Notas iniciais
Olá leitores, tudo bom? Aqui é a Gi novamente e MEU DEUS DO CÉU, eu a Carol estamos tão, mais tão felizes por vermos tantos novos leitores se juntando a nós! E OS COMENTÁRIOS........... Ok, ok, nos falamos mais nas notas finais. Aproveitem!

Does it bother you, me being half naked all the time?”

― Jacob to Bella



Minha cabeça estava prestes a explodir; Eu sentia cada batida do meu coração em meus ouvidos, e tudo que eu queria era deitar em minha cama, e não sair mais de lá.

Quando meu turno acabou e saí do trabalho, mais tarde naquele dia, encontrei Jacob encostado em meu carro; parado sob a chuva fina que caía em frente à loja dos Newton. Tinha os braços cruzados sobre o peito exposto, e, por um momento, me senti como um andarilho no deserto, sendo atraído por uma miragem.

Abracei-o por um momento, deixando seu cheiro — que parecia ainda mais forte quando sua pele estava molhada — me tomar, e preencher cada pedacinho do meu ser.

“Como foi o seu dia, Anjo?” Perguntou ele, dando um beijo rápido em meus lábios, tirando um pouco do cansaço do dia.

“Muito melhor agora.” Eu sorri. “Como foi sua ronda?”

O semblante em seu rosto escureceu, por um momento, enquanto Jacob abria a porta da caminhonete, indicando para que eu entrasse, antes de tomar o lugar do motorista.

“Jake?” Chamei-o preocupada, quando não obtive uma resposta. “Você está me assustando. O que aconteceu?”

Ele respirou profundamente por um segundo.

“Desculpa, eu não quis te preocupar. A ronda foi… interessante.” Respondeu, e acrescentou: “Vou te contar tudo, mas, podemos ir para minha casa primeiro? Billy está nos esperando com peixe frito, e eu acho que vou desmaiar se não comer logo.”

Eu assenti rapidamente, notando as olheiras escuras embaixo dos seus olhos.

“Ah! Tenho que passar em casa e deixar algo para Charlie comer.” Ele negou, balançando a cabeça.

“Hoje tem jogo.” Se limitou a responder, e eu entendi imediatamente.

Quando passamos pela porta da casa dos Black, Charlie e Billy mal desgrudaram os olhos da televisão para nos cumprimentar. Nós dois apenas caminhamos até a cozinha, onde Jacob serviu dois pratos, e indicou uma das cadeiras para que eu sentasse.

Jacob praticamente inalou o peixe em sua frente. Nem cinco minutos se passaram antes de ele se levantar e encher seu prato novamente. Esperei até que ele parasse por um momento, para bebericar sua água, antes de recomeçar a conversa.

“Jake, por favor.” Supliquei aos sussurros, deixando o meu garfo na mesa. “Eu estou ficando doida aqui.”

Ele me olhou por um momento, terminando de engolir, antes de responder, com o tom mais natural do mundo.

“A ruiva parasita apareceu em La Push hoje, enquanto eu estava em ronda.” Senti meus olhos arregalarem e meu coração perdeu uma batida. Como ele podia contar aquilo sem nem ao menos mover um músculo do rosto? Aquele dia não poderia ficar pior, podia?

“Alguma coisa aconteceu? Está todo mundo bem?” Era possível ouvir pânico em minha voz, em meio aos sussurros desesperados. Eu agradeci que a televisão estivesse alta demais para Charlie ouvir meu tom de pânico.

“Sim, todos estão bem.” Respondeu, porém, o vinco de sua testa não desapareceu, me fazendo duvidar de que tudo estava realmente bem. Eu esperei, olhando-o inquisitiva, até que ele suspirou, parecendo derrotado. ”Todos estão realmente bem, Bells. O que me incomoda, é que, por conta do novo plano, não pude acabar com ela. É frustrante, para dizer o mínimo."

“Novo plano?” Perguntei, confusa.

“Depois de tudo o que foi dito no encontro com os Cullens, tivemos que mudar de estratégia. Atacar diretamente não iria nos levar a lugar nenhum, por conta do instinto de autopreservação da psicopata, então Paul — Paul!, entre todos — teve a brilhante ideia de ‘sermos pacientes’.”

