Fuerza.
5 Um passo de cada vez
Notas iniciais
Mark estava irritado com o latino e nem pensou em procura-lo depois da aula para lhe oferecer uma carona. Por que ele tinha que ser motivo de vergonha? Ele não se importava nem um pouco em ser publicamente amigo de Juan.
O estacionamento estava quase vazio quando alcançou o carro e reconheceu a pessoa que estava encostada nele, fumando um cigarro distraidamente. Carlson respirou fundo e aproximou-se.
— Não está mais envergonhado? — Sua pergunta carregava uma grande carga de ironia.
Juan apagou o cigarro e se virou para Mark, não se deixando abater pela raiva do outro.
— Eu vim pedir desculpas. Eu sei que tudo que você fez, foi por bem. — Admitiu, pegando um pouco desprevenido Carlson.
— Você acha que é assim tão simples? Você vive me empurrando para longe. — Cruzou os braços, demonstrando sua falta de interesse para papo naquele momento.
— Olhe, somos de mundos diferentes e nem somos íntimos. Mas eu achei minha atitude um pouco agressiva... E estou pedindo desculpas. Apenas aceite.
— Suas atitudes são sempre agressivas. — Rebateu Mark, achando um pouco ruins as desculpas do outros.
Os olhos de Juan pararam nos verdes de Calrson, vendo que não ia ser assim tão simples conseguir as desculpas daquele estranho garoto. Principalmente quando, o rosto sempre animado de Mark, estava esboçando uma carranca profunda.
— Não estou acostumado com algum playboy correndo ao meu redor, carente de atenção. Eu não posso dar a atenção que você deseja...
— Oh, por favor, você está indo de mal a pior na tentativa de conseguir ser desculpado. — Advertiu, levantando uma sobrancelha com desdém.
Juan respirou fundo, acalmando os ânimos e bufou. Ele não sabia como se metia em certas situações, e essa com certeza era uma na qual ele não tinha a mínima ideia como tinha chegado. Não é todo dia que um menino da alta classe fica balançando o rabo atrás dele, pedindo atenção.
Mark ainda permanecia de braços cruzados, esperando qualquer coisa vinda do latino. Ele não ia sair dali nem tão cedo. Ele queria um bom pedido de desculpas, e queria para hoje. Sempre foi gentil com Juan e nunca o destratou, não tinha motivo para ser tratado de forma rude toda hora.
— Okay! Me desculpe, tá bom? Você foi legal comigo e eu fui um pouco babaca. — Juan parecia bem sincero. Na verdade, ele estava sendo sincero.
— Desculpas aceitas! — Mark arrodeou o corpo do latino e destrancou o carro. — Você não foi um pouco babaca, você sempre é. — E deu uma risada divertida, rindo do que tinha dito. — Então, aceita uma carona?
— Carona? — Juan perguntou desconfiado.
Mark rolou os olhos impaciente.
— Você está com o pneu da bicicleta furado, não? Vai voltar a pé? — Quando o outro não respondeu, ele abriu a porta do carro pronto para partir. — Então a gente se vê por ai...
— Não. Pera. Eu quero uma carona.
Ele sorriu vitorioso e deu um sorriso esquisito.
— Peça, por favor. — Pediu Mark, aumentando o sorriso.
Juan estreitou os olhos, desconfiado.
— Por que eu faria isso?
— Quando você quer um favor, deve pedir. — Esclareceu Carlson, como se fosse obvio.
— Não... Acho que vou voltar a pé. — Deu as costas com um sorriso malicioso.
— Espera!
Bingo. O feitiço se voltou contra o feiticeiro.
— Sim? — Juan se voltou inocentemente, escondendo o sorriso anterior.
Mark estava parecendo um pouco culpado e tímido, e o latino achou bem engraçado. Na verdade, Juan já passou da fase de não tolerar mais Calrson, agora ele estava intrigado.
— Só pegue sua bicicleta, a carona ainda está de pé. — Disse timidamente, com um sentimento de derrota.
— Oh, sim? Obrigada. — E virou as costas, indo pegar a bicicleta.
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O caminho foi preenchido com algumas discussões inúteis, principalmente sobre que estação de rádio deveria tocar.
— Você sabe, o copiloto sempre escolhe a música. Está na regra dos carros. — Argumentou Juan, voltando para a estação que ele queria.
— Onde você leu essa besteira? Quem está dirigindo escolhe! Se eu não gostar da música, eu posso fazer um acidente. — Rebateu Mark, clicando furiosamente para mudar de música.
— Um acidente? Isso não seria culpa da música, e sim da sua carteira de motorista comprada! — E continuou a briga pela escolha da música.
