Fuckin' Perfect

18 Transtorno de falta de piroca


Notas iniciais
Heeeeeey, gente Quanto tempo õ/ cês tão bem? Sério, vocês não fazem ideia do quanto senti falta disso aqui, de vocês :3 Deem play na música Dirty Rotten Bastards - Green day e vão ler o capítulo! Boa leitura e até embaixo.

(Dirty Rotten Bastards — Green day)

Beleza, iríamos fazer uma loucura. Melhor, eu arrastava Jenn para uma. Mas quem é que liga quando se pretende entrar escondido em um hospital para loucos? O mais provável era que seríamos confundidos com pacientes, até que um belo dia ensolarado eles notariam que aqueles dois não era tão totalmente retardados. Mas qual o problema? Além de sermos presos e condenados por invasão, falsa identidade e etcetera e tal… quem é que se importa!

Eu.

Porque no Estados Unidos eu já era de maior.

Porque se eu fosse pego, eu ia me ferrar.

E faria Jenn se ferrar também, afinal, ela estava junto comigo nessa até o pescoço.

— Certo — sussurrei quando terminamos de atravessar a avenida, parando atrás de uma árvore no lado oposto do Hospital. — Deve ter uma porta para funcionários, onde entram enfermeiras e faxineiras. Tem que ter, namorada.

— Vamos nos foder, namorado — disse ela, meneando a cabeça.

— Não, não vamos, namorada — falei me obrigando a pensar. Soquei a árvore. — Droga!

— Vamos sim, namorado — retrucou.

Respirei com força. O que adiantava ficar ali pensando? Eu iria agir.

— Quer saber? Vamos rodear essa joça — peguei a mão dela e voltamos a atravessar a rua, mas tomando cuidado com os carros.

Quando estávamos de novo em frente ao Hospital fiquei encarando ele com cara de idiota. Se bem que essa cara já estava bem acostumada a mim.

— Por aqui — Jenn virou a rua, contornando o hospital.

Era um estacionamento lotado de carros, com mais uma entrada que levava ao saguão de entrada.

— Vamos continuar — falou. Eu estava um pouco para trás.

Contornamos para o outro lado.

Ali era um estacionamento para funcionários, havia uma pequena porta entreaberta, ao lado um enorme caixote de lixo, devidamente fechado, escrito: Lixo Hospitalar.

Ouvimos vozes soar da pequena porta e Jenn esbugalhou os olhos.

— Volta, volta, volta — sussurrou.

Voltei rapidamente, me escondendo atrás de uma coluna da parede, mas Jenn não teve a mesma sorte.

A porta foi escancarada e duas mulheres vestidas de branco saíram dali, fumando. Elas fitaram Jenn e sorriram.

— Oi, benzinho — falou uma, de cabelos loiro mal tingidos.

Pensei em me aproximar imediatamente, mas quando já estava pronto, Jenn colocou a mão nas costas, fazendo que não com o dedo indicador.

— Oi — a voz dela saiu baixinha e assustada.

— É a nova estagiaria de enfermaria, Cordélia? — falou a colega, que tinha enormes cabelos escuros presos em um coque.

Cordélia, a loira, encarou Jenn dos pés a cabeça.

— Acho que é. Ouvi falar que caga dinheiro e que tem cabelos cor de âmbar.

— Não eram dourados? — especulou a outra.

— Âmbar, eu acho — teimou, ainda com os olhos correndo por cada milimetro de Jenn. — Você caga dinheiro, querida?

Eu quase conseguia ouvir o coração de Jenn bater descompassadamente no peito.

Ela abriu a boca e soltou um arquejo.

— Hã… é… eu não colocaria dessa maneira e…

— Bem, bem, queridinha, que bom que chegou. Estava me perguntando se demoraria mais. É seu primeiro dia e não se pode dar o luxo de chegar atrasada, hein? — falou Cordélia, tragando o cigarro.

— Certo — sussurrou Jenn.