Eu continuei em silêncio, sem querer interrompê-lo, o convidando, em silêncio, a continuar.

“Basicamente, a ideia é deixá-la pensar que estamos baixando nossas guardas e ficando relaxados. Ela tem que acreditar que está ganhando terreno. Com a volta dos Cullen, ela provavelmente irá ficar ainda mais alerta, e fugir com mais frequência. Se nós relaxarmos e deixarmos que ela ganhe mais confiança …”

“Ela vai sentir mais liberdade para se aproximar.” Completei, entendendo aonde ele iria chegar.

“Sim.” Assentiu, passando a mão pelos cabelos, exasperado. “Mas é muito frustrante fingir que não a vimos passar, ou não poder dar 100% na hora de tentar pegá-la. Eu ainda consigo ver o sorriso em seu rosto, quando passou por mim, hoje.”

Seus olhos estavam perdidos em algo atrás de mim, a frustração estampada em seu rosto. Ficamos em silêncio por alguns momentos, enquanto eu tentava absorver tudo o que ele havia me dito. Era um plano esperto, sim, porém, eu via como podia ser perigoso, também. Se eles relaxassem demais, ela poderia chegar até Forks; se eles não relaxassem o suficiente, ela iria apenas fugir novamente.

“Ah! Isso me lembra, Sam pediu o número dos sanguessugas. Como vamos ter que trocar informações com os parasitas o tempo todo, ele acha melhor ter como contatá-los sem precisar que um de nós encontre com eles.” Completou, parecendo tão desconfortável com aquela situação quanto eu me sentia.

Eu assenti, ainda perdida em pensamentos. Pensar que, enquanto eu estava na escola, Victória esteve tão perto, fez uma onda de enjôo passar por mim, e eu não consegui voltar a comer. O que teria acontecido se ela tivesse me achado lá? A quantidade de testemunhas teria parado ela? Eu duvidava.

“Hey.” Chamou, segurando minha mão e puxando minha atenção de volta à ele. Seus olhos eram intensos e acolhedores. “Você está bem?”

Se eu estava bem? Aquela era uma pergunta muito difícil de responder. As notícias sobre Victória, somadas ao dia estressante que tivera, fizeram meu emocional, já fragilizado, se despedaçar. Eu não queria mentir para ele, mas, ao mesmo tempo, não queria falar sobre o que eu estava sentindo.

“Eu estou cansada, Jake.” Era verdade. Eu estava mesmo cansada. Cansada daquela situação, e cansada, no sentido literal da palavra, por estar tão emocionalmente abalada. Tudo estava se acumulando, e parecia pesar em meus ombros. Eu só queria dormir, e acordar quando tudo tivesse acabado. Apesar dos meus desejos, eu sabia que, quando deitasse a cabeça no travesseiro, eu não conseguiria dormir, e, se dormisse, teria pesadelos novamente.

Eu lembrei da noite anterior, e do pesadelo. Será que era algum tipo de presságio? O pensamento me fez arrepiar.

“Você vai fazer ronda hoje a noite?” A minha pergunta pareceu pegá-lo de surpresa, e ele me olhou confuso por um momento.

“Não, Jared está de ronda hoje. Por que?”

Eu escondi o meu rosto entre meus cabelos. “Eu só… Pensei que, talvez, você pudesse ficar comigo de novo… Hoje à noite, digo.”

Jacob latiu uma risada, se inclinado para tirar meus cabelos do meu rosto. Ele segurou meu queixo entre os seus dedos, me fazendo olhar para o seu rosto.

“Você está querendo dormir comigo, Swan?” Foi impossível não retribuir o grande sorriso que brotou em seu rosto.

“Talvez.” respondi, sentindo meu rosto esquentar ainda mais. “Preciso ter certeza de que você tenha pelo menos oito horas de sono.”

“Para quê dormir oito horas? Ninguém mais faz isso, hoje em dia.” Ele estalou a língua, se afastando e cruzando os braços sobre o peito, como uma criança emburrada. “O que eu quero é ficar acordado a noite toda ao seu lado, se é que me entende.”

E arfei, estupefata. Jacob caiu na gargalhada.

