Notas iniciais
... and we are back! Olá amados leitores, tudo bem com vocês? Capitulo 40 na parada! Que marco histórico é esse? Boa leitura!

“Well,” Charlie said defensively. “If you’d had more of a life outside of Edward Cullen, it might not have been [bad] like that.”

— Charlie to Bella, Eclipse

Foi como se um interruptor desligasse em minha mente, e sugasse toda a alegria do ambiente. Em um momento, estava envolta em uma felicidade aconchegante; no outro, uma dor de cabeça começou a surgir, pois os faróis da caminhonete refletiram em um carro prata, que estava parado em frente a minha casa.

“Caralho, eles realmente não desistem, não é?” reclamou Jacob, visivelmente tão frustrado quanto eu, enquanto apoiava a cabeça nas mãos, que ainda estavam no volante.

Suspirei profundamente, sabendo que meu bom humor seria arruinado nos próximos minutos, tirei o cinto de segurança, e abri a porta, pronta para for um fim àquilo o mais rápido possível.

“Quantos são, dessa vez?” Perguntei, tentando imaginar o que estariam planejando. Desde meu último encontro com os Cullens, na quarta-feira de manhã, vinha torcendo para nunca mais ter que ficar cara-a-cara com algum deles.

Teria o soco na cara de Edward não sido suficiente para passar a mensagem de que eu já não queria ter nada a ver com eles?

“Apenas a baixinha vidente.” Murmurou Jacob. Seu corpo ficou tenso, assim que saiu da caminhonete e se postou ao meu lado.

Senti um grande alívio, ao descobrir que ele não estaria lá. Com Alice, eu conseguiria lidar sem problemas. Na verdade, todas as coisas que eu precisava dizer a ela já vinham me engasgando há muito tempo; àquela seria uma ótima oportunidade de tirar algumas coisas a limpo.

Talvez o soco tivesse entregado a mensagem, afinal de contas.

Diminuí o passo, e parei a alguns metros da entrada. Pelo modo como Jacob encarava as árvores ao lado da casa com um olhar mortal, era lá que Alice esperava.

“Jake.” Parei em sua frente, pousando uma de minhas mãos em seu ombro, para fazer com que me olhasse. “Você se importa se eu tiver essa conversa com ela, a sós?”

Pude ver em seus olhos escuros que não gostava daquela ideia, mas, depois de uma longa pausa, ele suspirou e perguntou “Tem certeza?”

“Sim, eu tenho.” Respondi, sem hesitar, olhando fundo em seus olhos. “Você confia em mim?”

Foi sua vez de responder sem hesitações. “Claro que sim.”

Eu assenti, e me inclinei, ficando na ponta dos pés, antes de plantar um longo beijo em seus lábios, sentindo meu peito se aquecer enquanto se enchia de coragem.

Assisti Jacob caminhar a passos largos e com o corpo tenso para o lado oposto de onde Alice estava. Não sabia para onde ele iria naquele momento, mas tinha certeza de que não seria longe. Ele, com certeza, vai estar perto o suficiente para chegar até mim se eu precisar. Imaginei.

Poucos segundos depois, Alice se materializou em minha frente, mais perto do que eu gostaria. A expressão em seu rosto completamente relaxada, como se estivesse ali apenas para me convidar para mais um dia de compras no shopping.

“Alice.” Cumprimentei, sem qualquer emoção em minha voz, “Tem que ser muito cara de pau para aparecer aqui, depois de tudo que você e seu irmão fizeram.”

“Eu só vim conversar, Bella. Acho que me deve pelo menos isso, depois do que fez ao Edward em frente a escola toda…”

Eu ri, curtamente. “Eu não lhe devo nada, e muito menos ao Edward. O que aconteceu foi consequência do que ele disse.”

Alice pigarreou, e decidindo ignorar a minha alfinetada, antes de continuar. “De qualquer forma, precisamos conversar. Há algo importante que precisa saber.”

Cruzei os braços sobre o peito, sentindo minha raiva crescer.

