Fuckin' Perfect
5 Apostas: sorrir e xingar
Notas iniciais
Tudo bem acordar uma hora da manha, normal, porque só naquele momento eu tava descobrindo que todo mundo em Ophelia fazia aquilo. Mas muito pelo contrário, eu só queria estar na Daisy, dormindo, se é que você me entende.
Jennifer virava de uma vez, me encarando com desdém
–- Qual é o seu problema com uma vida social, Logan? -- indagou.
–- Bem, se essa vida social incluir você, todos -- falei sem pensar.
Ela fez cara de ofendida, piscando sem parar e formando um beicinho com os lábios. Extremamente fofa, mesmo.
Depois sua expressão mudou, ficando totalmente serena.
–-- Você só está com dor de cotovelo -- falou com um sorrisinho de canto.
E TINHA ALGUÉM QUE AINDA NÃO SABIA QUE ERA AQUILO?!
–- Nada a ver -- menti, desconcertado.
Jennifer se curvou sobre a mesa, aproximando nossos rostos.
–- Logan, a vida é uma só. Não gaste seu tempo se torturando e sofrendo por pessoas cretinas. Viva.
–- Tudo bem, docinho, já pode escrever um livro -- debochei.
Ela voltou a sentar no banco, com brutalidade.
–- Céus, Logan, você age como uma criança mimada! Está vegetando e nem repara! Nem tem problemas e fica chorando igual um bebê novo! -- me fitou com raiva.
O.k, ela era meio instável, só acho mesmo.
–- Hã... e desde quanto isso é problema seu? -- sussurrei semicerrando os olhos.
–- Desde que... eu passei a gostar de você. Foi amor a primeira vista. Você tinha carinha de mané e eu sou sua gnoma rosa. Então meu papel é te fazer viver -- Jenn disse com seriedade. Depois riu baixinho, jogando os fios ruivos para trás.
–- Não entendi a piada, realzão -- falei.
Ela suspirou.
–- Eu só quero ser sua amiga -- falou baixinho.
–- Jenn, eu realmente não quero...
–- Ser minha amiga ou ter uma vida social? Vamos lá, Logs. Eu prometo não ser tão pé no saco assim sempre.
–- Oferta tentadora -- ironizei.
–- Não aceito não como resposta, que fique claro.
–- Tá, tá. Podemos voltar para casa agora?
Ela riu, vitoriosa.
–- Antes você vai virar esse copo de tequila, dançar comigo e... fazer uma aposta.
Fitei-a, pensativo.
–- Você já começou sendo um pé no saco -- falei e peguei a tequila, virando de uma vez. Me levantei e a puxei pela mão.
Uma música melosinha tocava no ambiente, Jenn andou até a Jukebox e mudou a música, vindo dançando até mim. "Nobody But Me — The Human Beinz".
–- Escolhi bem? -- perguntou, balançando os ombros e estralando os dedos.
–- É rock, tem como errar? -- comecei a me mexer no ritmo da música, apreciando a sensação, porque era mesmo muito muito bom dançar.
Ela sorriu e se aproximou do meu rosto.
–- A aposta é a seguinte: eu aposto que consigo te fazer sorrir e rir muito, em pelo menos uma semana.
Possivelmente sim, mas se eu conseguia sorrir mais, ela...
–- E eu aposto que consigo te fazer falar palavrões, em pelo menos uma semana.
Jenn mordeu o lábio, enquanto dava uma voltinha em torno de mim.
–- Apostado! Quem perder paga um mês de comida para o outro no Mc Donalds -- estendeu a mão. -- Feito?
–- Feito -- sorri. Apertei a mão dela e ela continuou segurando.
–- Viu? Já consegui um -- Jenn riu. Fiz ela dar um giro, e depois afastamos um pouco, dançando loucamente ao ritmo da música.
Alguns minutos depois, nos jogamos no banco. Outras pessoas também dançavam, mas a maioria parecia bem... caidinha. Olhando ao redor, reconheci bastante gente da escola.
