Fugir Não é Mais Uma Opção
7 Percy
Notas iniciais
– O que tanto olha ai cara? – Ouvi cascos baterem nas pedras e Grover sentou seu traseiro peludo ao meu lado.
– Sei la...- Olhei a lua que aparecia ao longe a partir do mar. — A lua, as ondas, as estrelas. — Me lembrei de Bob e me senti culpado, de novo.
– Que papo é esse?
– Sei la, só estou admirando a noite. É bonita não é?
– Cara...- Ele colocou a mão sobre minha testa. – Você ta bem? Te deram FDL?
– Creio que não. Não cheguei a comer alguma coisa dês que cheguei.
– O que há?- Sua voz parecia contrariada. — Sabe não era essa reação que eu esperava de você depois de terminar com a Annie.
– Eu também não. Mas acho que estou assim por outro motivo...
– Posso saber qual?
– Eu não sei. – Eu disse sorrindo e olhando para ele que fazia uma cara de confusão. – Só sei que é isso. Estou me sentindo, como posso dizer...- Voltei a olhar o mar. – Infinito. [Olha o plagio]
– Infinito? Serio isso? – Eu não respondi e continuei a encarar as ondas se quebrarem. — Percy! Cara, eu não to te entendendo. Você ta lesando mais que nunca.
– Grover, pode ir direto ao assunto que veio falar?
– Hum, certo. – Ele pigarreou. – Bem eu vim falar sobre você ter quase batido no Castiel.
– Eu imaginei....
– E...
– E, eu não sei o que deu em mim.
– Como assim? Percy você não é de fazer esse tipo de coisa. Tem que ter uma explicação...
–Nico.
–Oi? Que você disse? Nico? O que tem o príncipe das sombras?
– Príncipe das sombras?- levantei uma sobrancelha.
– Por motivos óbvios, o chamamos assim pelas costas. – Ele olhou para mim como se esperasse que eu sorrisse, e eu não o fiz. Não entendi. Ele suspirou.- Caso você não tenha percebido, Nicolas é um cara forte e por onde passa arranca suspiros das garotas. É impossível não ver. E seu jeito fechado o faz um mistério, o que as enlouquece.
– Não acho que seja desse jeito, Nico é muito novo para ver as garotas assim...
– Muito novo? – Ele me olhou antônimo.- Percy, ele tem quase 16 anos. É três anos mais novo que você. Nessa idade você já havia beijado se não me engano, umas duas vezes pelo menos.
– O Nico é diferente de mim, ele...Ele ainda pensa como uma criança...Não vê as coisas dessa maneira, ele é inocente. – Ele me olhou como se não acreditasse.
– Percy, Nico já não é uma criança dês que Bianca morreu. Ele cresceu, tanto de tamanho como em mentalidade...
– Para mim ele ainda é pequeno, o topo de sua cabeça bate em meu nariz...e...- Ele me encarava de boca aberta. – O que foi?
– To tentando entender onde você quer chegar.
– Em lugar nenhum... eu...por que você veio falar comigo mesmo?
– Saber o motivo de ter avançado no cara. Mas você falou do Nico e agora to tentando raciocinar tudo isso... Pode me da uma ajuda?
– Eu avancei no cara por ter levado Nico daquela maneira e por ter o jogado na mesa e... eu não sei. Eu só queria defende-lo...
– O.K. Eu entendi. Você queria defender o Nico do cara. Mas Percy, Nico não precisa de ajuda, ele sabe se virar muito bem. Fora que coloca aqueles gêmeos no chinelo...
– Eu não pensei na hora...
– Percebe-se... Mas o que me intriga é o motivo.
– Como assim?
– Por que querer defender Nico? Por que agora? Vocês nunca foram muito ligados, ele vive fugindo daqui. Passa mais tempo com mortos que com os vivos. E...
– Acho que quero recuperar o tempo que perdemos...
–Como assim? – Suspirei e apoiei o queixo nos joelhos abraçando as pernas. Estava esfriando.
– Quero me redimir pelo que fiz a Bianca...- Ele murmurou um “Percy” penoso mas eu o interrompi. – Apesar de tudo, eu prometi para ele que ia trazê-la de volta e não o fiz. E hoje ele se distancia das pessoas por isso. Tem medo de confiar nos outros e a culpa é minha. – Grover ficou calado. – Quero dar a ele o que poderia ter tido quando menor, quando mais precisava, proteção, amor e afeto de um irmão mais velho que se preocupa...
– E você se preocupa? – murmurei um “sim”. – Tem certeza?
– Eu nunca me perdoei pelo que deixei de fazer por aquele garoto. Depois que cai no tártaro. – Senti o gosto de bile em minha boca por lembrar daquele lugar.- Eu me prometi concertar tudo o que havia feito, me redimir, viver o resto da vida sem me arrepender.
– Então Nico é mais para que você se sinta feliz com sigo mesmo? É isso?
– Não. Eu realmente quero o bem dele, não teve um dia dês que o conheci que não me preocupo com ele, sempre espero noticias, mas elas custam a chegar... Ele nunca permitiu que eu me aproximasse.
– E por que acha que ele ira permitir agora? – Um sorriso cresceu involuntariamente em meus lábios.
– Por que eu não darei exatamente opção a ele. – Grover balançou a cabeça negativamente.
– Sabe, Nico não é mais tão sozinho, ele tem agora aqueles gêmeos e parecem realmente se gostarem e serem amigos, como eu você e a Annie...