“Se veio aqui para tentar me convencer de voltar com o Edward, ou para espalhar visões falsas que teve sobre Jacob, poupe seu fôlego.” Disse, friamente. “Não funcionou antes, e não irá funcionar agora.”

Ela colocou a mão no peito, como se eu tivesse dito algo realmente ofensivo. “Bella, eu sou sua melhor amiga. Do modo que fala, parece até que não me importo com você.”

“Melhores amigas não mentem uma para a outra, Alice.”

“Eu nunca menti para você, Bella! Não sei o que os cachorros vem enfiando na sua cabeça, mas você sabe — melhor do que ninguém — que não somos os monstros que dizem sermos.” Respondeu, sem nem tentar esconder o desdém que pintava a sua voz quando falava dos meninos.

“Vocês podem não matar humanos, Alice, mas isso não os torna santos. Você e Edward, principalmente.”

“Eu entendo que esteja chateada com o que ele disse, mas vim até aqui para te falar de uma visão sobre Victoria, não para brigar com você…”

“E em que isso vai ajudar?” perguntei, cortando-a ali mesmo. Podia sentir meu sangue esquentando nas veias, assim como minha paciência se esgotando. “Não sei se notou, mas não tenho poder algum contra Victória. Se precisam de ajuda para pegá-la, falem com Sam, não comigo. Sei muito bem que Carlisle tem o contato dele.”

Alice parecia já estar esperando por aquela resposta, pois nem ao menos piscou antes de responder, com olhos grandes e tristes: “Mas é a sua vida, Bella. Nada mais justo do que você ser a primeira a saber. Nós precisamos criar um plano, mas queríamos que fizesse parte disso. Podemos te manter segura.”

Bufei, não acreditando nem por um segundo em sua expressão preocupada.

“Jacob também pode. Qual é o seu ponto, aqui?” retruquei, e achei tê-la visto vacilar, por um milésimo de segundo.

“Meu ponto é: nós não seremos pegos de surpresa. Não haverá lugar mais seguro do que conosco quando ela tentar, dessa vez. Sabemos como ela vai passar por La Push, e aonde ela vai estar. Tudo o que nos resta é ter certeza de que você estará segura no momento.”

“E você ainda não contou ainda para o Sam, por que…?”

“Porque sua segurança é nossa prioridade.” Ela repetiu, e eu tive que rir.

“O orgulho de vocês é assim tão grande?” Sacudi a cabeça, em descrença. “Qual é a diferença entre estar protegida aqui, ou lá? Pra mim, a única resposta é que vocês são orgulhosos demais para aceitar que eles podem me proteger tão bem quanto, senão melhor, que vocês.”

Minhas palavras pareceram, finalmente, acertar um nervo, pois sua perfeita compostura se desfez um pouco. Ela não parecia nem um pouco feliz em ouvir aquilo.

“Se se importa tanto com a minha segurança; se acha que eles são tão ruins assim em me proteger, porque foi embora e me deixou aqui? Você me assistiu sofrer e definhar aos poucos, mesmo sabendo que Victoria ainda estava à solta, e poderia chegar até mim a qualquer momento."

Continuei falando, não lhe dando chance de me interromper. Agora que havia começado, não pararia até dizer tudo o que havia entalado na minha garganta por meses.

“Eu te mandei e-mails, Alice; milhares deles. Tentei te ligar, e você escolheu não atender. Vinha tendo visões sobre a minha vida o tempo todo, e simplesmente decidiu ignorar.” Exclamei, sentindo um bolo começar a se formar em minha garganta.

“E mesmo depois de tudo, quando voltaram, decidi te dar uma chance, apenas pra descobrir que estava mentindo, e tentando me manipular para criar o futuro que você quer. É sobre isso, não é? Sempre foi! As coisas tem sempre que acontecer do jeito que quer. Nunca foi sobre a nossa amizade, ou sobre se importar comigo. Você apenas precisa que tudo volte a estar sob o seu controle.”

Alice revirou os olhos.

“Não precisa ser tão dramática, Bella. Já te contei o motivo de não poder fazer nada naquela época! Minhas mãos estavam atadas, mesmo vendo o que estava acontecendo.” Ela respondeu, em tom defensivo. “Além do mais, Edward estava caçando Victória o tempo todo. Ele passou meses seguindo rastros dela até o Brasil, enquanto você estava se divertindo com os seus cachorros.”

