que foi muito bom… foi o seu namorado que o fez ser tão maravilhoso?”

Voltei a olhar para o prato, sentindo meu rosto corar — de novo.

“Foi realmente muito bom.”

“Oh, eu conheço esse olhar.” Ela sorriu, sugestivamente. “Vocês fizeram algo inapropriado, não é?!”

“Angela!” exclamei, olhando ao redor em busca de alguém que tivesse ouvido suas palavras, voltando a olhar para ela com os olhos arregalados, quando — graças a Deus! — não encontrei ninguém prestando atenção em nossa conversa.

“O que? Pelo jeito que falou, está óbvio que vocês avançaram algumas bases, no final de semana… Me conta tudo!” Ela colocou a mão embaixo do seu queixo, me olhando em expectativa, e eu me forcei a engolir outra batata frita, antes de respondê-la.

“Sinto muito em decepcioná-la, mas… Eu não acho que conseguiria falar sobre isso em voz alta, mesmo se quisesse.”

Seu rosto caiu, e ela fez um bico, antes de voltar a sorrir.

“Okay! Tudo bem. Acho que pedi demais.” Admitiu. “Mas, Bella, de verdade, estou muito feliz por você estar com alguma… cor em seu rosto, se é que me entende!”

Seu sorriso malicioso me fez corar ainda mais fortemente. “Por Deus, Ange! Você faz tudo soar muito mais sério do que realmente foi!” Balancei a cabeça, exasperada. “Nós não chegamos a fazer. Foram só… algumas outras coisas…”

“Outras coisas? Quer dizer… você fez, ou ele?” Perguntou, sem nem pestanejar.

“Bom, na verdade, Jacob fez a maior parte do trabalho...”

Angela riu, parecendo animadíssima por eu estar tendo alguma emoção em minha vida. “Trabalho? Você quase soa como se nunca tivesse…” Ela me olhou sugestivamente, e, vendo que não demonstrei nenhuma reação, seus olhos arregalaram nas órbitas. “Espera, Bella… Você nunca…?”

“Não.” Respondi com rapidez, enquanto deixava o dinheiro na mesa, e me levantava para seguir em direção à porta, quase como se estivesse fugindo daquela pergunta. “Nenhuma vez.”

Angela pareceu chocada, enquanto fazia o mesmo e me seguia até o seu carro.

“Eu não acredito! Você namorou Edward Cullen — o cara que todas as garotas da escola desejaram por mais de dois anos — por todo aquele tempo, e nunca pensou em…”

Eu a cortei. “É claro que eu pensei sobre isso! Mas o Edward… Ele é ‘das antigas’. Prefere nem pensar sobre esse tipo de coisa, antes do casamento.”

O olhar chocado de Angela teria me feito rir, se não estivesse tão constrangida. “Uau! Eu não sei como você foi capaz de manter suas mãos longe dele por tanto tempo.”

Eu suspirei.

“Não foi fácil, na época. Mas tenho que admitir que estou feliz por não termos feito nada.” Esclareci, com o alívio evidente em minha voz.

“Sim, imagino que seria uma memória amarga, se tivesse feito tão pouco tempo antes do término.”

“Pois é.” Murmurei, sentindo o peso da conversa finalmente me atingir. Angela checou o relógio em seu pulso, e se desesperou para encontrar as chaves nos bolsos.

“Caramba! Precisamos voltar. As aulas começam em dez minutos!”

Foi apenas mais tarde, na aula de cálculo — a única das minhas aulas em que Edward não estava -, que ouvi, em primeira mão, a fofoca real sobre o ocorrido de sexta-feira.

“Meu dinheiro está no grandão.” Alguém disse.

Olhei por cima do ombro e percebi que Tyler, Mike, Austin e Ben, tinham as cabeças juntas, super focados na conversa.

“Com certeza”, sussurrou Mike. “Você viu o tamanho daquele Jacob? Eu acho que ele iria acabar com o Cullen.” Acrescentou, soando muito animado com aquela ideia.

