Notas iniciais
Olá leitores, tudo bem com vocês? Vim dar esse capítulo BONUS para vocês. Um presentinho da sua autora preferida, Carol ♥ Espero que gostem da surpresa!

“I don’t even like Bella Swan. And you’ve got me grieving over this leech-lover like I’m in love with her, too. Can you see where that might be a little confusing?”

Leah Clearwater, Epilogue, Eclipse



Apesar de ter ligado para a casa de Billy duas vezes, ninguém havia atendido o telefone. Durante todo o tempo que passei cozinhando a macarronada a bolonhesa para o jantar, minha mente deu voltas, imaginando onde ele poderia estar.

Meu pai até ofereceu para terminar o jantar em meu lugar, para que eu pudesse ir atrás de Jacob, mas eu recusei. Ele acabaria tendo que comer macarrão queimado, e Charlie não merecia mais um dia com um jantar ruim, especialmente depois de tudo o que havia dito para me fazer sentir melhor.

Assim que a comida ficou pronta, entretanto, agarrei minhas chaves, e me lancei para fora de casa. Eu destrancava a porta da caminhonete quando ouvi alguém limpar a garganta, atrás de mim.

“Leah!” Exclamei, colocando a mão sobre o peito, sentindo meu coração acelerado. “Que susto! O que está fazendo aqui?”

“Alguém tinha que ficar de olho no castelo da princesa, para caso ela decidisse voltar.” disse sarcástica, cruzando os braços sobre o seu peito e eu não pude deixar de notar a sua cara de poucos amigos.

“Você… está aqui desde antes de eu voltar?” perguntei, surpresa por eles terem montado guarda até mesmo quando eu não estava lá.

“Uhun. Turno duplo.” respondeu, antes de um sorriso cínico surgir em seu rosto. “Então, você sabe o que isso significa, não sabe?”

Uma expressão confusa tomou meu rosto. Leah bufou, revirando os olhos.

“Estou falando sobre você sumir por dois dias e quando finalmente voltou, achou que era uma boa ficar de pegação com o sanguessuga no carrinho caro dele.”

Senti meu queixo cair, contra a minha vontade. Leah… Havia visto o que tinha acontecido entre mim e Edward mais cedo?!

“Não fique com essa cara de pamonha, Bella. Achou mesmo que iria conseguir esconder isso por muito tempo? Você até mesmo fede a sanguessuga.”

“Leah, eu posso explicar…”

“Ahh, mas você não me deve explicação alguma. Eu já imaginava que você não prestava. Depois que os sanguessugas voltaram, era só uma questão de tempo até que você voltasse correndo para eles.” Ela zombou, me olhando de cima para baixo como se soubesse muito bem o tipinho que eu era. “Agora, o que não esperava é que seria tão burra a ponto de tentar fazer isso bem debaixo de nossos narizes, e pensar que não iríamos descobrir.”

“Não é bem assim, eu…”

“Há! Coitado de Jacob e dos meninos que acreditaram nessa sua farsa; principalmente meu irmão, que só falta colocá-la em um pedestal. Todos caíram no seu planinho,do jeitinho que você queria, não é? Mas a mim você nunca enganou. Eu sempre vi quem você realmente é por baixo dessa sua máscara de pobrezinha.”

Chacoalhei a cabeça, “Nós nunca nem conversamos, Leah! Você nem ao menos me conhece para…”

Ela gargalhou, me interrompendo pela terceira vez, e parecendo realmente achar o que eu disse engraçado. A encarei, trancando meu maxilar com força. Seu antagonismo começando a entrar nos meus nervos.

“Isso não significa nada.” Ela disse, ainda rindo. “Eu conheço sua vizinhança melhor do que você. Sei a sua rotina inteira de trás para frente; sei de suas visitas à casa da Emily, e de todas as vezes em que se fez de santinha para conseguir o que queria. Acho que tenho mais do que o direito de dizer que te conheço muito bem.”

Santinha? Senti minha paciência diminuir a cada segundo em que ela continuava me insultando daquela forma.

“Então você acha que me conhece, apenas por ter visto algumas das minhas conversas pela mente de algum dos meninos?” Perguntei e ela sorriu, concordando. Aquela foi a minha vez de bufar. “Olha, se eu sou tão ruim assim, por que está aqui? Você mesma disse que não queria explicação. Então por que não vai embora? Já que é tão boa em julgar o caráter dos outros, só com um olhar.”

“Eu vim aqui te dar um aviso.” Murmurou, mudando completamente sua atitude, o sorriso cínico sumindo do seu rosto. Ela deu um passo em minha direção, tirando proveito de sua estatura mais alta para me encurralar contra a porta do carro. “Seja lá qual for o seu planinho, é melhor que desista de uma vez. Não que fosse funcionar, de qualquer forma; assim que me transformar e todos virem quem você realmente é, você estará acabada.”

