Frutos Proibidos São mais Gostosos
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Ainda tô sem net, mas esse cap tava no pc da minha amiga, então...
-Estás com fome, garota?
Aquela voz máscula e suave chegou aos meus ouvidos de forma incrivelmente assustadora. Veio de todos os lados, mas não parecia vir de nenhum lugar específico. Eu olho para um dos lados mas não vejo ninguém, e ao pensar em olhar para o lado oposto, me deparo novamente com aqueles doces magníficos, aqueles bolos recheados, e aquelas tortas tentadoras! Ah! Daria minha vida e o que me resta de dinheiro para comer algo descente, coisa que não faço há dias. Dava pra ver a fumaça fina saindo da cozinha desta confeitaria que prende meus olhos dia após dia na ida e na volta para casa. Novamente o gordo e velho padeiro trará pães doces frescos, e os colocará na cesta de palha que fica sobre o balcão. Como eu queria ter coragem de entrar e pedir um, mesmo sabendo que minha tia me espancaria até a exaustão se descobrir que eu pedi comida.
-Garota, queres um destes pães? – Aquela voz tomou meus ouvidos novamente.
-Quero mais do que tudo... – Disse para o dono da voz, sem buscar seu rosto desta vez, com receio de não encontra-lo.
-Então, olhe para cá, minha pequena.
Eu olhei para o lado que ainda não havia checado, e lá estava um homem jovem, com o corpo coberto por um casaco de peles novo. Seus cabelos eram prateados e seus olhos rubros como rubis. Ele sorria de um jeito assustador, enquanto colocava a mão em um bolso do grande casaco. Vi algo avermelhado em sua mão. Era redondo e lustroso. Parecia com uma bola de sinuca, mas maior e com um aroma doce e tentador, que me dominou no momento em que eu o senti.
-Que tal? Isso é melhor, mais doce, mais saboroso e mais tenro que qualquer doce ou fruta com que você já sonhou. Se me der uma coisa que eu quero há muito tempo, eu te darei este e mais quantos puderes comer, minha cara.
-Mas... Eu não tenho dinheiro.
-Se fosse algo que eu conseguisse com dinheiro, certamente eu já o teria.
-E eu realmente não sei se esta coisa é tão magnífica quanto dizes...
-Podes sentir o aroma?
-Sim... – Minha boca salivava.
-Se ainda duvida, pode comer um pedaço para provar a veracidade de minhas palavras, minha cara.
Eu não sabia se podia ou não confiar naquele homem de aparência singular. Ele estendeu a coisa vermelha para mim, e eu a tomei em minhas mãos um pouco trêmula. A coisa era macia e lisa. O cheiro me atacou novamente. Eu realmente não apreciava cheiros muito doces, mas aquele era tão tentador, meu estômago pedia por um pedaço. Sentia algo como agulhas me adentrando a barriga. Não consegui pensar se era perigoso, suspeito ou mais nada. Mordi com voracidade aquela coisa. Era macio, saboroso, doce, suculento. O sabor era realmente incomparável, ou era a fome que eu sentia que havia tornado aquilo num manjar dos deuses.
-Então?
-Mais... Mais uma mordida, por favor! Te imploro, mais uma mordida!
-Podes ficar com ela e mais quantas quiseres, se me der o que eu procuro.
-Tudo! Te dou tudo! Tudo o que me pedires! Mas por favor! Eu preciso de mais!
-Então, o contrato está feito. Quando acabares de comer esta Akamomo, selaremos o contrato.
Contrato? Parecia que eu estava falando com um demônio. Mas mesmo assim, dei mais uma mordida naquilo, e mais uma, mais uma. Aquilo descia na minha garganta como um afago, e acariciava minha boca, me fazendo perder o senso comum. O sabor quase me enlouquecia. Eu devia parecer um animal comendo aquilo, mas eu não ligava. Era assim que me tratavam. Não fazia mal eu agir assim uma única vez. Eu terminei de comê-la e lambi meus dedos, que estavam molhados com o “suco” daquilo.
-Venha aqui.
Eu obedeci. Aquela coisa... Akamomo... Devia custar caro. Agora, eu devia pagar de alguma forma. Sei que havia feito algo suspeito, mas meu corpo falou mais alto. Estava satisfeita, devia retribuir. Ele sorriu, calmo. Aproximou-se e tocou meu rosto com as mãos, virando-o para cima, me fazendo encara-lo.
-Boa menina...
Ele move minha cabeça para o lado e põe sua boca sobre meu pescoço. Eu senti seus lábios e em seguida, uma dor aguda, mas que logo depois foi bruscamente interrompida. Ele afasta o rosto de mim e solta minha face. Eu toquei o lugar onde estava doendo, mas não havia nada, só estava um pouco dormente.
-Era isso que você queria?
-Não. Estava apenas oficializando o nosso contrato.
Aquele homem me pareceu ainda mais peculiar. Formalizar... O que ele havia feito afinal? E o que o dito contrato tinha haver com o meu pescoço? Preferi não contestar, afinal, parecia que ele tinha certeza do que falava. E eu não me via no direito de reclamar com alguém com quem estou em débito.
-Então diga-me, o que você quer. Me esforçarei para conseguir lhe pagar.
Eu olho para a face dele, e ele, depois de um sorriso vitorioso, fala seu desejo. Seus lábios se moviam tão lentamente que eu podia lê-los. Sua voz saiu de forma mais avassaladora que da ultima vez. Como assim? Por que ele queria isto? Logo isto?
Fim do capitulo 1
Notas finais
Obrigada por ler até o final *Inclina-se*
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