Fucking Harry 2 - De volta ao passado
6 O primeiro ato de covardia
Notas iniciais
Naquela tarde, depois de horas deitado na grama, pensando sobre a sua vida e claro, que em Bernardo, Harry decidiu se levantar e seguir rumo até a entrada do Jardim do Éden para ir de encontro com o seu platônico amor. Pensou em como tal sentimento poderia se tornar tão real em tão pouco tempo, e disso, o que viria a seguir. Sabia que tal sentimento era devido a um medo embutido nele mesmo, que acreditava com tamanho fervor que jamais seria feliz por ser homossexual, e que certamente, Bernardo não sentiria por ele a mesma coisa. Logo, foi mais fácil apenas aceitar a ideia de que o interesse era em Jéssica, já que ela além de mulher era linda e desejada; seria totalmente displicente por parte de Bernardo não ter interesse nela, já que até mesmo Harry, diversas vezes cogitava a ideia de ter algo com a amiga, se não fosse por pequenos detalhes: a primeira o fato de serem amigos, e a segunda era que ele não sentia interesse em garotas.
Harry estava aguardando Bernardo sentado na guia, que não tardou a chegar, já com um par de novas luvas.
— Eu disse que tinha uma coleção delas. – disse ele levantando as mãos e balançando os dedos como se fosse um mágico — Minha mãe tem tara em luvas, e olha que somos de um lugar quente. Eu demorei?
— Não. – disse Harry se levantando soltando um leve sorriso, mas nesse momento ele, por algum motivo inexplicável pareceu perder o equilíbrio e Bernardo o segurou levemente nos braços.
— Esta caindo de maduro, menino? Cuidado! – disse ele soltando outro terno sorriso.
Nosso ilustre garoto não pode conter a felicidade dentro de si, de ser, mesmo que rapidamente, segurado por Bernardo, no entanto por fora, soltou outro sorriso, só que mais largo. A recíproca foi verdadeira, e neste momento Harry se perguntou se de repente o novo amigo não fosse igual a ele. Seguiram então caminho à casa de Jéssica, com Bernardo contando sobre a sua vida.
—... Eu sei que não tenho muito que contar, mas é engraçado ser tão novo e já ter passado por tanta coisa. Minha vida seria um livro, se eu tivesse a capacidade de escrever.
— Henrico pode te ajudar, ele é escritor.
— O pai de Jéssica? Nossa. Quem sabe ele não me possa por em alguma de suas histórias...
— Talvez fosse a mais linda entre tantas...
Como Harry foi capaz de deixar sua boca falar mais rápido do que sua mente pudesse controlá-la? Encheu-se de vergonha e tentou mudar o assunto.
— Talvez a sua também seja, senhor Bennet-Peter-Parker. – disse Bernardo rindo com o trocadilho nome de Harry.
— Não tenho muitas coisas para partilhar com as pessoas, eu estou sempre isolado em casa, para você ter ideia foi Jéssica que correu atrás de mim em busca de amizade.
— Ela parecer ser bem decidida no que quer, não é?
— Às vezes até demais.
— Mas me responda uma coisa. Por que raios Jéssica correria atrás de você?
— Uma longa historia B.
— Tempo eu tenho de sobra...
— Eu não queria falar sobre isso, não com você e não neste momento.
— Do que você tem medo Harry? Posso garantir que sou uma pessoa a frente da minha idade.
— Talvez seja. Mas talvez não entenda.
Como Harry havia mencionado a casa de Jéssica não era longe do Jardim do Éden, e logo eles chegaram, sendo maravilhosamente muito bem recebidos por ela, e trataram logo de irem à casa da piscina, que tinha rádio, televisão, e uma pequena cozinha onde prontamente fizeram chocolate quente. Henrico estava muito ocupado para dar atenção aos meninos, pois um de seus livros já estava com o prazo curto para entrega a editora, e quanto a Jorge, Harry nem se preocupou, pois durante aqueles dias ele estaria em uma viagem a negócios. Por um lado, pensou Harry, era bom que eles não fossem para a casa da família, uma vez que por todas as paredes e estantes havia fotos dos pais de Jéssica, e ele pensou que Bernardo poderia surtar e sair correndo dali caso as visse. Por outro lado, a menina parecia não se importar muito com isso, e ora outra citava Jorge e Henrico como seus pais como se fosse algo normal para toda a sociedade. Harry se indagava se Bernardo era tolo por não entender o que estava sendo dito, pois parecia ou não se importar ou apenas era educado demais para perguntar quem seria Jorge na vida de Jéssica. Em suma, à tarde congelante estava agradável, pois estavam aquecidos e se divertindo jogando banco imobiliário.
