Frozen Love, Melted Heart
10 Back to the Ice Castle
Notas iniciais
A primeira reação de Anna foi ficar em choque, parada de olhos arregalados tentando descobrir se havia ouvido certo. A segunda foi rir. Ela deu uma enorme gargalhada, embora Elsa não soubesse o motivo. Quando parou de rir, respirou fundo e falou:
– Ah, me desculpe. Não são modos de uma princesa rir alto, eu sei.
– Tudo bem.
– Mas é que... não consigo imaginar... – ela também não conseguia falar, pois ria sem parar. Depois de um tempo, quando decidiu parar de rir, perguntou:
– Certo. Agora me diz, quem é?
– Eu já disse.
– Não, primeiro você disse Jack Frost, e não pode ser ele porque obviamente não existe. Não é porque você tem poderes do gelo que vá existir uma lenda que também tenha.
– Ele existe, Anna!
– Elsa, por favor! Eu estou falando sério!
Ela estava tentando ao máximo se controlar. Seus olhos se enchiam de lágrimas.
– Você não sabe quanto tempo eu esperei para contar isso. O que eu tinha mais medo de acontecer, aconteceu. Você não acredita. Achei que fosse minha irmã. Que quisesse me ver feliz. Eu estou feliz, não vê?
Anna a observava, seu olhar dava um ar de pena. Era isso. Ela estava com pena. Mas não acreditava. As lágrimas de Elsa começavam a escorrer.
– O que mais você ia me contar?
– Este salão. Eu usava meus poderes aqui e nós brincávamos juntas aqui quando éramos crianças. Foi então que eu machuquei você e tivemos que levá-la aos trolls para que você não morresse. Sua cabeça estava congelando. Era daí que vinha aquela mecha branca.
– Por que nunca me contou isso?
– Ah, isso você acredita?
Ela também começava a chorar. Estava claro que também não gostava de estar naquela discussão. Elsa se afastou para a saída.
– Quer saber? Acho que sei porque você está inventando isso. Você me vê com Kristoff todos os dias, nós somos felizes. E você sempre se recusou a acreditar no amor, mas agora está com inveja. Eu sei que você quer um final feliz com alguém ao seu lado. Mas não precisa inventar que está tendo um romance perfeito com uma lenda! Você pode encontrar alguém para lhe fazer feliz, Elsa, eu sei disso!
Aquilo era a gota d’água. As duas choravam sem parar e a neve ia caindo aos poucos. Porém, depois do que Anna dissera, estava tendo praticamente uma tempestade dentro do palácio. Elsa respirou fundo e disse, com a voz fraca de tanto chorar:
– Eu o amo, Anna.
– Elsa, ele não existe.
– Já chega.
– Não! Eu estou falando sério. Eu sei que você pode encontrar alguém e...
– Eu disse já chega!
O momento em que as duas brigaram na coroação passou pela cabeça de Elsa e foi o suficiente para ela se controlar e não criar enormes pedras de gelo novamente. Não podia acertar sua irmã. Mas também não podia ficar perto dela para não correr o risco. Teria que fugir novamente.
– Me dê licença.
Ela foi até os portões e saiu. A neve passou a cair lentamente do lado de fora. Jack, provavelmente atraído pela tempestade, foi atrás dela.
– Elsa! O que houve?
– Eu preciso ficar sozinha.
Dito isso, continuou andando sem olhar pra trás. Jack voou por cima dele e parou bem na sua frente.
– Você não vai querer ficar sozinha, acredite.
– Por que não? Já fiz isso uma vez, não vejo problema algum e fazer de novo. Se me dá licença...
– Eu não dou. O que você vai fazer? Trazer o inverno eterno outra vez?
– O que eu vou fazer não é da sua conta.
Ela nem sabia por que estava descontando tudo aquilo no amor de sua vida. Afinal, era ele o motivo da briga com a irmã, embora não tenha feito nada de errado.
Ele parou em sua frente de novo e bloqueou sua passagem.
– Posso por favor ficar dois segundos sozinha?
– Não até me dizer o que está acontecendo!
– Anna não acreditou e nós brigamos. É isso que está acontecendo. Posso passar agora?
– Não.
– Ei! Isso não era parte do acordo!
– E daí? Eu nunca fui de seguir regras. Se você quer se isolar do mundo, eu vou com você.
– Jack, eu não acho que isso seja uma boa...
Em um movimento súbito, Jack pressionou os lábios contra o de Elsa, beijando-a. Ela não resistiu. Retribuiu o beijo. Nesse momento, tudo dentro de si parecia estar queimando. O gelo que estava dentro dela parecia derreter. Apenas um ato de amor verdadeiro aquece os corações congelados. Era o que estava acontecendo. Os dois tinham poderes de gelo. Faziam parte de um amor congelado. Mas quando estavam juntos, seus corações derretiam. Eles eram o casal perfeito.
Quando ele se afastou, buscou em seus olhos um sinal de que mudara de idéia. E provavelmente encontrou, pois estava bem claro que ela queria Jack perto dela. Elsa olhou em volta: toda a neve que tinha ali havia sumido.
– Tudo bem. Você pode vir comigo. Vamos.
Ele deu um sorriso satisfeito e Elsa foi andando.
– Então, pra onde vamos?
– Ao meu castelo de gelo. Fiz com que ele não derretesse quando salvei Arendelle do inverno eterno.
– Você pretende caminhar?
– Sim.
– Acho que já está na hora da rainha aprender meus costumes.
Ela olhou em seus olhos e logo entendeu o que ele quis dizer.
– Ah, não. Você não...
– Venha!
Ele a pegou nos braços e voou. Demoraram apenas cinco minutos para que chegassem até as Montanhas do Norte e encontrassem o castelo de gelo.
– Já pode me pôr no chão agora – disse Elsa
– Nada disso. Subir escadas não combina muito comigo.
Eles pousaram já no topo da escada, na porta do castelo. Elsa moveu os portões de gelo e abriu. Percebeu o entusiasmo nos olhos de Jack ao entrar. Afinal, era um castelo feito de gelo, e ele também tinha estes poderes de gelo.
O castelo não estava mais em ruínas. Era óbvio que mesmo depois de tudo o que havia acontecido, ela não iria querer abandonar por completo. Ainda visitava vez ou outra, e na primeira vez que o visitou após o desastre consertara tudo.
– Isso tudo é fantástico. Não sei como não pensei nisso antes.
– Venha. O meu quarto fica lá em cima. Bem, quando eu criei iria ficar sozinha, então só tem um...
– Não se preocupe. Eu durmo lá embaixo. Uma rainha deve ter o luxo. O garoto invisível pode dormir no chão.
– Por que não melhoramos o castelo? Quer dizer, temos um dia inteiro.
Frost sorriu. Não era possível que existisse alguém com um sorriso tão lindo. A não ser por Jack. Meu Jack, pensou Elsa.
– Tudo bem então.
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