Frutos Proibidos São mais Gostosos
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Pedi para passar em casa, para poder pedir permissão a minha tia. Ele deu uma leve risada e assentiu com a cabeça. Não entendi o motivo da risada, e muito menos o motivo por trás do pedido que me foi feito. Estava indo em direção a casa de minha tia, quando ele segura meu braço de leve, me fazendo parar e encará-lo. Com o sorriso permanente em sua face, ele me disse:
-Eu não tenho muito tempo, quero logo a minha parte do acordo, e aposto que só aquela Akamomo não matou sua fome. Iremos em minha carruagem.
Aquilo me pareceu mais uma ordem que uma oferta. Deixei-me levar pelo homem, que me conduzia até uma rua movimentada, repleta de carruagens e carroças. Próxima a calçada, havia uma carruagem nova e muito bela, sendo puxada por quatro cavalos negros e grandes, de pêlos brilhantes e olhos cobertos, guiados por um cocheiro elegante, em nobres trajes. O homem me guiou até a porta da carruagem, o cocheiro desceu de seu lugar e abriu a porta. O homem ofereceu sua mão para me ajudar a subir. Eu aceitei, embora um pouco receosa, afinal, era a primeira vez que entrava num transporte tão luxuoso. Sentei-me num dos bancos macios de tecido vermelho, sendo seguida pelo homem, que sentou-se em minha frente, olhando-me, com ar vitorioso. O cocheiro fechou a porta e voltou ao seu lugar, fazendo os cavalos seguirem em frente.
-Devo dizer a ele o caminho para minha casa?
O homem de cabelos prateados novamente riu.
-Não é necessário. Não se preocupe. Chegaremos logo ao nosso destino.
O fato de ele saber onde ficava minha casa me intrigou, mas eu pouco pude pensar nisso, já que algo desviou completamente minha atenção: Ele não desviou o olhar de mim um segundo sequer. A dormência do meu pescoço incomodava ou pouco, mas não tanto quanto aqueles olhos avermelhados que me fitavam sem parar.
-Tem alguma coisa no meu rosto?
-Não... –Ele me pareceu sério de repente — Está limpo como sempre... Tal qual neve nova... Absolutamente imaculada.
-Por que motivo continua me olhando assim?
-Estou satisfeito com meu prêmio. Por mim, a admiraria o resto dos meus dias.
-Por que você me quer ao seu lado? Fiquei confusa quando você me disse que você queria que eu me tornasse sua filha. Não aparenta ser tão mais velho que eu para ser meu pai, e não vejo como alguém iria querer ter uma menina vestida de trapos como filha, podendo ter quantos filhos de sangue desejasse.
-Sou mais velho do que aparento, minha pequena.
-Quantos anos têm?
-Que bom que estamos tendo uma conversa pacifica... Eu tenho... Tente adivinhar!
Ele deu um sorriso imenso, divertindo-se com o jogo que criara. Tentei pensar primeiramente na idade em que aparentava para depois, aumenta-la gradualmente. A pele não tinha marcas ou rugas, o corpo era alto, os traços eram adultos.
-Vinte? Talvez vinte e dois anos...
-Muito bom palpite! Sou um pouco mais velho. Tente novamente!
Aquilo me distraía, mas ainda estava preocupada, afinal, iria sair da casa que fora de minha mãe para a casa de um completo desconhecido, por causa de uma coisa de aroma tentador. Por outro lado, estava aliviada. Finalmente seria salva de trabalhar dezoito horas por dia na rua e duas em casa, só para poder comer um prato de sopa com os restos de comida de minha tia, sendo que eu não ficava com nem uma moeda do que ganhava. Ele notou que eu estava um pouco perdida e me trouxe de volta para o jogo.
-Se você acertar minha idade, te digo meu nome. Pouco mais que vinte e dois! Vamos!
-Deixe-me ver... Vinte e quatro?
-Acho que acertará a próxima... –Ele pisca para mim, divertido.
-Vinte e seis?