— Acho que devemos nos abrir mais. – disse Jéssica em dado momento.
— Nos abrir como Jéssica? – perguntou Harry atônito.
— Nos abrir, do tipo: vamos contar nossos segredos mais íntimos. Ah, pelo jeito seremos bons amigos, não é mesmo Bernardo?
— Tudo bem por mim. – respondeu ele se levantando — Mas antes vou até o banheiro, muito chocolate quente, esquentou meus rins... – e saiu.
— Você esta louca Jéssica? Como assim nos abrir, eu não quero ter que contar a ele que eu possa ser gay.
— Harry acorde, você é gay! – disse ela em total desdém — E outra, ele não parece se importar com isso, eu estou falando dos meus pais o tempo todo e ele parece nem se preocupar.
— Talvez porque ele seja educado demais para perguntar... E outra coisa, amigos? Grandes amigos? Ele jamais será meu amigo se souber de mim.
— Não seja tão negativo. Ele é lindo, um fofo...
— Realmente ele é. – disse Harry desanimado.
— Hmm. Acho que o coração de alguém está batendo mais forte quando vê alguém.
— Está falando besteira de novo, acho que tem vodka nesse chocolate.
— Deixe as coisas acontecerem Harry, eu tenho tudo sob controle.
— Oi pessoas lindas... – disse Bernardo com um sorriso no canto do rosto, olhando diretamente para Jéssica — Quando começa a brincadeira verdade ou desafio?
— Bem. Como sou garota eu começo. – disse ela indo até na cozinha, onde procurou rapidamente por alguma garrafa vazia, acabou achando uma de água mineral — Responde quem a tampa parar, certo? – os meninos concordaram menos Harry que pareceu totalmente insatisfeito com a brincadeira.
Jéssica então se sentou e girou a garrafa, caindo em Bernardo.
— Bem, o que o trouxe de fato a essa pacata e gentil cidade?
— O Jardim do Éden... Na verdade, — Bernardo sorriu como se tivesse se contendo em dizer — Um grande amor da minha mãe. Meu pai faleceu há muitos anos, e então ela veio para cá e conheceu uma pessoa, no começo não deu muito certo, pois eu era muito novo e tal... Mas agora ela esta de conversinha com ele... Minha vez? – Bernardo girou a garrafa, que caiu em Jéssica — Você é uma menina muito linda... Já namorou alguém?
— Já. – respondeu ela.
— Quem? – perguntou Bernardo.
— Uma girada, uma pergunta, espere a próxima. – disse ela se gabando de sua astucia em se livrar de perguntas impertinentes — Minha vez.
A garrafa parou em Bernardo novamente.
— Alguém está com sorte. – disse ela rindo para Harry, que ainda permanecia em silêncio — Bem, senhor B. você já amou alguém?
— Já sim. Mas até comentei com o Harry que não sei se realmente era amor. Acho que foi mais uma ilusão adolescente.
— Hmm, vocês tiveram tempo para conversar, não é? Sua vez B.
— Em você de novo Jéssica? Essa garrafa está magnetizada em você, só pode. – disse Bernardo rindo — Pois bem, deixe-me pensar... Toda garota sonha com um príncipe encantado, qual é o seu?
— Eu não acredito muito em contos de fada, porém levando para o mundo real, acho que um cara gentil, estudioso e meio nerd seria de fato, encantador...
— Tipo o Bernardo não é? – indagou Harry.
— Você me acha gentil, estudioso, nerd e encantador, Harry? – perguntou Bernardo.
— A pergunta não é para mim. – disse ele encabulado.
— Mas bem que formariam um lindo casal. – caçoou Jéssica.
— Eu não quero mais brincar disso, já está tarde e eu vou pra casa. Tchau. – Harry se levantou e deixou os dois parados olhando um para o outro sem entender o que tinha de fato acontecido.
Harry não podia conter o ódio que estava sentindo de si mesmo, quando percebeu os foras que tinha dado sobre o seu real desejo em Bernardo. Caminhou entre as ruelas do bairro desejando chegar o mais breve possível em sua casa para se isolar e estranhamente, se aliviar daquela pressão. Bernardo era lindo, e ele não podia esconder o desejo que o seu corpo tinha quando ele se lembrava do garoto. No entanto, no caminho, ele encontrou com os asseclas de seu primo Júlio: Fernando, Maicon, Marcelo e Ariel.