–- Ainda não entendi qual é a desse lugar -- comentei, cansado.
–- Nem eu, quando eu descobri mais sobre, eu te falo, juro -- ela fez um coque nos fios, para um segundo depois desfaze-lo, fazendo a franja cair nos olhos, ela soprou e sorriu. -- Acho que já está na hora de voltarmos.
Me levantei, bufando.
–- Você acha, é? -- ironizei.
~~~//~~~
Ninguém em casa desconfiou que eu havia saído de madrugada, mas repararam que eu estava parecendo um zumbi na manha seguinte.
Na Quinta-Feira na escola, Jenn e eu não nos falamos, o que particularmente eu achei bem estranho, já que ela tinha uma consideração especial em encher meu saco. Mas não, ela só acenou e sorriu uma ou duas vezes, enquanto seguia seu caminho com Christin e bando de vacas.
–- Então vocês são mesmo amiguinhos -- comentou Greg, enchendo a boca de comida.
–- Ela é legal -- falei com um dar de ombros.
–- Sei -- ele fez um muxoxo.
–- Olá -- Anna se juntou a nós, na mesa do refeitório.
–- Oi, Anninha -- falei distraidamente.
–- Tudo certo? -- indagou sorrindo.
Jenn agora estava na fila da cantina, olhando em volta, seus olhos se cruzaram com os meus. Ela sorriu e piscou para mim, depois voltou a procurar qualquer coisa. Chad se aproximou dela e eles começaram a bater um papo. Ah, maravilha. Eu deveria ter esperado. Aquele filho da puta...
–- Logan?! Oi! Ainda estou aqui! -- Anna estralou os dedos na minha frente. -- Alguém está apaixonado?
Me obriguei a fitá-la. Greg me encarava com o cenho franzido.
–- O quê? -- indaguei.
Anna caiu na gargalhada.
–- Você parece gostar dela -- falou.
–- E ela está com o Chad, olha -- Greg apontou com o queixo. Bufei e olhei de novo. Jennifer o abraçou, ele sorriu e se foi, enquanto ela se virou para comprar um refrigerante. -- Ih, cara, se eu fosse você não perderia tempo.
–- Mas você não é eu, então cala a boca e vai se foder -- xinguei entredentes.
–- Ai, meu Deus, alguém está de TPM! -- Anna gargalhou.
Fechei a cara.
–- Tá, vou calar a boca, juro -- sussurrou ela.
–- Só estou te avisando, cara. Jennifer é gostosa e não vai demorar muito para arranjar alguém, sério.
Puta que pariu, como Greg estava conseguindo ser mais chato do que de costume?!
–- Já falei, Jenn e eu somos só amigos -- me levantei da mesa, no momento em que o sinal tocava para o término do intervalo.
Éramos só amigos, mas eu não entendia porque eu estava com tanta vontade de socar a cara de Chad, ou de ter Jenn por perto de mim de novo, sorrindo como sempre.
Éramos só amigos, mas ainda assim aquilo parecia soar errado, pelo menos para mim.
~~~ // ~~~
Na segunda aula da sexta-feira, Jenn estava na minha turma. O professor de literatura era um cara estranho. Estranho porque ele sempre parecia estar prestes a se matar, coitado. Tinha uma barbicha bizarra e vestia roupas pretas de velório.
–- Hoje vocês vão formar duplas.
Ao meu lado, Jenn me fitou. Olhei-a de volta.
Juntos?–- seus olhos perguntaram
Juntos–- assenti com a cabeça
Todos já iam colando as carteiras quando o professor interrompeu:
–- Eu disse que iam formar, não se sentarem em duplas.
Um burburinho de irritação se passou pela sala.
O professor estava de pé, recostado na mesa.
–- Veio hoje mais cedo o pedido da diretoria que os alunos do último ano do ensino médio fizessem... bem, um trabalho voluntário. Aprovei a ideia, é claro. -- Ele fitou o fundo da sala. -- Algum problema, Jason?