Eu teria rido, se a raiva que senti naquele momento não tivesse me atordoado tanto. Meu coração batia com tanta força em meu peito, que eu podia senti-lo até mesmo em minha cabeça.

Considerei por alguns segundos, enquanto estávamos em silêncio, se valia a pena quebrar a minha outra mão, apenas para tirar a expressão de seu rosto.

“E ainda tem a audácia de criticar os meninos por não terem conseguido pegá-la ainda…” murmurei, balançando a cabeça. “Se Edward passou meses caçando-a, e é assim tão bom em me proteger, ela já não devia estar morta?”

“Ele estava sozinho.” A vampira defendeu o irmão, sua expressão ficando menos amigável a cada minuto. “De qualquer forma, não vim aqui para discutir sobre isso. Eu estava realmente preocupada contigo, Bella. Minhas visões não mostram como você está na maior parte do tempo, porque sempre tem algum deles grudado em você, e há dias não vai para a escola…”

“Você sabe muito bem o motivo pelo qual não estive na escola, Alice.” Eu ergui a minha mão — ainda envolta pela tala preta — na altura de seus olhos. ”Você estava lá, não se faça de sonsa.”

Sua expressão se transformou como se de água para vinho, assim que viu o estado de minha mão. Seus ombros caíram levemente, e a culpa pareceu tomar seu rosto. “Acho que quanto a isso, eu te devo um pedido de desculpas. Não apenas por minha atitude, mas pelo Edward também. Você não sabe o quanto ele vem se culpando pelo o que aconteceu com a sua mão.”

“Que bom.” Foi tudo o que eu respondi, desviando meu olhar de seu rosto. “Foi culpa dele, mesmo. É bom que ele saiba.”

“Estou falando sério, Bella. Antes disso Edward já estava mal; agora, ele está em agonia. Está sendo difícil para todos nós vê-lo se martirizando tanto… Eu já perdi a conta de quantas visões eu tive onde ele tirava a própria vida.”

Bella, eles nem estão vivos. Lembrei de Jacob dizer, com nojo pingando de sua voz, em uma das inúmeras conversas que tivemos sobre os Cullen. Eu não queria que Edward se matasse, mas… Será que aquilo era realmente um problema meu? Não me sentia muito propensa a ter pena dele naquele momento.

“Então você não deveria estar ao lado dele neste momento difícil?” Perguntei, sem nem ao menos olhar para ela. “Você o vem ajudando tanto, ultimamente. Me enganando para me levar para Port Angeles; Me encurralando na escola; Sempre pronta para defendê-lo… Estou surpresa que ainda esteja aqui, para falar a verdade.”

Ela ficou — surpreendentemente — em silêncio; não parecia saber o que dizer. Aquilo conseguiu me irritar ainda mais.

“Acho melhor você ir embora, Alice. Veio aqui para me contar sobre a visão, e tentar me fazer acreditar em suas mentiras, mas já que estabelecemos que irá falar com Sam sobre isso, então não há razões para continuarmos tendo essa conversa.”

“Como posso ir embora sem nos resolvermos, Bella? Eu realmente sinto muito pelo o que aconteceu naquele dia, eu não esperava que você fosse quebrar a sua…”

“Por favor, Alice. Estou cansada dessa conversa, e meu namorado está me esperando…”

“Namorado…” Ela zombou da palavra, finalmente perdendo a compostura. “Você diz que sofreu tanto; estava reclamando há um segundo que te deixamos aqui, mas parece que lidou com tudo muito bem, na verdade. Disse amar Edward, mas não demorou muito para superá-lo, não é? Alguns meses, e logo estava por aí se engraçando com o primeiro que lhe deu atenção.”

“Como é que é?” Eu achei que dessa vez, realmente fosse perder a cabeça. “Acabamos por aqui. É melhor você ir embora antes que se arrependa, Alice.”

Eu vi desafio brilhar nos olhos dela.

