Notas iniciais
Não vou pegar pesado.Não por enquanto.Vamos conhecer um pouco desse novo Harry?Um pouco sobre sua infância, sua vida e desejos frustrados.Leia sempre as notas do capítulo, conforme houver necessidade, menciono brevemente atrás de tópicos o que irá acontecer para que não haja choque por parte do leitor.E se esqueça do comentário após a leitura!!!!!Boa sorte a nós.

Não era de se esperar que tudo em sua vida até que poderia ser diferente. Ele poderia seguir um bom caminho, ser amado por muitos, poderia até mesmo encontrar alguém especial ao qual sempre desejara. Poderia ser amado por seus pais, sua família, por alguns e fiéis amigos, ou até mesmo se amar um pouco mais. Mas não era assim. Tudo era ao avesso da grande realidade vivida por ele. Costumava dizer a si mesmo que entre mundos distintos ao qual cada um que o cercava vivia, ele estava em um inerente a qualquer outro. Sentia-se mal por ser quem era, mesmo sabendo que ele era daquela forma, e que isso não iria mudar. Nada seria diferente do que ele via no espelho, nada seria levado tão a serio, quando suas palavras saiam de sua boca e eram ouvidas por terceiros que ele julgava ser inúteis; mas antes ter um alguém qualquer, do que um alguém nenhum.

Sua vida não era diferente do que a de muitos por este mundo a fora, embora que, em sua morada mental, ele sentia-se deslocado, imundo, um estorvo e sem qualquer tipo de auto-estima. Harry era um garoto normal, que era anormal a todos os outros, mas ainda assim era apenas Harry. Mas tudo iria mudar muito em breve.

Vamos neste momento ir de encontro á um garoto tímido, trancado em seu quarto, que deitado em sua cama, imaginava um belo mundo nos desenhos formados no teto. Seus olhos verdes e cabelos louros eram iluminados por uma fina luz que invadia o seu quarto pela janela que por ordem de sua mãe permanecia aberta o dia todo. Ali era o seu refúgio, o seu local de descanso das grandes adversidades culturais que explodiam a sua volta. Harry era tímido não por ser deslocado. Ele era tímido por que se sentia diferente, porque não gostava do que julgavam ser verdadeiro. Ele gostava de meninos, porém os meninos não gostavam dele.

Harry tinha, desde criança, tal tendência, se assim podemos dizer. Ele preferia brincar com bonecas ao invés de carrinhos, preferia brincar de escolinha e ser o professor com uma mesa e um belo vaso de flores, do que jogar futebol. Ele preferia a companhia delas, a companhia deles, e desde pequeno se perguntava o porquê de agir de tal maneira. Mas era pequeno demais para obter qualquer resposta, uma vez que sua mente ainda não estava preparada para de fato, entender tais questões.

Começou a sentir que era diferente quando, por ordem de sua mãe, já que vivia muito isolado, foi colocado na recreação de uma escolinha próxima à sua casa. Ali, já na presença de meninos mais velhos, ele começou a notar como eles o chamavam a atenção. A maneira como agiam, falavam e praticavam esportes. A forma como eles olhavam para as meninas e como eles, mesmo sem ainda entender os motivos reais, acabavam apertando seus membros as desejando. Começou a perceber, que quando era forçado a praticar algum esporte que, para meninos trata-se apenas de futebol, a maneira como suavam e aqueles pingos caiam em seus corpinhos ainda em desenvolvimento. E o cheiro. Ah! Harry sentia-s fascinado pelo cheiro do suor daqueles meninos, e amava mais ainda quando eram todos enviados ao vestiário para tomar banho. Sentia-se seguro, pois sempre havia a presença de um adulto para evitar bagunça, pois estes meninos, desde a primeira vez que o viram, já o chamavam de menina.

Até no dia de hoje, Harry se lembra da primeira vez que viu um menino pelado. Este não era igual como os outros da sua turma da recreação, este era diferente. Ele era da ultima turma, e por conta disso, ele era maior, já tinha um corpo um pouco mais desenvolvido, e um membro um pouco maior e com pelos que já cresciam por todo o corpo. Ele entrou rapidamente no vestiário, onde também era o banheiro da escola que frequentava, e se deparou com este menino se trocando. O menino, obviamente, já sabia da fama de Harry, mas pareceu não se importar, enquanto ele seguiu até o mictório e baixou as calças para urinar, e percebia quando o garoto o olhava, já com tão pequena idade o desejava. Este menino maior então foi até um dos chuveiros e atrás de Harry o chamou para uma brincadeira entre meninos, mas o garoto não teve coragem de olhar por muito tempo, pois percebeu que o garoto maior se alisava e já mostrava o seu grande membro ereto. Tal ação foi logo interrompida pelo professor, que entrou no vestiário a procura de Harry, pois sua mãe já estava a sua espera, pois naquele dia ele sairia mais cedo. Enquanto saia, o garoto maior olhou para o rosto de nosso pequeno garoto que ainda e descobria e soltou uma rápida piscadela e lançou um beijo doce. Durante dias e dias, Harry seguia este menino na recreação, fosse até a quadra de futebol, ou na piscina e ou até no vestiário, na ânsia de vê-lo nu novamente. Mas tal desejo nunca mais se realizou.

