Fugir Não é Mais Uma Opção
8 Percy
Notas iniciais
Depois daquilo não vi Nico por três dias. Não, ele não havia fugido, mas estava me evitando. Mas a minha consolação é que parecia que evitava Castiel também. Bem, o clima do acampamento estava o mesmo para a maioria, só havia mudado para mim, meus amigos e os gêmeos. Eu e Castiel não podemos ficar no mesmo lugar e em menos de sete metros nos separando, pois começamos a discutir e se meus amigos ou Camile não aparecessem para acabar com a discussão nos começaríamos com as agressões físicas. O que aconteceu há alguns minutos e nesse momento estou no chalé de Zeus, por quê? Jason parou a briga e me tirou de la. Aparentemente fora eu, Castiel não quer puxar briga com mais ninguém, nem com quem nos separa, quando Jason apareceu ele simplesmente deu as costas para mim e foi embora.
– O que há com você Percy? – Disse ele socando um saco de gelo em minha cara.
– Eu não suporto aquele cara! – Eu disse revoltado, eu contei para eles como eu odeio Castiel varias vezes, mas parece que eles não entendem isso.
– Isso ainda é por ele ter beijado o Nico? – Disse Jason cruzando os braços sobre o peito.
– Em parte...- Sim eu não havia o perdoado por tirar a inocência do Nico. Aposto que foi seu primeiro beijo e foi com um CARA! Ah, e só para constar, Nico não veio falar comigo. O que me deixa com mais raiva, ele tem que me dar uma explicação!
– Percy, esquece isso... Olha, Nico...- Eu levantei e caminhei ate a porta, já ouvi aquele discurso varias vezes. Antes de sair olhei para traz.
– Olha, eu sei que ele cresceu. Você não tem idéia de como eu percebi isso. Mas eu ainda não aceitei a idéia. Eu queria ainda ser alguém importante para ele. Só isso.- Jason mordeu o lábio, e parecia nervoso. – Será que é pedir muito? Eu só quero uma chance de concertar as coisas...
–Eu... Eu não sei mas o que fazer com você...- Disse ele coçando a nuca.- Acho que terei de te seguir por ai, te manter na linha por...- Alguém bateu na porta o interrompendo, eu a abri e la estava Camile.
– Ola garoto peixe. Jason. — disse ela calmamente, não estava armada e não parecia querer me matar. – Preciso conversar com você.- Ela apontou para mim.
– Sobre? – Ela olhou para Jason e eles pareceram ter uma discussão seria pelo olhar mas ela venceu.
– Vá com ela Percy. Vai ser melhor.- Disse ele me empurrando para fora do quarto e fechando a porta logo depois. A garota de olhos vermelhos me encarou.
–O que você quer? Se for briga, eu já briguei com seu clone. – Ela suspirou e colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha.
–Só quero conversar. Estou preocupada com Nico. – Essa ultima frase me fez perder as resistências e a seguir. Fomos para o campo de morangos e nos sentamos em uma pedra que ficava na margem da plantação. – É o seguinte, eu e meu irmão convivemos há algum tempo com Nico. Ele é muito importante para nos, mais ainda para Castiel.
– O que você quer dizer?- Ela olhou para mim e parecia triste. Frágil.
– Bem, vou direto ao assunto. Nico é o primeiro amigo de Castiel, na verdade é seu melhor amigo e meu irmão é um bocado ciumento e não tem paciência...
– Mas onde eu entro nisso tudo. – Ela olhou para o céu e sorriu de uma maneira amarga.
– Bem, você os afastou. Graças aos seus showzinhos Nico afastou Castiel e eles estão sofrendo. Deu muito trabalho nos aproximar realmente de Nico, mas conseguimos. Mas foi só você chegar que tudo isso mudou. – Eu a encarei, pensei que seu rosto estaria vermelho de raiva, mas ela parecia ficar cada vez mais triste.
– Mas o que quer que eu faça? Desculpe, mas não vou me afastar de Nico. Minha intenção é exatamente o oposto disso. – Ela concordou com a cabeça.
– Não quero que se afaste, também quero que se aproxime de Nico, Percy. Apesar de não parecer ele é frágil e precisa de alguém que lhe de força.
– Você não esta aqui para isso?
– Eu dei tudo de mim. Eu queria ajudar mais Nico, mas eu mal aguento conviver com meus problemas. Principalmente agora, não sou a pessoa certa para lhe dar apoio, estou sem estrutura ate para me apoiar sozinha.
– Você quer falar sobre isso? – Perguntei, por que parecia que ela iria se desmanchar em lagrimas a qualquer minuto. Mas ela não chorou, ela corou, muito e balançou a cabeça negativamente freneticamente. O que eu achei bonitinho e ri. Ela escondeu a cabeça entre os joelhos e suas orelhas continuaram vermelhas por ter corado.- Não se esconda, gostar de alguém não é algo de se envergonhar.
– No meu caso é sim. Mas não é pra falar de mim que estou aqui.- Ela se recompôs.- Eu vim te fazer uma proposta...
– Que proposta?- Pelo rumo da conversa eu fiquei ate receoso.
– Que tal você e meu irmão começarem a competir pela atenção de Nico de uma maneira saudável?
– Por mim tudo bem, isso vai tirar o Jason da minha cola. Mas seu irmão concorda?
– Peixinho, apesar de filhos da guerra, não entramos em uma inútil. Só lutamos caso valha a pena e se a estratégia for boa. O que é o caso de vocês, o motivo é importante, mas a estratégia de vocês é péssima. Só o estão afastando.
– Mas como isso vai fazer ele se aproximar se ele nos ignora?
– Ele os ignora por que se sente culpado e envergonhado com tudo isso. É uma questão de dias para ele voltar ao normal, ou eu fazer ele voltar a falar com vocês.
Depois de dizer isso ela se levantou, deu um tapinha no meu ombro e correu pela plantação. Eu fiquei mais um tempo pensando sobre isso e então tive uma idéia. Eu ira fazer o que Camile disse, mas antes eu preciso encontrar Nico.
..........
– Vai acampar na porta do meu chalé ate quando? – Era a voz de Nico. Esfreguei os olhos, não havia percebido que tinha dormido. Já era noite.
– Estava te esperando. – Disse me levantando. Olhei para seus rosto, parecia mais pálido ainda. As ponta de meus dedos formigaram com a vontade de acariciar seu rosto novamente mas eu me contive. – Podemos conversar?
– Não. – Disse ele me afastando da frente da porta, tocando a maçaneta e a abrindo, coloquei a minha mão sobre a sua e a puxei de volta. Ele não tirou a mão do lugar e nem eu. Sentir o frio de sua pele sobre a minha era bom. Então fingi que não havia percebido. – Tenho que descansar, tive um dia cheio hoje Percy.
– Eu também. Briguei com Castiel de novo. – Ele me olhou como se esperasse que eu dissesse algo que me defendesse. Mas eu não tinha nada. – Mas essa foi a ultima vez.- Ele revirou os olhos, puxou a mão e corou, deixei minha mão cair ao lado de meu corpo, ela formigava. – Você quer que eu jure?
–Não. Você não deve nada para mim Percy. Eu nem sei o que você veio fazer aqui, dizer essas coisas... O que eu tenho a ver com isso? — Ele me encarou. E esperou. E eu não disse nada. – Você mesmo não sabe o porquê de ter vindo aqui. – Ele então puxou a porta e entrou e a trancou. Minhas pernas funcionaram sozinhas e quando dei por mim já estava indo para o chalé de Ares.
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