Fuckin' Perfect

14 Estar aqui é como ter entrado por sua janela


Notas iniciais
Heey! Que isso, gente, todo mundo sofrendo antecipadamente? Calma aê, provavelmente nem é nada e vocês fazendo tempestade num copo d'agua! Enfim, deem play na música Into my arms - Nick Cave e quando terminar em I'm not angels - Birdy Vou deixar os links aqui, tá? Não se esqueçam de colocar as duas, é pra mais dar mais emoção *w* LINKS: http://youtu.be/lEUgORVsECs http://youtu.be/z9gmhxv_ny0 Boa leitura e até lá embaixo!

Algumas vezes na vida, você escuta coisas nas quais não estaria preparado para ouvir nem em cem anos, mil, ou infinitamente, mas a questão é essa, a vida, nada e ninguém espera e te prepara para estar pronto para ouvir más notícias. Simplesmente porque dói, corta, fere e destrói melhor se a desgraça toda explodir de repente, como um choque, um balde de água fria, um escorregão no meio da rua. Porque para a vida, surpreender é mais divertido, aliás, para tudo surpreender é mais divertido… mas isso não quer dizer que a surpresa seja boa.

E com certeza a surpresa naquele instante… não foi boa. Foi uma merda, uma sacanagem. Era aqueles tipos de surpresa que não se contentavam apenas em surpreender, mas sim em surpreender e… te pegar de jeito, te machucar até sobrarem menos que migalhas de equilíbrio e força. Era acabar com você e pronto, aceite, você está acabado. Eu estava, mas acredite, alguém estava pior.

~~~ // ~~~

Os quinze minutos seguintes se resumiram em pegar um carro e carregar Jenn para o hospital mais próximo.

Fomos no carro do professor, que dirigia. Jenn havia parado de tossir, mas o sangue ainda escorria do canto de sua boca, enquanto ela, deitada em meu colo, pressionava uma toalhinha ali.

— Jenn, o que está acontecendo? — murmurei em seu ouvido.

Ela balançou a cabeça, se negando a falar, enquanto eu enxugava as lágrimas de seus olhos, que escorriam por sua face.

— Eu… sinto muito — sussurrou ela, finalmente, longos minutos depois.

Percebi que seus olhos se fechavam e balancei seu ombro suavemente, totalmente desesperando.

— Não.. Não… fica comigo, por favor, estamos chegando… — sussurrei.

Porém não adiantou. Seus olhos se fecharam e tudo o que eu fiz foi segurar sua mão com força, reprimindo o choro, sem nem ao menos saber o por que de tudo estar acontecendo daquele jeito.

~~~ // ~~~

Abracei meus joelhos e apoiei minha cabeça neles enquanto esperava o médico ou o pai de Jenn sair de lá, sabe, para terem um pingo de dó de mim e me disserem o que estava acontecendo.

Não demorou tanto quanto eu esperava.

Meia hora depois, o Sr. Winters apareceu, encarando os pés.

— Não era para ela ter ido para a escola hoje, Logan — falou ele, suspirando. — Ela simplesmente fugiu do hospital.

Esfreguei os olhos, cansando, agoniado, deprimido e desesperado.

— Só… só me diga o que está acontecendo, agora — mandei, cerrando os maxilares.

— Jennifer quer ela própria contar. Já está acordada, meio dopada, mas está.

Assenti com a cabeça, exasperado. Me levantei do meu ponto de encolhimento, caminhando até o elevador com ele.

Alguns minutos depois, saímos em um corredor e na quinta porta à esquerda. Sr. Winters a abriu para eu entrar e fez um não silencioso quando eu perguntei se ele também entraria.

Fechei a porta e encarei a garota deitada na cama.

Jenn estava com a cabeça repousada confortavelmente no travesseiro. Um lençol fino a cobria até o abdome e ela o fitava, enquanto alisava o tecido. Seus cabelos ruivos estavam esparramados pelo travesseiro e percebi o quanto eles pareciam ainda mais vermelhos, mas conclui que era apenas ela que estava mais pálida. A aflição estava me fazendo suar frio.

— Jenn.

Ela ergueu os olhos verdes jade.

— Ei — abriu um sorriso e naquele um mês convivendo com ela, percebi algo diferente. A falta de brilho em seu olhar. Imediatamente eu soube o quanto o sorriso era falso, forçado.

Torci para que fosse apenas paranoia da minha cabeça.

— Por favor, me diga o que há de errado, Jenn, estou desesperado — implorei, bagunçando meus cabelos. Estava com medo, a cena dela com todo aquele sangue me dava arrepios, a ansiedade crescia dentro de mim e se eu não estivesse num hospital já teria acendido um cigarro.

Me aproximei da cama.

— Logan, relaxa e senta aqui — Jenn me deu espaço para sentar na cama, perto dela. Me sentei. — Me desculpe por aquele dia. Sério, eu não deveria ter agido daquela maneira, me desculpe mesmo.

Por mim, eu não me importava mesmo com aquilo. Eu apenas queria acabar com a tortura e saber logo o que havia de errado, saber quando ela ia sair dali e quando tudo voltaria a se encaixar nos eixos, quando tudo ficaria bem e Jenn e eu poderíamos voltar a sair de madrugada, a ir lugares loucos, usar camisetas escrito Free Hugs e a comer sorvete direto do pote, enfim, fazer coisas insanas e normais, loucas e legais. Eu queria que tudo estivesse bem e não tudo embaçado, confuso, como o para briza de um carro em meio a um temporal, ou em uma manha enevoada. Mas como é que minha mãe falava?Nem sempre querer é poder.

