Fuckin' Perfect

17 Você não tem mãe, sua vaca?!


Notas iniciais
Olá, moças, moços :) Eu demorei, né? É, que sei lá, eu ando muito avoada, mas vou tentar (tentar) ser mais rápida Bem, particularmente eu gosto desse capítulo, boa leitura a até embaixo!

–- Como é? -- levantei a sobrancelha, embasbacado.

–- Eu... eu não sei! Estou tão confusa! Não sei o que fazer! -- ela fungou.

Tirei um fio ruivo que colou no rosto dela, segurando em seu queixo.

–- Me diga o que aconteceu, como descobriu -- pedi, calmamente.

Ela colocou uma mecha atrás da orelha e umedeceu os lábios.

–- Já te falei que você é seduzente e nem percebe? -- murmurou, fitando os meus lábios. Corei e ri baixinho.

–- Você é seduzível?! -- sussurrei.

–- Hm... por você -- então ela afundou a cara nas mãos, de volta ao desespero inicial. -- Se não tiver problemas em eu contar só pra você.

Demorei um pouco para compreender. Ajeitei a coluna.

–- Ah! Hã... Anna... se importa? -- me senti sem graça, totalmente. Era o quarto dela, droga.

Anna sorriu levemente.

–- À vontade -- e fechou a porta ao sair.

Jenn subiu na cama, dobrando as pernas, apertando o lábio inferior, respirando muito fundo.

–- Eu não sei por que hoje, por que agora, mas eu descobri! -- ela franziu o cenho, se ajeitando -- Não... não... pensando bem, sei sim. Anos atrás eu não ficava muito em casa, porque fazia tratamento, ou alguns dias atrás eu estudava Daí, papai deve ter se esquecido que agora eu estou por perto e se descuidou e eu... descobri isso na sua cama. Foi só um segundo de vacilo dele e eu peguei.

Jenn tirou um papel dobrado caprichosamente de dentro da bolsa e me entregou. Desdobrei enquanto a fitava.

Eu só queria que pelo menos mais uma vez as coisas voltassem a ser como era um mês atrás, quando tínhamos motivos para sorrir. Mas não, nosso mundo parecia estar se desmoronando cada vez mais.

Baixei os olhos e os corri pelas palavras.

Era uma fatura de um Hospital Psiquiátrico. Cara pra porra. De uma mulher chamada Ellen Winters.

–- Jenn... eu não sei o que dizer -- murmurei. -- Sei lá, isso é... Merda, não sei mesmo.

Jenn pulou da cama e enxugou as lágrimas, parecendo furiosa.

–- Ele escondeu de mim o tempo todo! Ele simplesmente jogou ela nesse inferno como se nunca tivesse tido uma filha! Como meu pai pôde?! -- exclamou ela, batendo um travesseiro na cama, quase me acertando.

–- Ai! -- pulei para o lado. -- Jenn, você deveria estar feliz! Quero dizer, você achou sua mãe! Aqui tem o endereço! Lembre-se: aproveitar o máximo, nada de raiva! Relaxa um pouco.

Jenn grunhiu, fazendo careta. Ela realmente estava puta de raiva.

–- Fácil pra você falar, não?! NÃO É SUA MÃE QUE ESTÁ INTERNADA EM UMA PORRA DE CLÍNICA PRATICAMENTE MINHA DROGA DE VIDA INTEIRA

Jenn chutou o criado-mudo, para em seguida se jogar no chão, abraçando os joelhos.

–- EI, EU SOU HUMILDE! NÃO TENHO GRANA PRA MÓVEIS NOVOS! -- Anna gritou do lado de fora.

Anna bem que tinha razão.

Me joguei ao lado dela, alisando suas costas. Eu sentia sua raiva, o rancor, a tristeza. Mas falando sério, eu tinha certeza que nas condições atuais de Jenn, ela não podia ficar perdendo tempo com essas coisas. Era uma questão de lógica: faltava tempo.

–- Vai ficar tudo bem... Vai ver ele teve motivos sérios pra isso.