— Mal agradecido! Estou lhe dando uma carona, você está aproveitando da minha amável companhia e está reclamando da rádio? — A indignação na voz de Carlson se misturava com diversão.
— Amável companhia? Quem é que correu atrás de mim? Você que está usufruindo a minha. — E desligou o som, cruzando os braços. — Melhor nada, do que suas musicas.
— Você é muito radical. Ou sua música ou nada.
— Comigo é tudo ou nada. — Juan esclareceu, voltando o olhar para a rua.
— Nem tudo é preto e branco.
— Você vai começar com esse discurso positivista? — A voz do latino era indignada, com um toque de diversão. — “Nem tudo é preto e branco, pode ser cinza.” — E imitou uma voz esganiçada, fazendo careta.
Mark deu uma risada, inclinando o corpo pra frente. Por um momento Juan se perdeu no sorriso do outro, Calrson parecia tão mais jovem e menos pomposo rindo. Tinha uma inocência sutil no menino.
— Você é impossível! — E riu mais um pouco, balançando a cabeça negativamente. — Certo, agora me explica como faço para chegar na sua casa.
Bronx era dividido claramente em duas partes, a primeira era a parte “cult” do bairro, dominado pela elite cultural de Nova York. Os bairros como Bronx e Brooklyn tiverem um ‘boom’ de uns anos para cá, uma intrusão da elite cult, que acha legal morar nas periferias. A segunda parte com certeza era onde Juan morava, perigosa, esquisita e com casas muito abaixo do padrão.
O carro de Mark chamava uma atenção indesejada, era chamativo de mais para o bairro. Calrson tentava se mostrar calmo com os olhares dirigidos ao carro e tentava fingir que não estava olhando a cada dois segundos para os espelhos, vendo se alguém os estava seguindo.
— Sabe, você não precisa me deixar na porta de casa. — O latino percebeu o nervosismo que emanava do outro. Não só isso, ele também sabia que não era nada bom acompanha-lo. — Vamos, pode parar aqui.
— Certeza? — A voz de Mark tremeu um pouco em nervosismo. Não esperou a resposta de Juan e encostou o carro em frente a um salão de beleza.
— Não fique tão nervoso, isso chama mais atenção do que você deseja. — E saiu do carro, tirando a bicicleta do banco de trás.
— Não acreditei quando eu vi que era você saindo desse carro.
A voz feminina chamou a atenção dos dois. Juan se virou com um sorriso divertido nos lábios e Mark se inclinou mais dentro do carro, para observar quem era.
— O que é isso, fazendo amigos na elite? Está nos traindo? — Ela levantou sua sobrancelha bem feita em ironia divertida e se inclinou para olhar dentro do carro. — Olá! E quem seria você, gracinha?
Carlson ficou envergonhado com o olhar malicioso que a moça lhe mandava. Ela era bem bonita, com a pele cor oliva e os cabelos com belas tranças. Aparentava ser um pouco mais velha que ele mesmo.
— Mark Calrson. — Ofereceu um sorriso educado.
— Que doce! — Ela bateu palmas, animada e estendeu uma mão pela janela, sendo apertada educadamente. — Sou Jasmin Flores, querido. — Se afastou da janela do carro e encarou mais um pouco Mark. — Agora a pergunta que não quer calar, o que você está fazendo com ele? — Ela cruzou os braços, ficando seria.
— Deixa ele ir embora Jasmin. Está todo assustado. — Juan insistiu, empurrando sua bicicleta para longe do carro.
— Nos somos amigos. — Respondeu Calrson, sem hesitar. — Dei uma carona...
— Amigos? — Ela o interrompeu, dando uma risada e jogando a cabeça para trás.
Mark assumiu que não gostava muito dela.
— Sim, amigos. Algum problema? — Insistiu, fechando a cara para a menina.
— Oh querido, nenhum. — E deu outra risada. — Só não acredito que Juanito aqui, tenha amigos como você.
— Qual é o problema de ter amigos como eu? — Insistiu. Aquilo estava ficando cansativo.
— Vocês dois, parem. Estão sendo ridículos. — Juan parecia visivelmente irritado. Jasmin e Mark ficaram calados, esperando a próxima reação do latino. — Calrson, agradeço sua carona, mas já pode ir embora. — E se virou para a garota, que esperava ainda de braços cruzados. — Jasmin, a gente se vê por ai. — E saiu, abandonado os dois para trás.
A garota olhou a última vez para Mark, e com um pulo, correu atrás de Juan, pendurando-se em seu braço. Isso irritou Carlson profundamente, que achou a atitude infantil.
Ligou o carro e partiu, olhando pelo retrovisor os dois se afastando. Com a raiva que estava, saiu do Bronx sem nenhum momento de hesitação ou nervosismo.
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