Fucking Harry
1 Harry
Notas iniciais
Harry. Alguém normal demais para ser evidenciado nesta tal sociedade onde dita que a beleza é sim fundamental. Um corpo sarado, uma excelente alimentação sem nenhum tipo de excesso, onde doces e salgados não passam de sonhos e desejos pecaminosos. Onde o que importa não é você ter uma boa vida social com pessoas normais, é estar preso numa busca incansável pela beleza física acima de tudo, mesmo que isso signifique que você tenha que humilhar àqueles ao qual não agregam nada a esse novo estilo de vida. O garoto, ao qual vamos narrando esta história é exatamente o oposto de tudo isso o que foi dito. Mas então você me pergunta: tudo o que disse? Mas você nem disse nada. – Não, eu mal comecei.
Harry tentava a todo custo se encaixar na sociedade ao qual julgava ser a melhor para ele, o que na verdade seria a sociedade normal a todo mundo, onde tais excessos e esse culto à beleza não passariam de ilusões, ao invés de outras coisas ao qual vemos hoje em dia. Ele é um adolescente com seus 17 anos, muito bem sofridos perante a tanta solidão e isolamento pessoal, até tem belos olhos castanhos, cabelos bem curtos e crespos, espinhas, usa óculos e aparelho nos dentes, e se não bastasse ainda era gordo. Não um adolescente realmente gordo, mas muito acima do peso, ao menos para muitos por aí. Além dessas não tão boas qualidades ele era sozinho, não tinha amigos e muito menos se dava bem com sua família. Talvez seja pelas duas tentativas de suicídio que tentou cometer quando mais novo. A primeira vez com sete anos de idade, e outra mais recente, aos 17.
A questão é que muitos tinham medo dele, mas não por ser uma pessoa ruim, longe disso, mas conhecer um provável suicida não é algo que muitos desejam ter em seu circulo social. Embora existam pessoas que acham engraçado a morte, e amam dizer que foram a velórios e afins... Mas isso não vem ao caso, voltemos ao Harry.
Harry é um garoto prodígio. Muito inteligente e sagaz, mas que ansiava acima de tudo por um amor. Um amor ao qual nunca teve e já estava acostumado com a ideia de que jamais teria. Sua mãe sempre dizia a ele “tenha paciência meu filho, o que é seu será seu, e além do mais, você é novo, não pode desejar algo que está além da sua idade”. Mas ele insistia em dizer que sim, que ele já estava preparado para amar, melhor dizendo, ser amado. Pois ele era sim muito capaz de amar alguém, até de uma forma melhor do que muitos amantes dizem ser. Tudo bem que nem ao menos um beijo em sua pequena jornada de vida ele tinha dado, não sabia a sensação de segurar uma mão, tocar um corpo ou ser tocado. Ah! Como ele desejava tocar um corpo. Sentir as linhas que o definem, ouvir o coração bater, olhar nos olhos de uma pessoa e sentir o amor fluir... Mas não. Eram apenas sonhos ao quais ele sabia que jamais teriam como se realizar, pois ele era diferente de tudo e de todos que os cercavam.
No entanto, embora tenha essas não tantas qualidades, as pessoas nem tinham muito problema com ele por conta disso. A verdade que vou lhes dizer agora poderá chocar, tal qual como a muitos meninos de sua escola. Harry gostava de meninos, mas com essas características, qual menino iria gostar dele?
Nem de todo mal podemos falar de Harry, ele tinha sim uma amiga desde a época do jardim de infância. Seu nome era Melanie, completamente o seu oposto por assim dizer, mas não perderei meu tempo narrando sua beleza, pois ela além de linda, e de saber disso, era realmente muito boa para Harry. Às vezes, nem tanto, pois Melanie era o tipo de garota que amava julgar os seus diferentes. Bem, pessoas assim não ganham muitas coisas na vida, ao menos se ela se deitar com seu chefe ou quem sabe virar garota de programa para se sustentar. Por que se tem uma coisa que Melanie era, é desprovida, e de inteligência. Não porque ela é burra, e sim porque seus anseios de vida não precisam de muita batalha. Basta abrir as pernas e pronto: você ganhou o mundo!
Ambos estudavam e moravam em uma escola particular, o ensino era de longe uma das melhores do país, e ninguém se formava nesta escola e não teria uma universidade federal garantida. Ao menos é o que se esperava de uma escola deste porte.