“Não sei, não.” discordou Ben. “Tem alguma coisa sobre o Edward. Ele é sempre tão… confiante. Tenho o pressentimento que ele conseguiria tomar conta de si mesmo.”

“Eu estou com o Ben.” concordou Tyler. “Além do mais, se o outro cara mexesse com o Edward, é óbvio que aqueles irmãos dele iriam acabar envolvidos.”

“Você esteve em La Push, ultimamente?” questionou Mike. “Fui até a praia com a Lauren, algumas semanas atrás, e, acredite quando digo, que os amigos do Jacob são tão grandes quanto ele.”

“Huh.” Tyler resmungou, duvidando. “Pena que, no fim, não tenha virado nada. Acho que nunca saberemos como teria terminado.”

“Aquele não pareceu ser o fim, eu acho.” disse Austin. “Quem sabe não veremos algo mais acontecendo logo mais?”

Pude até ouvir o sorriso presunçoso na voz de Mike, quando disse: “Alguém afim de uma aposta?”

“Dez no Jacob.” Declarou Austin, sem pestanejar.

“Dez no Cullen.” Incluiu Tyler.

“É. Dez no Edward.” Concordou Ben.

“Jacob” disse Mike, sem precisar acrescentar mais nada.

“Hey, e vocês sabem sobre o que foi toda a discussão, afinal?” ponderou Austin. “Isso pode afetar o resultado da aposta.”

“Dá pra imaginar.” disse Mike, e depois lançou um olhar em minha direção, ao mesmo tempo que Tyler e Ben fizeram o mesmo.

Pelas expressões em seus rostos, nenhum deles havia percebido que eu estava perto o bastante para ouvir a conversa. Olharam para longe rapidamente, mexendo nos papéis em suas mesas, como se realmente estivessem tentando fazer os exercícios.

“Eu ainda voto no Jacob.” resmungou Mike, o mais baixo que pôde — claramente não baixo o suficiente.

“Na verdade, nem importa realmente qual deles ganhe.” Adicionou Tyler, depois de alguns segundos, não parecendo nem tentar controlar o tom da voz. “Ambos são sortudos por terem tido a chance de traçar Bella Swan.”

Meu estômago se revirou.

Eu havia ouvido o suficiente daquela conversa.

Me surpreendi, novamente, com o quanto os garotos poderiam ser nojentos e vulgares, quando estavam em grupo. O pior era que, com certeza, Tyler pensava que aquele era, de uma forma muito perturbadora, um tipo de elogio.

Levantei a mão, rapidamente, chamando a atenção do professor, antes de pedir para ir ao banheiro. Para a minha sorte, ele não se opôs — talvez pela minha cara de poucos amigos -, e logo pude desaparecer pela porta da sala, pisando duro, e lançando um olhar que deixava clara minha indignação, para os participantes da conversa anterior.

Nunca havia esperado muito de nenhum daqueles meninos, mas, ainda assim, não pude acreditar que poderiam ir tão longe, a ponto de apostar em minha vida amorosa. Seria aquele um assunto tão interessante? E aquele comentário do Tyler no final… ugh! Que nojo.

Me senti tão furiosa, que nem prestei atenção no caminho por onde andava. Passei pela porta do banheiro sem entrar, e acabei por decidir dar algumas voltas pelos corredores da escola, antes de algum dos inspetores me encontrar, e me mandar de volta para sala. Precisava de algum tempo para me acalmar, se quisesse continuar tendo aula ao lado daqueles neandertais.

“Você está bem?” A voz de Edward me assustou, me puxando de meus pensamentos dispersos. Seu rosto mostrava que realmente estava preocupado comigo. Mas eu sabia melhor do que acreditar nele.

“Estou.” Menti sem pensar muito, ainda atordoada por tê-lo encontrado no meio do corredor, sem aviso algum. “Você não devia estar na aula?”

“Eu poderia perguntar o mesmo para você.” Ele sorriu de lado, achando a situação divertida. Ele, então, apontou para o fim do corredor com o queixo, em um convite. “Ambos parecemos precisar respirar um ar fresco. O que acha? ”

Encarei-o por alguns segundos, tentando entender o que se passava em sua mente, enquanto me convidava para ‘dar uma volta sozinhos’.

