Fucking Harry 2 - De volta ao passado
9 A Angustia DE Harry
Notas iniciais
Um feixe de luz começou a incomodar os olhos de Harry, que teimavam em não abrir de forma alguma devido uma excessiva dor que ele estava sentindo, mas juntou coragem após algum tempo, e o abriu lentamente, ou o que deu para abrir. Percebeu que estava sujo de sangue, que cheirava a urina, que ao respirar seu peito e abdômen doíam com força, tentou levantar a sua calça jeans e se arrestou para o que percebeu, tratava-se de uma cômoda no quarto. Juntou o máximo de força possível e ficou de pé, com urros internos de dor pelo corpo todo. Ali, a sua frente, havia um espelho quebrado e ele pode por breves momentos contemplar seu rosto totalmente desconfigurado pela violência que sofrerá na noite anterior, e a única coisa que ele conseguiu soar de seus lábios machucados antes de cair no chão novamente foi: por quê?
Ali ele permaneceu por algum tempo, chorando e às vezes se calando, não acreditando no que tinha acontecido. Sentia-se sujo, mas não pelo sangue ou urina, e sim sua alma. O desespero foi ganhando conta dele a cada longo minuto que se passava, em que sentia que seria o seu fim, e que iria morrer e seu maior medo era de não ser encontrado por ninguém. Lembrou de seus pais, de Jéssica e principalmente de Bernardo; cogitou ali naquele momento nunca mais ver o garoto que mexia com seus sentimentos, que o fazia tremer e suspirar. Aos poucos, foi sentimento um forte cansaço, já estava cansado de chorar pelo tormento da noite que passara a pouco, e as dores pareciam cessar quando evitava inflar os pulmões para respirar, pensou em entregar sua vida, e por assim, fechou seus olhos e aguardou que o pior, ou o melhor viesse a acontecer.
Ele não estava sonhando quando via manchas vermelhas rondarem seu corpo. Alguém, por algum motivo inexplicável, resolveu ir atrás da velha casa e notou que a porta estava aberta, e ao adentrar se deparou com o garoto inerte no chão. A policia, tal como o socorro médico tinha sido chamado, e Harry era conduzido ao hospital da cidade. Rapidamente, os boatos de tal covardia estavam rondando os ouvidos dos moradores, assim como noticias eram dadas constantemente na radio local. Os habitantes da então pacata cidade, estão eufóricos com a possibilidade de seus filhos sofrerem tal agressão, e aos montes iam ou ligam no departamento de policia em busca de informações e culpados.
“Não temos qualquer indício de suspeito, estamos averiguando e pedimos paciência a todos.”
Era a única coisa que foi ouvida por três dias dos não tão competentes homens da lei, tal qual já eram chamados por todos. Mas realmente, não tinham nenhuma informação sobre o acontecido, ninguém viu ou ouviu absolutamente nada naquela noite, e o único que tinha qualquer informação a ser dada, estava ainda, em estado de choque no hospital, com os olhos vidrados no teto, com mascara de oxigênio e soro. Tudo dependeria de Harry dar alguma informação sobre quem tinha feito tal sacrilégio com ele. Mas durante alguns dias a mais, ele nada dizia, e quando resolveu se sentar, permaneceu calado, abraçado com sua mãe, enquanto seu pai, sentado na poltrona do quarto, chorava lagrimas caladas. Harry foi levado para casa, que logo ficou trancada, devido a dezenas de repórteres e os tais curiosos à sua porta, buscando por informações, que não saiam da boca do garoto. Jéssica e Bernardo estavam lá naquele dia, mas o garoto nem os viu, e muito menos fora permitido a entrada de ambos para ver o amigo. Bernardo estava em prantos a todo o momento, sendo sempre abraçado por Jéssica, que o acolhia nos braços, enquanto sentados na guia da calçada. Não havia nada a ser feito, a não ser esperar que Harry resolvesse falar alguma coisa, a única coisa que todos tinham que fazer era apenas esperar.
Num dia nublado, tal como todos os outros, os tios de Harry resolveram lhe fazer uma visita, junto de Júlio, que não quis entrar alegando que não queria ver seu primo em tal estado. Ficou do lado de fora junto com os amigos de Harry, fingindo que se preocupava.