Melanie era a famosa garota da escola, onde, como não preciso dizer novamente, suas pernas faziam muito sucesso entre os garotos, e diziam as más línguas que para alguns professores também. Já Harry, bem... Seu isolamento era privado ao seu quarto, a sala de aula e a biblioteca. Acho que não cheguei a dizer que eles dormiam no mesmo quarto, não é? Pois é, mas acontece que Harry era o que Melanie o chamava de imigrante, pois sempre mudava de quarto, já que os meninos da escola viviam dormindo com ela, logo a presença de nosso querido protagonista não era tão necessária.
Um dia Harry, em sua pequena tristeza matinal, foi acordado por Melanie, que feliz disse:
– Ótimo dia para usar uma carne fresca, não acha Carter?
– Mel, você precisa realmente ser desta forma? – disse ele escondendo seu rosto embaixo do edredom, enquanto ela abria as cortinas do quarto admirando o sol.
– Vulgar? – disse ela – Muito pelo contrário. Sou gostosa, o que posso fazer senão aproveitar? Não sei o meu dia de amanhã, quero mais aproveitar a beleza que esta natureza me agraciou...
– Tecnicamente a beleza foi gerada a partir dos genes de seus pais que...
– Cala a boca Harry, não quero saber nada de química a essas horas da manhã.
– Biologia, Melanie...
– Como disse?
– DNA se estuda em Biologia, não em química.
– Que assim seja. – Melanie se jogou em cima de Harry – Sabe que dia é hoje? O primeiro dia de aula dos novatos.
– Ah! Não. Este dia enfim chegou.
– Sim, jovem Carter. E sabe o que vem com eles? Novos alunos. E com novos alunos, vem à mágica da adolescência. Hormônios. E eu estou no cio.
Melanie se levantou e tratou de tirar a roupa para seu rápido banho matinal de duas horas, onde mais uma era gasta para arrumar o cabelo e mais quarenta minutos para decidir seu usaria o batom vermelho natural ou vermelho sangue naquele dia. Era desgastante dormir no mesmo quarto que Melanie, por que, embora as aulas começassem às nove da manhã, ela já estava de pé as seis, e como de costume, sempre chegava atrasada.
Harry ao contrário, levava em torno dez minutos para fazer tudo o que tinha que ser feito, e o restante do tempo, tirava a lição de casa a limpo ou acabava lendo algum livro que estava no cronograma de literatura.
Por algum motivo, embora odiasse fazer, ele se encontrou em determinado momento observando o jardim central da escola, onde já começava a chegar os alunos, que iam se despedindo de seus pais, e eram colocados em filas para serem levados aos seus novos dormitórios. Mas ali, parado, admirando a evolução caótica do ser humano, ele observou um garoto que pareceu não apenas chamar sua atenção, mas a de todos que estavam a sua volta. Não vou narrar sua descrição, porque nem mesmo Harry pode definir ao certo o que estava vendo, mas algo iluminava aquele garoto, e isso fez com que Harry naquele momento se sentisse completamente excitado.
– Harry, você está excitado? – disse Melanie que de repente apalpou sua genitália.
– Você é louca Melanie? – disse ele em negativa, correndo para a cama, onde sentou e puxou o edredom para esconder sua ereção.
– Nem podemos chamar isso de pinto, não é mesmo Harry? E de pintos eu entendo, temos que convir entre nós... E além do mais qual o problema? Somos amigos, e outra... – ela chegou próxima a ele e sussurrou em seu ouvido – eu já ouvi você se aliviando durante a noite.
Enquanto Melanie ria de seu total desconforto com a situação, Harry apressou seu processo em pegar sua mochila e sair do quarto, pois desta vez, ele também estava atrasado.
Todo garoto de 17 anos se masturba, isso é relativamente normal, aliás, qualquer homem que se preze se alivia sempre que possível. E isso mexia com a cabeça de Harry de uma maneira a deixa-lo excitado em qualquer lugar, em qualquer momento, até mesmo nos momentos mais constrangedores possíveis. Para você ter uma ideia, no leito de morte de seu cachorrinho, Frost, um dobermann, sua mãe lhe transferiu alguns tapas por ele chorar de tristeza enquanto brincava com uma ereção espontânea. E isso ele tinha apenas três anos de idade.
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