“Você tem uma língua afiada para uma mera humana, Bella.”

“Ela pediu para você ir embora.” A voz de Jacob surgiu atrás de mim. Seu tom era baixo, mas era tão duro quanto o aço. Alice ficou parada como uma estátua de mármore; seus olhos espertos em Jacob, que rapidamente chegou ao meu lado, passando um dos braços ao redor de minha cintura. “E eu sugiro que faça isso enquanto ainda estamos pedindo educadamente.”

“Continuamos depois, Bella.” Informou, dando alguns lentos passos para trás antes de sumir completamente. Poucos segundos depois, o motor quieto do carro prata ganhou vida, e ele saiu praticamente cantando pneu pela rua.

Quando voltei meu olhar para Jacob, entendi o motivo de Alice ter saído com tanta pressa. A expressão em seu rosto gritava perigo mesmo naquele momento, em que apenas encarava o local onde o veículo havia descido pela rua. Ele, obviamente, não estava para brincadeiras.

Pela primeira vez, gostei daquilo; ver seu olhar raivoso, seu corpo pronto para arrancar a cabeça de um deles, como se eles merecessem aquilo e muito mais.

Porque talvez, — apenas talvez — eles merecessem, mesmo.

Adeus, Alice. Pensei, enquanto puxava Jacob pelo braço em direção a casa.

***

Acordar sem Jacob ao meu lado havia se tornado um novo tipo insuportável de tortura para mim. A falta de calor ao meu lado fazia com que meu corpo praticamente tremesse de frio durante todo o tempo em que ele não estivesse presente. Aquele deveria ser o único ponto ruim em ter um transformo como namorado: Você sentia muito a falta, quando o seu aquecedor pessoal não estava por perto.

A manhã de sábado acordou chuvosa, conforme o esperado, e eu decidi dedicar algumas horas da minha manhã para fazer tudo que havia acumulado nos últimos dias. Respondi alguns dos emails de Renée, que enchiam minha caixa de entrada, e limpando um pouco a casa — o máximo que conseguia, pelo menos. Charlie havia cancelado seus planos de sair quando viu que a tempestade do lado de fora não daria descanso tão cedo, e limpava a sua arma minuciosamente, enquanto assistia algum jogo na televisão da sala quando o telefone tocou.

“Será que algum dia alguém irá ligar para falar com alguém que não seja você?” Ele debochou, enquanto me entregava o telefone depois de atender. “Até parece que eu não moro mais aqui.”

Eu revirei os olhos, rindo levemente da sua provocação.

“Talvez seja hora de eu investir em um celular, então.” Comentei, mas ele apenas abanou a mão, fazendo pouco caso.

“Só estou brincando, Bells. Não precisa ser tão séria assim.” Disse, dando as costas para mim e voltando para a sala.

Para a minha surpresa, não era Jacob ao telefone, e sim Seth. Ele estava tão animado que falava sem pausas, sem nem ao menos respirar, enquanto me contava sobre ter passado nem suas provas, e que apenas faltava apenas uma para que conseguisse passar de ano sem problemas.

“O que está fazendo agora?” Perguntou, finalmente.

“Estou terminando meu dever de história.” Disse, resmungando. Eu já teria terminado, mas estava demorando mais do que o normal demoraria devido a dor que sentia em minha mão.

“Por que não tira uma pausa? Podemos tomar aquele sorvete na praia de La Push para comemorar.”

Eu tive que rir. Sua animação era contagiante. “Você notou que está caindo o mundo do lado de fora, certo?”

“Está falando da chuva? Não vai durar muito tempo hoje.” Disse ele, fazendo pouco caso com tanta confiança, que achei difícil não acreditar. “Te encontro na praia, então!”

Quando coloquei o telefone no gancho, parei por alguns segundos, tentando entender o que havia acabado de acontecer. O ritmo da conversa foi tão rápido, que fiquei até atordoada com o desenrolar da conversa.

“Deixa eu adivinhar, você vai para La Push.” Disse Charlie sem nem tirar os olhos da arma em sua mão. Seu tom soava paternal, mas a expressão em seu rosto deixava claro que ele estava satisfeito com aquilo.