Em outras vezes que teve tais oportunidades, uma delas foi quando estava na terceira série, quando o menino mais lindo da sua sala, entrou no grupo para recolher prendas para a festa junina da escola. Havia este, chamado Cristiano, e mais quatro meninas, além obviamente de Harry. Naquele dia, Harry e Cristiano foram deixados para trás depois de uma corrida com as meninas para arrecadar mais prendas, quando os dois ficaram responsáveis por três ruas, a intenção era de se encontrarem mais a frente, mas ao chegar lá, as meninas não estavam.

— Não se preocupe com isso. – disse Cristiano — Vamos para casa e roubar essa pipoca. O que acha?

— Você sabe fazer?

— Não. Mas vejo minha mãe colocar na panela e esperar.

Cristiano era bem branquinho, com bochechas rosadas, cabelos bem louros e lisos e olhos castanhos. Seu nariz parecia um desenho de tão perfeito que era além de sua boca e de todo o seu corpo. Era desejado por todas, embora que naquela idade ainda nem ao menos havia beijado nenhuma delas.

— Não sinto vontade, elas pegam no meu pé que querem namorar comigo, mas eu tenho apenas nove anos. Quem é que namora com nove anos? – disse ele quando Harry perguntou se ele já havia namorado.

Harry não entendia o porquê de Cristiano se esquivar tanto das meninas, mas tirou logo a ideia de que ele fosse igual a ele, já que o garoto era totalmente diferente dele em suas ações. Vivia cercado de meninas, mas não porque preferia a presença delas, e sim porque elas não largavam de seu pé. Embora que, aquela teria sido apenas a única conversa durante todo o ano, e isso para Harry era bom, uma vez que ele se lembra do ocorrido até hoje. Naquele dia, eles passavam por um grande terreno com montes de terra, onde um lote residencial seria futuramente construído, e como num descuido, Harry soltou:

— Deve ser perigoso passar por aqui de noite.

— E porque você acha isso? – perguntou Cristiano.

— Não sei. Não tem luz neste lugar.

— Eu não acho perigoso. Acho até interessante.

— E porque diz isso?

— Quer saber o que os adultos fazem na escuridão? – perguntou o garoto já se dirigindo para os montes.

— Mas ainda é de dia, como você vai me mostrar Cristiano?

— Talvez quando nós chegarmos a minha casa e comermos a pipoca eu te mostre então. Topa?

Harry assentiu com a cabeça. E está esperando saber o que os adultos faziam ali naqueles montes na escuridão até hoje, pois ao chegar à casa de Cristiano, sua mãe já havia chegado do serviço, e estranhamente o garoto começou a destratar dele, e Harry então, resolveu voltar para casa.

Durante muitos anos, depois desse ato estranho, Harry não se envolveu com nenhum outro menino, não que tivesse tido a oportunidade pelo menos. Obviamente que alguns casos pequenos ocorreram, quando, por exemplo, em outra recreação que fazia já um pouco mais velho, um dos meninos o convidara para entrar em uma construção para mostrar a ele o seu pênis e como já estava grande, ou como o desejo que sentia no vestiário, quando outros meninos se masturbavam em um jogo para ver quem tinha o gozo mais poderoso, ou quando em um evento ao qual foram em uma fazenda da cidade, um dos meninos deixou que, acidentalmente, Harry colocasse a mão em sua perna por um breve momento. No entanto, Harry, já com seus quinze anos, se sentia mal ao permitir que qualquer coisa, além disso, acontecesse, por medo de ser uma brincadeira de mau gosto dos meninos que agiam de tal forma e logo depois riam de sua cara para os outros meninos. Ele tinha medo que soubessem que ele estava gostando daquilo, e pior, mais medo que seus pais descobrissem o que de fato ele era.

De certa forma, o convívio com pessoas foi ficando cada vez pior, já que por este medo aumentar cada dia, ele preferia se isolar em seu quarto, e imaginar como seria sua vida futura no teto. Tinha sonhos, anseios. Queria viver e experimentar a vida ao lado de um grande amor, mas sabia que nada disso seria possível se não assumisse a si mesmo e a sua família o que ele era. Sentia-se mal por ser gay, então teimava em acreditar que era passageiro. Mas percebeu ao longo do tempo que este trem não tinha uma estação final, que teria que continuar e seguir, mesmo que isso lhe causasse um enorme mal. Começou a colocar tal culpa na comida, e no frenesi de sua ansiedade engordou, parou de se cuidar daquilo que não achava mais necessário cuidar em si e apenas levou a vida adiante. E seus sonhos foram levados em uma fina brisa da manhã, quando chegou à escola e viu um garoto, que se tornou durante dois anos o seu grande amor platônico. Sabia que jamais o teria, e soube que jamais seria feliz. Harry apenas se isolou em seu mundo.

Notas finais
....Proxímo capítulo na semana que vem, e poderá ser postado em qualquer dia da semana!Aguarde, e não esqueça de comentar!!!!