Fucking Harry 2 - De volta ao passado
8 O terceiro ato de covardia
Notas iniciais
Harry não dormiu aquela noite, recusou a comer o lanche que seus tios trouxeram e se isolou no quarto, já que tinha recebido uma ordem de sua tia, para que dormisse no quarto. Sentia-se a pessoa mais suja do mundo, pois tinha sido usado de tal forma. Não que ele já não era de certa forma, porém antes era com o seu total consentimento. Durante a noite, Júlio pulou para o colchão onde o garoto estava deitado, com os olhos lacrimejando e apenas nesse momento, ele sentiu a insatisfação de Harry apenas naquele momento, e após uma ou duas ameaças retornou à sua cama e logo apagou, deixando o garoto ali, tendo tiques com as mãos, que pareciam ter vida própria, e eram levadas até a sua cabeça, onde ele não conseguia parar de coçar, até que começou a machucar. Ele estava nervoso, não era por menos, e com medo do que poderia vir depois. Pensou que seu primo poderia ter deflagrado o seu corpo, ou até mesmo o machucado. Mas Júlio era esperto, não faria isso em sua própria casa. Logo, Harry temeu o que poderia acontecer fora ali.
Amanheceu, e rapidamente, ele se levantou e antes que seu primo acordasse, anunciou a sua tia que ia embora a pé e que estava sem fome. Sua tia se preocupou e perguntou o motivo da pressa, mas Harry apenas acenou com a mão e disse um adeus. No caminho pensou em ir para vários lugares, talvez a casa de Jéssica, ou até mesmo de Bernardo; mas o que ele faria lá? O que poderiam ajudar, a não ser sentir pena? Então, resolveu ir até o Jardim do Éden onde sentou embaixo da árvore que mais se sentia acolhido e ali permaneceu. Não era nem sete horas manhãs e naquele dia fazia mais frio do que qualquer outro. Para a sua grande surpresa, ouviu alguém o chamar e se espantou ao ver em meio à neblina quem era.
— O que vocês estão fazendo aqui? – perguntou ele.
— Estamos dando uma volta, você me apresentou esse lugar, e a Jéssica não o conhecia. – falou Bernardo com um largo sorriso.
— Pelo menos não no inverno! – disse Jéssica sorrindo.
— São sete da manhã. Vocês marcaram de se encontrar aqui?
— Obvio que não, minha mãe não deixaria eu sair de casa uma hora dessa em pleno domingo. – comentou Bernardo.
— Ele dormiu em casa, e nos divertimos muito. Meus pais deixaram a gente dormir na sala, logo, — Jéssica sorriu ao olhar para B. — ficamos até tarde vendo televisão, dormimos pouco e saímos escondidos. Harry! Estou muito chateada com você, por não ter falado que aqui era tão lindo no inverno.
— Devo ter meus motivos. – respondeu ele friamente.
— O Bernardo é um motivo e tanto! – comentou ela sorrindo, o garoto fez o mesmo, envergonhado.
— Vão se ferrar. Vocês dois! – retorquiu Harry, se levantando caminhando com passadas pesadas, como um elefante.
— O que houve Harry? – perguntou Jéssica.
— Enquanto vocês dois estavam se divertindo eu estava na minha tia...
— Sabemos disso, e sabemos também que você não poderia ir para a minha casa, então eu convidei o Bernardo. – respondeu Jéssica com certa lógica.
— Eu estava na minha tia e meu primo abusou de mim. – cuspiu ele abruptamente.
Jéssica esbravejou enquanto Bernardo olhou para Harry sem conseguir expressar o ódio que sentiu de Júlio naquele momento, a única coisa que ele conseguiu fazer, em um súbito momento de total lucidez foi agarrar o menino a sua frente e abraçá-lo com muita força. Harry retribuiu o abraço, encostando seu nariz no pescoço de Bernardo, e mesmo aos prantos, pode se deliciar por um breve momento, o doce cheiro de manhã de primavera que exalava de seu corpo.
— Aquele maldito. Como ele foi capaz de fazer isso com você? – disse Jéssica, soltando fogo em seus olhos — Isso não pode ficar assim Harry, você precisa tomar alguma atitude, precisa contar para os seus pais.
— Você está louca Jéssica? Meus pais matariam a nós dois, e com ajuda dos meus tios, você não tem noção de como eles são preconceituosos e estúpidos quando querem. Vivem de pura aparência... são ridículos.
