Fuckin' Perfect
10 Surpresa, vadia! - revidando
Notas iniciais
— Me poupe de explicações — falou Jenn, sem desviar os olhos do caderno a sua frente, onde escrevia.
Senti meu coração pulsar mais rápido, o medo de perdê-la e a raiva da vagabunda da Christin quase me deixavam tentado a socar uma parede, se bem que era bem mais tentador socar Christin.
— Foi armação, Jenn! Eu juro que foi! Sério, aquela megera sem p…
Chutei a mesa da minha frente, bufando.
— Logan, eu sei — Jenn então levantou os olhos.
— Sabe? — suspirei.
— Acha mesmo que eu não sei o tipo de pessoa que Christin é? EU NÃO SOU IDIOTA, LOGAN! — exclamou, o rosto ficando vermelho. — Ela é manipuladora, falsa, mimada e eu sabia que era só questão de tempo antes que viesse atrás de você, então não estou surpresa.
— Não? Então… está tudo bem entre você e eu?
Jenn me fitou durante alguns segundinhos, depois sorriu.
— Está. É claro.
Cara, eu sinceramente amava aquela garota, com todas as minhas forças.
Me joguei na cadeira, ao lado dela, forçando-a ir para o lado e comprimi nossos lábios.
— Espera… se você sabe que Christin é tudo isso, por que anda com ela? — indaguei, franzindo o cenho.
— Eu sei que isso vai parecer estranho, mas quando eu vim pra cá, decidi me enturmar com todos, desde que fossem legais comigo, se bem que você não foi muito legal…
— Você é estranha, então tudo bem.
— Você também é.
— Obrigado, eu acho — sorri. — Hm, e você e a Christin?
Jenn passou o braço em torno do meu pescoço.
— Resolvo mais tarde — ela me beijou.
Resignado, me forcei a sentar na carteira ao lado dela, afinal, ainda estávamos na sala de aula e ela havia só começado.
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— Surpresa, vadia! — eu conseguia o ouvir o punho de Jenn batendo na cara de Christin e sinceramente não sabia se deveria considerar aquilo bom.
Todos estavam reunidos em volta, assoviando e batendo palmas, incentivando Jenn a continuar. Umas poucas garotas não pareciam muito felizes com aquilo, e tentavam entrar no “octágono” sem ser atingidas pela ruiva também.
— Tá achando que eu sou burra, né? Mas se esquece que a loira aqui é você, piranha! — Jenn jogou Christin no chão, segurando em seus fios, e estapeou o rosto dela, fazendo algumas pessoas ao lado sussurrarem baixinho “ui…”
Christin revidou, acertando o queixo de Jenn, o que não foi uma boa escolha, porque aquilo só serviu para deixar Jenn mais puta de raiva.
— Escolha errada — Jenn fechou a mão nos cabelos de Christin, puxando-a para cima, levantando-a. Praticamente sendo arrastada, Christin foi levada ao banheiro.
Eu sei que eu deveria não ser a favor da violência e tals, afinal violência não leva a nada e blá-blá-blá… mas acontece que Christin merecia e eu estava me segurando para não rir ou começar a vaiar junto com os outros, além do mais, Jenn podia se ferrar muito por conta disso, tipo ficar suspensa, mas acontece que eu até tava tendo uns orgasmos ao ver a mocreia apanhando e tive que me segurar pra não me deitar no chão e chorar de rir quando Christin, alguns minutos depois, foi jogada para fora do banheiro, com a cara toda molhada.
— Christina disse que adorou o gosto de água da privada, não é mesmo, loira? — debochou Jenn, saindo calmamente de dentro do banheiro. — Agora eu quero que admita o que fez ou vai apanhar mais.
— Nunca! — exclamou Christin, humilhada e em lágrimas. Ou talvez só fosse água do vaso.
— Audrey — chamou Jenn, cruzando os braços. — Admita o que fez a pedido dela ou a próxima a experimentar xixi será você.
Audrey era magra e pequena e eu achava bem possível que ela se afogasse caso fosse mergulhada na privada.
Ela se empertigou toda e encarando os pés, sussurrou.
— Christin roubou um beijo de Logan para que eu tirasse uma foto e mandasse para você. Foi tudo armação e eu fui obrigada a colaborar.
Jenn levantou os ombros e baixou a manga da blusa, satisfeita.
— Surpresa, vadia — sussurrou Jenn, sorrindo. — Agora vê se pensa duas vezes antes de mexer comigo.
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É claro que depois da surra bem dada por Jenn, Christin decidiu que ficaria mais bonitinha no canto dela, de preferência bem longe de mim e da ruiva. Acho que era até compreensível, certo?
— Bom… é mesmo sério, né? — indagou Greg.
— Seríssimo — sorri.
— Hm… como ela é? — perguntei ele, mordendo seu Muffin.
— Um pouco turbulenta na maioria das vezes, mas quase sempre suportável.
— Fale de maneira mais clara.
— Jenn é perfeita.
Dei um gole no meu suco de laranja — porque história sem suco de laranja não é história. -
— O quanto pode mudar em pouco menos de um mês? Você que não dava bola e agora estava com ela e eu que… Enfim — Greg enfiou o Muffin na boca, mastigando de boca aberta —, você já comeu ela?
Senti o líquido descer amargo na boca e engasguei, e um pouco escorreu no meu queixo. Limpei rapidamente.
— Você, sempre muito delicado, né?! — exclamei, chateado.
— Tá, entendi. Então vocês já treparam? — levantou as sobrancelhas.
— Não é da sua conta — disparei.
— Legal, vocês não treparam — afirmou.
— Quem não trepou?! — Jenn se jogou ao meu lado, e pegou o copo de suco da minha mão. Tão inocente. — Que feio, cuidar da vida sexual dos outros, Greg.