Assim que ela acabou de pronunciar as palavras que completavam sua ameaça, eu cheguei ao meu limite. Ela achava que podia me encurralar, me ameaçar e dizer o que quisesse? Pois bem! Eu faria o mesmo!

“Vá em frente! Conte a eles o que quiser, Leah. Vai apenas ficar com cara de idiota, no final, quando todos souberem da verdade.” Falei, desafiando-a, mantendo o queixo erguido, e o olhar diretamente ligado ao seu, deixando claro que não tinha medo dela.

“Por favor, Bella, eu vi vocês dois se beijarem, com meus próprios olhos. Vai dizer que imaginei tudo?” Insistiu, com nojo em sua voz.

“O que você viu foi Edward me beijando contra a minha vontade! Não ficou claro o suficiente pra você, quando saí correndo, batendo a porta na cara dele?”

“Mesmo que fosse, isso não é desculpa para o showzinho que causou ontem, usando um de seus sanguessugas como pombo correio. Jacob quase surtou e se transformou em frente a todos aqueles humanos, no estacionamento da escola.” Ela cuspiu, me olhando de cima, como se eu fosse um inseto insignificante. “Acha mesmo que alguém vai cair na sua desculpinha fajuta de ‘ele quem me beijou’ depois de passar a noite na casa dele?”

Essa garota estava passando dos limites!

“Eu desmaiei, Leah! Como você espera que eu fale com alguém estando desmaiada?! Os Cullen me levaram pra casa deles enquanto estava desacordada, e fiquei desse jeito até algumas horas atrás. Quando finalmente acordei, fui informada de que até soro na veia tomei.” Exclamei, irritada. “Eles inventaram o maior conto de fadas para que Charlie não desconfiasse de nada, e para que não fosse até lá me buscar. E hoje, quando cheguei em casa, Edward se jogou sobre mim e tentou me beijar!”

Todas as palavras saíram de minha boca tão rápido, que agradeci por ela ser loba, pois um humano talvez não as tivesse compreendido.

“Você quer dar uma de sabe tudo, tentando jogar coisas que não entende na minha cara, mas você não é, Leah! Sinceramente, já estou com muita coisa em minha cabeça, ainda mais com tudo que rolou na sexta-feira, e não preciso que venha até a minha casa jogando ofensas para o alto.”

“Sexta-feira?” questionou. Um olhar de reconhecimento passou por seu rosto, antes de sua boca se abrir em um sorriso de escárnio. “Por favor, não me diga que todo esse seu ‘sofrimento’ é sobre o imprinting do Quil.”

Vendo que suas palavras pareciam ter acertado o alvo em cheio, ela riu alto, antes de continuar, ainda com a mesma expressão cínica no rosto.

“Claro que você teria que transformar tudo em um drama maior do que é, não é, Bella? Você não é nem um dos imprintings, por que está sendo tão melodramática quanto a isso? Está triste por que o Jake nunca vai ser seu de verdade, e não consegue aceitar as consequências que escolher ele pode trazer? Não me faça rir.”

“É sério que você, de todas as pessoas, está querendo me dar lição de moral sobre como estou sendo melodramática sobre o imprinting?” Retruquei no mesmo tom. “Pelo menos eu tenho coragem para me afastar, Leah! Prefiro sair, e sofrer em silêncio, do que me esforçar para tornar a vida de todos um inferno, só porque não consegui o que queria. “

Pude sentir o ar entre nós duas tremer, e eu não precisei nem olhar para os seus braços para saber que chacoalhavam fortemente. Agora, era eu quem havia acertado o seu nervo.

Me aproveitei da sua hesitação para continuar:

“Sim, eu fiquei triste e eu me afastei porque, pra mim, a felicidade do Jacob é mais importante do que a minha. Achei que deveria me afastar, e realmente pesar se a melhor escolha seria deixá-lo livre pra conseguir seu imprinting, e ser feliz.”

“Como se você realmente se importasse tanto assim com Jacob! Passou esses dias se lamentando, e chorando por suas mágoas como se fosse o fim do mundo, mas não pensou que o maior problema não é a possibilidade de Jacob ter um imprinting ou não, mas sim o relacionamento nojento que você insiste em ter com aquelas pragas.”

Leah me pegou de surpresa, me deixando sem palavras novamente. Ela sorriu, feliz por ter pisado em meu calo.