-Parabéns! Agora, vou te dizer meu nome!
Fiquei feliz e ansiosa. Me perguntava como os pais de uma pessoa tão diferente o nomearia. Quando ele estava prestes a falar, a carruagem para e o cocheiro anuncia que chegamos a minha casa.
-Como ele já sabia onde eu morava?
-Segredo! Talvez te conte mais tarde, no fim de mais um jogo de adivinhações. E não se preocupe, assim que falarmos com sua tia eu te darei meu nome, como prometido!
O amante de jogos saiu pela porta assim que o cocheiro a abriu, e me esperou, oferecendo a mão. Desta vez, seu sorriso parecia sincero... As bochechas dele não doíam? Ele sorriu para mim grande parte do tempo...
-É melhor só você ir primeiro. Conte para sua tia, e em seguida, eu falo com ela.
Tinha certeza de que ela iria me matar, ou pelo menos chegar perto, mas por fim, aceitei. Entrei na casa, meio receosa. Minha tia estava na sala, sentada em frente a mesa, comendo o almoço que sua empregada havia feito.
-Titia... Posso falar com a senhora um momento, por favor?
-Que ousadia é essa? Você me deve respeito, sua vagabunda!
Ela levanta-se. Seu cabelo, perfeitamente arrumado, como sempre. Estava usando novamente aquele vestido caro, que minha mãe usava quando ia para festas. Sempre ficava com raiva quando a via usando ele, mas não podia reclamar. Caso contrário, apanharia como uma condenada. Ela veio em minha direção, irritada.
-Pare de negligenciar suas obrigações! Se eu não ficasse com você, algum tio seu provavelmente iria te fazer de brinquedinho, vagabunda! Pelo menos me chame direito e não volte pra casa antes de terminar seu trabalho, desgraçada!
-Mas...
-“Mas” nada!
-Você precisa me ouvir! Eu tenho que te contar uma coisa! Um moço apareceu e...
-Vadia! Se você estiver grávida, pode tratar de por essa coisa pra fora!
-Não é nada disso! – Estava prestes a chorar.
-Se você fez algo que não devia, simplesmente concerte, lerda!
-Eu prometi para ele que ele poderia me adotar! – Gritei, quando ela parou para respirar.
No mesmo momento, ela pegou o prato em que comia e jogou em mim. A porcelana quebrou-se e cortou meu braço, que agora sangrava muito. Ela começou a me bater e me ofender, gritar comigo, dizer que eu só havia aceitado isso porque sou uma vadia preguiçosa, que eu merecia morrer apanhando de um velho que me adotou. Ela me puxou pelos cabelos e me lançou no chão. Começou a me chutar, e gritar frases desconexas. Senti que realmente morreria, quando o homem de cabelos prateados entrou na sala e se pós sobre mim. Ele me abraçou e me levou até o lado de fora. Minha tia parou com aquilo, quando pensou que ele, que parecia muito rico, pensaria mal dela. Ficou se recompondo, enquanto eu me deixava levar pelo homem. O corte doía muito, e sangrava cada vez mais. Paramos ao lado da carruagem. Ele me cobriu com seu casaco de peles e disse para eu tentar me acalmar. Ele percebeu o ferimento no meu braço. Seu rosto se tornou assustador. Sua face expressou o mais profundo ódio que eu vi em toda a minha vida. Não parecia possível que aquele homem sorridente pudesse ficar naquele estado. Minha tia sai de casa, recomposta. Vem se dirigindo formalmente para o homem, dizendo que a culpa foi minha, que eu tinha problemas mentais e que não podia levar a sério o que eu dizia, que ela só estava me mandando parar de cortar meu braço e mais um monte de mentiras esdrúxulas em que todos os vizinhos faziam questão de acreditar cegamente. A desculpa dela sempre foi “ela enlouqueceu depois da morte da mãe”. Ele sorriu docemente para ela.
-Entendo... Então era isso! Como eu fui tolo em acreditar numa garota que só vi uma vez!
