Notas iniciais
Eu tento postar um capitulo por semana, mas como vou escrevendo as historias aleatoriamente, conforme vão ficando prontas, eu acabo postando, então pode ser que tenha mais capitulos postados na semana, não se assustem. Segue mais um. Simbora dar um UP na história.

Naquela tarde, depois de horas deitado na grama, pensando sobre a sua vida e claro, que em Bernardo, Harry decidiu se levantar e seguir rumo até a entrada do Jardim do Éden para ir de encontro com o seu platônico amor. Pensou em como tal sentimento poderia se tornar tão real em tão pouco tempo, e disso, o que viria a seguir. Sabia que tal sentimento era devido a um medo embutido nele mesmo, que acreditava com tamanho fervor que jamais seria feliz por ser homossexual, e que certamente, Bernardo não sentiria por ele a mesma coisa. Logo, foi mais fácil apenas aceitar a ideia de que o interesse era em Jéssica, já que ela além de mulher era linda e desejada; seria totalmente displicente por parte de Bernardo não ter interesse nela, já que até mesmo Harry, diversas vezes cogitava a ideia de ter algo com a amiga, se não fosse por pequenos detalhes: a primeira o fato de serem amigos, e a segunda era que ele não sentia interesse em garotas.

Harry estava aguardando Bernardo sentado na guia, que não tardou a chegar, já com um par de novas luvas.

— Eu disse que tinha uma coleção delas. – disse ele levantando as mãos e balançando os dedos como se fosse um mágico — Minha mãe tem tara em luvas, e olha que somos de um lugar quente. Eu demorei?

— Não. – disse Harry se levantando soltando um leve sorriso, mas nesse momento ele, por algum motivo inexplicável pareceu perder o equilíbrio e Bernardo o segurou levemente nos braços.

— Esta caindo de maduro, menino? Cuidado! – disse ele soltando outro terno sorriso.

Nosso ilustre garoto não pode conter a felicidade dentro de si, de ser, mesmo que rapidamente, segurado por Bernardo, no entanto por fora, soltou outro sorriso, só que mais largo. A recíproca foi verdadeira, e neste momento Harry se perguntou se de repente o novo amigo não fosse igual a ele. Seguiram então caminho à casa de Jéssica, com Bernardo contando sobre a sua vida.

—... Eu sei que não tenho muito que contar, mas é engraçado ser tão novo e já ter passado por tanta coisa. Minha vida seria um livro, se eu tivesse a capacidade de escrever.

— Henrico pode te ajudar, ele é escritor.

— O pai de Jéssica? Nossa. Quem sabe ele não me possa por em alguma de suas histórias...

— Talvez fosse a mais linda entre tantas...

Como Harry foi capaz de deixar sua boca falar mais rápido do que sua mente pudesse controlá-la? Encheu-se de vergonha e tentou mudar o assunto.

— Talvez a sua também seja, senhor Bennet-Peter-Parker. – disse Bernardo rindo com o trocadilho nome de Harry.

— Não tenho muitas coisas para partilhar com as pessoas, eu estou sempre isolado em casa, para você ter ideia foi Jéssica que correu atrás de mim em busca de amizade.

— Ela parecer ser bem decidida no que quer, não é?

— Às vezes até demais.

— Mas me responda uma coisa. Por que raios Jéssica correria atrás de você?

— Uma longa historia B.

— Tempo eu tenho de sobra...

— Eu não queria falar sobre isso, não com você e não neste momento.

— Do que você tem medo Harry? Posso garantir que sou uma pessoa a frente da minha idade.

— Talvez seja. Mas talvez não entenda.

Como Harry havia mencionado a casa de Jéssica não era longe do Jardim do Éden, e logo eles chegaram, sendo maravilhosamente muito bem recebidos por ela, e trataram logo de irem à casa da piscina, que tinha rádio, televisão, e uma pequena cozinha onde prontamente fizeram chocolate quente. Henrico estava muito ocupado para dar atenção aos meninos, pois um de seus livros já estava com o prazo curto para entrega a editora, e quanto a Jorge, Harry nem se preocupou, pois durante aqueles dias ele estaria em uma viagem a negócios. Por um lado, pensou Harry, era bom que eles não fossem para a casa da família, uma vez que por todas as paredes e estantes havia fotos dos pais de Jéssica, e ele pensou que Bernardo poderia surtar e sair correndo dali caso as visse. Por outro lado, a menina parecia não se importar muito com isso, e ora outra citava Jorge e Henrico como seus pais como se fosse algo normal para toda a sociedade. Harry se indagava se Bernardo era tolo por não entender o que estava sendo dito, pois parecia ou não se importar ou apenas era educado demais para perguntar quem seria Jorge na vida de Jéssica. Em suma, à tarde congelante estava agradável, pois estavam aquecidos e se divertindo jogando banco imobiliário.