“Vê se cresce, Jacob.” murmurei, chocada com sua cara de pau, porém, grata pela mudança de assunto.

“Não estou mentindo.” Resmungou ele.

Nós terminamos de comer aos risos e, quando o jogo terminou, Charlie me seguiu até em casa, em sua viatura.

Tomei um banho quente e escovei os dentes, antes de dar boa noite a Charlie, e me enfiar no quarto. O vento gelado da noite me atingiu quando abri a janela, e espiei o lado de fora.

A noite estava muito escura, e o cheiro das árvores — molhadas pela chuva — era latente no ar. Fiquei ali, observando a linha das árvores próxima à minha janela, como se esperasse que algo fosse sair dali a qualquer momento.

Depois de alguns minutos, um movimento nas árvores me deixou alerta. Antes que eu entrasse em pânico, porém, Jacob apareceu e eu suspirei aliviada. Estava apenas de bermuda — como sempre -, tinha os cabelos molhados, e exibia um grande sorriso no rosto. A frustração que havia em seu rosto, mais cedo, completamente esquecida.

Eu me afastei da janela, mas continuei olhando para a mesma com expectativa, e, quando ele passou por ela com uma agilidade supernatural, senti um sorriso abrir em meu rosto.

“Eu sei que você não sente frio, mas… precisa mesmo andar seminu o tempo todo?” Brinquei, tentando colocar uma expressão séria no rosto sério. Ele revirou os olhos, antes de um sorriso sem vergonha surgir em seu rosto.

“Está com ciúme?” perguntou aproximando-se de mim “Fica incomodada por saber o que todos os jovens de Forks e La Push pensam quando me vêem sem camisa? Ou com o que você pensa?”

Eu me arrepiei quando ele terminou de falar bem ao lado do meu ouvido, e não tive forças para responder. Ele apenas riu da minha reação. Canalha.

"Além disso… Eu me transformo em lobo, não em mula. Não fui feito para ficar carregando um monte de coisas. Já é um saco carregar a bermuda pra todo canto.”

Ele carregava apenas a bermuda? Eu sabia que ele andava de bermuda para todo canto, e que ele a carregava amarrada na perna, quando se transformava. Mas… APENAS a bermuda? Ele a estava vestindo naquele momento, então… isso significava que ele não vestia nada por baixo?

Me virei de costas, caminhando em direção à minha cama, tentando esconder o meu rosto vermelho de vergonha. Por que eu tinha que perguntar? Agora passaria a noite inteira imaginando suas calças, e pensando sobre como aquela era a única peça de roupas separando-o de mim.

Acho que ele percebeu que algo se passava em minha mente, pois, rapidamente, me puxou pela mão, virando-me de frente para ele com facilidade. Eu me limitei a abaixar os olhos e encarar os seu peito, com medo de que, se ele olhasse para eles, ele descobriria o que eu estava pensando.

“O que você está pensando?” perguntou, com o sorriso cafajeste de novo em seus lábios.

“Em ir para cama. Estou cansada.” respondi, aproveitando nossas mãos conectadas para puxá-lo comigo. Ele apenas riu, baixinho. Quando nos deitamos, percebi que minha cama era muito pequena para que ele deitasse reto.

“Como você deitou ontem? Eu não lembro de ter tido problema com o espaço.” Olhei para ele, me perguntando se minha cama tinha encolhido de uma noite para a outra.

Ele riu, novamente, levantando o peso do meu corpo facilmente, me puxando de modo que eu acabei deitada em cima dele, e ele pôde deitar praticamente na diagonal. “Desse jeito.” completou, seus olhos negros perfurando os meus.

O calor de seu corpo me engoliu, imediatamente, irradiando por todos os lados, onde tocava. Todo o stress do dia deixou o meu corpo, lentamente, derretendo com a temperatura dele. Eu não sabia como eu poderia passar um dia sem sentir aquilo — os dois dias que passei sem vê-lo eram prova de que a abstinência não me fazia bem.

Observando o seu rosto naquele momento, enquanto ele parecia puxar grandes quantidades de ar de olhos fechados, percebi, pelo sorriso em seus lábios, que o sentimento era mútuo. Era como se nossas baterias estivessem sendo carregadas.

