Fuckin' Perfect

16 Nunca morrer


Notas iniciais
Olá, pessoas u.u PRIMEIRAMENTE... eu queria agradecer, parabenizar, amar e agradecer e agradece e amar e amar a linda, diva Senhora A que deixou uma maravilhosa, belíssima recomendação, eu ameei! Sério, obrigada, de coração! Esse capítulo é pra você! E.. sabe o que é legal? Comer. E eu tô com fome agora, geralmente eu tô toda hora, mas agora tá pior kakaka então vou postar isso aqui e comer, porque comer é vida, recomendo. Comida, falou?. KAKAKA tô engraçadinha hoje, é a fome, me deixa mais retardada ainda. Bora pro capítulo, boa leitura e até lá embaixo.

Certo. Não roubamos nenhum carro e não pegamos nada emprestado, porque simplesmente era um pouco cedo demais para isso. No lugar, decidimos que largaríamos de sermos mão de vaca o suficiente para dar para chamar um táxi.

Meia hora depois, chegamos no bosque. Começamos a subir com calma e sem pressa.

— Acha que se eu morrer aqui vou virar uma ninfa? — falou Jenn, pelo menos dez minutos depois que andávamos.

— Muito engraçado — ironizei.

— Mas, sério, imagina que legal morrer e virar uma ninfa?

— Bem, pelo menos a beleza você já tem.

Ela riu.

— Certo, obrigada.

Continuamos andando por mais uns 10 minutos. Não estava nem um pouco cansado. O sol não estava batendo e um ventinho leve passava por nós, portanto estava super de boa. Mesmo assim, acho que todo mundo já notou que Jenn estava numa situação delicada.

— Quer parar um pouco? — indaguei, franzindo o cenho, preocupado.

Ela revirou os olhos.

— Não, estou ótima, obrigada! Que inferno, não me trate como se eu não aguentasse andar com minhas duas pernas porque estou com os dias contados! Estou ótima, cacete, e vou chegar nesse escambau de qualquer jeito, portanto vai esquecendo essa preocupação.

É, acho que bipolar ela não era não.

— Uau, tudo bem, só perguntei — levantei os braços em sinal de rendição enquanto crispava os lábios.

Jenn suspirou.

— Me desculpe. É que é estressante estar morrendo.

Eu imaginava que deveria ser.

Segurei em sua mão, tentando mostrar que não fazia mal, que eu compreendia… não sobre ela estar morrendo, mas sobre estar estressada quando se está.

Então chegamos no topo. O vento ali era bem mais forte do que aquela brizinha de nada que nos rodeava lá em baixo, só para avisar.

Jenn gritou, em êxtase.

Vamos lá para uma noção básica: Ophelia nada mais era, nada mais é do que uma reserva ambiental, por isso era tão pequena. Havia shoppings, dúzias de prédios, empresas e fábricas, mas era tudo em um espaço pequeno, porque o restante se resumia a mato, penhascos, vales, bosques, campinas e essas coisas aí que atualmente está muito em falta.

Um penhasco, era onde estávamos.

Um vento forte mexia os cabelos de Jenn, que caíam por trás dos ombros dela, como uma cascata. Abaixo de nós apenas víamos áreas verdes, bosques, campinas, e talvez um pequeno riacho.

Jenn cruzou os braços, enquanto sorria de orelha a orelha.

— É tão lindo — admirou-se.

— Precisa ver a noite — murmurei, chegando por trás e a abraçando pela cintura.

— Deve ser magnífico — falou ela, levantando levemente o queixo.

— Hm… algum dia a gente vem — falei baixinho em seu ouvido. Jenn estava arrepiada e eu ri baixinho. — E então?

Ela riu, enquanto levava minhas mãos para o laço do sobretudo.

— Se alguém ver, eu te mato — falou lentamente. — Meu Deus, eu sou louca.