–- Estou com raiva, Logan, estou furiosa -- sussurrou ela, soluçando. -- Eu só... gostaria que tudo não estivesse tão fodido.

–- Você deseja vê-la? -- perguntei de repente. Estranhei minha pergunta, afinal, Jenn não havia demonstrado que queria, apenas raiva do pai, mas talvez, só talvez, ela desejasse, ou então não haveria motivo para a raiva.

Jenn levantou a cabeça. Seus olhos verdes jades estavam inchados. Seus cabelos caíam totalmente bagunçados nas testas, emaranhados.

–- Quero -- respondeu, sem mais chorar. -- Eu quero muito. Ela é minha mãe. Eu quero revê-la antes de morrer, mesmo que ela nem me reconheça.

Sorri, me levantando e a puxando pela cintura, em um abraço apertado e caloroso, onde tentei demonstrar que eu estava ali com ela, sempre.

–- Então vamos pegar um ônibus. Para o Texas -- sussurrei.

~~~ // ~~~

Deitada com a cabeça nas minhas pernas, eu não sabia direito o que estávamos fazendo, eu só sabia que deveríamos.

–- Acha que ela tem seus cabelos ruivos? -- perguntei.

Jenn sorriu, enquanto alisava minha coxa com a ponta do dedo indicador.

–- Espero que sim -- falou baixinho. -- Seria maneiro.

Fiquei brincando com seus cabelos, enquanto ela pegava no sono no meu colo. O ônibus se mexia e fazia muito barulho conforme passava por cima de buracos e ruas más pavimentadas, mas Jenn parecia não se importar nem mesmo com o fato de ela acabar sendo chacoalhada toda hora.

Me afundei com mais força no assento, fazendo um cafuné em Jenn. Encaixei meus fones de ouvido e deitei a cabeça na janela enquanto observava as coisas ficarem para trás, lá fora. Pinheiros compridos e exatamente iguais passavam por nós, nuvens extensas brincavam no céu.

Não sabia o que pensava, talvez no sentido da minha existência, algo que tinha se tornado muito frequente invadir minha mente ultimamente, mas sei que o que me tirou dos meus devaneios foi quando Jenn se mexeu enquanto eu a acariciava.

Com os olhos fechados, fazendo careta e franzindo a testa, ela estremeceu.

Tirei os fones imediatamente a tempo de ouvi-la arquejar. Um arquejo baixo e de dor.

–- Jenn! -- chamei, nervoso. -- Está tudo bem? Sente dor?

–- Sinto -- respondeu baixinho.

Não, não, não! E se aquela fosse a hora?! Não, não, não!

–- Oh, que merda! Vamos parar no Hospital mais próximo! Aguente firme.

Ela balançou a cabeça, negando, os olhos pequenos, sonolentos.

–- Eu sinto sempre, mas agora sinto mais porque estou com medo. Vou ficar bem -- respondeu, me empurrando de novo no banco para voltar a deitar nas minhas pernas. -- Cante pra mim, Logs.

Sentia meu coração bater forte. Aquilo não estava certo. Eu não podia simplesmente...

–- Cante pra mim, Logan -- insistiu ela. -- A música é o último suspiro de um desesperado.

Achei a frase meio melodramática, mas talvez fizesse sentido.

Cocei a testa e comecei a cantar a música que Jenn dizia ser a preferida do CD que ela havia me dado. Brutal Love — Green day

–- "Turn out the lights

Close your eyes

Turn up the silence

The heartache of your life

Dance forever

Under the lights

This brutal love

Oh how you want it

You're begging for it

But you can't have it

Even if you try

It's in the clutches

In my hands of

This brutal love"

Continuei cantando até que ela dormisse. Depois afundei meu rosto em seus cabelos, sentindo o cheiro doce e inebriante. Me permiti sentir uma vontade enorme de chorar, mas em vez disso eu apenas solucei e solucei, repetidas vezes. Desejei profundamente que ela já tivesse parado de sentir dor e foi naquele instante que eu percebi que daria minha vida para sentir no lugar dela e partir no lugar dela.

Porque, vamos analisar o caso:

Quem era eu um pouco mais de um mês atrás?

Se você disse, mané, idiota, depressivo e sem o que fazer, acertou.

E quem era Jenn há um pouco mais de um mês atrás?

Eu sei que você está pensando o mesmo que eu.

Não era justo Jenn partir, enquanto quem não ligava em estar morto ou vivo era eu.