Ele me ignorou um momento e foi para dentro com minha tia. Eu entrei em desespero. Se ele acreditou, eu estaria perdida! Seria morta! Vendida! Sentei-me ao lado da carruagem. O corte doía mais ainda. Meu peito estava prestes a explodir. O cocheiro, pela primeira vez se dirigiu a mim. Sua voz era incrivelmente suave e me deixou calma só de ouvi-la.
-Meu mestre não é um tolo. Não se preocupe. Só estou preocupado com sua impulsividade, seu único ponto fraco desde que o conheci... De qualquer forma, o mais importante agora é você. Mostre-me teu ferimento.
Tirei meu braço de dentro do casaco, e lhe mostrei o corte. Ele veio para o meu lado, e eu pude ver seu rosto. Seus cabelos eram negros, e seus olhos, amarelados. Sua pele era clara e de aparência macia. Mantinha uma expressão calma e séria. Ele examinou o corte, então rasgou um pedaço de sua camisa e enrolou no meu braço.
-Farei um curativo decente quando chegarmos. Não se preocupe, não foi muito profundo, não deixará cicatriz.
-Obrigada.
-Me chamo Natanael. Muito prazer...
-Prazer! Meu nome é Serenity.
-Devo lhe chamar de mestra a partir de agora?
-Não gosto de formalidades. Só meu nome já está bom!
-Então... Senhorita Serenity, por favor, entre na carruagem. Meu mestre já está por vir, e ficará nervoso se a senhorita estiver aqui no chão.
O senhor Natanael já sabia que aquele homem me havia adotado? Será que ele foi para lá já com esse intuito? Provavelmente... Ele desconversou quando eu perguntei o motivo do pedido de adoção. Logo eu? Não entendo... O senhor Natanael me ajudou a entrar na carruagem, com muito cuidado, fechando a porta em seguida. Veio até a janela e me disse:
-Meu mestre está a caminho. Quando chegar, iremos para casa imediatamente para cuidar de teus ferimentos.
-E se minha tia não permitir?
-Não se preocupe com isso. Meu mestre não aceita um não como resposta.
Meu corte ainda doía muito. Ao menos, meu sangue parou de sujar o casaco do homem, graças ao curativo emergencial que o senhor Natanael fez. Ele sai da janela momentos depois, e abre a porta para o homem de cabelos prateados. Ele senta-se ao meu lado e pega devagar o meu braço.
-Como está o corte?
Mostrei-o para ele. Ele ficou um pouco aliviado. Como o senhor Natanael havia falado, a carruagem principiara a andar logo depois da porta ser fechada.
-O senhor Natanael me fez este curativo.
-“Senhor”? –Ele volta a rir, alegremente — Ele é teu criado a partir de hoje, não precisa usar isso antes do nome dele. Se quiser, nem precisa chamá-lo pelo nome certo. Eu costumo chamá-lo de Julian, só para irritá-lo.
Ele realmente era estranho. Muito estranho...
-Como foram as coisas?
Ele estava feliz, como antes. Pegou minha mão, beijou-a e me disse.
-Aquela maldita é realmente insistente! Tive de comprá-la dela, praticamente. Mas agora está tudo bem. Você é só minha agora. Só minha!
Senti um arrepio passar por todo o meu corpo. Aquilo me soou realmente pervertido. Fiquei assustada. Ele beijou novamente minha mão.
-Não se preocupe. Só quis dizer que ela não tem mais direito algum sobre você. Quantos anos você tem? Você sabe minha idade, mas eu não sei a sua.
-Quinze...
-Nossa! Você é realmente pequena para sua idade! Seus seios deviam ser maiores! Você teve uma festa de debutante?
Ele falou tão naturalmente dos meus seios que me deixou surpresa... Mas desta vez, não me pareceu pervertido, e não fiquei ofendida. Ele definitivamente era uma pessoa estranha.
-Não. Minha mãe morreu quando eu tinha doze.
-Oras! A minha também! Providenciarei uma festa para você!
