Full Moon
39 Fogueira
Notas iniciais

"Just a human woman, with no special gifts or powers. Physically weaker and slower than any of the monsters in the story. But she had been the key, the solution. She’d saved her husband, her young sons, her tribe"
— Isabella Swan, Eclipse
“Jake, você tem certeza de que posso mesmo ir?” Perguntei, apertando sua mão, e ele soltou um longo suspiro.
“Bells, já tivemos essa conversa umas três vezes…”
“Eu sei, mas… Eu nem estou vestida direito! Não quero ser penetra; muito menos uma penetra que não se veste de acordo.”
“Amor, relaxa! Fazemos esse tipo de fogueira o tempo todo, não é nada demais. Esse é apenas o melhor jeito de apresentar as lendas aos que acabaram de se juntar ao bando.”
“Só está dizendo isso para que eu não me preocupe. Como pode dizer que é ‘apenas uma fogueira’, quando todos anciões da tribo estarão lá?”
Jacob revirou os olhos, frustrado por já ter ouvido aquela mesma frase diversas vezes.
“Não exagere. Eles sempre estão em nossas reuniões. Acredite em mim,não será muito diferente de um almoço de domingo na Emily, só é do lado de fora.” Ele reafirma. “Se está preocupada com a sua roupa, o que será de mim? Estou, literalmente, apenas de bermuda; Por que acha que teria de estar toda produzida?”
“Bom, para começo de conversa, eu não sou Quileute; parece que estou me metendo em um evento super exclusivo. Não quero que, além de invadir, pensem que não dou importância o suficiente pra ao menos me arrumar.”
O olhar de lado que Jacob me lançou quase me fez querer não ter dito nada.
“Bells, escuta bem: Você já faz parte da tribo. Ninguém irá pensar que você está se metendo, porque é um direito seu estar lá. Você já sabe o segredo.” Ele deu de ombros. “E se te faz sentir melhor, da última vez, Embry apareceu vestindo apenas ceroulas. Acredite em mim, ninguém vai ligar para as suas roupas.”
Ele seguiu tentando me convencer de que estava exagerando, porém, apesar de ter decidido parar de reclamar, ainda sentia certa ansiedade percorrer meu corpo a cada passo que dávamos. Depois de vários minutos de caminhada na floresta, chegamos ao topo do penhasco onde os lobos haviam combinado de se encontrar.
Primeiro vi o fogo, que crepitava em uma fogueira feita com pedaços de madeira cortados, enquanto Embry o atiçava ainda mais com um galho de árvore. Ao redor, diversas pessoas já se encontravam sentadas em algumas pedras, que pareciam ter sido arrastadas até ali de propósito, formando um círculo ao redor da fogueira, onde poderiam aproveitar o calor.
A maioria do bando já se encontrava ali. Seth e Leah estavam sentados à direita da cadeira dobrável ocupada por sua mãe, que conversava casualmente com Billy, que havia estacionado sua cadeira de rodas à sua esquerda.
No lado oposto da fogueira, Sam e Emily ocupavam uma das pedras mais altas, conversando — ou seria discutindo? — com Paul, que tinha um olhar cabisbaixo, enquanto nos aproximávamos.
“O que foi que ele fez dessa vez?” Jake brincou, chamando a atenção dos três.
“Não é da sua conta.” Paul retrucou rapidamente, como uma criança malcriada, e Sam lhe deu um tapa na nuca como resposta.
Emily se levantou com um pulo, e veio até mim, me puxando para um forte abraço, enquanto Jacob ria abertamente dos dois lobos a sua frente.
“Ele tentou pegar um dos hot dogs antes da hora.” Ela explicou, apontando para uma pilha no chão que apenas notei naquele momento. Estava coberta com o que parecia ser uma toalha de mesa, mas eu podia, claramente, distinguir o formato de vários potes, sacolas e garrafas.
“Isso tudo aí é comida?!” Perguntei, abismada com o tamanho do monte. Se não tivessem me dito que debaixo daquele pano de mesa havia comida, eu teria pensado que era apenas outra das pedras gigantes.