Me movi, tentando tirar um pouco do peso de cima dele, e ele enrijeceu imediatamente, arregalando os olhos.

“Bella, você me chamou aqui para dormir, e, se ainda quiser fazer isso, sugiro que não coloque sua perna aí.”

Olhei para baixo, e notei que meu joelho tocava o local exato onde deveria estar o seu…

“Ops. Foi mal.” Respondi, tirando minha perna de cima dele, e voltando para a posição anterior. Senti o sangue subir para minhas bochechas, novamente, e sua mão livre acariciou-as levemente. Ele riu de novo.

“Relaxa.” Jake tentou me acalmar. “Por que você não me conta como foi seu dia na escola, hoje? O parasita fez algo para te incomodar?”

Eu relaxei novamente, apoiando a cabeça em seu peito, e sentindo-o enroscar os braços atrás de mim.

“Foi estranho.” resmunguei. “Ele está em quase todas as minhas aulas, e é claro, tem que sentar ao meu lado. Então tive que passar o dia inteiro evitando-o, não querendo que ele iniciasse alguma conversa. Me senti como uma fugitiva.”

Uma ruga se formou em sua testa, “Ele senta do seu lado?”

“É o único lugar vago. Era o lugar dele antes de sumir, e, como ninguém nunca se sentou ali…” Eu dei de ombros, soltando um longo suspiro. “Queria que tivesse um jeito mais fácil de passar por isso. Só de pensar que tenho que fazer tudo isso de novo amanhã…”

“O cara realmente não se toca, né?” reclamou. “O que será que você precisa falar para que ele perceba? Ontem também, quando eu fui te buscar, ele estava com aquele sorriso idiota no rosto. Não sei qual é a dele, mas eu não gosto dele perto de você.”

Franzi o cenho, confusa.

“Ele sorriu?” perguntei, sem conseguir entender e Jacob assentiu. “Mas… por que?”

“Para me provocar, é claro! O parasita sabe que eu não posso tocar em um fio do cabelo dele, sem acabar com tudo.” Sua mandíbula trincou, e eu estremeci. Aquilo não era do feitio de Edward. Quer dizer, ele sempre foi paciente e compreensivo, nunca provocaria uma briga daquele jeito, provocaria?

“Eu não sei qual o objetivo, Jake, mas não caia na dele. Não vale a pena.” Eu disse, com uma nova urgência na minha voz. Seus braços se apertaram mais forte ao meu redor, e ele me olhou longamente, procurando algo em meus olhos.

Não sei o que ele achou em meu olhar, mas, o que quer que fosse, fez seus braços pararem de tremer, e, quando voltou a falar, sua voz estava mais calma. “Se não fosse por você, eu o teria matado ali mesmo... O tratado não me importava, nem o aviso de Sam; eu estava pronto para jogar tudo para o alto.” sussurrou, sua voz grossa. “Foi você quem me fez manter o foco.”

Parei por um minuto, tentando pensar no que dizer, e não me surpreendi ao notar que eu sentia exatamente a mesma coisa; Que, às vezes, eu perdia o controle sobre mim mesma, e caía naquele buraco escuro que eu tentava fechar em meu coração, e era Jacob quem me trazia de volta aos meus pés.

“Eu sei que o lobo é apenas parte de mim, mas, às vezes, quando eu perco o foco daquele jeito, quase posso o ouvir dentro da minha cabeça, me tomando, me controlando; e quando eu percebo, não sou mais quem está ali.” confessou, olhando para algo além de mim. “E eu não gosto disso. Não gosto do modo como eu não consigo ser eu mesmo.”

Suspirei, apoiando a cabeça nas minhas mãos e olhando diretamente em seus olhos, para que ele visse que eu estava falando sério.

“Você já tentou, talvez, não pensar em seu lobo como uma entidade completamente separada de você, que toma o seu corpo quando fica bravo?” Sugeri, mordiscando meus lábios. “Eu não conheço muito das lendas, mas, pelo que você me contou, o espírito guerreiro escolhe o quileute por acreditar na capacidade que ele tem de usar aquelas habilidades para o melhor possível. Se vocês aceitarem as habilidades como partes de si, ao invés de algo ‘do seu lobo’, talvez consigam controlá-las melhor.”