Beijei seu pescoço e deixei que o sobretudo escorregasse do seu corpo, caindo ao nossos pés. Em seguida, tirei minha camiseta, depois meus tênis e por fim, meu jeans.

— Não, Jenn, nós somos! — Abri seus braços, segurando na ponta dos seus dedos, enquanto focávamos nosso olhar na paisagem a nossa frente.

O vento batia com força, os cabelos de Jenn caiam em meu peito nu, e eu sentia os meus insistindo em cair nos meus olhos, meu corpo todo arrepiava e uma sensação boa me dominava, uma sensação que eu tinha certeza que era algo bem parecido com ser/sentir infinito.

— Jack e Rose teriam inveja de nós — gritei.

— Sentiriam, é?! — exclamou ela. Apertou meus dedos, enquanto unia nossas mãos, entrelaçando-as.

— Sim!

Jenn pareceu saborear a sensação, respirou fundo.

— Talvez! Mas que é perfeito, é!

Eu me sentia no topo do mundo, no topo do mundo em todos os sentidos. No topo por estar com Jenn, no topo por estar naquele penhasco, no topo porque se estar no alto também significa estar feliz, eu estava, mesmo sabendo que o topo não duraria para sempre e que uma hora desmoronaria.

Soltei as mãos de Jenn e abracei sua cintura, enquanto roçava meus lábios em seu pescoço.

De repente Jenn deu um berro extasiado, eu ri e berrei também.

— AHHHHHHHHHHH! — gritou, gargalhando.

— AHHHHHHHHHHHHH! — acompanhei, enquanto levantava a cabeça para o céu e fechava os lábios.

— Porra! Isso é bom! — exclamou. — AHHHHHHHHHHHHHH!

— É como se esvaziar! — defini. — AHHHHHHHHHHHHHHHH!

Alguns segundos depois ela inspirou fundo, fechou os olhos, comprimiu os lábios e soltou o corpo. Segurei Jenn fortemente, para não deixa-la cair, porque era meu dever segura-la e protege-la. Então ela abriu os olhos, procurando equilíbrio enquanto ria baixinho.

— Acho que já posso me vestir.

Ri.

— Certo — assenti.

Me afastei dela, o suficiente para que saísse da borda e pegasse seu sobretudo do chão. Jenn voltou a coloca-lo.

Você deve estar se perguntando “esses dois tem merda na cabeça, só pode. Ninguém com um cérebro tira a roupa em um penhasco e finge que é infinito”.

Mas acontece que nós temos merda na cabeça.

Mas acontece que não havíamos tirado a roupa, bem, pelo menos não completamente.

Mas acontece que não estávamos fingindo que éramos. Porque a gente era. Naquele instante em gritamos, eu posso jurar, eramos a realeza de toda a cidade, de Ophelia, e o resto não tinha importância. Foi a melhor sensação do universo.

— Aqui eu sinto que nunca vou morrer — murmurou ela.

— Eu também — sussurrei. — É bom, sabe? Se sentir eterno.

Isso se chama viver. Essa sensação. Estávamos vivendo porque não duraríamos para sempre e só agora Jenn me fazia perceber isso, e que se o tempo era curto para mim, era ainda mais pra ela.

— Obrigada — falou ela, enquanto descíamos o penhasco.

— Por? — franzi o cenho.

— Por estar comigo. Por não me deixar. Por subir o topo comigo e…

— Estar finalmente aprendendo a viver com você? — balancei a cabeça, negando. — Não. Eu que digo obrigado. Você me ensinou a viver.

— Mas isso aqui foi ideia sua.

— É, mas se eu não tivesse te conhecido, nunca teria aprendido a ser louco — retruquei.

Jenn riu.

— Eu fiz meu trabalho de gnoma rosa direito. — Ela abriu um sorriso, coçando os olhos, sonolenta. — Acho que não. Sempre esteve aí, em você, eu só precisei ativar.

— Não sei mesmo como agradecer.

— Já está fazendo isso sem perceber.

