Fry Quartz

1 Restart


Amor assume formas estranhas, certo? E ele sempre vem na hora mais inesperada, certo? E se direciona sempre na direção que você acha mais errada certo? Mas não importa quão errado pareça, é lindo... sempre é...

Naquele momento, a terra se envolveu numa guerra interestelar, e ninguém estava fora de suas consequências, mas existem pessoas que estavam no centro do conflito, essas pessoas são os moradores de uma cidadezinha no litoral, chamada Beach City, lá o quartel general de um dos lados da guerra estava a mostra em uma estatua gigante de uma mulher de oito braços, segurando uma pequena casinha, a casa de Steven Universe, os tempos de guerra não são fáceis, Steven havia feito seu aniversario há pouco tempo, mas não teve comemorações, seu aniversario de 15 anos foi passado em branco, afinal, agora há mais responsabilidades, Pearl, Garnet, Amethyst e Lapis estavam sempre muito ocupadas coletando artefatos Gem, seus radares detectavam um ponto aquecido próximo à atmosfera de Júpiter, provavelmente as Homeworld Gems querem abrir um portal lá, então construir algo para impedir isso era de mortal importância, Steven passava a maior parte do tempo cuidando do templo, ou tentando aprender mais coisas sobre o mundo das Gems, ele já era um ótimo Gem, conseguia invocar sua arma quando bem entendesse, o que lhe faltava era conhecimento.

Então quando não fazia nada disso saia para ver o mundo, e ter alguma diversão.

Muita coisa mudou em Beach City, Buck, Sour Cream e Jenny montaram uma banda, Lars e Sadie, juntos, compraram o Big Donut de seu proprietário, agora é uma franquia bem sucedida em expansão rápida, Greg está aposentado, Funland se mudou para outra cidade, Keep Beach City Weard fez de Ronaldo famoso e rico e apresentador de um programa sensacionalista sobre coisas estranhas, e seu irmão mais novo continua tendo uma queda por Steven, isso é uma historia longa...

Desde os 13 anos ele já sabia disso, e desde aquela época a angustia de “por que eu por ele” martelava em sua cabeça, segurar a imaginação e focar no trabalho era seu objetivo no momento, mas ele não conseguia parar de, sempre, o tempo todo, pensar nele... “ o que eu posso fazer a respeito” “o que meu pai vai pensar” “e se não acontecer”... esse era o tipo de coisa que se manteve no primeiro ano de Peedee fixado em Steven.

Aos 14, o que lhe faltava era tudo... a guerra foi anunciada ao mundo, Beach City se tornou uma cidade conhecida em todo mundo, Steven se tornou alguém conhecido no mundo todo, e ele ficou meio ano fora do planeta, fazendo algo perigoso, o que deixou Peedee estranhamente feliz, pois o que quer que ele pense, ele não podia fazer nada a respeito, não tinha que tomar decisões, ele não gostava de decisões, principalmente as de sim ou não, ele detesta números pares, em todas as ocasiões.

Agora ele e Steven fazem 15, Peedee é apenas quatro meses mais velho que Steven, e foi um dia antes de seu aniversario que Steven voltou a terra, e trazendo dois presentes a ele, a chance de poder ser alguém novamente para ele, e a angustia das perguntas que ele se fazia a dois anos atrás.

Aquele foi com certeza um dos mais angustiantes momentos para Peedee, Steven estava deitado na praia, era seu aniversario, era normal como amigo ir cumprimenta-lo, o maior problema era que Peedee não queria ser só amigo, suas mãos suavam frio, ou simplesmente não suavam, e sim estavam totalmente geladas, ele não sabia a diferença, mas doía um pouco o atrito das mãos com a camisa, que ele apertava com força, andando lentamente em direção a Steven, “recomponha-se Peedee, é só um abraço, vocês faziam isso muito quando crianças”, esse era o tipo de coisa que Peedee sempre falava a ele mesmo nessas situações, na medida com que ele se aproximava, sentia que seus passos estavam cada vez mais pesados, ficava cada vez mais lento, até parar completamente atrás de Steven, deitado na areia, de olhos fechados, naquele ponto, era melhor falar alguma coisa, ou ele estaria completamente enrascado, a única coisa que veio em sua mente foi...

–Vai acabar com o seu cabelo se ficar ai deitado

A frase quase fez com que Peedee se batesse, mas ele combinou que se fosse faze-lo, faria sozinho e em casa.

–Peedee! Que bom te ver!

–eh... eu te vi aqui e... vim te desejar feliz aniversario! Feliz aniversario!

–valeu cara!

Steven se levanta lentamente, abana a areia de suas roupas e do cabelo na parte de traz, e solta um suspiro, Peedee iria esticar a mão para apertar a de Steven, mas antes que ele pudesse mover seu braço, Steven o deu um abraço, Peedee entrou em um modo automático no momento, ele simplesmente abraçou Steven com uma força igual, e ficou lá, até Steven começar a se afastar, o trazendo de volta a consciência, mas por alguns segundo, ele praticamente morreu.