— Qual seu nome?

— J… Alana — falou rapidamente.

— Alana — Cordelia soltou a fumaça, como se provando o nome. — Alana. Soa bem. Vem, o que está esperando, fofinha? Vamos, tá achando que vai usar Vuitton pra trabalhar, é? Vou te emprestar um uniforme.

— Novatas — falou a colega, provavelmente revirando os olhos.

As enfermeiras foram na frente e Jenn parecia congelada no local. Coitada, estava em pânico. Mas eu estava bem impressionado.

Porra! Jenn era muito sortuda. Então se você também: a) for rica b) ter cabelos… (como foi que elas disseram? Âmbar, isso, âmbar) âmbar, isso provavelmente te faz uma estagiária.

Mentira. Isso só aconteceu com Jenn porque ela tinha sorte.

Pensando bem, analisando as circunstâncias de estarmos ali… às vezes tinha.

Sorri comigo mesmo. Estava tudo dando certo. Ela iria se infiltrar lá dentro, provavelmente nem a perceberiam. Olha só, que plano lindo.

Ela se virou. Estava com os olhos esbugalhados, mais pálida que o habitual.

— Eu volto para buscar você — sussurrou sem mal abrir os lábios direito.

Então Jenn se virou e sumiu porta adentro.

~~~ // ~~~

— Logan, vem — cerca de dez minutos depois, Jenn apareceu. Os cabelos estavam presos em um coque malfeito, com várias mechas soltas. Ela usava uma roupa toda branca, uma camiseta branca, uma saia branca, acompanhado de um casaco branco com um pequeno logotipo do hospital. Isso mesmo, tudo branco. A única coisa ali que ela usava que ainda deveria ser dela eram os saltos escuros e provavelmente a lingerie, mas acho que vou ficar sem saber se estou certo nessa última.

— Namorada, você é um gênio — elogiei saindo da coluna e rodeando minhas mãos em volta da cintura dela.

— Eu sei disso, namorado, mas venha logo — ela pegou minha mão e me puxou para dentro. — Não tem ninguém aqui, ainda.

Era um cômodo mal iluminado. Havia algumas mesas de madeira encostadas nas paredes acompanhadas de garrafas de chá e café, uma geladeira grande, portas para banheiros, telefone público e um grande corredor que levava mais a fundo ao hospital.

Jenn sacou um bolo de roupas brancas debaixo de uma mesa.

— Vista-se. Tem um banheiro masculino ali — falou.

Não discuti. Só de olha-la, eu já sabia que estava tão apavorada quanto eu.

Entrei no banheiro, fechei a porta. Era pequeno mas o suficiente para eu me vestir, só pra constar. Arranquei minhas roupas e coloquei as novas. Não no sentido literal. Aquelas roupas não eram novas. Fediam a C.C.

Fiz careta. Eu me vestia todo de branco. Se você já foi há um hospital e já viu um enfermeiro, sabe como eu estava.

Saí do banheiro.

— Ótim… — Jenn se interrompeu, me fitando. — Logan, seu alargador.

Coloquei a mão no buraco na minha orelha.

— O que é que tem? — indaguei, sem entender.

— Acho que é… ah foda-se, vem vindo alguém. Coloque suas roupas embaixo daquela mesa e vamos dar o fora.

Embolei minhas roupas e joguei embaixo da mesa, escondendo o máximo possível e segui atrás de Jenn.

Um funcionário, talvez um faxineiro vinha pelo corredor, mas não nos deu muita atenção.

Seguimos em linha reta de cabeça baixa.

— Eles realmente pensam que sou estagiária de enfermeira. Mas não há muito o que fazer, além de dar banho, ai, meu Deus, que horror! — ela fez uma caretinha. — Nos pacientes menos perigosos.

— Não invejo a verdadeira estagiária. E nem você — viram o tamanho do apoio que dei?! Eu sei, sou demais. Ri baixinho.

