Frozen Hearts
3 The Love Experts
Notas iniciais

Elsa estava certa. Hoje seria um grande dia para mim. Faltava menos de uma semana para o meu casamento com Kristoff e milhões de detalhes ainda precisariam ser organizados. Por mais que os criados me ajudassem, eu ia pra cama exausta todos os dias, me perguntando porque resolvi casar logo agora. Além do mais, com o pesadelo da Elsa na noite passada, acabei indo dormir muito tarde, preocupada e com os ouvidos atentos para derrubar aquela porta ao primeiro sinal de um novo grito.
Mas o resto da madrugada passou tranquilamente e quando o sol apareceu pela manhã, não pude deixar de me sentir animada. Hoje seria só diversão da melhor qualidade, pois eu iria finalmente escolher meu vestido de noiva. Tenho certeza que assim que encontrasse o vestido perfeito, iria finalmente ter a sensação de estar fazendo a coisa certa. Sabe como é, me sentir uma noiva de verdade. Eu mal podia esperar!
Talvez por isso tenha pulado da cama e me apressado tanto para me vestir e tomar meu desjejum, praticamente engolindo a comida sem nem mastigar direito.
Depois disso, corri para o salão principal, onde todos os alfaiates do reino e todas as criadas do castelo estavam reunidos para o grande momento. Funcionaria assim: além do vestido da minha mãe, eu teria mais seis opções disponíveis, desenhadas especialmente para mim. Ter a princesa de Arendelle usando uma de suas criações em seu casamento seria o sonho de qualquer alfaiate. Eles deveriam ter costurado belíssimos vestidos de noiva e eu estava mais do que ansiosa para vê-los, prová-los e
rodopiar pela sala com todos eles.
Mas a realidade não correspondeu à minha imaginação fértil. Primeiro, provei o vestido que a minha mãe havia usado durante a cerimônia com meu pai, certa de que seria uma ótima maneira de mantê-los presentes naquele momento tão especial para mim. Mas infelizmente, minha mãe era muito mais magra e mais alta do que eu jamais serei e o seu lindo vestido não serviu de maneira alguma.
Tentei não desanimar e passei para a próxima opção: um vestido do tipo bolo de noiva, com uma enorme saia armada, muitos laços e pérolas bordadas. Não fazia muito meu estilo, mas achei que talvez pudesse mudar de ideia. Saí de trás do biombo sob uma chuva de risadas das criadas e gritinhos de pânico dos alfaiates. Eu estava literalmente igual a um enorme e fofo bolo de noiva.
Mais uma vez, lutei para não me deixar abater. Eu iria encontrar o vestido dos meus sonhos, agora era uma questão de honra! Infelizmente, o destino parecia não querer que a tarefa fosse tão fácil assim. O que se seguiu depois disso foi um verdadeiro desfile de tragédias: um vestido ficou justo demais, o outro longo de menos, este era tão comprido que poderia caber cinco Annas dentro dele e aquele se assemelhava bastante a um lençol branco amarrado nos meus ombros. Não era possível! Já estava entrando em desespero sentada no banco escondido pelo biombo, quando lembrei que ainda restava um único vestido para ser provado. Era minha última esperança! Comecei a achar que o tal destino estava apenas guardando o melhor para o final.
E dessa vez eu estava certa: quando a minha criada pessoal terminou de fechar o último botão e eu pude dar uma espiada no espelho, meu os olhos se arregalaram no reflexo. Era esse, finalmente. O vestido perfeito, que coube em mim como se tivesse sido costurado, fio a fio, no meu corpo. Seu corpete tomara que caia era todo feito de renda branca e acabava em uma saia de princesa, drapeada e presa apenas por um discreto broche de diamante.
Ao aparecer na frente de todos, temi ouvir risadas ou cochichos, mas o único som no salão foi um 'ooooh' geral. Todos estavam tão encantados quanto eu com aquele vestido. O alfaiate responsável pela obra de arte aproximou-se e beijou a minha mão, dizendo:
— Um belíssimo vestido precisava de uma belíssima princesa para usá-lo.
— Obrigada. Ele é perfeito.
— Na verdade, para ficar perfeito, falta apenas um detalhe, minha princesa.
E falando isso, pegou uma caixa que estava na mesa atrás dele e a abriu, revelando um véu delicado e transparente, todo bordado com minúsculas gotas de cristal. De perto, pareciam até mesmo pingos de gelo. Depois de colocá-lo sobre a minha cabeça, o alfaiate se sentou e todos os presentes no ambiente bateram palmas ao mesmo tempo, como um coro. Me senti, pela primeira vez em muito tempo, uma verdadeira princesa.
Enquanto me admirava no espelho, uma das criadas mais jovens, uma garota que não aparentava ter nem dezoito anos, em meio à risadinhas das outras meninas, perguntou:
— Anna...Como é a sensação de amar alguém?
Uma nova onda de risadas e provocações surgiu entre as garotas e eu sorri para o meu eu radiante projetado no espelho. Fechei os olhos e comecei a falar:
— É como se... Como quando você toma sorvete no verão e sente aquele frescor se espalhar pelo seu corpo, dos pés à cabeça. E depois descobre que pode repetir. E que pode passar a vida toda tomando sorvete. Ou como quando começa a nevar e os primeiros flocos de neve estão flutuando pelo céu, e você abre a boca e consegue pegar um com a língua. Sabe o que dizem, sorte para o ano inteiro. Pra sempre. É a melhor sensação do mundo.
Bem nesse minuto, como se fosse houvéssemos combinado, eu abri os olhos e dei de cara com o reflexo da Elsa projetado ao lado do meu no espelho. Ela estava boquiaberta, com os olhos brilhantes, e parecia completamente hipnotizada enquanto me observava. De fato, quem a visse assim, acharia que ela estava vendo a coisa mais bonita de todo o universo.
Eu sorri, e só tirei meu olhos dos seus ao me virar para ficar de frente para ela. Foi quando percebi que, enquanto falava sobre amor e flocos de neve, não estava pensando em nenhum minuto sobre o meu noivo.
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