–Eu estava precisando disso, sabe é bem difícil ficar o tempo todo fazendo essas coisas de Gem, e ajudar a salvar a terra, momentos assim me lembram de quando tudo era mais fácil, sabe eu ainda lembro daquela coisa que você falou sobre cavalos marinhos, agora faz todo sentido, no mínimo ainda tenho amigos para poder me lembrar dos tempos bons, como você, ou o pessoal aqui da cidade, vem cá sente aqui!

Steven se sentou na areia novamente, e ficou olhando par o mar, Peedee foi logo em seguida, ele normalmente fazia tudo que Steven pedisse quando estava perto dele, fazer tudo que alguém pedir diminui as chances de uma conversa cheia de argumentos, que Peedee tenta evitar a todo momento, a qualquer custo, principalmente perto daquele que ele amava tanto.

–Sabe Peedee, às vezes eu penso em como minha mãe se saiu se opondo a todos do Homeworld e deixou tudo pra traz, e ela fez isso duas vezes, ela também deixou tudo pra traz para que eu pudesse nascer, mas eu ainda sinto tanta falta de tudo que eu deixei pra traz, faz tempos que eu não faço tanta coisa que eu fazia todos os dias!

–se quiser eu te preparo umas sobras de batatas fritas agora! Você adorava.

–Serio!!! Mesmo!!! Ah Obrigado Peedee!!! Você sempre é legal comigo!!! Abraço de novoooo!!!

Steven aplicou outro abraço paralisante, mas dessa vez bem apertado em Peedee, e depois se levantou, e puxou o pobre loirinho pelo braço ate a bancada do Beach Citywalk Fries, e instintivamente fechou suas mão em punho para bater na bancada, mas ele simplesmente parou, olhou para as mão e disse com a voz terna

–como a gente cresceu em? as coisas mudaram tanto de uns tempos pra cá...

–eu sempre digo que as melhores coisas são as que ficam, eu ainda prefiro números impares, ainda trabalho aqui, ainda continuo em Beach City...

–ainda somos amigos... certo!

A frase de Steven atingiu Peedee no peito, se estivesse de frente Steven notaria seu sorriso de satisfação, “ele gosta de ser meu amigo”.

–sim... ainda somos amigos!... ok! Agora espere um pouco, vou pegar as sobras.

Em um pote com água salgada, ficavam as sobras de batatas do dia, aquele pode lembrava todas as vezes que Peedee já entregou aquelas mesmas sobras fritas a Steven, a maior ligação entre eles, ele tinha o prazer de prepara-las quase todos os dias, as vezes colocava algumas batatas cortadas inteiras para ele, ele comparecia toda semana, alguns dias a tarde... até que sua presença foi ficando mais rara, e mais , e um dia, na semana que Steven partiu, havia sido a ultima vez que Peedee preparou as sobras pra Steven.

O cheiro daquelas batatas era o mesmo de todas as outras, mas apenas para Steven e Peedee, o cheiro era especial, lembrava os velhos tempos em que eles brincavam juntos, lembranças daquele primeiro dia voavam pela mente de Peedee de acordo com que as batatas fritavam, o primeiro dia, Peedee estava no Funland Arcade, e um tímido garotinho com cabelos rechonchudos chegou fazendo círculos com os dedos, subiu na água viva ao lado do cavalo marinho onde estava Peedee, colocou uma moedinha e começou a tremer

–Oi! Meu nome é Peedee! Qual é o seu!

–ah! Meu nome é Steven! Steven Universe!

–Universe!!! Que nome mais legal! Você já andou no cavalo marinho! É muito divertido aqui!

–não... é minha primeira vez aqui!

Então Peedee foi um pouco mais para frente, deu duas batidinhas na garupa do brinquedo chamando Steven, ele desceu da água viva, subiu no cavalo marinho e os dois ficaram montando o resto da tarde juntos, se ao menos ele ainda tivesse coragem de chama-lo para brincar de montar em cavalos marinhos naqueles tempos, ele estava sempre com medo de dar na cara, de fazer algo errado e estragar tudo; mas aqueles pensamentos sobre o passado o reconfortavam muito, as batatas estavam prontas, Peedee as retirou, colocou sobre a mesinha onde Steven havia se sentado, ambos pegaram batatas, colocaram na boca e exclamaram um “Ummmmmmmmm” simultaneamente, o gosto das batatas era ótimo, mas principalmente para aqueles dois, eram aquelas batatas simples que os conectaram por muito tempo, Peedee soltou a frase mais emotiva que veio em sua mente naquele momento

–sabe é engraçado como essas simples sobras de batatas podem fazer alguém tão feliz, são essas sobras que a gente passou a comer muito depois que você começou a pedi-las que nos faz lembrar dos bons tempos né... são sempre as mais singelas coisas que...que...

