Full Moon
44 Fim do Tratado
Notas iniciais
“Saving Bella had been my fight for so long now. And she wouldn’t be saved.”
— Jacob Black

POV Jacob
Alguém gritava.
Bella estava morta e alguém gritava, enquanto eu tentava trazê-la de volta à vida.
Já estava começando a ficar irritado. Queria que o mundo simplesmente parasse, para que eu pudesse continuar com meus esforços em mantê-la viva; manter o seu coração batendo sem a interferência de nada que me pudesse causar alguma distração. Mas alguém continuava a gritar, xingando sem parar.
Enquanto Carlisle Cullen não chegava, eu continuaria a fazer massagem cardíaca, mantendo o seu coração batendo. Faria aquilo pelo tempo que fosse necessário, sem parar por um segundo para descansar.
Porque ela simplesmente não podia morrer.
Ainda assim, seu coração não voltou a bater.
Uma eternidade pareceu ter se passado antes dele aparecer, e Embry e Sam tiveram que se unir para me tirar de cima dela. Foi então que percebi que os gritos eram, na verdade, meus.
A dor que sentia se comparava a um ferro em brasa sendo forçado pelo meu coração. Eu podia sentir — literalmente — em meu físico a dor de sua ausência. Os músculos do meu corpo pareciam queimar, quase como se meu lobo estivesse implorando para sair, porém, nem mesmo ele conseguiria aliviar a dor que eu sentia.
Quando me transformava, os sentimentos humanos eram mascarados pelo seu instinto, e era mais fácil lidar com a dor, mas, naquele momento, até mesmo ele estava sentindo tudo aquilo. Não havia alívio ou escapatória.
Bella estava ali, estirada no chão, completamente imóvel, sem o rubor fácil de suas bochechas; sem o som de seu coração — que sempre acelerava tão facilmente; Aquilo trouxe à minha mente pensamentos que nunca pensei que teria. Mas aquilo não seria necessário.
Porque ela não podia estar morta.
Carlisle prosseguiu com a massagem cardíaca, em um ritmo tão preciso que apenas anos de experiência poderiam trazer, conseguindo ignorar melhor que eu os sons externos. Eu podia ver seus esforços, e a esperança ainda existia, mas era tão fraca, que eu mal conseguia me agarrar a ela; Senti o mundo ao meu redor ruir e cair aos pedaços. O sentido da minha vida se esvaia por entre meus dedos enquanto eu rezava para qualquer Deus que pudesse me escutar, implorando para que seus olhos voltassem a abrir e ela voltasse pra mim.
Ao fundo Seth pedia perdão aos prantos, ainda no chão, insistindo que era tudo culpa dele.
E aí ele parou. Ajoelhado ao lado dela, Carlisle levantou o olhar para mim, e suspirou profundamente, antes de levantar o punho e olhar para o relógio.
“Não se atreva.” Grunhi, tentando com todas as forças me desvencilhar dos dois que ainda me seguravam. “Não se atreva a desistir dela!”
Meus olhos se inundaram de lágrimas, e eu os fechei com força.
“Por favor.” implorei, sem reconhecer minha própria voz. “Por favor, não desista dela. Você precisa fazer alguma coisa. Bella não pode… Ela não pode…”
Ele se levantou e andou até mim, como se estivesse estudando minha reação;
“Jacob, o coração dela está parado há mais de vinte minutos.” explicou. “Nem mesmo o veneno de um vampiro conseguiria salvá-la sem batidas cardíacas para espalhá-lo. Não há nada que eu possa fazer.”
Me deixei cair ao chão.
Meu coração, que segurava por um fio, terminou de se despedaçar. Não havia vida pra mim sem ela; muito menos sabendo que eu havia causado aquilo.
Embry se ajoelhou ao meu lado, e me deixou soluçar em seu ombro; ele parecia tão perdido quanto eu. Em nenhum dos nossos inúmeros planos e estratégias cogitamos a possibilidade de algo assim acontecer; nenhum de nós estava preparado para aquilo.
Tudo o que eu conseguia pensar era que nunca devia ter saído de perto dela.