Seguimos descendo, Jenn parecia respirar com dificuldade, mas me ignorava quando eu perguntava se estava bem e quando eu perguntei pela milésima vez, ela apenas respondeu:

— Logan, cada dia eu vou piorar mais, isso aqui não é nada, relaxa.

Não foi exatamente aliviante.

~~~ // ~~~

O quarto de Anna era todo rosa, com colagens de desenhos aleatórios nas paredes. O chão exibia um tapete igualmente rosa, as cortinas eram lisas e brancas.

Eu estava deitado no tapete, com os pés na cama. Anna estava na cama, olhando o teto. De repente, ela se sentou.

— Quer dizer que… ela está morrendo?! — falou, de boca aberta.

Passei a mão na cara, cansado. Era muito chato ter que ficar repetindo que sim, toda hora. Era como se as pessoas imitassem minha incredulidade e não conseguissem acreditar.

— Está — sussurrei.

Anna voltou a se jogar na cama.

— Sinto muito. Muito. Muito. Jenn é simplesmente muito gente boa.

— Diga isso pra ela — resmunguei.

— Vou dizer, mas ela não deu mais as caras na escola. Corre um boato na escola que era só uma hemo…

De repente notei a burrada.

— Não! Não diga! Ela não quer que as pessoas saibam! Não gosta que sintam pena dela — interrompi rapidamente. — Estou fodido se ela souber que te falei.

— Logan, você já está fodido.

— Estou?

— Sim, está. Você ama essa garota.

Engoli em seco, sentindo um gosto amargo na minha boca. Como seria depois que ela se fosse?

— Eu sei — solucei, sentindo vontade de chorar.

Então a campainha soou e Anna se levantou.

— Tomara que não seja um desses filhos da puta com gonorreia que mamãe traz pra casa — fez um muxoxo e saiu do quarto.

Fiquei fitando o teto. Pensando em Jenn, e em como estava sendo bom os últimos dias juntos. Últimos dias. Depois tudo terminaria.

— Oi — falou a voz doce que eu tanto adorava.

Sorri.

— Hey, gata.

Ela colocou a mecha dos fios ruivos enquanto me fitava com uma expressão que eu não conhecia direito. Jenn vestia um vestido simples e florido, em tons de verde e azul, com uma bota que batia uns quatro dedos acima do tornozelo. Seus fios caíam soltos pelos ombros. Usava bastante maquiagem, mais do que o comum, com certeza para esconder as marcas do cansaço, dor e palidez.

Anna surgiu logo atrás, apreensiva.

— Sentaí, Jenny — disse rapidamente, enfiando o cabelo atrás da orelha.

Jenn levantou a sobrancelha e se jogou no tapeta ao meu lado, e eu automaticamente a beijei. Ela ficou com o rosto colado no meu durante alguns segundos, enquanto suspirava.

— Tudo bem? — sussurrei, preocupado.

— Sim — murmurou ela. Ela piscou durante alguns segundos, fixando seus olhos verdes nos meus azuis. De repente soluçou. — Não!

Jenn deitou a testa no meu ombro e começou a chorar, soluçando desesperadamente. Senti o medo me invadir de repente. O que mais poderia estar pior?

— O que foi, baby? Não chore, merda, isso acaba comigo!

Ela fungou, balançando a cabeça, molhando meu pescoço, parecendo estar se afundando na água, se afogando lentamente.

— Descobri onde mamãe está — despejou.

Notas finais
Geeente, os próximos capítulos vão ser cheios de emoção, incluindo se jogar do 5º andar de um prédio. Sabe o que eu me toquei? Que já foi metade da fanfic, daí tô com outra em mente, mais no estilo YATS, mais relax, mais "ninguém vai morrer, acalmem-se". Enfimm, terminando de ler o capítulo e de deixar review (ó, amados reviews), vai comer você também, sério, dá uma paz na alma. Beijos, tchau :3