– ligam as pessoas no que elas gostam... no que elas mais presam, como esse lugar, essa cidade, todos em volta... essas são as coisas que eu mais prezo.

As mãos de ambos se tocam por um momento, ao pegar as batatas, as palavras de Steven ecoavam pela mente de Peedee que apenas pensava em como reagir após elas, ele odiava momentos de duvida, mas acho que todos odeiam mesmo, afinal, duvidas são sempre as mais cruéis, mas é naquele momento em que a duvida ficou do lado de Peedee que levou ao acontecimento que veio a seguir, Peedee mastigando as batatas lentamente, paralisado olhando nos olhos de Steven, que fazia o mesmo, aqueles olhos brilhantes sempre o hipnotizavam, nenhuma palavra sequer foi dita naquele momento, o silencio se instalou, apenas o mastigar dos dois e suas respirações sobre o ar frio eram ouvidas naquela sala, Peedee não sentia constrangimento algum, pois aquele não era um momento qualquer, ele finalmente estava voltando a conversar com Steven, ele finalmente estava tendo outras chances, esquecer de tudo que todos iam dizer e não olhar para traz era o que ele queria fazer, seguir em frente, aproximar seus rostos e realizar o que tanto sonhava nos últimos anos, mas mesmo naquele momento a duvida surgia, mas estava do lado dele, qualquer movimento em falso, qualquer decisão precipitada iria instigar certos pensamentos na mente de Ronaldo, que olhava pela janelinha da porta naquele momento para os dois, ele não pensou em nada, ele não desconfiou de nada, mas por pouco, ele entrou com uma caixa cheia de papelada e outras coisas da época em que morava em Beach City, coisas para montar seus novos episódios de Keep the World Weard.

– e ai maninho! Steven o cara das coisas estranhas! Gente vocês não vão acreditar no cara que eu entrevistei semana passada, ele disse que...

–ok Ronaldo, nós vamos ver o seu show, nós sempre vemos! Não se preocupe você é um sucesso, maior que aquele cara de cabelo espetado que fica falando “alienígenas!” pra tudo! – disse Peedee com uma voz calma, finalmente fora de transe, e ai sim um pouco constrangido pelos dez segundos de olhos vidrados que ele acabou de passar, Ronaldo então deixa o recinto, trazendo novamente o ar tenso em volta de Peedee, suas angustias contradiziam a sua felicidade de ficar um momento ao lado de seu amor, enquanto ambos compartilhavam suas experiências e uma porção de sobra de batata, aos risos e emoções, que duraram bons tempos, até a ultima batata, que foi seguida por Steven bocejando, e se levantando.

–Olha Peedee... está ficando tarde, eu deveria voltar! Outro dia eu volto aqui, e a gente conversa mais.

–Mas já?... que pena... tudo bem então, até mais cara.

–Até!

Steven então dá um terceiro abraço em Peedee, dando pequenas batidinhas em suas costas, e se virou, correndo pela praia acenando, enquanto Peedee observava ele se afastando até a curva no fim da praia, e com um sorriso no rosto enorme, voltou para dentro de casa, entrou em seu quarto, e se deitou de costas na cama, olhando para o teto, sua mente tentava processar todos aqueles bons momentos, mas seu cérebro parecia não funcionar com tanta facilidade, sua mente estava cheia de felicidade, sacando seu celular e olhando em suas fotos, ele para em uma bem especial, seu aniversario, alguns anos atrás, uma selfie, que ele não admirava a muito tempo, tirada com a pessoa que ele tanto admirava, que como por destino, ligou para ele naquele momento, fazendo ele se assustar quando o telefone vibrou e tocou, com o nome Steven na tela, ele atendeu, e ouviu aquela doce voz novamente pelo celular

–Peedee, nossa eu acabei de sair dai, mas cara, eu esqueci minha blusa de frio na sua casa, você pode buscar pra mim, ou melhor, amanha de manhã eu passo ai, eu estou me preparando para dormir, amanha eu vou ter que acordar cedo, eu já estou apenas de cueca, guarde ela ai, amanha de manha eu passo por ai e pego ela ok?

–O... o-ok, ok eu guardo, pode deixar!

–Muito obrigado Peedee, se eu perder isso Pearl vai ficar uma fera, até amanha!

–Até!

Peedee abraça o telefone, vermelho com a imagem de Steven usando cueca em sua mente, ele chacoalha a cabeça tentando expulsar os pensamentos, se joga na cama e abraça o travesseiro com toda sua força, apertando seu rosto, então solta um risinho, e decide ir dormir também, Steven iria passar bem cedo no outro dia.

Notas finais
No capitulo de amanha: DescobertasEspero que tenham gostado! dicas? fale comigo? gostou muito? fale comigo também? está com mania de comentar? fale comigo!!! Comente!!! vai ajudar muito!