“Bella, querida… Você se esquece de com quem estamos lidando. Se, em dias normais, já comem feito animais famintos, imagine o quanto consomem em uma ‘festa’. Tudo isso, e ainda é capaz de não termos o suficiente.”
“Hey!” Chamou Quil às nossas costas, e todos pararam de conversar para vê-lo caminhando ao lado de seu avô, Jared e uma menina quileute — que imaginei ser Kim, por estar agarrada a sua cintura -, subindo a passos lentos até o topo do penhasco. Todos pareciam animados demais para manter aquele ritmo lento de caminhada — principalmente Quil, que pulava sem parar, balançando os braços no ar — mas haviam, claramente, desacelerado para acompanhar o ritmo do Velho Quil.
Eu havia visto o avô de Quil poucas vezes, tendo uma delas sido no funeral de Harry Clearwater, mas nunca havia parado para realmente reparar nele. Enquanto assistimos os quatro caminharem em direção a fogueira, não pude deixar de notar o modo como sua pele avermelhada contrastava com seus cabelos brancos, até mesmo na meia luz daquele fim de tarde nublado.
“Finalmente! Achei que tivessem desistido de vir!” Seth reclamou, audivelmente. “Estou quase desmaiando de fome.”
Sue o estapeou e ralhou baixinho, enquanto os demais riam do drama do mais novo.
Um a um, eu os cumprimentei, me sentindo mais e mais calma sobre a ocasião. Nenhum deles parecia muito diferente do que eu já estava acostumada a ver no dia a dia. Tirando Seth, todos os meninos estavam apenas de bermuda, sentados relaxadamente ao redor da fogueira, enquanto se serviam de hot dogs, hambúrgueres, cervejas, refrigerantes e batatas chips.
O fato de eu ter quebrado a mão socando Edward foi o tópico mais comentado em todas as conversas de que participei. Aparentemente, tudo o que se precisa para ganhar a confiança de um Quileute é socar a cara de um vampiro. Estavam me tratando como se fosse uma heroína de guerra, ou algo assim; até mesmo Leah me lançou algo como um sorriso de lado quando me viu.
Em meio as constantes brincadeiras dos lobos, e algumas provocações de Paul e Embry, finalmente tive a oportunidade de conhecer Kim.
Jared havia falado dela tantas vezes, que eu tinha a impressão de já conhecê-la, apesar de nunca tê-la visto pessoalmente antes daquele momento.
Era muito parecida com Emily e Leah, tirando o fato de ter um par de óculos sobre o nariz longo, e duas covinhas enormes decorando suas bochechas. Os genes quileutes eram óbvios em sua aparência; tinha a pele avermelhada como os demais, e os cabelos pretos eram tão lisos, que pareciam estar molhados. Me cumprimentou com um sorriso no rosto, parecendo realmente feliz por não ser a única garota ali a estar participando do evento pela primeira vez.
No tempo que passei conversando com ela, não pude deixar de notar quão óbvio era o imprint de Jared; Até mesmo quem não soubesse sobre os lobos conseguiria notar que havia muito amor ali. Kim não parecia ser capaz de se afastar dele por muito tempo, e ele não era muito diferente. Seus olhos brilhavam quase que orgulhosos, quando ela ria, mesmo que não estivesse olhando para ela.
E o modo como olhava! Eu já estava acostumada a ver os olhares de adoração que Sam e Emily trocavam, mas, com Jared, parecia completamente diferente. Era como se ele estivesse vendo a coisa mais preciosa do mundo em sua frente. Eu podia jurar que seus olhos brilhavam como de uma criança abrindo o seu primeiro presente de natal, todas as vezes que a olhava.
Naquele momento, entendi mais uma vez que seria impossível resistir a um homem que demonstrasse tamanha adoração tão abertamente.
Algum tempo depois, após toda a comida ser consumida em uma velocidade que não deveria ser considerada ‘saudável’, me virei, pronta para perguntar a Jacob se, com o fim da comida e com o pôr do sol terminando, a festa já estaria no fim, porém notei a atmosfera ao redor da fogueira mudar.