— Não, tudo bem. Eu também agi como um babaca. Só estava com ciúmes — sussurrei, olhando em seus olhos.

Jenn também me fitava, mordendo lábio inferior, analisadora.

— Sorria — falou, do nada.

Franzi o cenho, confuso, mas depois de alguns segundos me lembrei daquele dia, no carro, quando ela perguntou porque eu nunca sorria. Se naquele instante era o que ela precisava, seria o que eu faria. Sorri.

Jenn deu uma risadinha contida.

— Saiba que você perdeu a aposta — falou com um ar divertido. — Quero um Mc lanche feliz, sou gamada nos brinquedinhos que vem neles.

Ri baixinho.

Jenn sendo Jenn.

— Você também falou vários palavrões! Isso não é muito justo! — exclamei.

— Oh, é mesmo, porra? — sorriu. — Mas você sorriu muito mais, idiota.

— Isso mesmo, continua provocando. Aí você vai ter que pagar pelo menos um pouquinho.

— Vamos ver — ela desviou os olhos, fitando uma janela a sua frente, com um ar sonhador. — Poderíamos escalar os muros, correr de telhado em telhado e escalarmos o mais alto deles… ah, seria tão… maneiro!

— E depois? — perguntei.

— Depois? Bem, depois… ficamos nus enquanto seguramos grandes placas escritas “Foda-se a sociedade! Yeah!”

Gargalhei.

— Acho que você está mesmo dopadona — sussurrei.

Ela balançou a cabeça, o sorriso se desfazendo.

— Até já me acostumei com essas drogas, mas o.k. É que sabe, eu só gosto de fazer tudo o que eu tenho vontade.

Engoli em seco, mas tentei soar divertido.

— Até agora trepar não está na lista? — perguntei.

Jenn revirou os olhos, colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha.

— Vai com calma, cara. Não vai demorar muito, prometo — Disse ela.

Segurei sua mão, entrelaçando nossos dedos e admirando como nossas mãos se uniam perfeitamente, como se fossem feitas uma para outra, sabe, tipo essa coisa de metade da laranja e tal. Que diferença fazia se a gente ia transar ou não? Se nossas mãos se encaixavam perfeitamente, então tudo bem.

Beleza, já entendi que vocês me acham retardado, mas o amor faz essas coisas mesmo com as pessoas.

Enquanto ela encarava a vista da janela pra fora, soube que estava procurando uma maneira de me contar algo. Talvez o por que de estarmos ali, afinal. Novamente me lembrei da tosse, do sangue e senti uma sensação ruim.

Jenn voltou a me fitar, com os olhos perdidos, de repente todo o ar de brincadeira havia se esvaído, sendo substituído por uma maneira de me olhar que imediatamente me deixava tenso.

— Logan, lembra aquele dia em que entrei na sua casa pela janela? — falou, de repente.

Sorri. Me lembrei de acordar de repente, pegar o abajur e dar de cara com uma coisa ruiva saindo da janela. Minha cara de susto deve ter sido impagável.

— Como não lembrar? Foi um dos primeiros sinais de loucura que notei em você.

Um sorriso fino surgiu em seus lábios, que se evaporou rapidamente.

— Então, estar aqui, agora, com você é do mesmo jeito. Sabe, subir por uma árvore e tudo mais. Eu sinto que vou cair, mas não quero desistir. Sinto que se eu ficar no chão, bem longe da janela, é mais seguro. Mas sinto que subir pela árvore, até sua janela é mais tentador e sei que valerá a pena. Enquanto se eu ficar no chão… apenas estarei no chão. Longe da janela, longe da árvore e longe de você, porque simplesmente parece mais seguro. — Aí ela começou a chorar, soluçando sem ao menos esconder. Senti meu coração apertar no peito e vê-la chorando tão abertamente me fez querer pegá-la no colo, abraçá-la ao dizer que não havia motivos para lágrimas, que estávamos juntos e nada disso era importante. Só que lá no fundo, bem no fundo, eu sabia que tinha e que estávamos chegando lá. — Mas não estou feliz, sabe? Então subo pela janela, e você está aqui agora. É do mesmo jeito. Subir pela sua janela e estarmos juntos agora é do mesmo jeito.

Eu queria entender a metáfora, queria entender aonde aquilo ia dar, mas também sabia que no fim, eu ia terminar acabado, destruído no chão. Não no chão da metáfora dela, mas no chão do fundo do poço, da beira do abismo. A pancada de o que quer que ela ia me falar, ia ser talvez, a pior da minha vida.

Afundei o rosto em seu estômago, segurando o lençol com força, enquanto tentava não chorar ao vê-la chorar e tentando não chorar ao lembrar de todo aquele sangue.

— Foi a melhor coisa que me aconteceu, Jenn — falei com a voz abafada. — Porra. Você entrando pela janela. Por favor, me diga logo o que está acontecendo. Qual o sentido da metáfora, por favor…

Ela colocou os dedos em meus cabelos, fazendo uma carícia suave que não seguiam o ritmo de seu choro.

— Estou morrendo, Logan.

Notas finais
Tudo bem, agora sim vocês podem entrar em desespero, eu deixo, só não pode violência com a escritora, tá? kakakaka Sério, gente, deixem reviews, xingamentos até que eu não levo pro lado pessoal u.u Enfim, beijos, bye :3