“Como pode confiar neles, de qualquer forma? Eu posso até entender que, no passado, o cara era seu — ugh — namorado, e aquela era a família dele, mas… agora? Por que confiaria neles, mesmo sabendo que são — como você mesma disse — tão bons em cobrir o que não é a favor deles? Como pode saber que não estão enganando você?” Ela descruzou os braços, visivelmente enojada com o pensamento. “E se não colocaram alguma coisa naquele sorinho que tomou, pra que ficasse dopada por um tempo? Você estava desmaiada, e eles poderiam muito bem ter visto a oportunidade perfeita pra te usar; sabiam que Jacob ficaria nervoso só de pensar em você naquela casa.”

Eu parei, chocada com a sua suposição. Eu… não havia pensado naquilo. Havia mesmo ficado desacordada por muito tempo…

“Enquanto considera essa possibilidade, pare de ser uma imbecil, retardada, e de desejar por um imprinting. Todos aqueles idiotas estão presos a algo que nem puderam escolher. Acha mesmo que estão felizes? O imprinting não é uma benção, como todos fazem parecer. É uma maldição.”

“Você está errada.” Retorqui, sentindo a raiva e a frustração fluindo em minhas veias. “Eu sinto muito, de verdade, que as coisas não tenham dado certo pra você, mas não pode sair por aí ofendendo alguém, toda vez que demonstrarem felicidade na sua frente. Está tão focada em afastar a todos, que nem parou pra pensar que, se apenas seguisse em frente, poderia até já ter encontrado o seu imprinting.”

Leah gargalhou, virando as costas para mim.

“E quem disse que eu quero um?”

“Se o imprinting é uma maldição, e você não quer um, então por que é tão amargurada pelo fato de Sam ter tido o imprinting na sua prima?”

Ela se virou para mim, seus olhos, pegando fogo.

“Cuidado com o que fala, Swan. Você está passando dos limites.”

“Você passou dos limites no momento em que decidiu vir até a minha casa para me ameaçar!” Apenas naquele momento, notei que respirava pesadamente, e que meu coração batia forte no peito, com a adrenalina proveniente da discussão.

Nos encaramos por alguns segundos, em silêncio, uma medindo a outra, até que eu enchi os meus pulmões, tentando achar um resto de dignidade para terminar aquela discussão sem sentido.

“Eu não acredito que perdi meu tempo tentando te colocar nos bons olhos de outras pessoas. Insisti, mais de uma vez, dizendo aos outros que precisavam ver as coisas pelo seu ponto de vista; que estava passando por um momento complicado, com a morte do seu pai e a transformação…” Eu disse, passando a mão pelos meus cabelos. “Mas ter vindo até aqui para jogar coisas das quais nem entende na minha cara, só prova que você é, realmente, só uma amargurada, que não suporta ver a felicidade dos outros, e precisa tentar afastar todo mundo pra fingir que tem controle sobre alguma coisa.”

Eu abri a porta da caminhonete, olhando para Leah uma última vez, antes de entrar, e fechá-la com força.

Demorei mais que o normal para encontrar a ignição na cabine escura, então, quando o motor finalmente ganhou vida, a porta do passageiro se abriu, e Leah pulou para dentro, sem nem ao menos olhar em minha direção.

“O que pensa que está fazendo?!”

“Você não está indo para La Push? Apesar de preferir estar na minha cama, ainda estou de guarda.” Ela resmungou, fechando a porta da caminhonete, e cruzando os braços, novamente. Ficamos em silêncio por alguns segundos. Eu estava embasbacada com tamanha cara-de-pau. “... ou espera que eu vá correndo atrás da sua lata velha?”

Respirei profundamente, tentando não perder a cabeça pelo que parecia ser a vigésima vez nos últimos dez minutos.

Saí da vaga, engatei o carro, e pisei fundo no acelerador — tentando ir o mais rápido que minha pobre caminhonete conseguia -, desejando acabar com aquela situação infernal o quanto antes.

Soube que havíamos passado pela linha do tratado quando Leah relaxou visivelmente ao meu lado, alguns minutos depois. Até mesmo pensei ter visto um sorriso no canto de seus lábios, por um momento.

“Você pode me deixar aqui. Eu vou avisar ao Jacob que você está indo para a casa dele.”

Eu a encarei com suspeita, “E você me ajudaria porque…?”

“Talvez você não seja tão imbecil, afinal de contas.”

Notas finais
A primeira aparição oficial da Leah na fanfic e ela já coloca o pau para comer. Capitulo pequeno porque achei melhor deixar a outra metade junto com o proximo capitulo. Vocês verão porque hehehehe Espero que fiquem ansiosos para esse fim de semana, porque o próximo capitulo promete! Beijão! Gi