— Calma Harry, nós vamos dar um jeito nisso, talvez devamos conversar com os pais da Jéssica e ver o que podemos fazer...
— Não Bernardo, eu não quero ninguém envolvido nisso, meu primo logo vai perceber o que fez e não fará mais, ele estava tão excitado, parecia um animal, a única coisa que posso fazer é tentar ao máximo me distanciar dele, e preciso que meus pais parem de mandar eu ir dormir lá.
— Ele te machucou? — perguntou Bernardo.
— Não muito. Mas não quero falar sobre isso.
— Harry ele chegou a te violentar? — perguntou Jéssica.
— Não. Fez eu... não importa o que ele pediu para eu fazer, ele fez e eu precisei fazer, eu fiquei com tanto medo.
Bernardo e Jéssica o abraçaram e foram silenciados até a casa da garota, onde tomaram um rápido café e foram para a casa da piscina, e ali ficaram durante um bom tempo em silêncio. O amor platônico de Harry, foi até ele e se sentou no sofá de três lugares onde o menino estava sentado e pediu:
— Harry, coloque sua cabeça aqui nas minhas pernas, acho que você está precisando de um afago. — disse Bernardo sorrindo.
O menino, mesmo hesitante, deitou o seu corpo cansado no colo de Bernardo, que começou a alisar o seu cabelo lentamente, enquanto o olhava fixamente. Harry não podia acreditar no que estava acontecendo, já que o mais lógico seria ele estar no colo de Jéssica. Mais uma vez se perguntou se B. era como ele, ou talvez, gostasse também de meninos como ele.
— Estou revoltada, preciso de chocolate. Eu já volto. — disse Jéssica saindo — Bernardo?
— Oi?
— Acho que seria legal você conversar com o Harry... — disse ela saindo.
— Conversar sobre o que? – perguntou o menino.
Bernardo olhou para Harry e pediu para o garoto se levantar, para que ele pudesse sentar no chão. Assim fez o menino, e permaneceu ali deitado, enquanto B. se ajeitava em frente a ele.
— Eu estava conversando com a Jéssica e estamos realmente muito preocupado com você e tudo isso o que esta acontecendo, então eu queria te propor uma coisa; você vai achar meio esquisito eu tenho certeza, mas nós não queremos que você desgrude da gente por nada, e se aqueles meninos te incomodarem será bem simples, você vai dizer a eles que você está comigo.
— Não entendi. – Harry se sentou.
— Eles já estão comentando que acham que eu e você temos alguma coisa, chegou isso no ouvido da Jéssica, e eu, particularmente, não tenho nada a perder, se eles disserem qualquer coisa, é sua obrigação confirmar que estamos juntos.
— Tipo um namoro de mentira?
— Mais ou menos isso. Eu e Jéssica conversamos e ninguém realmente vai acreditar que você esteja namorando com ela, até que porque você não faz o tipo dela, —Bernardo e Harry sorriram — então você vai dizer que está comigo, e eu farei o mesmo.
— Mas Bernardo, eles vão começar a zombar de você. E sua mãe? E por que diabos você faria isso por mim? Fingir que esta namorando um homem... apenas por...
— Compaixão Harry. Eu não me importo com o que eles vão dizer, a vida é minha, eu faço o que bem entendo. E quanto a minha mãe, ela vai entender também.
— E porque você acha isso?
— Digamos que eu não contei tudo sobre a nossa vinda para cá. – disse Bernardo franzinho a sobrancelha — A verdade é que minha mãe veio para cá por conta de uma, bem, uma amiga dela de infância.
— Você está brincando comigo não é?
— Não tenho o porquê mentir, a Ana é incrível, e eu acho que minha mãe até iria preferir um filho gay, a um filho heterossexual.
— Que esquisito.
— Então. Estamos conversados? Você para todo mundo, caso perguntarem, é meu namorado. Eu vou te proteger, até que por que dificilmente eles vão te atacar se você sempre na companhia de outra pessoa, de outro menino, e além do mais eu fiz uns anos de Judô, acho que posso te defender. — disse Bernardo rindo. Harry o abraçou e agradeceu pela ajuda, ainda hesitante em aceitar o pedido de Bernardo, mas logo tal dúvida passou, já que eles estariam, mesmo que de brincadeira juntos.