– Não acho que aqueles gêmeos sejam boa influencia, principalmente a garota. – Eu disse massageando o pescoço. Grover riu.
–Ouvi falar de Camile, um amor de pessoa ao contrario do irmão que é fechado. Mas quando mechem com ela ou com ele nos prova que é filha de Ares!
–Marte. Acredite, é diferente. E é a segunda vez que ouço isso em menos de duas horas. – Ele levantou uma sobrancelha questionando quem foi que me contou. — Nico me contou. – Ficamos um tempo calados ate ouvir risadas se aproximando. Então nos escondemos atrás das pedras para ver quem mais estava ali.
– Eu me recuso Castiel! – Reconheci a voz de Nico e ele parecia nervoso.
– Como assim se recusa? – Era a voz de Castiel, eu realmente não gosto desse cara. Só sua voz me faz querer partir pra cima dele. – Você perdeu a corrida Nico, agora é hora de pagar a prenda.
– Não foi justo! – Ele parou a alguns metros de onde estávamos, estava só se calça jeans e ela estava molhada colada em seu corpo magro porem musculoso. E eu acho que não deveria notar uma coisa dessas. Castiel veio logo atrás com a irmã, que ria como uma criança no natal, os dois estavam molhados também. – Camile deixou você passar na frente e depois correu para pegar o segundo lugar.
– Você deveria ter corrido mais rápido então... – Camile disse rindo mais ainda. Castiel se aproximou de Nico ficando em uma proximidade perigosa.- Agora pague a prenda, eu vou amar ver isso!
– Pervertida. – disse Castiel rindo e se virou para Nico. – Foi você que deu a ideia da aposta...
–Mas foi Camile que decidiu qual seria a prenda. – Ele deu um passo para traz.- Em momento nenhum eu concordei.
– Bem, mas você correu, isso para mim foi aceitar o desafio. — Nico deu mais um passo para traz, mas Castiel o agarrou pelo pulso. Eu ia me levantar, mas Grover me segurou e fez sinal negativo. — Vamos la cara, vai ser rápido e não vai doer nada, eu prometo.- Disse Castiel. Nico parecia contrariado e mesmo na luz fraca, eu podia ver que estava corado. Camile parecia que ia ter um infarto.
– Eu me recuso. Escolha outra coisa... — Disse Nico.
– Vai dar pra traz em sua palavra? Tem certeza? – Disse Castiel cínico, essa cara me irrita. Por que Nico não faz nada?
– De jeito nenhum. Mas isso...- Ele não terminou a frase, Castiel o puxou pelo pulso o agarrando com o outro braço pela cintura e selou seus lábios com os de Nico. Bem não preciso dizer que eu não aguentei ver mais nada, certo? Eu simplesmente agi. Saquei contra corrente e a lancei em direção a cabeça de Castiel mas, mais uma vez, fui parado por Camile. Ela lançou uma adaga em minha espada a desviando do alvo ,que se cravou na areia e outra em minha direção. O barulho dos metais se chocando fez Castiel e Nico se separarem e ao ver a adaga vindo para mim Nico abriu um buraco, onde eu e Grover estávamos, nos fazendo ceder alguns centímetros, me salvando da adaga dourada que passou a centímetros do topo de minha cabeça.
– Você não cansa não,garoto peixe? – Disse Camile fazendo uma espada dourada aparecer em sua mão. De onde vinha tanta arma?
– Bem, só me cansarei quando esse seu irmão parar de assediar e maltratar o Nico!- Respondi furioso, contracorrente voltou ao meu bolso e eu a saquei de novo. Dessa vez eu não vou perder para essa garota.
– Percy calma, não vamos brigar.- Tentou Grover. Mas eu não ouvia, só queria arrancar a cabeça daquele bastardo.
– Percy! – era Nico. – Não faça isso. – Nico corria para perto se colocando ao lado de Camile. Ele estava mais vermelho que um pimentão.
– E por que eu não faria? Ele te agarrou! Eu vi!- Eu disse entre dentes. A espada de Camile desapareceu e senti algo cortando minha pele vindo de traz de mim, então algo brilhante passou rente ao meu rosto parando na mão da garota. As adagas estavam com ela novamente. Senti o sangue escorrer pela minha face,mas não era um corte profundo.
–Ele não me agarrou! Eu...- Ele parecia com raiva, nervoso, confuso, tudo ao mesmo tempo. – Eu permiti ta legal! Perdi a aposta e essa era a prenda! –Ele parecia estar prestes a desmaiar, nunca vi Nico parecer tão frágil. Ele se virou par a garota e tocou seu braço ela o olhou nos olhos e como se recebesse um choque de realidade, ela abaixou as armas e elas desapareceram, mas eu percebi, elas se transformaram em pulseiras, uma em cada pulso, no seu pescoço ela tinha uma gargantilha também dourada, deve ser a espada. — Percy, por favor, vá embora. – Disse ele voltando a voz apática de sempre.- Mais tarde eu falo com você.
– Não sairei daqui sem você. Não confio nesses caras.- Mas Grover parecia ter uma ideia diferente, ele agarrou meu braço e me puxou dali.- Nico!- ele olhou para mim e virou de costas. Castiel foi ate ele, acho que para pedir desculpas, mas Nico o dispensou com um aceno com a mão e foi andando sozinho pela praia. Castiel então olhou para mim, seu olhar era de raiva e eu o devolvi com a mesma intensidade. Naquele momento percebi que ganhei um inimigo e percebi que será mas difícil que pensei em me aproximar novamente de Nico.
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