Mesmo tentando esconder e ser forte, dava pra ver em seu olhar que estava com medo, quando nos despedimos. Eu tinha certeza que ela queria ter implorado para que eu ficasse, naquele momento, mas, como sempre, foi altruísta demais para deixar uma vontade egoísta arruinar nossos planos. Jamais gostaria de ser a razão pela qual alguém se machucasse… e, por isso, foi ela quem acabou machucada.
O bando, entretanto, foi idiota e impulsivo. Em nosso desespero de acabar com a vampira psicopata, confiamos demais nas visões da sanguessuga e deixamos passar o óbvio. Nenhum de nós havia sequer cogitado a possibilidade de que a sanguessuga conseguiria arranjar um jeito de nos distrair com outro vampiro.
Deixar Seth para trás havia sido apenas uma desculpa para mantê-lo em La Push, protegido, e agora ele teria que lidar com o trauma de não ter conseguido fazer a única coisa que os lobos foram destinados a fazer. E todos sabiam que as palavras de Victória o atormentariam para o resto da vida, assim como a mim.
Assisti pelos olhos de Seth, sem poder fazer nada, correndo com todas as minhas forças pela floresta… apenas para acabar com ela ensanguentada em meus braços.
Me desvencilhei de Embry e me arrastei até o seu lado, querendo apenas segurar a sua mão. Ainda estava morna, como sempre estava nos dias frios em que chegava tarde da ronda e apenas conseguia vê-la depois de já estar dormindo. Ela nunca parecia estar aquecida o suficiente, a não ser que eu estivesse no mesmo cômodo.
Desta vez, entretanto, sua mão não esquentou. Seu coração não acelerou com o meu toque, e suas bochechas não tomaram aquele tom rosado.
Solucei, lembrando que nunca mais a veria corar novamente. Nunca mais ouviria sua voz suave, ou sentiria arrepios percorrerem seu corpo quando a tocasse.
Imagens do futuro que sonhei para nós passaram pela minha mente, coisas que jamais aconteceriam. Pensei em tudo que era possível e que esteve tão próximo de nosso alcance, e nunca teríamos.
Tudo por causa daquela maldita sanguessuga nojenta, que cortou sua vida pela metade.
Nunca iríamos nos casar. A perspectiva de vê-la tomar meu sobrenome como seu, se esvaiu; Não teríamos filhos, ou envelheceríamos juntos.
Nada disso seria uma possibilidade para nenhum de nós. Nenhum, pois pra mim era ela. Sempre foi ela, e sempre seria. Nada poderia mudar o que eu sentia por ela, nem mesmo um imprinting, ou o fim de sua vida.
Naquele momento, enquanto sentia o calor do seu corpo aos poucos sucumbir, algo além de uma tristeza arrasadora começou a tomar conta de mim.
Eu podia sentir a mão de Embry em minhas costas, enquanto dizia palavras de conforto, mas nenhuma delas conseguia me acalmar. Dentro de mim, o buraco que Bella havia deixado para trás era frio, e o meu lobo concordava que tinha sede.
O amor da minha vida estava morto. Mesmo que tivesse destruído com meus próprios dentes o motivo de sua partida, não era o suficiente. Havia mais de um culpado para aquela situação ter chegado àquele extremo. Muito tempo antes de Victoria tê-la alcançado, outros a haviam machucado, forçado-a a seguir o caminho que levaria para sua inevitável morte.
E seria eu quem a vingaria.
Meu lobo rosnou dentro de mim, em aprovação. Eu poderia fazer aquilo. Poderia facilmente matar Carlisle enquanto estava ali, sozinho e desprotegido. Nem mesmo Sam seria capaz de me parar; não quando a dor que eu sentia era tão aterradora. Eu merecia ter minha vingança; não, eu necessitava.
E então, eu mataria todo o resto daquela escória; pelo menos a cabeça de Edward estaria entre meus dentes antes de algum deles inevitavelmente conseguir acabar comigo, também. Eu sabia que era pedir demais continuar vivo depois de pular no ninho deles e estraçalhar o máximo de sanguessugas que conseguisse, mas não me importava. Estariam me fazendo um favor ao terminarem com a minha existência sem sentido, naquele mundo sem a Bella.