— Já estão namorando? – chegou Jéssica dando risada, com vários tabletes de chocolate. Os meninos riram — Se bem que o Bernardo poderia realmente namorar com o Harry, vocês foram um casal tão lindo.
Eles passaram a tarde de domingo conversando e comendo chocolate, coisas que faziam normalmente, sem se preocupar com absolutamente nada. Mas Harry não pode negar que acreditou que Bernardo estivesse levando a brincadeira a sério demais, pois em todo o momento que estiveram ali, o garoto o abraçava, e pedia para que Harry deitasse em seu colo, alisava sua perna ou passava lentamente os dedos em seu rosto. Embora ele estivesse apreciando tudo aquilo, ainda sentia em seu corpo algo sujo, e ainda sentia o gosto do sêmen de seu primo na boca, mesmo depois de ter escovado os dentes, ou devorado quilos de chocolate. Sentia ânsia sempre que lembrava, e tentava não transparecer aos seus amigos, e ainda sim, sentia que coisa pior viria, mesmo tentando acalmar Bernardo e Jéssica, dizendo que aquilo não aconteceria novamente. Chegou à hora de todos irem para suas casas, e Bernardo acompanhou Harry até a casa dele e logo partiu.
Harry entrou e mal olhou para os seus pais, correu para o banheiro onde tomou um longo banho, sentado, chorando calado pela vergonha que sentia do que tinha acontecido com o seu primo na noite anterior. Sua mãe, obviamente, percebeu algo de errado, porém não, hesitou em entrar em detalhes, já sabendo que seu filho não era de se abrir muito com ela. Harry saiu do banheiro, e não quis jantar, foi para o quarto e se deitou, e ali ficou, olhando para o teto. E em meio a tantos pensamentos oriundos sobre a sua vida, ele ouviu um barulho de chamada em seu celular, ao ver tratava-se de uma mensagem, aparentemente de Bernardo.
“Harry, preciso te ver, tem como vir na praça em frente a biblioteca?”
O garoto achou estranho receber uma mensagem de B. as oito da noite, e ainda de um numero desconhecido, resolveu encaminhar outra mensagem.
“O que aconteceu? Que numero é esse?”
“Preciso te contar uma coisa, o numero é da minha mãe, venha logo.”
“B. eu não sei se minha mãe vai deixar eu sair agora.”
“Você precisa vir, é importante”
“Darei um jeito B.”
Ele sentiu um forte desespero nesse momento, sentiu que precisava ir de alguma maneira de encontro com Bernardo, já que desde que se conheceram, essa foi à primeira vez que ele tinha mandado uma mensagem. Pensou no que seria de tão importante ele dizer àquela hora da noite, e o porquê não ter dito quando ele o levou para casa. Ficou ansioso, e sentiu um misto de angustia e ansiedade, e enquanto se trocava rapidamente, até murmurou que talvez Bernardo não quisesse um namoro de mentira, que talvez quisesse algo sério, mas teve vergonha de assumir isso na frente de Jéssica. Após colocar o tênis e um agasalho, pensou no que dizer aos seus pais, para que o deixasse sair:
— Mãe, a Jéssica esta numa lanchonete com os pais dela e eles me convidaram, então estou indo até lá.
— A essa hora filho? Por que eles não vieram te buscar?
— Mãe, a lanchonete fica e três quarteirões daqui, eu posso ir?
— Você já esta até arrumado, só não demore, por favor.
Harry saiu rapidamente de casa, sua ansiedade fez chegar a praça em frente da biblioteca em menos de dez minutos, se sentiu ridículo por mentir para sua mãe, mas sabia que não podia dizer que ia até lá para se encontrar com outro menino. Seu coração estava alegre, e batia de forma a senti-lo na garganta. Como é horrível estar nessa ansiedade, sem saber se enfim, ouviria de Bernardo o que tanto queria e quem sabe além de um forte abraço, um longo e terno beijo.
“Harry, cadê você?
“Estou chegando”
“Sabe a casa atrás da biblioteca? Aquela abandonada?”
“Sim, o que tem ela?
“Estou nela, quando chegar apenas entre, é um lugar calmo, dá para conversamos.”