— Acho que devemos nos abrir mais. – disse Jéssica em dado momento.

— Nos abrir como Jéssica? – perguntou Harry atônito.

— Nos abrir, do tipo: vamos contar nossos segredos mais íntimos. Ah, pelo jeito seremos bons amigos, não é mesmo Bernardo?

— Tudo bem por mim. – respondeu ele se levantando — Mas antes vou até o banheiro, muito chocolate quente, esquentou meus rins... – e saiu.

— Você esta louca Jéssica? Como assim nos abrir, eu não quero ter que contar a ele que eu possa ser gay.

Harry acorde, você é gay! – disse ela em total desdém — E outra, ele não parece se importar com isso, eu estou falando dos meus pais o tempo todo e ele parece nem se preocupar.

— Talvez porque ele seja educado demais para perguntar... E outra coisa, amigos? Grandes amigos? Ele jamais será meu amigo se souber de mim.

— Não seja tão negativo. Ele é lindo, um fofo...

— Realmente ele é. – disse Harry desanimado.

— Hmm. Acho que o coração de alguém está batendo mais forte quando vê alguém.

— Está falando besteira de novo, acho que tem vodka nesse chocolate.

— Deixe as coisas acontecerem Harry, eu tenho tudo sob controle.

— Oi pessoas lindas... – disse Bernardo com um sorriso no canto do rosto, olhando diretamente para Jéssica — Quando começa a brincadeira verdade ou desafio?

— Bem. Como sou garota eu começo. – disse ela indo até na cozinha, onde procurou rapidamente por alguma garrafa vazia, acabou achando uma de água mineral — Responde quem a tampa parar, certo? – os meninos concordaram menos Harry que pareceu totalmente insatisfeito com a brincadeira.

Jéssica então se sentou e girou a garrafa, caindo em Bernardo.

— Bem, o que o trouxe de fato a essa pacata e gentil cidade?

— O Jardim do Éden... Na verdade, — Bernardo sorriu como se tivesse se contendo em dizer — Um grande amor da minha mãe. Meu pai faleceu há muitos anos, e então ela veio para cá e conheceu uma pessoa, no começo não deu muito certo, pois eu era muito novo e tal... Mas agora ela esta de conversinha com ele... Minha vez? – Bernardo girou a garrafa, que caiu em Jéssica — Você é uma menina muito linda... Já namorou alguém?

— Já. – respondeu ela.

— Quem? – perguntou Bernardo.

— Uma girada, uma pergunta, espere a próxima. – disse ela se gabando de sua astucia em se livrar de perguntas impertinentes — Minha vez.

A garrafa parou em Bernardo novamente.

— Alguém está com sorte. – disse ela rindo para Harry, que ainda permanecia em silêncio — Bem, senhor B. você já amou alguém?

— Já sim. Mas até comentei com o Harry que não sei se realmente era amor. Acho que foi mais uma ilusão adolescente.

— Hmm, vocês tiveram tempo para conversar, não é? Sua vez B.

— Em você de novo Jéssica? Essa garrafa está magnetizada em você, só pode. – disse Bernardo rindo — Pois bem, deixe-me pensar... Toda garota sonha com um príncipe encantado, qual é o seu?

— Eu não acredito muito em contos de fada, porém levando para o mundo real, acho que um cara gentil, estudioso e meio nerd seria de fato, encantador...

— Tipo o Bernardo não é? – indagou Harry.

— Você me acha gentil, estudioso, nerd e encantador, Harry? – perguntou Bernardo.

— A pergunta não é para mim. – disse ele encabulado.

— Mas bem que formariam um lindo casal. – caçoou Jéssica.

— Eu não quero mais brincar disso, já está tarde e eu vou pra casa. Tchau. – Harry se levantou e deixou os dois parados olhando um para o outro sem entender o que tinha de fato acontecido.