Mesmo que aquilo me destruísse, mesmo que destruísse o bando inteiro, eu teria a minha vingança.
Mais um momento de silêncio se passou, como se nada tivesse mudado, mas a realidade era muito diferente. Os pelos da minha nuca se arrepiaram, e meu choro cessou. Uma fúria ilógica havia se instalado em mim, e eu enxergava vermelho. Carlisle não parecia ter notado — ainda — a minha mudança drástica de sentimento.
Senti meu corpo tremer, e o espírito do lobo lutar cada vez mais forte para ser libertado.
A mão forte de Sam segurou com força meu ombro direito.
“Jacob.” Advertiu Sam, e eu quis xingá-lo por trazer a atenção do sanguessuga para mim, me fazendo perder o elemento surpresa.
Não importava, de qualquer maneira. Sua morte era inevitável.
Me levantei, tentando controlar meus tremores.
“Vocês causaram isso.” Disse entre dentes, me virando para encarar Carlisle que finalmente parecia entender a situação que se encontrava.
“Jake, qual é.” insistiu Embry, me segurando pelo braço.
Ignorei-o, empurrando suas mãos para longe de mim com força
“Você sabe tão bem quanto eu de quem é a culpa para ela estar morta, Embry. A maldita não encontrou Bella ao caso." Minha voz saiu calma e controlada, completamente o contrário de como eu realmente me sentia. “Você acha justo que apenas um dos culpados pague por sua morte?”
O sanguessuga ficou completamente imóvel, como somente aquela raça conseguia ficar. Meu lobo rosnou novamente, feliz por finalmente poder colocar os dentes ao redor daquele ser repulsivo. Há tempos que eu empurrava-o para longe quando via os Cullens, tentando controlar o instinto de dilacerá-los em pequenos pedacinhos, mas agora aquilo não seria mais necessário.
“Você quebraria o tratado feito há décadas por seu próprio antecessor, Jacob? Depois de eu ter vindo aqui e tentado com as minhas próprias mãos salvar a vida dela?”
“Mas não salvou. E advinha?” Eu quase ri da ironia da situação. “Você está nas nossas terras.”
POV Bella
Me levantei bruscamente, sentando e buscando o ar desesperadamente. Coloquei a mão sobre a garganta, tentando me livrar do que me impedia de respirar, apenas para notar que não havia nada ali.
Tinha certeza que um segundo antes estava me afogando em meu próprio sangue, mas agora eu me encontrava completamente bem. A fisgada agonizante em meu peito havia desaparecido, assim como a floresta, e os lobos ao meu redor.
Será que tudo não havia passado de um sonho? Ou devo dizer pesadelo? Afinal, agonizar, engasgada com seu próprio sangue até a morte estava longe de ser considerado um sonho tranquilo.
Senti um arrepio descer pelo meu corpo, ao lembrar da sensação de sentir minha mente apagando, e a morte fria se apossando de meu corpo.
Não. Não havia como aquilo ter sido apenas um sonho. Eu havia morrido.
“Cê não morreu ainda, minha fia.”
Eu dei um pulo, me virando para o velho sentado ao meu lado que, de alguma forma, eu não havia notado até o momento em que falou.
“V-você!” Exclamei, como uma tola. “Você existe!”
Ele riu, uma gargalhada que parecia fazer o ar ao seu redor tremular.
“Mai claro que existo, cum quem ‘ocê acha que estava cunversando todo esse tempo? Co’ ar?”
Franzi o cenho, não apreciando nem um pouco seu sarcasmo, tendo em vista que havia, em algum ponto, achado que estava ficando louca por ter conversado com um velho que ninguém via.
Ele ergueu as mãos para o ar, como se rendesse. “Disculpa, ‘ocê tem razão. Num foi bem uma situação facil de intender, mas ficu feliz por tudo ter dado certu no finar.”
“Dado certo?!” Eu bufei “Eu literalmente morri!”
O velho sorriu, balançando a cabeça e estalando a língua.
“‘Inda não, fia. ‘Ocê salvou o menino Clearwater, muito diferente di murrer.”