“Você se importa?” Perguntei, mordiscando os lábios. “Se você quiser eu posso ficar…”

“Claro que não, Bells. Prefiro que você fique com os seus amigos do que trancada dentro de casa.” Ele me lançou um meio sorriso. “Adolescentes deveriam sempre aproveitar o fim de semana. Com moderação, é claro; você conhece as leis.”

Eu não precisei de outro incentivo, subindo as escadas de dois em dois, e avançando sobre o meu guarda-roupas, pronta para me trocar. Alguns minutos depois, eu já estava dentro da caminhonete, que roncava alto até mesmo com as batidas fortes das gotas de chuva na carroceria.

Meia hora depois, eu entrava na rua que dava para o fim da First Beach, perto da escola de La Push. A chuva já não passava de uma leve garoa, e o mormaço começava a subir do asfalto, tornando aquela tarde de primavera estranhamente quente.

Depois de estacionar, puxei o capuz da jaqueta sobre a cabeça e saí do carro. Olhei ao redor, procurando por Seth, e o vi parado a alguns metros.

Ele pulava de um pé para o outro, tinha um grande sorriso no rosto, e quando me aproximei, me puxou para um abraço apertado.

“Devo admitir que nunca imaginei te ver animado assim por algo relacionado com a escola.” ri, quando ele finalmente me colocou de volta ao chão.

“Eu tirei as melhores notas da classe, Bella! Mal pude acreditar.” contou, ainda com um sorriso enorme, enquanto indicava o caminho. “Acho que a minha mãe vai criar um pedestal de adoração pra você, ou algo do tipo. Não para de falar como você é uma ótima influência e que eu deveria ser mais como você.”

“Então hoje o sorvete é por sua conta, certo?” Perguntei, começando a caminhar em direção à loja de conveniência que havia ali perto.

“Hã… Na verdade eu estava contando que você pagasse por nós dois.” Ele sorriu, sem vergonha alguma. “Como presente por ter ido tão bem, sabe?”

Eu estaquei o passo, encarando a cara inocente que ele me lançava, incrédula.

“Pirralho, você me fez sair de casa para vir tomar sorvete às minhas custas?!”

“Não é bem assim! Eu queria compartilhar a novidade com você, já que me ajudou!” Ele ergueu as mãos para alto, em rendição, um gesto que provavelmente tinha pego de Jacob, que o fazia com frequência. A similaridade entre os dois me pegou de surpresa por um momento.

Eu bufei, voltando a andar, balançando a minha cabeça e resmungando algo sobre como todos aqueles meninos eram uns folgados aproveitadores.

O sino na porta anunciou a nossa entrada na pequena loja, e fomos recebidos com um sorriso amigável de um senhor de pele avermelhada e enrugada, que estava atrás do balcão.

“Até mesmo no fim de semana tenho que te ver por aqui, Seth?” Disse o senhor, sorrindo zombeteiro, e eu olhei surpresa para Seth.

“Pois é! Não consigo passar nem um dia longe do sorvete que o senhor vende, Sr.Maska.” Seth brincou, fazendo pose, e jogando um sorriso para o senhor, que apenas riu da cara de pau do menino. “Qual sabor você vai querer, Bella?”

“Chocolate.”

“Dois de chocolate, por favor.” Anunciou, como se fosse quem estivesse pagando. Eu me perguntei se passar tanto tempo ao redor dos meninos estivesse, na verdade, fazendo mais mal para ele do que bem. Jacob com certeza era uma má influência, Paul então...

Me virei, decidindo dar uma olhada nas prateleiras da pequena loja, enquanto Seth jogava conversa fora com o dono, que parecia conhecê-lo muito bem. O lobo devia comprar sorvete ali desde criança; ou talvez passasse mais tempo ali do que eu imaginava.

Eu encarava os preços das barras de chocolates na sessão de doces, considerando reestocar o armário de doces da cozinha, quando senti os pelos de minha nuca arrepiarem como se algo estivesse se esgueirando atrás de mim.