Sua cabeça tombou para o lado, enquanto ele considerava as minhas palavras. Seu rosto, antes tenso, lentamente relaxou em um sorriso calmo.

“Talvez você tenha razão. É uma sugestão válida, apesar de complicada.” comentou. “Acho que Sam gostaria de saber sobre isso. Ele é um dos que mais evita contato com ‘seu lobo’, por conta do que aconteceu com a Emily.”

Eu balancei a cabeça, entendendo o motivo. Sam tinha que lidar com as marcas no rosto de Emily diariamente, como um lembrete constante do que havia feito.

“Eu entendo que ele veja o lobo como um “monstro”, e não queira aceitá-lo como parte de si, mas, talvez, se ele aceitasse, as habilidades dos dois iriam se unir, e “evoluir” juntas, e, quem sabe, ele se tornaria um protetor ainda melhor para a reserva?" comentei, olhando para o seu rosto pensativo. “É uma possibilidade. Para todos vocês.”

“Quando foi que você tirou diploma em psicologia, com especialização em transmorfos?” ele brincou, beliscando minha bochecha.

Eu dei de ombro, entrando na sua brincadeira, “Você não sabia? O diploma vem junto com o título de ‘garota-lobo’.”

Jacob riu, tentando conter sua risada para que não chamasse a atenção de Charlie.

“Eu gosto disso. ‘Garota-lobo’. Combina com você.” comentou ele, acariciando os meus cabelos, seus olhos, tão amáveis, me observando.

Você combina comigo.” finalizei, selando nossos lábios por um segundo. Ele sorriu lindamente para mim e eu me afoguei por um longo momento em seu rosto. Porém, depois de alguns minutos assim, notei seu rosto lentamente se transformando, novamente, na máscara de preocupação. Eu cutuquei o seu peito, tentando chamar a sua atenção.

“Em que está pensando?”

“Eu só estava lembrando do que o avô do Quill disse quando ligou para Sam, hoje de manhã. Aparentemente, ele está com uma febre constante.” explicou, ainda com o olhar distante.

“Acha que foi a volta dos Cullen que causou isso?”

“Ele já tinha começado com febre há alguns dias, provavelmente por culpa da ruiva, mas a volta deles não ajuda. Não vai demorar muito.” disse, sua voz tinha um tom melancólico. “Eu não posso negar que sinto falta dele; o meu lado egoísta quer que aconteça logo, para que possamos voltar a ser amigos, mas quando eu penso em tudo o que ele vai passar…”

Eu acariciei os seus cabelos, tentando confortá-lo.

“Não acho que seja egoísta por querer seu amigo de volta. Tenho certeza de que ele sente a sua falta, também.” comentei, “E se vai acontecer de qualquer jeito, então você só pode estar lá por ele e ajudá-lo.”

Jacob sorriu, me olhando longamente. Depois de alguns minutos, acrescentou, em tom de brincadeira, “A psicóloga especialista em transmorfos ataca novamente.”

Dei um tapa fraco em seu peito, tentando parar as suas risadinhas, apenas para deitar a minha cabeça ali em seguida, me aconchegando em seu calor. “Vou ter que começar a cobrar por hora.”

Aquilo só o fez rir ainda mais.

“Shh!” exclamei. “Charlie vai entrar aqui daqui a pouco e te dar um tiro.”

“Charlie está no décimo terceiro estágio do sono, Bella.” ele afirmou, sua voz completamente séria. “Aliás, você devia dormir também. Está tarde.”

Eu fechei os olhos, obedecendo, mas continuei, “Eu sou a mais velha, posso ficar acordada até tarde. Mas se você tem horário para dormir, acho melhor pararmos de falar; Eu já te disse que não quero que Billy pense que sou uma má influência.”

Dessa vez fui eu que tive que segurar minhas risadas, quando Jacob me olhou feio, apenas para me atacar com cócegas, não parando até que eu garantisse que ele era o mais velho, com lágrimas nos olhos.

Desconfiei que, assim que caí no sono, Jacob pulou a janela e foi embora, pois, quando acordei pela manhã, sozinha, a cama parecia mais fria do que deveria.