— Você nos enfiou nessa pra começar, então cale a boca, babaca — resmungou ela, dando um tapa no meu ombro.

Agora estávamos realmente no hospital, ou na parte funcional dele.

Havia médicos e enfermeiros para todo o lado, alguns pacientes passeando por aí, mas tudo parecia bem tranquilo.

— Precisamos de um computador, acessar o sistema e descobrir qual o andar e o quarto de mamãe — sussurrou, alarmada.

— Parece simples falando! — fiz um muxoxo.

— Já estamos aqui, tem de ser!

Continuamos andando, dando voltinhas aleatórias, tentando não ficarmos muito nervosos quando alguém passava perto demais.

— Precisamos ser rápidos — avisei.

— Acha que se eu pedir pra Cordélia, ela me deixa acessar?

— Não custa tentar. Ou talvez custe, tipo, cadeia.

— Não está ajudando, namorado.

— Desculpe, namorada.

— Cordélia estava vindo dali. Ainda não te viu. Saia de perto de mim.

Você quem manda, madame.

Acelerei o passo enquanto Jenn parou para falar com Cordélia.

— Ei, você! O quarto 201 precisa de ajuda! Corra lá! — uma mulher baixinha e atarracada falou, provavelmente alguma expert dali. Fiquei parado, fazendo cara de paisagem, até que me toquei de que ela falava comigo. — Você é surdo?!

— Hã… certo! — falei rapidamente, me enrolando todo.

— Jesus, esses enfermeiros às vezes parecem piores que os pacientes — reclamou, bufando. — Vamos! Eu vou junto!

Ela correu na minha frente e eu segui atrás, rezando mentalmente.

Tomara que tudo dê certo para Jenn.

Tomara que dê tudo certo para mim.

Tomara que nós dois saímos ali bem, e não em um camburão.

Segui a mulher por vários corredores, entramos em um elevador e subimos até o terceiro andar.

Quando paramos em frente a porta do 201, eu estava estourando de adrenalina.

— Vamos, idiota, entre — falou rispidamente.

Normalmente eu não achava legal ser chamado de idiota por pessoas que eu nem sequer conhecia, mas decidi relevar.

Abri a porta esperando encontrar algo que faria meu disfarce ir pro ralo, mas.. tudo que vi lá dentro era uma garota de uns treze anos berrando loucamente.

Hormônios, hormônios, hormônios, tsc tsc tsc…

Tapei os ouvidos na mesma hora. Eita porra, aquela menina deveria estar no Guiness Book para o grito mais alto.

— EU QUERO MEU NAMORADO! — berrou e soltou um grito agudo. — NAMORADO! NAMORADO! NAMORADO!

— Daphine, fica calma, ele está vindo — falou a mulher, tirando uma seringa do bolso do casaco.

— EU QUERO! AGORA! ELE DISSE QUE VINHA! — berrou. — AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!

Daphine se jogou no chão e começou a bater as pernas.

Eu encarava-a, encabulado. Ela sabia que não tinha idade para ter um namorado?

— NAMORADO! NAMORADO! NAMORADO! — Gritou enquanto batia as pernas.

— Ele está vindo, Daphine — sussurrou a enfermeira, se aproximando.

A garota berrou e focou os olhos em mim, finalmente parecendo estar calma.

— É ele? — perguntou, radiante.

Abri a boca, desconcertado.

— Não…

— NAMORADO! VEM CÁ! — gritou Daphine, sorrindo e se levantando.

— Eu… eu não sou seu namorado, o.k? — falei e senti o suor se formar na minha nuca e nas minhas mãos. Encarei a mulher. — Faça alguma coisa.

— Ela precisa se acalmar, se você deixa-la se aproximar, eu posso lhe injetar a seringa.

SE APROXIMAR? AQUELA MENINA SE APROXIMAR DE MIM?! EU TINHA CARA DE COBAIA?