~~~ // ~~~

–- Ei, acorde -- chamei ela suavemente. Jenn abriu os olhos, sorriu e bocejou. Se levantou e calçou os sapatos que estavam no chão.

–- Chegamos? -- perguntou, se espreguiçando.

–- Bem, parece que aqui é o Texas, a não ser que isso seja uma nave espacial e isso aqui seja a lua, eu acho que chegamos.

Ela riu.

–- Idiota.

Jenn saiu dali, dando espaço para eu passar. Peguei nossas malas no bagageiro e ativei as rodinhas. Jenn puxou a dela da minha mão, provocando.

–- Não vai deixar eu levar, vai? -- arqueou a sobrancelha.

–- Eu faço isso pra você -- sorri.

–- Não, eu levo, babaca! Tá me achando tão inútil assim? -- pegou a mala e saiu andando em direção a porta do ônibus.

–- Eu não disse isso -- resmunguei, andando atrás dela.

–- Mas ia dizer.

–- Não ia, não. Te acho super competente.

–- Duvido.

–- Claro que acho. Por exemplo, você é ótima beijando e em me deixar louco de...

Jenn pigarreou. Saindo de um dos bancos, uma velhinha de andador nos fitou.

–- Nem casaram e já estão assim -- resmungou ela. -- Quando eu tinha a idade de vocês, nunca tinha nem relado em um garoto que não fosse meu pai.

Aposto que depois do casamento tinha chegado a ter uns 10 filhos.

Ela fez um muxoxo e seguiu andando em uma lerdeza dos infernos, um pé de cada vez, numa calma digna de quem já era velho e já havia feito tudo que tinha pra fazer. Jenn e eu nos encaramos, até ela sumir de vista, e então começamos a rir.

–- Imagine se nos casássemos! -- gargalhei.

–- Seria todo lugar eternamente um cabaré -- Jenn segurou em meu ombro procurando equilíbrio de tanto rir.