Aquela informação, subitamente, fez algo se encaixar na minha cabeça: Jacob com certeza não podia dormir no meu quarto. Ele com certeza não tinha dormido da outra vez, porque, não havia mundo onde Charlie não ouviria o ronco dele. Só imaginar Charlie acordando com os roncos altos de Jacob foi o suficiente para me fezer estremecer.Nós deviamos parar com aquelas visitas no meio da noite, antes que ele caísse no sono sem querer.

Descendo as escadas ainda submersa em pensamento, fiquei surpresa ao encontrar Charlie já vestindo o seu cinto na porta da frente.

"Está saindo mais cedo hoje, pai?"

"Bom dia, Bells." Ele levantou os olhos para mim. "É, tenho algumas coisas para resolver pela manhã."

Eu me inclinei e dei um beijo na sua bochecha, "Okay, tome cuidado." Disse, marchando em direção a cozinha, mas Charlie me parou a meio passo.

"Ah, Bella, eu sei que hoje é sexta, mas você poderia chegar em casa cedo? Nós precisamos conversar."

Meu sangue gelou nas veias. Oh, não.

"Claro, pai." Tentei soar calma, dando um sorriso duro. Charlie apenas acenou, saindo de casa.

Magnífico. Excelente. Aquilo era tudo o que eu precisava naquela manhã chuvosa. Mais uma preocupação para jogar na tão-pequena pilha de preocupações que eu tinha.

O que Charlie queria conversar? Será que ele nos ouviu conversando em meu quarto na noite anterior? Não estávamos falando muito alto, e Jacob sempre pareceu confiante de que Charlie estava dormindo…

Como se eu fosse atingida em cheio na cara, eu notei algo que tinha deixado passar. Eu não havia agradecido pelo chocolate que ele me deu! Será que eu o havia magoado? O chefe de polícia não podia ser tão sensível assim, podia? Aquela era a única coisa que eu conseguia pensar, quando tentava imaginar o motivo para uma conversa.

Com a cabeça ainda em Charlie, sentei para a minha primeira aula sem nem notar onde estava.

"Bom dia, pessoal." O professor cumprimentou e eu murmurei um 'bom dia' de volta, junto com alguns outros alunos.

O Sr. Dan parecia tão entusiasmado para começar a sua aula quanto qualquer outro naquela sala. Perceber aquilo me fez lembrar que, aquela era uma das aulas que eu tinha com Edward, porém, quando olhei para o lado, encontrei seu assento ocupado por uma garota que eu não reconhecia.

Ela tinha cabelos castanhos claros e olhos escuros e me pegou olhando para ela. Eu tentei lhe lançar um sorriso, cumprimentando-a em silêncio, mas fui recebida apenas com um olhar duro. A garota não desviou os olhos, encarando-me como se tivesse, no mínimo, raiva de mim. Pega de surpresa com a sua súbita hostilidade, desviei o olhar, fingindo prestar atenção no professor.

Mas que merda?! Eu não lembrava de ter feito algo para aquela menina, na verdade, nem conseguia lembrar se eu já a havia visto antes. Por que ela parecia me odiar?

Eu podia sentir as ondas de raiva vindo de sua direção a aula toda, deixando-me tensa. Não havia como ignorar o modo como, a qualquer movimento meu, a garota parecia me fulminar.

A certo momento, pensei em virar e perguntar o que eu havia feito para que ela me olhasse como se eu tivesse chutado o seu cachorro, mas eu não o fiz. Não queria começar algo que pudesse virar uma bola de neve descendo a ladeira. Seja lá qual fosse seu problema comigo, ela teria que resolver sozinha.

Apenas no fim da aula notei que Edward havia se sentado no fundo da sala, provavelmente no lugar que a garota anteriormente ocupava. Eu me apressei para sair da sala o mais rápido possível.

Quando encontrei Angela e Jessica na aula seguinte, não pude deixar de comentar o que havia acontecido.

Jessica zombou de mim, "Você não pode estar falando sério, Bella. Realmente não tem a menor ideia do porquê?"