-Não precisa! Mas... Posso mudar o assunto?
-Claro!
-Os seus olhos... Tem algo errado com eles? E os de Natanael? Nunca havia visto olhos destas cores!
-Não. Nada errado. São de nascença.
-E seus cabelos?
-Idem.
-Que peculiar...
Ele pegou uma mecha de seu cabelo e começou a brincar com ela.
-Já te disse o meu nome?
-Não, senhor.
-Sem essa de senhor, ouviu? Vou te dizer meu nome, e quero que você só me chame por ele! –Ele parecia uma criança fazendo birra.
-Está bem...
Ele veio para bem perto de mim. Pós seus lábios incrivelmente próximos a minha orelha e falou, devagar, sussurrando.
-Me chame de Christian.
Meu corpo novamente se arrepiou. Não só pela proximidade dos corpos, mas pelo nome. Aquele nome me lembrava de algo. Me fazia sentir medo e... Uma sensação de nostalgia...
-Eu... Já te conheço, Christian?
-Não... Talvez tenha conhecido outra pessoa com este nome. Se ele te faz lembrar de algo ruim, pode me chamar por outro nome.
Ele continuava perto de mim. Abraçou-me devagar. Estremeci. Começou a me deitar sob seu corpo, pouco a pouco. Virou meu corpo para ele, me olhava nos olhos.
-Pode me chamar de Victor, Miguel, Antony, Alexandre...
Me deitou completamente e ficou apoiado nos cotovelos, que estavam dos lados de minha cabeça, no joelho esquerdo, que estava entre minhas pernas, e no pé direito, que estava no chão da carruagem. Eu só conseguia sussurrar. Seu rosto estava muito próximo. Muito sério.
-Não...
-Emanuel, John, Filipe...
Ele beijou devagar meu nariz, me fazendo corar, e em seguida, meu queixo.
-Mateus, Carlos... Até mesmo... Lúcifer...
-P-Para! Estou com medo!
-Ou quem sabe...
Sua boca quase tocava a minha, quando a carruagem para e a porta se abre.
-Julian! –Ele ri.
Ele sai de cima de mim, me ajuda a sentar novamente.
-Julian, poderia, por favor, leva-la para tratar deste ferimento? Ela não vai conseguir se mover sozinha com as pernas tremendo deste modo.
Natanael me ajudou a sair da carruagem e em seguida, me tomou em seus braços, me carregando para dentro de uma imensa mansão. Christian nos seguia. Natanael me levou até uma sala pequena, repleta de frascos. Sentou-me sobre uma mesa e tirou o casaco de mim.
-Não ligue para as ações de meu mestre. Ele não passa de um irresponsável. Sempre com esses joguinhos... Ele só está em busca de alguma diversão. Sempre.
-Ele iria realmente me beijar?
-Se eu demorasse mais um segundo para chegar à mansão, talvez. As brincadeiras dele são muito... Precisas. Ele sabia exatamente o momento em que eu abriria a porta. Sabia o ritmo perfeito para se aproximar de você.
-Você realmente me conhece muito!
Ele fala, de fora da pequena sala, através da porta aberta.
-Vocês são muito próximos, estou certa?
-Sim! O Julian matava e eu escondia os cadáveres!
-Na verdade, era o contrario. Nunca tive coragem de tirar a vida de ninguém.
Eles falaram isso de forma incrivelmente convincente. Fiquei pálida. Natanael fez uma pasta com umas ervas de alguns frascos e tirou o tecido do meu machucado.
-Vai doer um pouco. –Natanael estava sério.
-A propósito, era brincadeira! Fica calma, criança. –Disse Christian.
Natanael passou a pasta no meu ferimento, que começou a arder muito. Ele não parecia estar brincando quando falou aquilo. Ele pegou esparadrapo e cobriu meu ferimento.
-Não se preocupe, eu só não gosto de rir das piadas dele. Só concordei para que ele ficasse feliz.