— O quê? NÃO! NÃO! — falei rapidamente, enquanto me afastava.

— Qual o problema? É um dos procedimentos. Todos os funcionários conhecem Daphine e sabem que é só assim.

Mas eu não era um funcionário!

— Vamos, deixe-a se aproximar.

— NAMORADO! NAMORADO! — gritava a menina, enquanto corria até mim.

Qual era a doença mental daquela menina? Transtorno de falta de piroca?!

Fiz uma careta e deixei ela me abraçar, me encostando na porta e torcendo para aquilo acabar logo.

— Namorado… — sussurrou ela, doce, mas de uma maneira quase psicótica.

— Pronto, pronto, pronto — sussurrava a enfermeira, enfiando a injeção nas nádegas da garota. — Viu?! Simples! Todos os funcionários… espera… você sabe que é proibido acessórios entre funcionários desse hospital? Isso inclui essa tampa que você carrega na orelha.

A garota caiu molemente. A mulher pegou a garota nos braços e levou-a para a cama. E eu senti a cor sumir do meu rosto.

— É… esqueci de tirar.

Ela arrumou os edredons de Daphine e depois parou para me olhar, confusa.

— Mas não pode ter nem o buraco! A não ser que…

Uma expressão de entendimento brilhou na cara dela.

Hora de dar no pé, caro Logan.

— Ai, Meu Deus! Tem alguém me chamando! Quarto 665?! Lá vou eu!

— Não há um quarto 665, idiota! Seu impostorzinho maluco!

Abri a porta e sai correndo, tentando não tropeçar nos próprios pés ou nas pessoas ao meu redor.

Jenn! Jenn! Cadê você?

A mulher corria atrás de mim, e eu sentia o suor escorrer da minha testa.

— Ei! Ei! Peguem aquele cara! — gritou.

Mas eu era muito rápido correndo, eu sei disso, pessoas. Tipo, Jesse Owens.

Alcancei um elevador e soquei ele, mas na pressa, em vez de eu socar o número 1, soquei o número 5. Sim, eu sou um asno.

— Merda! — berrei, socando o pequeno cubículo de metal.

Estava fodido.

Acabou.

Acabou.

Eu ia ser preso.

Eu ia passar minha vida comendo comida de penitenciária.

Eu ia apodrecer lá dentro.

Que desgraça.

O elevador se abriu e quando eu estava preste a apertar o número 1, eu vi Jenn. Ela estava parada ao lado de uma porta, respirando e inspirando várias vezes em seguida.

Não havia ninguém naquele andar, a não ser ela. Pulei do elevador e corri em sua direção, parando, um pouco aliviado e ofegante.

— Jenn… acabou, fui descoberto — ofeguei. — Temos que ir.

Jenn abriu a boca, em choque.

— N-não! Eu consegui, Logan, eu consegui! É aqui o quarto de mamãe!

— Mas, Jenn, vamos nos ferrar se ficarmos mais.

— Vá embora você, então! Eu não vou! — seus olhos começaram a lacrimejar. — Eu não posso ir, Logan, não agora…

Uma voz feminina soou dos altos falantes do hospital.

“Alerta! Alerta! Invasão! Cabelos pretos, olhos azuis, aparentemente 1,78 de altura! Veste-se como um enfermeiro e apresenta acessórios nas orelhas! Segurança! Reviste todos os andares!”

Fechei os olhos, trêmulo. Abri-os, decidido, sabendo que aquilo não iria terminar bem, mas sabendo também que eu não tinha ido até ali para abandona-la.

— Tudo bem, quero conhecer minha sogra — cedi.

Jenn me fitou, sabendo que estava fodendo comigo, e eu assenti. Ela colocou a mão na maçaneta e abriu a porta.

Notas finais
Geeente, vamos comentar? Contem como estão a vida de vocês depois desse tempo todo :3 Sério, deixem reviews porque sim, eu pretendo ser rápida, mas vai depender muito de vocês Beijos, tchau