Apenas balancei a cabeça, negando, sem entender o motivo da risada dela. Angela olhou feio para Jessica, como se quisesse que ela calasse a boca, mas foi completamente ignorada pela amiga.

"Todo mundo está falando sobre como você deu o fora no Edward na quarta-feira, e algumas pessoas não gostaram muito do jeito que você o vem tratando."

O que? 'Não gostaram'? O que as outras pessoas tinham a ver com a maneira com que eu o tratava?! Além disso, eu mal havia sido capaz de formar mais do que três frases na presença dele. Do que raios ela estava falando?

"Apenas ignore-as, Bella" interveio Angela "Todas estão apenas com inveja."

"E quem não teria? Bella tem dois caras lutando por ela, não é esse o sonho de qualquer uma?" Riu Jessica, e eu a encarei como se ela tivesse dado um soco em uma criança.

"Não tem ninguém brigando por mim! Eu estou com Jacob e é isso." Afirmei, não gostando do modo como Jessica apenas acenou com a mão, me dispensando. “Edward não está ‘lutando’ por mim!”

“Bom… qualquer um com um par de olhos que funcione consegue ver que ele não acha o mesmo.” Comentou, calando-se em seguida, ao ver meu olhar.

Depois disso, todas ficamos quietas, visto que a professora entrou na sala.

Passei o resto da aula remoendo as palavras de Jéssica. Sim, eu havia notado que Edward estava… receptivo. No dia anterior, mesmo com todos os meus esforços para ignorá-lo, nossos olhos haviam se conectado algumas vezes, e tudo o que ele fez foi sorrir para mim, aquele meio sorriso que, meses atrás, havia conquistado o meu coração.

Quando eu notava o seu sorriso, o modo como o mesmo fazia meus membros ficarem moles, eu tentava trancar meu coração com uma chave e empurrá-lo para longe, não querendo ser afetada por ele novamente. Isso me fez falhar em notar algo:

Edward não estava agindo como alguém que me rejeitara.

Eu geralmente tentava não lembrar do dia em que ele me deixou, mas, enquanto eu assistia a professora escrevendo na lousa em frente à classe, tentei puxar em minha memória a expressão estampada em seu rosto, naquele momento na floresta; como ele estava distante, e como deixou claro que não me queria; que eu não era nada para ele!

Seis meses haviam se passado, e ele voltou, mas, não por minha causa; ele não me queria. Ele havia voltado por conta da Victoria. Foi isso o que ele disse. Pediu desculpas por não ter prestado atenção, e por eu estar sendo caçada esse tempo todo, certo?

Sim, Edward se sentia culpado por tê-la deixado viva, e por ter causado ainda mais problemas. Eu lembrava perfeitamente o modo como suas sobrancelhas haviam se juntado, assim como faziam quando ele se martirizava por alguma coisa. Sim, esse era o motivo: culpa. Não era porque ele se arrependia de ter me deixado; Não era porque ele me queria de volta…

Então por que agiu daquela maneira na clareira?

Por que ele me abordou pedindo desculpas?

Por que me encarava, em qualquer momento que nos víamos, como se desejasse me tocar; como se estivesse se segurando para não se aproximar?

Eu me senti nauseada. Talvez Charlie tivesse razão, e eu devesse tirar alguns dias de folga da escola.

Notas finais
O capitulo começou doce para acabar azedo! Bella notando algumas coisinhas que o Edward está fazendo, eim? Demorou um pouco, mas acho que agora ela vai começar a realizar as verdadeiras cores do ex dela. Sobre o próximo capitulo, quero ver quem vai descobrir o que Charlie quer tanto falar com a Bella! Ele parecia mais sério do que de costume e até mesmo a Bella ficou bem chocada. Será que algo aconteceu?? O que vocês acham??? Sobre os comentários super lindos e longos: OBRIGADA OBRIGADA OBRIGADA, eu acho que eu poderia agradecer para sempre e não seria o suficiente! Eu a Carol amamos cada um de vocês e tiram um tempinho para dar a sua opinião ou se expressar sobre a fanfic! Um obrigada especial para sinosij4k que achou um erro de digitação em um dos capitulos. A Carol provavelmente será quem postará o próximo capitulo esse fim de semana, então eu vejo vocês nos comentários! Love y'all!