-Na verdade, trabalhávamos juntos para os antigos donos desta mansão. Ele virou meu servo porque quis. Disse que não iria se acostumar com a vida de “Jovem mestre”, e que desde que nasceu, já fazia tudo por mim.
-Claro, você era três anos mais velho que eu, mas não conseguia nem amarrar o próprio cadarço. Se não fosse por mim, você teria morrido engasgado com o próprio suor.
-Mas quando ele está longe de mim, se refere a mim com toda a formalidade. –Christian fez cara de raiva fingida.
Logo, meu corte já estava tratado. Natanael me olhava de cima a baixo.
-O que foi, senhor Natanael?
-“Senhor”?... Não é nada, eu só estava imaginando se ela não te feriu em outros lugares.
-Traduzindo o que ele disse, ele quer que você tire a roupa para ele te examinar.
Natanael cora. Christian realmente não censurava o que dizia. Parecia que só foi sério na vez em que me seduziu com aquela fruta... Doce... Com aquilo! Por fim, notei que Natanael esperava a resposta.
-Você é médico?
-Não tenho diploma, mas sei cuidar de machucados, cortes, doenças leves... Uso medicina natural.
-Se é assim... Acho que não tem problema...
-Ele é muito competente, não costuma misturar obrigações com interesses pessoais. Sem falar, que ele é praticamente virgem... Nunca o vi cortejar ou seduzir uma moça sequer! Vive para servir! Um mordomo perfeito!
-Isso não me soou um elogio. Retire-se, por favor.
-Está me expulsando por um comentário, velho amigo?
-Ela não vai querer ser vista por dois homens, sendo um só médico. –Ele encara Christian com desaprovação.
Christian ri um pouco e concorda. Diz que vai para meu quarto, me esperar lá. Natanael fecha a porta e permanece virado para ela.
-Tire seu vestido, por favor.
Eu olhei pela janela, havia um quintal imenso, rodeado por muros de pedra e repleto de estatuas de ferro e pedra, e uma fonte, que provavelmente ficava exatamente do lado da mansão. Não havia ninguém no quintal, e eu não ouvia qualquer ruído vindo das proximidades. Tirei meu vestido, um pouco assustada. Era a primeira vez, desde que tornei moça, que um homem me veria com roupas de baixo. Sequer em médicos eu ia, já fazia alguns anos. Natanael vira-se, corado. Pede para eu mostrar algumas partes de meus braços, barriga e costas. Toca alguns hematomas. Pergunta se eu estou o sentindo tocar em algumas áreas. Ainda muito vermelho, pede para eu me vestir e diz que me guiará até meus aposentos. Depois de me vestir, pergunto se tem algo errado comigo. Ele disse que a maioria das feridas seriam curadas com o tempo, mas que me passaria alguns remédios para evitar que houvessem hemorragias internas.
Ele me leva até meu quarto, onde Christian me esperava. Me deixou lá e sai em seguida. Christian vem até mim.
-Quando o seu ferimento parar de sangrar, tome um banho e peça para o Julian refazer o curativo. Está é sua cama.
Ele aponta para uma cama, que possui uma espécie de teto. Nunca havia visto algo assim. Era muito grande para uma pessoa só, e os lençóis eram limpos e perfumados.
-Deve estar cansada. Tem roupas sobre a cama. Acho que devem lhe servir muito bem. Coloque-as antes de dormir. Sei que está louca para dormir numa cama macia, ao invés de um paninho no canto do estábulo.
-Espere! –Me surpreendi –Como você sabia disso?
Ele apenas ri e sai do quarto, como se a resposta fosse incrivelmente óbvia a ponto de ser inútil dá-la. Perguntaria a ele mais tarde. Meu corpo pesava, doía. Troquei minha roupa e me deitei naquela cama. Os tecidos acariciavam minha pele. Lembravam-me a sensação de engolir aquela coisa gostosa, suculenta. Adormeci pensando naquela fruta... Naquele doce... Naquela porta magnífica para o inferno...
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