Quando me virei, o mesmo senhor que vi em diversas ocasiões estava parado atrás de mim. Olhando mais de perto, percebi que era o mesmo velho de antes; usava roupas bem simples, e não estava calçando sapatos; Seus olhos brilhavam enquanto olhava para mim, como se estivesse vendo uma celebridade.

“Você voltou.” Declarou, como se estivesse apenas constatando um fato.

“Hã… voltei?” perguntei, confusa, olhando para os lados, sem entender se ele falava comigo. Eu era a única naquela loja além de Seth, que ainda estava engajado na conversa com o dono da loja, no balcão.

“Dessa vez ‘ôce vai ficar, não é?” Perguntou, dando um passo para mais perto de mim. Não havia dúvidas de que ele falava comigo.

“Desculpa, eu te vi na casa do Harry da última vez, mas acho que não fomos apresentados… Meu nome é Bella Swan.”

“Sim, sim.” Respondeu, abanando a mão no ar, como se aquele detalhe não importasse. “Mas ‘ôce vai ficar?”

“Acho que por mais alguns minutos…?” Disse olhando por cima do ombro, onde Seth estava. “Nós só viemos comprar sorvete.”

“Eles não vão aceitar se ‘ocê decidir não ficar dessa vez.”

“Me desculpa, mas… quem não vai aceitar o que? Acho que está me confundindo com alguém.”

“Não ‘tô. Se ‘ôce quer mesmo ficar, vai ter que desistir de novo.” Ele balançou a cabeça com pesar. “Mas te lembre: A mais afiada nem sempre ‘tá entre árvores.”

“Bella!” Seth me chamou, me fazendo quase dar um pulo de susto. Ele tinha dois sorvetes, um em cada mão, e um olhar de expectativa. “Achou o que estava procurando?”

“Uh… sim, claro.” respondi, pegando o primeiro chocolate em que minha mão encostou. Me virei para dizer ao velho que tinha que ir embora, porém, ele já não estava mais lá.

Seth colocou um pacote de balas de alcaçuz sobre o balcão, lançando um olhar de súplica em minha direção, enquanto o dono da loja colocava o chocolate em uma sacola para mim. Olhei para ele por vários segundos, antes de suspirar e assentir.

Entreguei o dinheiro ao homem, e teria resmungado o tempo todo em que caminhamos em direção a caminhonete, se não estivesse ainda confusa demais com a interação que havia acabado de ter com aquele senhor estranho.

Apenas quando sentamos para comer o sorvete consegui assimilar que Seth vinha falando o tempo inteiro, e eu não havia escutado nem mesmo uma palavra.

“Seth, você conhece aquele senhor que estava na loja?” Perguntei, tendo certeza que eu tinha cortado algo que ele falava.

“O Sr. Maska? Sim, ele é o dono da loja.” Disse dando uma lambida em seu sorvete, que começava a derreter, logo em seguida.

“Não, eu estou falando do outro homem. O que estava no fundo da loja.”

“Homem?” Ele me olhou confuso. “Que homem? O único lá era o Sr. Maska.”

Eu senti a minha cabeça girar por um momento. “Mas eu estava falando com ele, Seth.”

“Bella, você não abriu a boca enquanto estávamos lá.” Respondeu, me olhando de lado. “Acho que você está meio pálida… Você está bem?”

Notas finais
Acho que queria deixar claro para todos os nossos leitores que a gente não desistiu! Estamos a passos lentos? Sim. Vamos parar? Não. Aos poucos voltamos com mais consistencia, tenham paciência, por favor! ♥ Algumas coisas que eu acho que é legal ressaltar é que estamos agora no final de março na fanfic, então bem no começinho do livro de eclipse. Respostas para diversas perguntas vão chegar de uma só vez, as vezes de fininho, as vezes mais abruptas. Amorzinho é bom, mas as vezes precisamos de uma ação, não é? Coisas que deixamos em aberto antes vão começar a se fechar e estamos trabalhando para dar o melhor final possível para a nossa fanfic. Sempre com muito amor involvido rsrsrs Se é que me entende. Enfim, obrigada por ler mais um capitulo. Beijão!