Harry se perguntou o motivo de Bernardo querer encontrar-se com ele naquela casa, justamente ali. A casa era realmente tranqüila, e fazia pouco tempo que tinha sido abandonada pelos antigos donos, que eram políticos e devido a um desfalque no orçamento acabaram fugindo da cidade, nunca ninguém reclamou a casa, embora todos os móveis tenham sidos furtados logo a saída da família. Harry correu até ela e entrou pelo corredor, a porta da frente estava trancada, pensou que Bernardo pudesse estar no fundo, o esperando, talvez com um ramo de alguma flor, quem sabe de joelhos, o pedindo em namoro. Mas seus desejos foram apagados, quando ele ouviu uma risada muito familiar aos seus ouvidos.
Era Júlio, que surgiu em um canto escuro no fundo, e atrás deles seus amigos Maicon e Fernando. Harry balançou a cabeça e se virou para ir embora, mas Marcelo e Ariel surgiram atrás dele impedindo que ele saísse dali; o seu coração gelou.
— Vai para algum lugar, frutinha? – disse Ariel rindo.
Ele virou para o seu primo.
— Precisa realmente disso Júlio? – disse ele em tom ameaçador.
— Calma priminho, você está na presença de cinco garotos adolescente, que precisam de certo carinho, e você é apenas um, e neste momento o único que pode nos ajudar.
— Ajudar vocês com o que?
— Aliviar a tensão Harry, — zombou Maicon — O Júlio contou que bebeu todo o leite dele essa noite, e que você dormiu até mais aliviado. O que acha de experimentar mais quatro tipos de leite, e olha que vamos doar a você, basta você ser um bom moço, entrar na casa, se ajoelhar e deixar a gente se divertir.
— Vocês são asquerosos. — disse ele se virando novamente e forçou sair do encalço de Ariel e Marcelo, que o seguraram pelo braço. Rapidamente Fernando se aproximou e o pegou por trás, segurando com força sua boca para que seus ruídos fossem o máximo abafados.
— Pedir socorro não vai te ajudar primo. — dizia Júlio ao fundo, apenas observando, com os olhos vidrados. Maicon foi até os meninos e enquanto Harry tentava se esquivar, transferiu-se uma forte joelhada em seus membros, fazendo com que o garoto perdesse os sentidos pela dor e caísse no chão.
Os meninos então levaram Harry, ainda anestesiado pela dor, para dentro da casa, subiram ao segundo andar e entraram em um dos quartos, onde tinha um colchão velho no chão, e ali jogaram Harry.
— Esta na hora de você satisfazer meus amigos da maneira como você não foi capaz de me satisfazer, priminho. — disse Júlio com um sorriso sarcástico.
O garoto, jogado no colchão, tentava focar sua visão, ainda distorcida pela dor causada pela extrema violência em que foi atingindo em seus testículos, e quando sentiu que até sua respiração iria voltar ao normal, sentiu um forte soco em seu rosto, e depois alguns dos meninos apertou seu membro com extrema forma, enquanto outro o amordaçava e talvez Ariel amarrava suas mãos.
— Bem, vejamos primo. Corremos um sério risco de você gritar, ou de você nos morder, então nós temos que colocar nosso pau em outro lugar, que não seja a sua boca. Seja um menino muito bom, e deixe a gente brincar com você, e para garantir — Júlio apareceu com uma câmera e mostrou para Harry — Eu estava co o Ariel, filmando umas idiotice, e estávamos passando próximo a sua casa, e vimos a forma como o seu príncipe se despediu de você, foi tão fácil te enganar primo. Agora, vejamos, se você se negar a nos satisfazer, essa fita vai cair nas mãos da sua adorada mãe, e imagina o que o seu pai faria se soubesse que o seu único filho tem desejo em ser mulher? Sim, acho que a sorte conspira a nosso favor primo, porque eu filme a maneira doce como vocês se abraçaram. — Júlio sorriu e se levantou, e ligou a câmera — Agora vamos nos divertir, luz, câmera, e ação...
E essas foram às únicas palavras que Harry fez questão de guardar com ele, enquanto os meninos o chutavam, e o humilhavam, enquanto esfregavam seus membros no rosto dele, ou quando começaram a arrancar suas calças, a socar seu estomago, a chutar seu peito, a dar joelhadas em seu membro, e depois, quanto o primeiro começou a penetrá-lo, com tanta força que Harry chegou a desmaiar. A ação durou quase duas horas e meia, e quando os meninos perceberam que o garoto demorou a acordar, saíram, não antes de urinar nele, ainda desacordado.
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