Eu havia dito coisas nada agradáveis para ele, na sexta-feira, e antes mesmo disso, nos poucos encontros que tivemos, eu o havia machucado de incontáveis maneiras. Ele parecia, entretanto, não parecer afetado naquele momento.

Não conseguia entender como podia estar parado ali, com seu sorriso costumeiro no rosto, parecendo preocupado comigo, depois de tudo o que eu havia dito. Como era possível que ele voltasse, mais uma vez, como se nada tivesse acontecido?

Minha curiosidade, entretanto, foi mais forte do que eu, e me vi concordando com o convite com um aceno, e começando a caminhar ao seu lado. Edward simplesmente acompanhou meus passos lentos, no corredor deserto da escola.

“Então… Você quer me contar o motivo de precisar de um ar fresco, sendo que os vampiros nem precisam respirar?” questionei com uma pitada de sarcasmo na minha voz, sem conseguir esconder que a verdadeira razão para aceitar seu convite era a curiosidade.

Edward me ofereceu um sorriso de lado, parecendo achar graça da minha piada antes de responder.

“Um dos problemas de ouvir os pensamentos de todos o tempo inteiro, é que, às vezes, acabo me sentindo sobrecarregado.”

Imaginei que não fosse a única tendo que lidar com as fofocas que rondavam a escola. Pelo menos eu era honesta e deixava claro que não estava feliz com o que aquelas pessoas falavam, diferente dele, que não parecia fazer nada.

“E você? O que te fez precisar escapar de sua aula favorita?" Provocou, sabendo muito bem que cálculo era a última na minha lista de favoritas, em nossa grade escolar.

Lancei a ele um olhar de lado.

“Pelo mesmo motivo que você, na verdade.” Resmunguei, e assisti enquanto uma de suas sobrancelhas subia.

“Tem lido mentes demais?” Perguntou, rindo pelo nariz, e eu revirei os olhos, apesar de estar surpresa por ser capaz de ter uma conversa civilizada com ele. “Não sabia que tinha desenvolvido um lado sobrenatural enquanto estive longe.”

“A única coisa sobrenatural sobre mim, é o modo como meu pé consegue encontrar todas as imperfeições no chão para se enroscar, enquanto eu tento andar normalmente.” Respondi, e, dessa vez, foi a minha vez rir da minha própria desgraça.

Alcançamos o fim do corredor, onde nossa única opção era dar meia-volta para o lugar de onde viemos. Edward parou em frente às portas duplas, que davam para o estacionamento, olhando pelas janelas e parecendo, por um momento, prestar atenção em algo do lado de fora, antes de voltar a olhar para mim.

Suas sobrancelhas estavam unidas sobre seus olhos, mesmo que ainda mantivesse o sorriso no rosto. A curiosidade me cutucou nas costelas, novamente, pois sabia que ele tinha ouvido alguma coisa do lado de fora. Mordi o lábio, tentando refrear a pergunta que ameaçava escapar de minha boca.

Minha curiosidade deve ter ficado — novamente — clara em meu rosto, pois ele logo acrescentou: “Apenas lobos correndo perto até demais da escola… O que me lembra da nossa conversa, de alguns dias atrás.”

Meu estômago se revirou, enquanto a promessa que fiz à ele, de conversar com Jacob sobre eles cortarem as rondas ao redor da escola, voltava a minha mente. Girei nos calcanhares, começando a caminhar de volta para a sala de aula, não tão lentamente quanto antes.

“Bella…” Ele chamou, tocando levemente em meu braço. O choque de sentir seus dedos gelados roçando em minha pele, mesmo que brevemente, me fez virar para ele. “Você não precisa fugir, eu só queria saber se você chegou a falar com eles sobre deixar a guarda da escola para nós.”

Eu engoli em seco, trocando de pé.