E continuamos rindo, até que nossos olhares se cruzaram e chegamos conclusão em silêncio de que não teríamos tempo de nos casar. Ou pelo menos nada perfeito como a maioria dos casais sonhava.

~~~ // ~~~

–- Estamos acessando o sistema, isso pode ser um pouco lento. Aguarde, por favor -- falou a recepcionista, em tom monótono

Jenn estralou os dedos, enquanto suspirava sem parar. Estava nervosa e eu também estaria se fosse rever minha mãe depois de 12 anos. Jenn abriu a bolsa e sacou o celular que vibrava.

–- É meu pai, caralho -- falou ela, irritada.

–- Com certeza não é uma boa ideia atender.

–- Acha que eu não sei disso? -- indagou. -- Ele vai me matar. Estou morta se ele descobrir que estou aqui. Seria legal se eu simplesmente jogasse isso no vazo e desse descarga.

–- Então me dê isso, esperta -- tomei o celular da mão dela e o guardei no meu bolso, não antes de desliga-lo. -- O meio-ambiente agradece e é menos um problema. Nada de vazo sanitários.

–- Por enquanto -- resmungou

A recepcionista pigarreou, tamborilando os dedos na bancada.

–- Sinto muito, ela é uma paciente que só recebe visitas autorizadas.

Jenn deixou os ombros caírem.

–- Ah... Por favor, é importante que eu a veja -- pediu baixinho. Sabe o Gato De Botas do Sherek? Os olhos dela estavam tipo os dele, pedindo algo.

–- Desculpe, são ordens superiores -- falou ela, calmamente com uma sobrancelha levantada. Como se dissesse: "sem discussões, eu que mando nessa bagaça". Como ela podia ser imune a adorabilidade de Jenn?!

Bufei.

Achava mesmo que tínhamos ficado três horas, TRÊS HORAS, dentro de um ônibus barulhento para sermos mandados de volta? Minha rola que voltaríamos sem ver a mãe de Jenn. Minha rola. Dei um passo a frente, ficando mais próximo da recepcionista. A mulher se recostou na cadeira e cruzou os braços.

–- Escuta aqui, tia, acabamos de chegar de uma viagem de três horas. Sabe onde é Ophelia? Então, viemos de lá e se você não sabe onde é, o diabo sabe, pergunte a ele que ele vai responder que é longe pra caralho! Tudo que queremos é ver Ellen Winters, a mãe da minha namorada. Mãe da minha namorada. Mãe! Quem é mais superior do que a própria filha?! Sabe quanto tempo Jenn não a vê? 12 anos. Você tem mãe, tia? Você tem mãe? Você ama sua mãe? Jenn também ama a dela, e tudo o que ela quer é vê-la, a mãe que não vê a 12 anos, porra! Aposto que você viu sua mãe ontem, porque caso o contrário não estaria com essa cara de fralda suja...

–- Logan...

–- ...mas sim de quem sente saudades de uma pessoa que ama! Você tem sentimentos? Jenn só tem poucos meses de vida e essa é uma das últimas chances dela ver alguém que ama e até agora não fez isso porque você, tia, disse que tem ordens superiores de não permitir visitas não autorizadas para a própria mãe de Jenn, cacete! Vai nos deixar vê-la?

A mulher nos olhava com cara de nada, como se nem tivesse sido afetada pelas palavras, como se nada tivesse entrado pelas orelhas sujas dela. Mordeu a parte interna da bochecha, antes de umedecer os lábios e falar.

–- Não sou sua tia e não vou deixar vocês verem Ellen Winters. Desistam. -- Deu de ombros.

Eu me virei e bufei. Jenn me encarava com o rosto escondido nas mãos.

–- Que saco -- sussurrou, cansada.

–- Saco é o escambau. Vamos ver sua mãe eles deixando ou não -- falei, puxando-a pelo braço em direção a saída.

–- Não tem como. Valeu por tentar -- piscou --, namorado.

"a mãe da minha namorada"

Meu Deus, eu havia dito involuntariamente, nem havia reparado nisso. Mas era mesmo verdade. Pra mim Jenn era minha namorada.

Corei.

–- Namorada -- sorri. -- E é claro que tem, ou eu me não me chamo Logan.

–- Ah é? E como?

Alisei o queixo, pensando.

–- Logan, de origem Celta, significa "pequeno" e nós vamos passar pequenos por esses cuzões.

A porta automática se abriu quando chegamos perto o suficiente para sermos detectados, então nós a atravessamos. O ar gelado me pegou de surpresa. Jenn parou e me fitou, sorrindo. Parecia bem mais disposta.

–- Você sabe que isso te faz soar pirralho, né? "Pequeno", que piada.

É, eu sabia. Mas isso não importava, quero dizer, não importava mesmo, porque eu sabia o óbvio.

–- Ah, Jenn! Não estrague meu discurso. Vamos entrar lá, porra, você vai ver... ou eu não me chamo Logan.

Notas finais
Genteeeee, o próximo capítulo vai ser cheio de emoções! Vou dar um pequeno spoiler aqui porque eu sou lecau u.u "— Eles realmente pensam que sou estagiária de enfermeira. Mas não há muito o que fazer, além de dar banho, ai, meu Deus, que horror! — ela fez uma caretinha. — Nos pacientes menos perigosos. — Não invejo a verdadeira estagiária. E nem você — viram o tamanho do apoio que dei?! Eu sei, sou demais. Ri baixinho. — Você nos enfiou nessa pra começar, então cale a boca, babaca — resmungou ela, dando um tapa no meu ombro." Ansiosos? Espero que sim *-* Alguma sortuda foi no show do 1D? Eu não fui! Moro longe e minha mãe não quis ir comigo :cccc Não deixem de deixarem reviews, porque vocês sabem, reviews são comida e vocês sabem que eu amo comida :3 Beijos, tchau