— Olha só o que temos aqui, a gazela priminho do Júlio. – seu primo riu quando Maicon o ofendeu.
— É sério que seu vocabulário só permite ofender as pessoas moleque? – disse Harry, caminhando ao lado da parede, enquanto eles o circulavam.
— Deveria ter um pouco mais de cuidado pra falar desta forma com a gente, gazela. Seu primo, aquele otário, não está aqui pra te defender.
— Tudo o que Júlio não sabe fazer é me defender Maicon, aquele besta.
— Hmm, está com o coração partido? Queria que seu priminho o defendesse ou quer prefere que ele encha a sua boca com o pau dele?
— Do que esta falando idiota?
— Seu primo tem a língua solta gazela, ele contou que você adora sentar no colo dele e rebolar. – disse Marcelo, enquanto todos riam. Neste ponto, Harry já não conseguia mais andar, pois os quatro já haviam bloqueado qualquer caminho de fuga.
— Quer dizer então que você rebola no colo dele, e fica se fazendo de santinho? – disse Fernando — Bem que você poderia esquentar o nosso pau... Está um frio aqui fora.
— Então vá para sua casa e se aqueça sozinho seu imundo...
— Gazelinha... Um pouco mais de cuidado como fala com a gente, somos quatro e você é apenas um. – disse Maicon prensando Harry contra a parede — Vai, libera pra gente sua bicha. – disse ele passando a mão abaixo da nádega de Harry, enquanto os outros estavam atentos se alguém se aproximava. — A casa do Ariel está livre, podemos fazer com você tal qual minha mãe faz com o peru de natal, a gente enche você bebida pra ficar gostoso de comer.
— Me larga Maicon, por favor. – disse Harry segurando o máximo possível para não começar a chorar, tentando se mostrar o mais forte possível, e se esquivar, mas percebeu que não iria obter sucesso algum, pois os outros meninos o seguraram enquanto Maicon o alisava nas nádegas — Bem que seu primo disse que você é uma delicia. Deve rebolar bem gostoso.
— Não sei o que você esta falando seu idiota, me larga. – pela força que obteve, sem saber que tinha, Harry conseguiu se esquivar, mas Ariel o passou uma rasteira, e Harry caiu no chão, batendo a boca na guia, onde machucou seriamente, e começou a sair muito sangue.
Neste momento ouviu-se um forte grito de Ei, vindo de qualquer lugar da rua, já que tudo estava muito nebuloso, devido ao péssimo tempo, e Harry viu ao longe Jéssica e Bernardo se aproximar.
— O que está acontecendo aqui? – perguntou Jéssica enfurecida, enquanto Bernardo levantava Harry e perguntava se ele estava bem.
— Nada guria. Harry se esqueceu de amarrar bem o tênis e tropeçou. – disse Maicon sadicamente.
— Só se for no cadarço desamarrado da sua imaginação. – disse ela — Acho melhor vocês irem embora, senão terão problemas.
— Problemas com uma garota? Vai chamar os papais? – disse Marcelo em tom vexatório.
— Talvez eu os chame. Quem sabe eles os ensinem a serem homens de verdade. Caiam fora daqui, agora!
Os meninos foram embora, rindo da situação ao qual haviam colocado Harry, e cantavam ludicamente a música da à dona aranha subiu pela parede...
— Vamos Harry, vamos para casa. – disse Jéssica.
— Me deixem aqui, por favor. – disse o garoto negando ajuda para se levantar, procurando em sua mochila algum lenço ou qualquer coisa para tentar estancar o sangue.
— Harry, a gente só quer ajudar. – disse Bernardo — Vamos pra lá, a gente tenta dar um jeito na sua boca e depois eu te levo pra sua casa. Vamos... Por mim!
Harry olhou para Bernardo e começou a chorar compulsivamente. Não houve nada que pudesse ser feito naquele momento. O garoto sentiu na guia e recolheu a cabeça abraçando as pernas e apenas chorou, enquanto Bernardo se sentou e o abraçou, o mesmo fez Jéssica, que por ser a mais rica entre eles, era a única que disponha de um telefone celular, ao qual já estava tentando contato com seu pai Henrico.
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