Passei a mão pelo rosto, tentando dar sentido para as palavras, como sempre, sem sentido daquele homem. Quando eu abri os olhos novamente, finalmente notei que nem ao menos sabia onde, exatamente, eu estava. Não sabia dizer se estavamos sentados em um chão de terra, grama ou madeira. E tudo ao nosso redor era de um claro tão infinito que não conseguia reconhecer nada.
“Mas se eu não morri, então o que aconteceu?” Questionei. “Por que não estou em La Push com os outros?”
“‘Ôce ainda está lá.” garantiu. “Mai também está aqui.”
“Você não está fazendo sentido, de novo.” reclamei. “Como posso estar em dois lugares ao mesmo tempo?”
O velho me olhou de lado, sorrindo como se estivesse aguardando por aquela pergunta há muito tempo. Então, estendeu sua mão em minha direção, como em um convite para que eu a segurasse.
No momento em que eu a toquei, fui jogada para longe, quase como se estivesse voando pelo ar até subitamente parar, de pé, na mesma clareira que eu estava em La Push, porém, de algum modo ela estava completamente diferente.
As árvores não eram tão espessas, e o sol parecia estar mais forte. Ali, parada não muito longe de mim, estava uma mulher de cabelos pretos lisos e pele tão morena quanto a dos quileutes. Aos seus pés, estava o corpo ensanguentado de um menino.
O barulho inconfundível de rosnados e de uma luta sobrenatural capturou minha atenção. Congelei ao ver um lobo cor de areia que lutava com todas as suas forças contra uma vampira, assim como eu havia visto Seth fazer há apenas alguns minutos.
E ele estava perdendo.
“Deuses, eu imploro.” A mulher murmurou em uma língua que eu não conhecia, mas que — de alguma forma — conseguia entender. “Use o meu ser, o meu espírito, para proteger a minha família."
Lágrimas desciam pelo seu rosto enquanto ela alcançava a faca que estava ao lado do corpo do menino morto. A ponta da faca era do mesmo formato estranho que a pedra que eu havia encontrado na floresta, e usado para cortar meu próprio braço.
“Nasci sem o poder do lobo, sem qualquer valor para a aldeia, mas sei que você entenderá o valor do meu sacrifício." Murmurou, erguendo a faca na altura de seu peito.
A batalha ao nosso redor se tornou ainda mais caótica. Uma árvore caiu a poucos metros de distância quando o lobo foi arremessado contra ela.
“Permita que minha família sobreviva; permita que este sacrifício seja suficiente para que suas vidas sejam mantidas intactas, pois são muito mais significativas do que eu. Queime meu espírito pelo resto da eternidade, se necessário, mas salve-os todos.”
E então, sem hesitar nem por um segundo; Sem que suas mãos sequer tremessem, ela empurrou a faca bem no meio de seu peito, encravando-a tão profundamente que era impossível ainda estar de pé quando puxou-a com toda força para fora, jorrando sangue para todos os lados.
Eu soltei um grito, fechando os meus olhos, mas era tarde demais. A imagem estava gravada em minhas retinas, e o som gorgolejante do sangue se derramando era impossível de esquecer.
O silêncio absurdo que se seguiu só me deixou ainda mais enjoada. A batalha entre o lobo e a vampira parou imediatamente e eu sabia, sem ao menos precisar olhar, que ela encarava a mulher com olhos incrédulos, assim como Victoria havia encarado a mim.
Eu sabia quem era aquela mulher. Era impossível não reconhecer a similaridade com a história da terceira esposa que haviam me contado, e que eu acabara de presenciar em primeira mão, não havia dúvidas.
Uma mão tocou em meu ombro e eu dei um pulo, apenas para encontrar o velho ao meu lado. Ele ainda tinha um sorriso no rosto, mas estava triste. Apontou com o queixo para onde a terceira esposa ainda se encontrava, me encorajando a olhar.
Eu não queria olhar.
Ainda assim, me forcei a virar, e lá eu a encontrei, olhando desafiadoramente para os olhos da vampira que lambia seus lábios, pronto para se banhar em seu sangue. A cena pareceu se suspender por um momento, enquanto pessoas começavam a se aproximar por entre as árvores. Elas paravam ao redor da clareira, olhando para a mesma cena que eu, mas não se moviam para ajudar… Foi então que eu entendi que aqueles eram os espíritos dos ancestrais; de todos aqueles que haviam, um dia, morrido para proteger a tribo.