Harry não podia conter o ódio que estava sentindo de si mesmo, quando percebeu os foras que tinha dado sobre o seu real desejo em Bernardo. Caminhou entre as ruelas do bairro desejando chegar o mais breve possível em sua casa para se isolar e estranhamente, se aliviar daquela pressão. Bernardo era lindo, e ele não podia esconder o desejo que o seu corpo tinha quando ele se lembrava do garoto. No entanto, no caminho, ele encontrou com os asseclas de seu primo Júlio: Fernando, Maicon, Marcelo e Ariel.

— Olha só o que temos aqui, a gazela priminho do Júlio. – seu primo riu quando Maicon o ofendeu.

— É sério que seu vocabulário só permite ofender as pessoas moleque? – disse Harry, caminhando ao lado da parede, enquanto eles o circulavam.

— Deveria ter um pouco mais de cuidado pra falar desta forma com a gente, gazela. Seu primo, aquele otário, não está aqui pra te defender.

— Tudo o que Júlio não sabe fazer é me defender Maicon, aquele besta.

— Hmm, está com o coração partido? Queria que seu priminho o defendesse ou quer prefere que ele encha a sua boca com o pau dele?

— Do que esta falando idiota?

— Seu primo tem a língua solta gazela, ele contou que você adora sentar no colo dele e rebolar. – disse Marcelo, enquanto todos riam. Neste ponto, Harry já não conseguia mais andar, pois os quatro já haviam bloqueado qualquer caminho de fuga.

— Quer dizer então que você rebola no colo dele, e fica se fazendo de santinho? – disse Fernando — Bem que você poderia esquentar o nosso pau... Está um frio aqui fora.

— Então vá para sua casa e se aqueça sozinho seu imundo...

Gazelinha... Um pouco mais de cuidado como fala com a gente, somos quatro e você é apenas um. – disse Maicon prensando Harry contra a parede — Vai, libera pra gente sua bicha. – disse ele passando a mão abaixo da nádega de Harry, enquanto os outros estavam atentos se alguém se aproximava. — A casa do Ariel está livre, podemos fazer com você tal qual minha mãe faz com o peru de natal, a gente enche você bebida pra ficar gostoso de comer.

— Me larga Maicon, por favor. – disse Harry segurando o máximo possível para não começar a chorar, tentando se mostrar o mais forte possível, e se esquivar, mas percebeu que não iria obter sucesso algum, pois os outros meninos o seguraram enquanto Maicon o alisava nas nádegas — Bem que seu primo disse que você é uma delicia. Deve rebolar bem gostoso.

— Não sei o que você esta falando seu idiota, me larga. – pela força que obteve, sem saber que tinha, Harry conseguiu se esquivar, mas Ariel o passou uma rasteira, e Harry caiu no chão, batendo a boca na guia, onde machucou seriamente, e começou a sair muito sangue.

Neste momento ouviu-se um forte grito de Ei, vindo de qualquer lugar da rua, já que tudo estava muito nebuloso, devido ao péssimo tempo, e Harry viu ao longe Jéssica e Bernardo se aproximar.

— O que está acontecendo aqui? – perguntou Jéssica enfurecida, enquanto Bernardo levantava Harry e perguntava se ele estava bem.

— Nada guria. Harry se esqueceu de amarrar bem o tênis e tropeçou. – disse Maicon sadicamente.

— Só se for no cadarço desamarrado da sua imaginação. – disse ela — Acho melhor vocês irem embora, senão terão problemas.

— Problemas com uma garota? Vai chamar os papais? – disse Marcelo em tom vexatório.

— Talvez eu os chame. Quem sabe eles os ensinem a serem homens de verdade. Caiam fora daqui, agora!

Os meninos foram embora, rindo da situação ao qual haviam colocado Harry, e cantavam ludicamente a música da à dona aranha subiu pela parede...

— Vamos Harry, vamos para casa. – disse Jéssica.

— Me deixem aqui, por favor. – disse o garoto negando ajuda para se levantar, procurando em sua mochila algum lenço ou qualquer coisa para tentar estancar o sangue.

— Harry, a gente só quer ajudar. – disse Bernardo — Vamos pra lá, a gente tenta dar um jeito na sua boca e depois eu te levo pra sua casa. Vamos... Por mim!

Harry olhou para Bernardo e começou a chorar compulsivamente. Não houve nada que pudesse ser feito naquele momento. O garoto sentiu na guia e recolheu a cabeça abraçando as pernas e apenas chorou, enquanto Bernardo se sentou e o abraçou, o mesmo fez Jéssica, que por ser a mais rica entre eles, era a única que disponha de um telefone celular, ao qual já estava tentando contato com seu pai Henrico.

Notas finais
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