Greg fitou ela, surpreso.
— Hã… ninguém — respondeu, pegando outro Muffin e enfiando na boca rapidamente. — Deixa pra lá.
Jenn fez uma cara de nojo, parecendo finalmente ter entendido.
— Logan, seu amigo é nojento — deu um gole do suco.
— Eu sei — resmunguei. Greg não era só nojento, ele praticamente era uma barata em forma de gente.
— Não falem de mim como se eu não estivesse aqui — resmungou. — Sou só um cara curioso.
— Curioso. Demais — assenti.
Jenn pegou um Muffin e mordiscou.
— É hoje o trabalho, Logs.
— Trabalho? — desculpem, mas eu realmente não conseguia me lembrar.
Jenn revirou os olhos.
— Você é meio lesado. O trabalho de literatura. — Ela estralou os dedos. — No hospital do câncer
Ah! Claro! Voluntário. Livros. Análise. Vídeo. Sintonizei.
— Isso vai ser tenso. Sabe, eu sou um cara tímido — admiti, deixando os ombros caírem. O sinal que indicava o término do intervalo soou e Jenn se levantou.
— Até te conhecer, não? — ela gargalhou. — Porque depois que viramos amigos você se tornou pior que pedra no sapato.
— Ah, tá, olha só quem tá falando! — soltei, rindo.
— Sinto muito interromper a discussão de casal, mas o sinal já bateu — interrompeu Greg. — Espera, alguém viu a Anna hoje?
— Não. Vai ver ela cansou da sua babaquice — respondi.
Me levantei e envolvi a cintura de Jenn com o braço.
— Ou vai ver ela só encontrou um amigo melhor — disse Jenn, sorrindo.
~~~ // ~~~
— Vou me jogar da janela caso eu fique muito nervoso.
— Ninguém vai estar lá para te salvar, princesa — brincou Jenn.
— Estou falando sério, droga. Acho que vou vomitar meu coração.
— Já vi algo assim em Supernatural.
— É mesmo? — bufei. — Acho que já vi por lá uma ruiva muita chata que enche o saco de um cara muito legal.
— Engraçadinho — Jenn fitou a porta de entrada, respirou fundo, abriu um sorriso, ajeitou os cabelos e entrou.
Ela vestia um jeans claro, uma blusa larga preta escrita em letras azuis “Expecto Patronum” acompanhada de, é claro, uma estampa de veado. All Star vermelhos e novamente um arco escuro e quase imperceptível na cabeça. A pulseira metálica com um ponto grande e vermelho no centro brincava em seu braço.
Não pude deixa de admirar suas belas curvas. Me perguntei o por que de Jenn ser tão perfeita e se era mesmo possível.
Jenn caminhou até a recepção do Hospital onde uma mulher sorriu ao vê-la com tantos livros no braços e ao notar que eu também estava com vários, incluindo uma câmera Canon.
— Vocês são Jennnifer Winters e Logan Grey, certo? — perguntou a mulher. — Sou Daisy.
Segurei a vontade de rir imediatamente. Mas nem preciso dizer que Jenn não. Afobada do jeito que era.
— Daisy, legal — Jenn riu, uma risada muito idiota, do tipo que no meio dela fazia “ronc”, mas sei lá, eu achava agradável aos meus ouvidos. — Prazer em conhecê-la. Finalmente.
A mulher torceu o nariz, provavelmente sem entender o por que de acharmos seu nome engraçado. Tudo bem, ela não sabia que eu dormia em uma Daisy todas as noites.
— Todos já estão sabendo da visitas de vocês. A maioria dos pacientes estão na sala de recreação, os que não estão, vocês poderão visitar depois, pelo menos alguns deles. Os da UTI não.
— Tudo bem — assenti. — Podemos ir, Daisy?
— Sim — respondeu e fez uma careta, ao notar o leve sorriso involuntário que dei. — Ultima porta do corredor à direita.
Jenn agradeceu e juntos seguimos pelo caminho indicado.
— Daisy. Daisy. Daisy. — Brincou ela, saltitante. — Vai sonhar com essa mulher essa noite. Se gozar, vou saber que você deve ter algum tipo de doença mental.
— Não, muito obrigado. Tô pensando em rebatizá-la para Jenn. Aí sim eu gozo o quanto quiser.
— Quanta ousadia — comentou ela.
O lugar cheirava a antissépticos. Fora isso, era bem agradável. Paredes brancas, detalhes azuis, bem arejado. Vários quadros coloridos. Se não fosse um ambiente que acabava não conseguindo impedir grande parte dos pacientes a um fim deprimente, seria até aconchegante.
Entramos na sala de recreação. Era grande, com cadeiras e mesas coloridas, desenhos de flores e aviões na parede, pufes confortáveis, mesa com comidinhas e alguns computadores. Vários rostinhos no olharam quando entramos. Senti meu coração se partir. A maioria deles já havia perdidos os fios e usavam chapeuzinhos e toquinhas. Eu sei que pena é um sentimento complexo e desagradável, afinal, ninguém gosta de que sintam pena de si, mas ali era inevitável não sentir deles.
— Oi! — falou Jenn, abrindo um sorriso.
— Ei! — sorri, sentindo meu rosto esquentar.
— Oi! — responderam todos, abrindo sorrisos que mostravam a falta de um ou dois dentinhos.
— Meu nome é Jennifer, me chamem de Jenny. Esse é o Logan, mas chamem-o mané aqui de Logie — Jenn me empurrou sem força, apenas para divertir.
— Bleh, Chamem-a de Chata, também — sorri. — Combina perfeitamente.
Eles riram.
Certo. Seria um longo trabalho escolar pela frente. A expectativa era sair de lá sem nos sentirmos felizes por estarmos bem.
Impossível.
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