Com um pigarrear de Billy, todos os lobos pareceram sentar-se de forma mais confortável, endireitando suas costas, e virando-se para ele.
Emily tirou um caderninho e uma caneta de sua bolsa, e se aninhou em Sam, que não demorou nem um segundo para passar os braços ao seu redor. Jared acordou Kim, que havia cochilado em seus braços -, e ajudou-a a sentar-se de modo que ainda estivesse o mais próxima dele possível. Até mesmo Quil, Embry e Paul deixaram as brincadeiras de lado.
Minha mão começou a latejar naquele momento. Imaginei que os remédios para dor estavam perdendo o efeito, mas não ousei reclamar. Estava animada demais por estar participando de algo tão exclusivo, que apenas deixei Jacob me esquentar com seus braços, enquanto encostamos em uma das pedras, e ouvíamos atentamente.
A voz de Billy nunca soou mais grave do que naquele momento. Assim que começou a falar, todos os barulhos da noite pareceram cessar; era como se a floresta tivesse ficado em silêncio para ouvir o que o quileute tinha a dizer. Até mesmo o fogo não ousou estalar, enquanto tremulava sob a constante e fria brisa da maresia.
Ele falava lentamente, de modo que todos pudessem escutar e entender tudo com clareza. Explicou, em detalhes, a origem dos lobos, e como era uma grande honra ser considerado digno pelos espíritos guerreiros, e ser escolhido para proteger a tribo.
Mencionou, também, que todos os lobos eram diferentes porque o espírito guerreiro de cada um refletia o homem — ou mulher — que eles eram por dentro.
“Deve ser por isso que Sam é todo preto, então” murmurou Quil ao meu lado, com um sorriso no rosto. “Coração negro, pelo negro.”
“E esse seu pêlo cor de chocolate reflete o que, Ateara?” retrucou Sam. Sua voz, apesar de baixa, soou muito mais alta em meio ao silêncio. “Quão doce você é?”
Jacob reprimiu uma risada ao meu lado, enquanto seu pai continuou as histórias como se nunca tivesse sido interrompido. Quando a história de como os Quileutes se tornaram lobos chegou ao final, foi a vez do Velho Quil falar. Ele, diferente de Billy, não tinha uma voz forte que ressoava pela floresta. Ainda assim, parecia ter o mesmo poder de calar a noite.
Ele contou a história de quando os Quileutes encontraram os frios pela primeira vez. Em certo momento, Billy puxou uma pequena bolsa de couro velha que havia no final de um colar em seu pescoço, que, segundo os ancestrais, continha as cinzas do primeiro vampiro que Taha Aki queimou. Um forte arrepio subiu pela minha espinha.
Era muito fácil escutar aquelas histórias e se convencer de que eram apenas lendas, sabendo que podiam ter sido modificadas com o tempo. Ver uma prova daquela história bem em minha frente, me pegou desprevenida. De repente, o tom sério, e os diversos pares de olhos concentrados, fizeram muito mais sentido.
Quando Velho Quil voltou a falar, não pude deixar de imaginar o medo e o terror que a tribo havia sentido durante o ataque da parceira do primeiro vampiro morto, em sua tentativa de conseguir vingança.
Tudo mudou, porém, quando mencionou a terceira esposa.
A terceira esposa não era tinha o espírito guerreiro dos lobos; era apenas a mulher que Taha Aki mais amou — talvez até mesmo o seu imprinting -, para a qual desistiu de se transformar, sonhando com uma vida ao seu lado. Ela assistiu o filho morrer bem na sua frente, nas mãos da vampira, e estava prestes a ver o marido encontrar o mesmo destino… Quando enfiou a faca em seu próprio peito.
Meu coração pareceu bater mais alto em meus ouvidos. A dor que Taha Aki sentiu ao perder sua esposa, e a transformação prematura de seus filhos mais novos me deixaram, por um momento, atordoada. Era como se estivesse lá, compartilhando de seu sofrimento. Quando ele fugiu para a floresta, após a morte da sua esposa, e nunca mais voltou, meu coração se quebrou.