“Não exatamente…” Comecei a mentir, mas seu olhar me fez desistir de tentar dizer algo além da verdade. Ele já sabia, mesmo. Qual era o ponto em mentir? “Ok, eu não falei com eles sobre isso. Satisfeito?”

Para o meu espanto, Edward apenas sorriu, balançando a cabeça, como se eu fosse uma criança travessa, pega fazendo algo que não devia.

“Satisfeito eu estaria, caso tivesse falado com eles. Você me prometeu, se lembra?”

Balancei a mão no ar, dispensando o seu comentário. “E como você espera que eu faça isso, depois do que aconteceu na sexta? Todos estão falando sobre isso.” Alfinetei, voltando a caminhar a passos largos em direção às salas de aula. “Você estava provocando Jacob, na esperança de arrancar uma reação deles, e todos os lobos viram. Não esperava, realmente, que eu achasse aquele o momento ideal para sugerir que deixem de montar guarda ao redor da escola, não é?”

Edward não respondeu, e eu não voltei a olhar para ele, em busca de uma reação. Eu, com certeza, o havia ferido mais uma vez ao mencionar o ocorrido na sexta, mas não consegui me sentir culpada. Era, sim, por sua causa, que eu não havia nem me lembrado de pensar em cumprir a promessa — um tanto quanto idiota — que havia feito. Não naquele momento.

“Se não consegue falar sobre isso, ao menos alerte-o sobre os perigos de andarem tão perto. Já peguei um ou dois pensamentos sobre ter visto um vulto na floresta." Ele disse, afinal, e aquilo me fez estacar no lugar.

“Como é?!”

Edward encarou meus olhos espantados com uma expressão completamente séria no rosto.

“O único motivo de ainda não terem chamado o controle de animais, é porque a maioria dos alunos ainda é cético sobre isso. Mas nós temos mantido constante vigia no que todos veem, e pensam.” Afirmou. “Os lobos precisam tomar mais cuidado, e a única pessoa que irão escutar quanto a isso, é você.”

Um tremor passou pela minha espinha, descendo até meus dedos dos pés.

Se Edward tivesse ouvido mais de uma pessoa pensar ter visto algo na floresta, a situação estava pior do que eu pensava. Se houvesse outro caso de histeria por conta de lobos — pior ainda, agora na cidade! -, com certeza levaria muito mais tempo para os caçadores tivessem a ideia de entrarem na floresta com armas a tiracolo, prontos para matá-los.

Uma coisa era Charlie juntar algumas pessoas, e ir caçar lobos na reserva; outra bem diferente era ter rumores de lobos na cidade de Forks e atrair dezenas de pessoas à floresta, onde Victoria ainda estava à solta.

Edward estava certo sobre eu ter que conversar com Jacob sobre aquilo, o quanto antes. Só de pensar que, se adiasse aquilo por muito mais tempo, poderia causar que um dos meninos levasse um tiro…

“Certo. Irei falar com eles.” Minha voz tremeu quando eu finalmente respondi, deixando claro o quanto aquela informação me agitou.

“Não se preocupe tanto.” Disse Edward, me lançando um meio-sorriso tranquilizador. “Ninguém viu nada, ainda.”

Assenti, concordando, ao mesmo tempo que o sinal do fim da aula tocou, interrompendo nossa conversa. Lancei um olhar para Edward como se dissesse ‘eu tenho que ir’, antes de começar a correr em direção a sala de cálculo para recuperar meus materiais, antes de me apressar para a próxima aula.

Aquela caminhada pelos corredores, que deveria me ajudar a acalmar meus nervos, só havia me deixado ainda mais ansiosa.

Eu precisava agir.

Notas finais
Começamos a escrever esse capitulo sem muitas expectativas, acabou que ficou até decente! Depois de todo aquele fogo do capitulo anterior, esse veio para esfriar a nossa alma e colocar a Bella de volta no lugar que é dela: A depressão kkkkkkkk Brincadeiras a parte, desculpa não termos avisado que nós estariamos tirando uma semana de folga. Estamos de volta com a nossa programação normal! Beijos, Gi