– Você não tem nenhuma informação de Harry? – perguntou Bernardo.
– A única coisa que eu sei é que ele apenas dorme, mas acho que é o melhor que ele tem a fazer. Descansar. Não podemos exigir nada dele no momento.
– Concordo com você. – disse Jéssica – Mas bem que você poderia ao menos perguntar a ele se podemos entrar. Estamos preocupados.
– Jéssica, é melhor assim. Quando ele estiver pronto tenho certeza de que ele chamara por vocês.
Júlio se levantou, quando leu uma mensagem de texto no celular.
– Onde vai? – perguntou Jéssica.
– Vou encontrar os meninos, vamos jogar uma partida de futebol. Quer vir Bernardo? Ou vai ficar aqui sentado como uma garota chorando pelo meu primo? Isso está pegando mal...
– Você acha mesmo que me preocupo com a sua ou com a opinião de quem quer que seja Júlio? Vá jogar seu futebol enquanto seu primo se recupera de ter quase morrido.
– Ah. Para de ser tão dramático, ele está vivo, não está? Tem é que agradecer por terem deixado ele vivo, isso sim. Bem, eu vou lá. Até mais!
– Como pode ser primo do Harry? – indagou Jéssica – Menino escroto, o primo na situação em que está, ele podendo ver o menino a qualquer momento e esta preocupado com o futebol com aqueles ogros.
– Não de importância a isso. – disse Bernardo, se levantando e limpando os olhos vermelhos – Eu vou pra casa, amanhã eu retorno e vou falar com os pais de Harry, eles não podem nos privar de notícias.
Bernardo realmente estava demonstrando se importar com Harry, talvez, para quem os visse, até mais do que Jéssica, porém a garota era muito mais forte do que podemos imaginar, quanto a Bernardo, muito mais sensível. A menina, quando chegava em sua casa, abraçava seus pais e chorava muito, com a desculpa que no dia seguinte teria que ajudar ao amigo a se manter em pé.
– Harry! Vem Harry. Vem sentar e rebolar como uma puta. Eu sei que você gosta disso...
– Vem Harry, me chupa. Engole minha vara...
– A donzela esta engasgando...
– Quero mijar. Ei, abra a boca dele...
– Ei primo. Vamos brincar, hoje é seu dia de sorte, você está realizando o seu grande sonho, está sendo a minha vadia.
Ele abriu os olhos, estava ofegante. Era apenas um sonho, ou talvez frases vazias ditas naquela noite. Sentou com calma na cama, não podemos esquecer que estava com duas costelas quebradas pelos chutes que os meninos deram quase como uma competição de quem chutava mais forte. Harry tomou força e se esgueirou até a escrivaninha ao lado da cama e pegou seu celular. O ligou e seu quarto se iluminou e a sua frente viu uma figura conhecida, porém, estava pálido com uma luz oca o iluminando de baixo acima. Seu coração pareceu saltar pela boca, mas ele não foi capaz nem de soltar um não ou um pedido de socorro.
– E como será Harry? Vai me delatar? – disse seu primo Júlio – Vai me entregar? Eu e aos meus amigos? Você foi tão conveniente naquela noite. Cada suspiro de dor, cada pedido de socorro calado que víamos em seus olhos, cada gemido que proferia enquanto entravamos em você, nos deixava com mais e mais tesão. Você foi e sempre será o melhor prazer que tivemos em nossas vidas. Pense nisso, meu lindo primo, você estará ligado a nós pelo resto de sua vida, você será sempre a nossa melhora foda e nunca iremos encontrar em nenhuma vadia que possa entrar na nossa vida, alguém tão especial como você. O que será? Vai acabar com esse nosso delicioso sonho, ou teremos mais uma noite de prazer?
Harry fechou os olhos e engoliu seco, jogou o celular no chão e a luz se apagou, e a figura sombria de Júlio também sumira. Ele estava ficando louco? Logo imaginou isso. Logo profetizou sua vida no amanhã, tendo que se submeter ao seu primo e seus trogloditas novamente. E não pense você que era o que ele queria, mas temia. Temia por sua vida. E então, tomou a pior decisão da sua vida. Iria se calar, e seguir sua vida como desse. As sombras de seu pior castigo.
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