Eu consegui entender melhor o motivo de tanto ódio e rancor que os lobos sentiam em relação aos vampiros. Pensar que algum dia eu havia desejado que ambos fossem ao menos civilizados um com o outro, fez meu estômago se embrulhar. Os Cullen eram, obviamente, diferentes dos demais vampiros; mas, ainda assim, esperar aquilo dos lobos era um desrespeito a seus ancestrais, depois de tudo que havia sido perdido.
“E assim, os filhos da nossa tribo carregam o fardo, e compartilham o sacrifício que seus pais suportaram antes deles.” Velho Quil terminou, com um longo e pesado suspiro. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Os descendentes vivos da magia e das lendas olharam uns para os outros sobre o fogo, com tristeza estampadas em seus olhos.
“Fardo,” Quil bufou em uma voz baixa, fazendo beicinho e atraindo a atenção de todos. “Eu acho muito daora.”
Do outro lado da fogueira, Seth concordou, sacudindo a cabeça com adulação. Billy riu, e Jared jogou uma pedrinha em Quil, que deu um pulo alto, reclamando. Todos explodiram em risadas.
“Acabaram as lendas por hoje?” Perguntei a Jacob, me sentindo um pouco chateada ao ver que todos já estavam se dispersando. Eu queria poder ouvir mais histórias.
“Não se preocupe, meu bem. Vamos ter outras oportunidades de ouvir as demais lendas.” Jake garantiu, plantando um beijo em meus cabelos, sem conter um sorriso grande. "Está ficando tarde. As meninas provavelmente precisam ir para cama.”
Como se para provar as suas palavras, Jared se levantou com habilidade, carregando Kim — completamente adormecida — nos braços. Senti minhas bochechas corarem por não ter notado o estado sonolento dos demais. Tinha ficado entorpecida demais com as histórias para sequer olhar ao redor.
Me levantei, seguindo o exemplo do resto do grupo. Alguns se despediram e seguiram em direção às suas casas, enquanto outros formaram pequenos grupos e ficaram por ali mais um tempo, conversando. Assim que me aproximei de Billy, ele abriu um largo sorriso, fazendo questão de tomar minha mão boa entre as suas.
“Bella! Espero que tenha gostado da sua primeira reunião do conselho quileute.” Disse, dando tapinhas na minha mão. Meu peito apertou, e tive que me segurar para não lançar a Jacob um olhar fulminante, lembrando seu papo de ‘é apenas uma festa na fogueira’.
“Eu que agradeço por me deixar fazer parte dela, apesar de ser uma forasteira. Foi incrível, de verdade.” Respondi, retribuindo o sorriso.
“Não precisa agradecer, você já faz parte da família. Claro que ainda tem mais alguns passos que precisam ser realizados para esse ser um fato oficial, mas…” Billy lançou um longo olhar na direção de Jacob, que se remexeu, inquieto, ao meu lado. “... é direito seu, assim como qualquer um dos demais, estar aqui e poder ouvir nossas lendas.”
Jake pigarreou, constrangido, e pousou uma de suas mãos em minha cintura, “Bella ficou chateada por não poder ouvir mais histórias. Por ela, ficaríamos aqui a noite inteira.”
“Não é bem assim!” Eu me apressei a corrigi-lo, sentindo meu rosto esquentar. “Eu só estou curiosa sobre as outras histórias quileutes.”
O sorriso de Billy pareceu dobrar de tamanho, e eu pude ver em primeira mão, de onde o sorriso de sol de Jacob havia vindo. Ele pareceu tão contente e orgulhoso, que sua reação até me pegou de surpresa.
“Com o tempo irá ouvir todas elas, querida. Não há porque ter pressa.” Ele respondeu, por fim, mas tive a impressão de que suas palavras tinham mais significados.
“Billy!” Emily chamou, se aproximando com seu caderninho ainda em mãos. As folhas continham diversas anotações, e um olhar frustrado tomava seu rosto. Sam vinha logo atrás dela, como uma sombra. “Desculpa interromper a sua conversa, mas… O que aconteceu, Billy? Você havia me prometido que falaria sobre a lenda da Luna.”
“Lenda da Luna?”, questionou Jacob. “Nem eu conheço essa.”