–- Isso inclui a África? -- indagou.
O professor sorriu maldosamente.
–- Uma passagem só de ida para você? Talvez -- respondeu.
A sala riu baixinho e esperou ele continuar.
–- Vocês vão se reunir em duplas e fazer um pequeno trabalho voluntário, mas que, devo dizer, terá um grande peso na média, e terá importância principalmente para quem vocês estão se voluntariando. Não será necessário dinheiro, vale lembrar, que algumas coisas não são necessários fundos. Exemplos? Visitar o asilo, ao hospital do câncer. Coisas simples com grandes efeitos. Perguntas?
–- Para que dia? -- perguntou uma loira que eu não sabia o nome.
–- Daqui um mês. Como conclusão do trabalho, quero um relatório de cada integrante da dupla, analise e... um vídeo com os melhores momentos desse trabalho, um vídeo em que mostre o quanto os efeitos positivos são prestigiosos. Se tudo ocorrer certo, os melhores vídeos irão ser mostrados no dia de Ação de graças.
–- Pode ser a parte em que eu durmo?! -- interrompeu Jason.
–- É claro, mas não precisa nem me trazer, o que acha? -- o professor começou a anotar praticamente tudo o que já tinha dito na lousa e Jenn e eu começamos a copiar.
Quando terminamos, Jenn se virou pra mim.
–- Alguma ideia? -- perguntou.
–- Não, nada. Sou péssimo em ter ideias. Não... espera, sou péssimo em pensar. É.
Ela riu.
–- Acho que podíamos fazer uma visita ao hospital do câncer. Já estive em um antes... e bem, as pessoas lá também precisam de atenção -- Jennifer franziu o cenho, pensativa, e eu não pude deixar de notar o quanto ela estava bonita. Seus cabelos estavam presos por uma tiara preta e fina, seus olhos verdes jade pareciam alterar do verde para o azul. Ao contrário de segunda-feira, vestia coturno com um vestido larguinho e extremamente sexy. É claro que Chad iria tentar pegá-la. Jennifer era linda. -- Sua vez.
Ela estralou os dedos na minha frente.
–- Logan?! Oi?! Planeta terra chamando!
Sorri.
–- Com esse já são dois -- falou Jenn, piscando.
–- Puta que pariu, garota. Você não perde uma. Tudo bem, não sei, acho que deveríamos fazer algo que tomasse a atenção deles, de todos eles.
–- É. Ah, mas, que saco. Ainda temos um mês. Vamos deixar isso para depois -- reclamou. Jenn se virou para mim. -- O que vai fazer no final de semana?
–- Hm... Impressão minha ou você está me chamando para sair?
Ela revirou os olhos.
–- Depende de que forma você vê as coisas. Sim, eu estou te chamando para sair... mas é só para saber se tem como... sabe... você assumir o lugar de Chad na peça da escola.
Peça da escola? Puta merda, eu estava estudando naquele inferno há mais de dois anos e nem sabia que lá tinha banheiro para deficientes, quem dirá peça.
–- Hã? -- brizei.
–- Eu estou na turma do teatro... e Chad também, vou ficar com o papel principal e Chad tá tentando ficar com o outro papel. Vai rolar beijo. E eu não quero beijar o Chad. Então eu pensei, se for pra eu beijar alguém, que seja o Logan!
Ela queria me beijar... ela queria me beijar... e falava disso como uma outra pessoa falaria que deseja uma mordida do meu Cheeseburguer.
–- Você tem um jeito muito engraçado de ver as coisas... -- comentei, perplexo.
–- Logan, o Chad é nojento. É legal, mas é nojento. Diz logo que quer me beijar e acaba a porra do problema!
Jenn dizendo que queria me beijar e eu notando que ela havia acabado de falar palavrão.
Afinal, qual a droga do meu problema?
Fale com o autor