E agora eu era parte deles.
Esperei — ainda encarando a imagem à minha frente sem saber como reagir — pelo momento em que a terceira esposa cairia, mas tal momento não veio. Confusa, me perguntei como ela poderia ainda estar viva, sendo que havia acabado de esfaquear o próprio peito.
Então, em um movimento tão rápido que foi quase impossível de se ver, um lobo avermelhado avançou, e mais dois menores o seguiram, enfurecidos, e logo a cabeça da vampira simplesmente saiu voando, rolando até parar aos meus pés, com os olhos ainda abertos.
“Aceitamos o seu sacrifício.” Disse um dos espíritos, caminhando até parar atrás da mulher. “Porém você estava errada. A sua vida não é menos importante que a deles; sua força não é menor do que a de nenhum outro quileute. Lobo ou não.”
O lobo se transformou de volta a forma de um homem mais velho, sem sequer notar o espírito que estava parado ao lado, gritando pelo nome da mulher. Os lobos menores uivavam em dor, quase bloqueando o som dos gritos de choro inundaram o ar enquanto o homem chamava pelo seu nome e eu soube que aquele era Taha Aki e os seus filhos recém transformados.
“A dor do seu sacrifício vai ser sentida por todos, não importa a geração que se inicie. Sua alma não será queimada em vão, então retorne. Aceite a benção dos espíritos, e retorne para a nossa família mais uma vez. Se torne a alma da aldeia e proteja a todos que precisam ser protegidos.”
A mulher, sorriu. Lágrimas já não mais caiam dos seus olhos e eu sabia que ela não sentia mais dor.
“Não.” Ela respondeu. “Eu quero seguir o caminho que meus filhos seguiram para o além. Não posso viver em um mundo onde um deles não exista. Use minha alma para proteger a tribo, e que eu seja a última a ter o sangue derramado por um deles.”
Só então seu corpo caiu ao chão, nos braços de Taha Aki, que chorava incontrolavelmente. Aquele era seu imprinting, a outra metade da sua alma. E ela havia se doado para a tribo sem pensar duas vezes.
O espírito que estava parado atrás da terceira esposa olhou diretamente para mim, ignorando os gritos do homem ao seus pés. Um calafrio desceu pela minha espinha. Seus olhos eram de um negro profundo e eu sabia que ele não era qualquer um. Ele era o primeiro.
“Você já desistiu do seu destino uma vez.” Disse, apontando para o corpo sem vida da mulher. “E isso causou um grande rombo na tribo. Os espíritos dos lobos quase foram extintos nas últimas décadas sem a sua ajuda, Luna. Seu sacrifício é o único modo de os espíritos continuarem conectados com a tribo. Não podemos passar tanto tempo sem protetores, de novo. Você escolherá a morte novamente?”
O velho, que ainda tinha a mão em meu ombro, deu um leve aperto e eu me virei para olhá-lo.
“A iscolha ainda é tua, fia. Assim como nu passado foi, ainda é.”
Eu havia entendido.
Eu era a terceira esposa. Eu era a Luna e tinha a escolha novamente. Poderia seguir o meu destino, cumprindo meu papel com a tribo, ou poderia escolher me libertar; renascer.
Mas eu não tinha motivos para isso desta vez. Ninguém havia morrido. Inclusive, todas as minhas razões para continuar estavam vivas. Eu não podia simplesmente abandoná-los, principalmente depois de saber que, caso eu morresse, o bando iria se perder e a tribo ficaria sem protetores… mesmo não conseguindo imaginar aquilo acontecendo.
Todos os espíritos me encaravam, esperando, ignorando os berros e xingamentos que eu já não entendia, de Taha Aki. Meu coração se quebrou, vendo o homem, que em outra vida fora destinado a mim, mesmo que eu não me lembrasse, chorando pela minha morte. Estaria Jacob fazendo a mesma coisa naquele momento?
Eu olhei profundamente nos olhos do primeiro espírito dos quileutes.
“Eu vou cumprir o meu destino.” Disse, sem um pingo de dúvida em minha voz.
Então, todos os espíritos sorriram.
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