Olhei para Billy em expectativa, ansiosa para ouvir mais histórias. Ele não pareceu ter escolha, ao ver Emily puxar — novamente — a caneta, virando a página do caderno para uma em branco.
“A Lenda da Luna, na verdade, é apenas um outro final para a lenda da terceira esposa.” Explicou Billy. “Apesar de Taha Aki ter tomado outras esposas antes, apenas a terceira esposa manifestou um vínculo mais profundo com ele. Nosso povo considera este o primeiro Imprinting que já existiu, e é essa a história que é contada quando um dos meninos passa pelo imprinting. Mas, algumas pessoas, geralmente os quileutes mais velhos, acreditam que a terceira esposa, na verdade, foi a primeira Luna.”
“Qual a diferença entre o imprint e a Luna?” Questionou Sam, me surpreendendo. Ele havia ficado quieto o tempo todo, mas parecia, também, muito interessado na história.
“Dizem que, diferente de uma Imprint normal, onde o vínculo é exclusivo entre duas pessoas, a Luna, por ser a companheira predestinada para o Alpha, era capaz de ter uma conexão com o bando todo. Ela era responsável pelas mulheres e crianças, e tomava conta da tribo enquanto o Alpha e os demais se arriscavam em batalha.” explicou Velho Quil, que havia se aproximado de nós.
“Alguns dizem que o final da lenda da terceira esposa também está errado.” Acrescentou Billy. “Dizem que, ao enfiar a faca em seu próprio peito, sacrificando sua vida pela vida de todos da tribo, ela não morreu. Na verdade, se provou digna de ser a Grande Luna, e os espíritos garantiram a ela o direito de voltar a vida; até mesmo adquirindo algumas das habilidades que os descendentes de Taha Aki possuem até hoje, como a cura.”
“Se ela não morreu, então o que aconteceu depois? Você havia dito que Taha Aki fugiu para a floresta e nunca mais foi visto, depois da morte da terceira esposa.”
“Por isso não há muitos que acreditem nessa versão. Nenhum dos dois foi visto depois deste dia, então acredita-se que a dor foi tanta que Taha Aki tenha tirado a própria vida, mas…”
“Mas você ainda acredita que possa ser verdade?” Perguntei, ansiando pela sua opinião. Billy me lançou um longo olhar, como se já tivesse pensado sobre aquilo diversas vezes, antes.
“Nada assim foi visto depois da época de Taha Aki.” Disse finalmente, com um suspiro. ”Fica difícil saber se é real, ou apenas extremamente raro. Até termos provas de que não é verdade, entretanto, não acho que deveríamos desconsiderar a ideia.”
“Ou talvez alguém tenha inventado a história da Luna por não suportar a dor que a tribo toda passou com a sua perda.” Disse Sue, interrompendo Billy. “Talvez alguém tenha apenas decidido dar um final feliz para o sacrifício da terceira esposa, depois de tudo o que ela fez pela tribo.”
“Mas você não acha que faz sentido?” Billy retorquiu, parecendo curioso com a interferência de Sue. “Se a pessoa que sacrificou sua vida pela tribo não fosse considerada digna, quem mais seria?”
“Ela pode até ser digna, mas apenas os descendentes de Taha Aki são capazes de usar a magia do nosso povo. Quantos outros não se sacrificaram pela tribo? Quantos não são tão dignos quanto ela e nunca receberam nada?” A voz de Sue soou com mais ressentimento do que qualquer um esperava. De repente, o tom descontraído da conversa desapareceu, assim como as chamas da fogueira.
Eu olhei para o chão, me sentindo uma intrusa novamente. Os demais também não pareciam muito à vontade com o clima tenso que havia se instalado e logo o grupo também se dispersou, seguindo, cada um, seu próprio caminho.
Apesar de o encontro ter terminado daquela maneira, não pude deixar de pensar sobre como todas as lendas que ouvi naquela noite eram interessantes, e no quanto havia me divertido. No final, a fogueira havia mesmo sido uma ‘festa’, como Jacob havia me dito, e eu mal podia esperar pela próxima.
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